Folha Online - Blogs - Josias de Souza Em vídeo oficial, Aécio ganha a "aprovação" de 90%. Aécio Neves despediu-se do governo de Minas nesta quarta (31). Deixou no cargo o vice tucano Antonio Anastasia, candidato à sua sucessão. Armou-se para a saída do grão-tucano uma festa. Aécio e Anastasia discursaram na sacada do Palácio da Liberdade, sede do governo. A agência de notícias do governo mineiro levou à web um vídeo. Na peça, a repórter Ivana Fonseca discorre sobre a cerimônia. Fala dos "políticos e autoridades" que acorreram aos jardins do palácio. Diz que "a população encheu a Praça da Liberdade". "Vieram demonstrar o carinho pelo governador", ela diz. Ouve-se um pedaço do discurso de Anastasia. Ele fala de "continuidade". No encerramento, discursou Aécio. Diz a repórter, "Aécio agradeceu os mais de 90% de aprovação" que recebe dos mineiros. Sabe-se que é alto o índice de aprovação do governador. Mas 90% é coisa que nem Lula, do alto de sua super popularidade, avoca para si. Aécio, que vai às urnas como candidato ao Senado, usou discurso de despedida para pregar a conciliação. Disse coisas bem diferentes do que se ouviu em Brasília e em São Paulo. "Devemos aos brasileiros um cenário mais generoso da ação política. A grandeza do país convoca-nos à superação da lógica do enfrentamento pelo entendimento..." "...Queremos superar a lógica do poder meramente pelo uso do poder. "A política não pode ser a casa mesquinha que transforma o adversário em inimigo. Não pode ser a casa da intransigência". Em SP, ao se despedir, Serra critica bravatas de Lula Programado como ato administrativo, a "prestação de contas" de José Serra ganhou ares de comício. O candidato tucano à sucessão de Lula injetou no discurso ataques ao presidente e ao governo petista. Esquivou-se de mencionar o nome de seu alvo. Mas o endereço das frases, por indisfarçável, resultou claro. "Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas", disse Serra a certa altura. "O nosso governo serve ao interesse público, e não à máquina partidária. Nós governamos para o povo", vociferou mais adiante. "Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância", vergastou noutro trecho. Serra falou para uma platéia estimada entre 4 mil e 5 mil pessoas. Gente amistosa, como convém. Além de servidores, políticos do PSDB, DEM e PPS. Parte da claque foi ao Palácio dos Bandeirantes, local da despedida, conduzida pelas rodas de 60 ônibus. Quem pagou? Não havia catracas. Nenhum convidado levou a mão ao bolso. Portanto, é de supor que o contribuinte paulista custeou os aplausos. As palmas soaram mais fortes no instante em que Serra declarou: "Vamos juntos que o Brasil pode mais". No pedaço do discurso em que empilhou os "feitos" de governador, Serra fez uma defesa do controle de gastos. "Austeridade não é mesquinharia", disse. Disse que, na composição dos cargos técnicos, privilegiou o currículo, não a indicação política. "Sempre tive aversão à tese do 'dividir para governar". Mimetizando Lula, Serra declarou que, ao distribuir verbas, não olhou o partido do prefeito: "No meu governo, nunca se olhou a cor da camisa partidária. Eu exerci o poder neste Estado sem discriminar ninguém". Serra falou também de um tema que não sai de moda, a corrupção: "Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras". Soou como se desejasse dizer: "Essas são coisas mais encontradiças lá de Brasília". Enquanto o governador tucano se despedia em palácio, desfilava pela região da Avenida Paulista uma passeata de "bota-fora" para Serra. Coisa organizada por 40 entidades sindicais. A maioria delas filiada à CUT, o braço sindical do petismo. Os manifestantes interditaram a via e hostilizaram jornalistas. À frente do protesto, o sindicato dos professores de São Paulo. "Vilania", no dizer de Serra. Em resposta aos professores, de braços cruzados desde 8 de março, Serra disse: "Os professores e servidores irão ganhar mais segundo o seu próprio esforço". Serra declarou-se preparado para o novo desafio. Enrolou-se na bandeira