Uma Breve Introdução à Plataforma Android


Nos últimos anos vimos assistindo a uma verdadeira revolução na indústria mundial de informática. A força motriz impulsionando essas mudanças tem um nome: mobilidade. Atualmente, dispositivos tão diminutos quanto aparelhos de telefonia celular possuem capacidades de processamento de som, vídeo e comunicação semelhantes a computadores fixos. As mudanças sociais e econômicas que se devem a esse avanço tecnológico são vastas: hoje vivemos em um mundo em que a informação é acessível a qualquer hora, e em qualquer lugar. Essa omnipresença da informação tem contribuído para encurtar as distâncias entre as pessoas, levando a Internet, e suas infinitas possibilidades, para os mais remotos rincões do planeta. Graças aos dispositivos móveis, nosso mundo se transforma, e mais uma vez, o profissional de TI coloca-se a frente de tais mudanças.

Dentre os dispositivos móveis, duas categorias são de especial importância: os smartphones e os tablets. Em sua essência, tais dispositivos são computadores: eles possuem uma memória na qual podem ser armazenados programas ou dados, eles possuem unidades lógicas e aritméticas, eles recebem informações do usuário via um teclado, muitas vezes virtual, e exibem informações via uma tela de alta resolução. Smartphones e tablets possuem capacidades similares, entretanto os primeiros tendem a ser mais usados como telefones celulares, enquanto os últimos tendem a ser mais usados como computadores móveis.

Atualmente, o mercado de smartphones e tablets cresce a taxas espetaculares. Para se ter uma idéia das dimensões desse crescimento, no brasil, as vendas de smartphones cresceram 77% no primeiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo período de 2011. O resultado dessa expansão é que atualmente um em cada quatro telefones móveis vendidos no país são smartphones. O mercado de tablets parece ser ainda mais promissor. As vendas desse tipo de produto no mercado brasileiro cresceram 275% durante o segundo trimestre de 2012, quando comparadas com o segundo trimestre do ano anterior. E para 2013 prevê-se a venda de 5.4 milhões de aparelhos. Algumas das maiores empresas de informática do mundo, tais como Google, Apple e Microsoft hoje investem muito de sua capacidade produtiva no desenvolvimento tanto de hardware quanto de software para aparelhos móveis de última geração. A grande expansão desse tipo de mercado, aliada à crescente demanda social pela mobilidade do acesso à informação, parece indicar que esse caminho que a indústria de TI toma em direção à tecnologia móvel é irreversível.

Ao contrário de aparelhos celulares comuns, tanto smartphones quanto tablets executam sobre um sistema operacional. O sistema operacional é uma camada de software interposta entre o hardware que constitui o aparelho físico e as aplicações do usuário, como seu cliente de e-mail, ou seu serviço de mapa. Existem vários sistemas operacionais, cada um mantido por um grupo diferente de fabricantes. Dentre os sistemas mais populares, destacam-se o IOS, mantido pela Apple, o Windows Mobile, produto da Microsoft, e o Android, patrocinado pelo consórcio Open Handset Alliance. No restante deste documento iremos nos ater a esse último.

O sistema android tem como principal patrocinador a empresa Google. Contudo, ele também possui a participação de várias outras companhias de TI, tais como Intel, Nvidia, eBay, Qualcomm, Sony e Motorola. Essas empresas formaram, em 2007, uma associação para o desenvolvimento de alternativas para a computação móvel, denominada Open Handset Alliance. Além de contar com a participação dessas empresas, o código que forma o sistema operacional Android também tem recebido contribuições de programadores espalhados por todo o mundo, uma vez que ele é software aberto. De fato, Android foi construído em torno do kernel de Linux, o sistema operacional que provavelmente melhor representa o empenho e a capacidade da comunidade de software livre.

Aplicações em Android executam sobre uma máquina virtual chamada Dalvik. Máquinas virtuais emulam, via uma camada de software, as funcionalidades normalmente encontradas em hardware, garantindo assim a portabilidade e a segurança das aplicações. De um ponto de vista conceitual, Dalvik assemelha-se à JVM, a máquina virtual usada para executar programas escritos na linguagem de programação Java. As aplicações para Android, aliás, são programadas em Java. Em outras palavras, o desenvolvedor escreve aplicações em Java, e essas são, posteriormente, traduzidas para um formato binário que Dalvik é capaz de emular. A escolha de Java como a linguagem base para o desenvolvimento no mundo Android deve-se a diversos fatores, como a sintaxe voltada para a orientação a objetos, as facilidades para controle de memória, e sobretudo a grande popularidade dessa linguagem de programação. Java tem sido, nos últimos dez anos, a linguagem mais popular de acordo com o indicador Tiobe (www.tiobe.com), por exemplo.

Virtualmente todo tipo de aplicação pode ser desenvolvida para Android, porém algumas são mais naturais e úteis no mundo móvel que esse sistema serve. Muitas das aplicações de maior popularidade para a plataforma Android são vídeo-games. Esses vão desde títulos clássicos como Tetris e Xadrez, até jogos muito complexos, que envolvem comunicação com servidores, uso de inteligência artificial, e processamento gráfico não trivial. Há, obviamente, muito programas Android que não são jogos. Android permite que desenvolvedores utilizem, por exemplo, a API de mapas da empresa Google, abrindo-lhes a possibilidade de criação de diversos tipos de serviço de geolocalização quando essas APIs são combinadas com o serviço de GPS disponível em váris aparelhos. Além disso, Android dá ao programador grande controle sobre as várias funcionalidades do aparelho móvel, como a antena de rádio, a lista de contatos, o receptor de chamadas, o sistema de arquivos e a máquina fotográfica, por exemplo. Todas essas funcionalidades podem ser integradas em aplicações elegantes e fáceis de criar, graças a moderna plataforma de desenvolvimento disponível para o programador Android.

Aplicações Android são geralmente comercializadas on-line. Existem vários mercados virtuais, onde essas aplicações podem ser adquiridas. O maior e mais popular dentre esses é o Google Play. Desenvolvedores podem disponibilizar suas aplicações nesse website, mediante o pagamento de uma taxa única de 25 dólares. Existem também outros mercados, como o Mundo Positivo, da empresa brasileira Positivo Informática, em que aplicações em Português podem ser encontradas. Essa possibilidade de comercializar aplicações de forma barata e abrangente vem criando um novo modelo de negócios para a indústria de TI. Aplicações muito procuradas podem ser vendidas a preços mais populares, usualmente alguns poucos reais, uma vez que o volume de transações é muito grande. Além disso, uma vez que existem menos intermediários entre o consumidor e o programador, esse pode dar-se ao luxo de passar seus custos de produção diretamente para seus clientes.

A ciência da computação já é, desde longa data, um motor de mudanças sociais e econômicas de grande importância. E essa importância tende a crescer com os novos mercados criados pela computação móvel. O constante desenvolvimento experimentado pelos dispositivos móveis, o surgimento de novos modelos de negócio a eles atrelados, e a crescente demanda social por maior acesso à tecnologia faz com que profissionais capazes de programar para esses mercados se tornem cada vez mais valorizados. Os sistemas de computação móvel, Android em particular, abrem assim promissoras oportunidades para o trabalho competente e a mente empreendedora.


Universidade Federal de Minas Gerais