Você estará levando uma importante bagagem ao deixar esta universidade: o conhecimento adquirido durante o curso, a amizade de seus colegas, lembranças preciosas... e também a sua reputação. Uma reputação de respeito constrói-se com trabalho honesto e posturas íntegras. Posturas estas que devem estar presentes em todos os aspectos de sua vida, seja esta a vida profissional, familiar ou acadêmica. De que adianta taxar de corruptos os "políticos" (honestos, aliás, até que se prove o contrário), quando nós mesmos não damos o exemplo? Basta de espertezas: este nosso país precisa de gente honesta. Eu assumo que todos os meus alunos são íntegros. Costumo não ficar em sala de aula durante as provas. Afinal, todos eles assinam um termo de compromisso onde dão a palavra de honra que não vão trapacear... e a palavra de meus alunos têm o peso da instituição que eles representam; o peso de um lugar que eles conquistaram com muito esforço e perseverança. Eu prefiro acreditar que meus alunos não recorrem a velhacarias. Estúpidos engodos, espertezas tão ridículas que chegam ao nível da vulgaridade.
Mas, o que é honesto, e o que não é? A universidade valoriza o diálogo. A troca de idéias, com o sincero objetivo de conquistar o conhecimento não é desonesto. Conversar com os colegas sobre a melhor forma de resolver um trabalho prático no corredor do ICEx, ou onde quer que seja, não é desonesto. Pedir o código fonte do colega é. Postar uma solução para um problema em nossa lista de discussão, descrita em alto nível, ou mesmo em pseudo-código, não é desonesto. Estudar em grupo para as provas não é desonesto: ao contrário, é forma de construir relações de amizade sinceras e duradouras. Passar informações para o colega durante a prova é desonesto. A cola, aliás, é crime previsto em lei: trata-se de uma falsidade ideológica. Copiar a resposta de um colega é um ato criminoso, tanto mais porque coloca também em risco a reputação do autor da resposta. E, no final das contas, pensem comigo: vocês teriam vontade de trabalhar com alguém que somente consegue superar os desafios da vida acadêmica por meio de trapaças? Hoje copia-se uma questão da prova, amanhã vende-se segredos industriais...
Uma última palavra, para fechar este assunto. Eu investigo ciência da computação, não a conduta de meus estudantes. Por outro lado, se acaso eu descobrir que algum estudante meu quebrou a minha confiança, trapaceando de alguma forma, no exame, ou nos projetos, tomarei providências para punir a infração. Anularei a prova adulterada, e retirarei quaisquer pontos extra que o estudante infrator tenha conseguido durante o curso. Além disto, levarei o estudante para o comitê disciplinar do ICEx, onde o aluno será punido de acordo com o regimento universitário. A punição, neste caso, fica registrada junto à ata acadêmica do infrator, e poderá ser consultada por outros professores.