de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Citou a inscrição latina que pendia do pavilhão até 1932: Non Ducor Duco ("Não sou conduzido, conduzo". E realçou a expressão que tremula na bandeira do Estado hoje: Pro Brasilia Fiant Eximia ("Pelo Brasil, façam-se as grandes coisas"). Emendou: "Esta é também a nossa missão. Vamos juntos, o Brasil pode mais". Disse que vai à campanha, tratada no discurso como "nova etapa", munido de "muita disposição, muita força, muita confiança, muita sinceridade e muito trabalho". A exemplo da Dilma Rousseff das últimas 48 horas –lançamento do PAC 2 e despida do ministério—, Serra embargou a voz. Mas, como Dilma, não produziu senão um choro à Nardoni, sem lágrimas. "Quem quiser me derrotar tem de botar o pé no barro" Lula continua abespinhado com o pedaço da imprensa que o imprensa. Destilou sua irritação na cerimônia de troca dos dez ministros que foram ao palanque. Disse que os jornalistas sabem que "o governo é bom", sabem que "o Brasil mudou de patamar"... "Mas eles fingem que não parece". Depois de servir à platéia a ração diária de ataques à mídia, Lula "Cabo Eleitoral" da Silva passou a discorrer sobre o segundo tema que o escraviza: a sucessão. Registrou-se uma novidade: Lula já nem se preocupa em citar Dilma Rousseff. Fala como se o candidato fosse ele próprio: "Quem quiser me derrotar vai ter que trabalhar mais do que. [...] pra me derrotar vai ter que botar o pé no barro, vai ter que viajar esse país, vai ter que correr". Dilma: Eleição é fácil, difícil era aguentar a "ditadura" Ao se despedir do governo Lula junto com nove ministros, Dilma Rousseff encenou um script dividido em três atos. Trazia a voz embargada, contraponto necessário à fama de rude que seu staff deseja afastar. No mais, o básico: Afagos para Lula, alfinetes para a oposição e olhos para as urnas. Primeiro a carícia, feita em timbre de "alegre melancolia", em tom de "alegria triste". "Nós saímos de um governo, que nós consideramos que mais fez pelo povo deste país, e que nós o abandonamos hoje". Nada de "adeus", contudo. "Somos aqueles que estão dizendo até breve". Depois, as alfinetadas, entrecortadas por um leve, quase imperceptível, ranger de dentes Açulou os fantasmas que rondam a relação mal resolvida do tucanato com o seu passado FHC: "Não importa perguntar por que alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Eles devem ter seus motivos..." "...Mas nós temos patrimônio, fizemos parte da era Lula. Vamos carregar essa história e levá-la para os nossos netos". Referiu-se ao tucanato e seus aliados de oposição como "viúvos da estagnação". Gente que "não sabe o que oferecer ao povo [...], que não aceita mais migalhas". No terceiro ato, Dilma lançou um olhar para as urnas. Rendida à evidência de que é uma candidata "lulodependente", cuidou de esclarecer: "Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula". Disse que a candidatura "não é um voo solo, é um projeto". Para não parecer que não entra com nada, Dilma iluminou o passado guerrilheiro de sua biografia: "Eu acho que eu estou preparada na vida para coisas muito mais duras que disputar uma eleição. Difícil mesmo era aguentar a ditadura". Lulinha difunde piada ofensiva ao time do São Paulo Funcionário do Corinthians, Luiz Cláudio Lula da Silva pendurou no twitter uma anedota ofensiva aos jogadores do São Paulo. A coisa foi veiculada por Lulinha na noite de segunda, ecoou pela terça e ganhou as páginas dos jornais desta quarta. Eis o que anotou Lulinha: Curiosamente, o filho de Lula, auxiliar de preparação física do time do pai, já trabalhara para o São Paulo. Alvejado por reações em cadeia, Lulinha apressou-se em dizer: "Não entendi a ira de alguns comigo. Não fui eu quem fez a piada. Eu nem a entendi, por isso contei aqui". Completou: "Fiz uma piada. Quero pedir desculpas a quem não aceitou". Ouvido, o vice-presidente de futebol do Tricolor, Carlos Augusto de Barros e Silva, reprovou o chiste, mas tratou de minimizá-lo: "Foi uma brincadeira de mau gosto. O problema da piada é de quem faz, e não de quem é vítima..." "...Não queremos desdobrar isso e levar como ofensa, até ouvi que ele se desculpou". Mimetizando o pai, Lulinha enxergou no episódio um quê de perseguição da mídia: "[...] Em ano de eleição, a imprensa tenta achar pêlo em ovo, e eu fui muito infeliz em colocar uma piada besta no Twitter..." "...Paciência. Vivendo e aprendendo. Mais uma vez desculpa a todos os torcedores do São Paulo ou a quem ficou ofendido". O gosto por piadas de mau gosto parece ser congênito entre os Silva. Numa passagem por Pelotas, Lulão como que abrira picada em que Lulinha se embrenhou (veja abaixo). Gabeira cogita excluir Cesar Maia de coligação no Rio Num instante em que tudo parecia acertado, reabriu-se o debate sobre a composição do bloco partidário que dará suporte à candidatura de Fernando Gabeira no Rio. Discute-se nos subterrâneos a hipótese de excluir da coligação o DEM, partido do ex-prefeito carioca Cesar Maia. Filiado ao PV, Gabeira reuniu em torno de si as três legendas que, no plano nacional, apóiam o presidenciável tucano José Serra, contra a petista Dilma Rousseff. O PSDB indicou o vice de Gabeira: Márcio Fortes, atual presidente da Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano). O PPS levou à coligação um dos candidatos ao Senado: o ex-deputado Marcelo Cerqueira. E os "demos" acomodaram ao lado de Gabeira o segundo postulante ao Senado: Cesar Maia. Súbito, inaugurou-se uma discussão sobre os "inconvenientes" da presença de Cesar Maia na chapa. O presidente do PV-RJ, Alfredo Sarkis, jamais deglutiu a parceria com o DEM. Traz o ex-prefeito atravessado na traquéia. A vereadora tucana Andrea Gouvêa Vieira, ferrenha opositora das gestões de Cesar Maia na prefeitura, tampouco se mostra confortável. Ao farejar o cheiro de queimado, o próprio Gabeira passou a flertar com a ideia de excluir Cesar Maia da coligação. Em privado, Gabeira diz que lhe causou espanto a reação a um comentário que fizera dias atrás. Dissera que Cesar Maia tem mais experiência política, eleitoral e administrativa que seus adversários na corrida ao Senado. Gabeira contou a um amigo que a menção elogiosa ao futuro parceiro "demo" lhe rendeu uma onda de protestos "indignados". O candidato colecionou reclamações vindas sobretudo de pessoas da classe média, justamente a base do seu eleitorado. Desde então, passou a ruminar reflexões sobre a relação custo-benefício. Acha que a companhia de Cesar Maia pode produzir mais prejuízos do que ganhos. Segundo apurou o blog, Gabeira já compartilhou seu desconforto com o PSDB. Falou com o vice tucano Marcio Fortes. Pretende reunir-se com José Serra De resto, Gabeira agendou para 10 de abril um encontro com eleitores que se dispõem a trabalhar como voluntários de sua campanha. Na internet, os "voluntários" são contados em 15 mil. Espera-se que pelo menos 150 dêem as caras no tête-à-tête com o candidato. Entre quatro paredes, Gabeira diz que vai submeter ao grupo o debate sobre Cesar Maia. Prevalecendo a aversão, caminhará para a exclusão. Segundo a última pesquisa feita no Rio pelo Vox Populi, Gabeira (18%) já roça os calcanhares do rival Anthony Garotinho (20%), do PR. Acha que são grandes as chances de passar para um segundo turno no qual mediria forças com Sérgio Cabral (38%), do PMDB. Gabeira receia que o fio desencapado que enxerga na parceria com Cesar Maia acabe por empurrá-lo para a defensiva. Confirmando-se a exclusão do DEM, a coligação do PV perde valiosos minutos de propaganda. O tempo de TV de Gabeira cairia de cerca de 6,5 minutos para algo em torno de 3,5 minutos. Tomado por seus comentários privados, Gabeira considera que "é melhor perder três minutos de TV do que desperdiçar 30 horas da campanha com explicações". De resto, embora seja mal visto pelo eleitorado de Gabeira na Capital, Cesar Maia desfruta de prestígio junto ao eleitor do interior do Estado. O ex-prefeito "demo" exerceria um contraponto a Garotinho, que recolhe nos fundões do Rio o grosso dos seus votos. Mas Gabeira parece considerar que, mesmo sem Cesar Maia, pode irradiar para o interior a mensagem renovadora de que se julga portador. No mais, ponderam os aliados verdes de Gabeira, o interior (3 milhões de eleitores) corresponde a escassos 25% dos votos da região metropolitana do Rio (12 milhões). Resta responder: mandado a escanteio no Rio, o DEM, presidido por Rodrigo Maia, filho de Cesar, permanecerá impassível na coligação nacional de Serra? Privadamente, Gabeira diz que Cesar Maia, por profissional, saberá entender as suas razões. Pode manter a candidatura ao Senado, lançando um candidato do DEM ao governo e oferecendo um segundo palanque para Serra no Rio. De concreto, por ora, apenas a impressão de que vem barulho pela frente. Meirelles sonda Lula, mas não obtém o posto de vice Lula foi ao encontro do travesseiro, na noite passada, convencido de que Henrique Meirelles permanecerá no comando do BC até o final do governo. Antes de se recolher, o presidente relatou a auxiliares o teor da conversa que tivera com Meirelles nesta terça (30). Às voltas com a necessidade de decidir entre a solidez do cargo e a fluidez das urnas, Meirelles foi a Lula para perscrutar a alma do chefe. Lero vai, lero vem foi à mesa o desejo de Meirelles de tornar-se candidato a vice-presidente da República, na chapa de Dilma Rousseff. Embora entusiasta da ideia, Lula deu a entender na conversa que não teria como impor Meirelles ao PMDB, fechado com outro projeto de vice: Michel Temer. O presidente disse que, se Meirelles optasse por disputar uma cadeira de senador por Goiás, teria o seu apoio. Porém... Porém, Lula renovou o pedido de permanência no Banco Central. E Meirelles deixou o gabinete presidencial como entrara: de mãos abanando. Prometeu tomar uma decisão até o final do expediente desta quarta. Lula ficou com a impressão de que Meirelles fica. Sob FHC, Arruda dizia representar Brasília "limpinha" Sabe-se, desde Magalhães Pinto, que política é como nuvem: você olha e vê um formato. Mas, quando olha de novo, já vê outro. Mineiro como o criador da máxima, José Roberto Arruda levou-a para passear nas fronteiras do paroxismo. O vídeo lá do alto, gravado em abril de 2001, exibe duas peças institucionais do PSDB. Ambas estreladas por Arruda. O Arruda de então era um ilustre senador da República. Elegera-se em 1994, a bordo do velho PP. Apoiara-o Joaquim Roriz, o governador de então. No ano seguinte, Arruda rompeu com Roriz e ingressou no PSDB. Em 2001, tornou-se líder do governo FHC no Senado. Foi nessa condição que protagonizou o par de vídeos, nos quais aparece defronte de um velho automóvel Brasília. Num dos filmetes, fala de uma Brasília "limpinha, arrumadinha, longe da sujeira". Noutro, discorre sobre um empréstimo de US$ 130 milhões do Banco Mundial. Como senador, ajudara a aprovar o contrato. Valera-se do prestígio de líder governista para apressar a liberação da verba. "Pra mim, não importa quem tá dirigindo", jactou-se Arruda no vídeo. Atrás dele, um figurante com a cara de Roriz faz as vezes de motorista da Brasília velha. Na ocasião em que as cenas foram levadas ao ar, Arruda já frequentava as manchetes em posição incômoda. Dois meses antes, em fevereiro de 2001, ele fora acusado de violar o painel do Senado. Junto o grão-pefelê ACM, que presidia a Casa, Arruda apalpara os votos secretos da sessão em que os colegas haviam passado na lâmina o mandato de Luiz Estevão. Um mês depois, em maio de 2001, Arruda seria compelido a renunciar ao mandato, para evitar uma cassação que se avizinhava como incontornável. Posto para correr do PSDB, Arruda filiou-se ao então PFL. Achegou-se novamente a Roriz. Em 2002, foi brindado pelo eleitor brasiliense com um mandato de deputado. O tempo passou. E, em 2006, de novo rompido com Roriz, Arruda elegeu-se governador do DF. O resto da história, por recente, é pãozinho quente. Traído por Durval Barbosa, um ex-auxiliar que herdara de Roriz, Arruda meteu-se na encrenca panetônica. Hospedado no PF"s Inn, perdeu a cadeira de governador e o que lhe restava de biografia. Da cadeia, assiste ao ressurgimento de Joaquim Roriz. Um Roriz que, na bica de obter o quinto mandato de governador, volta a ser paparicado pelo tucanato. Um Roriz que, há duas semanas, reuniu-se em São Paulo com FHC, para detalhar o apoio do PSC, seu atual partido, à candidatura tucana de José Serra. O tempo passa. A nuvens se mexem. Mas a Brasília "limpinha" e "arrumadinha" remanesce como utopia. Imutável. Irrealizável. - Em tempo: O vídeo foi recolhido no blog do Informe JB, editado por Leandro Mazzini. As manchetes desta quarta - Globo: Pressão dos EUA sobre o Irã pode atingir Petrobras - Folha: Governo aponta abuso na prescrição de emagrecedor - Estadão: EUA e Brasil discutem montar no Rio base civil antinarcotráfico - JB: União pelo Rio: União sem repasse - Correio: Wilson fica no GDF e não disputa reeleição - Valor: Siderúrgicas elevarão preço do aço em até 14,5% em abril - Jornal do Commercio: Corre-corre por peixe mais barato Plebiscito! Nani Via sítio Nani Humor. MPF pede que Sarney devolva salário acima do "teto" A maioria dos brasileiros, submetida a salários miúdos, está como que condenada a um final do mês eternamente antecipado. José Sarney vive situação inversa. Patriarca de uma família rica, o presidente pemedebê do Senado acumula três salários. Além do estipêndio de senador, belisca duas aposentadorias. Uma de ex-governador do Maranhão. Outra de ex-servidor do Tribunal de Justiça maranhense. Há sete meses, os repórteres Fernanda Odilla e Hudson Corrêa informaram que, somada, a remuneração de Sarney alçava à casa de R$ 52 mil. Soube-se, então, que uma ilegalidade pingava mensalmente na conta bancária de Sarney. Reza a Constituição que o Estado não pode pagar a nenhum brasileiro, mesmo àqueles que Lula considera "incomuns", salários acima do teto. Em agosto do ano passado, quando a notícia viera à luz, o teto era de R$ 24.500. Hoje, está fixado em R$ 26.723,13. Pois bem, o procurador da República Francisco Guilherme Bastos, lotado em Brasília, decidiu levar Sarney à Justiça. Em ação protocolada nesta segunda (29), o procurador Francisco pede que o Judiciário obrigue Sarney a devolver a pecúnia recebida ilegalmente. Antes, o procurador requisitara informações salariais ao próprio Sarney e ao governo do Maranhão, comandado pela filha do senador, Roseana. Os dados não foram fornecidos. Para o procurador, "houve o reconhecimento acerca do pagamento de valores a título de pensão especial..." Valores que, "quando acumulados com a remuneração do cargo de senador da República, extrapolam flagrantemente o teto remuneratório previsto na Constituição". Protocolada na 21ª Vara da Justiça Federal no DF, a ação do procurador inclui um pedido para que o Judiciário requeira novamente os dados salariais de Sarney. Só então, argumenta o procurador Francisco, será possível calcular o valor total a ser devolvido à Viúva pelo grão-pemedebê Sarney. Tomado pelas justificativas de sua assessoria, Sarney não cogita devolver coisa nenhuma. Alega que o acúmulo de vencimentos, no seu caso, não é ilegal. Por quê? No entendimento do senador, a Constituição não proíbe o acúmulo de aposentadorias. - Serviço: pressionando aqui, você chega à íntegra da ação movida pelo procurador Francisco. DF: "O rolo compressor vem aí, ainda nem começou" Durval Barbosa, o ex-secretário do GDF que implodiu o panetone de José Roberto Arruda, prestou depoimento à CPI da Câmara Legislativa de Brasília. Munido de habeas corpus que o autorizava a manter o bico fechado, Durval não respondeu às perguntas. Disse o que bem quis. Deixou boiando no ar uma frase que ecoou como ameaça: "Se preparem, o rolo compressor vem aí, ainda nem começou". Durval deve saber do que fala. Frequentou a podridão por dentro. Registrou-a numa impressionante sequência de vídeos. Apenas uma ínfima parte da cinemateca de Durval veio à luz. A Polícia Federal e o Ministério Público manuseiam o resto. Instado a abrir mão do habeas corpus do silêncio, Durval respondeu negativamente. Soou como se não confiasse nos inquisidores. "Já prestei mais de 40 depoimentos a entidades em que realmente confio". Convidou os deputados a ouvir quem realmente importa: "A sociedade está ansiosa para ouvir o [José Roberto] Arruda, o P.O. [ex-vice-governador Paulo Octávio], os assessores e deputados envolvidos". Durval explicou porque acendeu o pavio que detonou o escândalo: "Tive coragem de me autoincriminar porque não aguentava mais os achaques do Arruda, do Paulo Octávio e de quem mais tinha alguma coisa a ver". Meia verdade. Durval levou seus vídeos ao ar porque responde a três dezenas de processos por corrupção. Enxergou na delação premiada um escudo. A pedido de um deputado, Durval ratificou na CPI o teor de todos os depoimentos que já prestou à PF, ao Ministério Público e à Justiça. Um par de deputados realçou o fato de que Durval presta um "serviço à sociedade" ao colaborar com os investigadores. E Durval: "Nunca vou me orgulhar disso. Hoje sou um preso mais preso do que quem está encarcerado". Também nesta terça (30), um amigo de Durval, o jornalista Edson Sombra, prestou depoimento à Polícia Federal. Sombra é aquele personagem que Arruda e Cia. haviam tentado subornar. Uma tentativa que tornou o ex-governador hóspede do PF"s Inn. À saída, Sombra disse aos repórteres que, em meio ao andamento do inquérito do panetonegate, ainda há pessoas "achacando na cara de pau". Não deu nome à boiada. Apenas insinuou que os mugidos viriam de políticos e empresários. "Alguns ainda estão no poder", declarou. Sombra disse que vem sendo vítima de ameaças. Alegou que vai "deixar para o tempo correto" a revelação dos nomes dos autores. Deu de ombros: "Podem ameaçar porque quem nasce um dia tem que morrer". Como se vê, a Brasília de Arruda não é propriamente uma cidade. Foi convertida numa gigantesca Cosa Nostra. Ao completar 50 anos de vida, a Capital da República começa a entrar na Idade Média. Quem venha o "rolo compromessor". Acareação? "Temos que discutir com a direção do PT" Como previsto, João Vaccari Neto, o gestor da caixa do PT, depôs no Senado. Falou sobre sua passagem pela presidência da Bancoop (2005-2010). Negou participação em malfeitos. A certa altura, espremido, admitiu ter se reunido com Valdemar Costa Neto e Luiz Bolonha Funaro. Valdemar é o ex-presidente do velho PL. Funaro é o corretor que ajudava Valdemar a dar curso às valeriana$ que recebeu das arcas do mensalão. Em depoimento à Procuradoria, Funaro disse que Vaccari agenciava negócios nos fundos de pensão de estatais. Acusou-o de cobrar propinas. Coisa de até 15%. Expoentes da bancada de oposição perguntaram a Vaccari se toparia participar de um tête-à-tête com Funaro. O grão-tucano Arthur Virgílio perguntou: "Não seria uma coisa boa fazer acareação com o doutor Funaro e Vossa Excelência, munido de consciência tranquila, poderia o desmoralizar frente a frente?" E Vaccari: "Falo para os senhores [...]. Isso [acareação] temos que discutir depois com a direção partidária". Se quisesse, Vaccari poderia promover ali mesmo uma discussão com a "direção partidária". O presidente do PT, José Eduardo Dutra, o assistia. Lula sobre royalties: "Disputam pirão antes da pesca" Lula usou a coluna semanal que veicula em diversos jornais do país para criticar o debate que envenena o trânsito dos projetos do pré-sal no Congresso. Escreveu que o governo decidira "deixar a fórmula da divisão dos royalties [do petróleo] para mais tarde". Porém... Porém, "essa questão foi a primeira a ser debatida no Congresso", Lula lamentou. "Começaram a disputar o pirão antes mesmo da pescaria". As considerações do presidente foram acomodadas na coluna "O Presidente Responde", que vai às páginas toda terça-feira. Foi uma resposta a observações enviadas pela aposentada Vanda Cáceres Gonçalves, de Campo Grande (MS). Ela não fez uma pergunta, mas duas sugestões. Rogou a Lula que não vete a alteração que reparte os royalties entre Estados produtores e não produtores de petróleo. Ponderou que o presidente "deveria mandar verificar" como governadores e prefeitos gastam os recursos advindos dos royalties. Quanto à possibilidade de veto de uma alteração legal que ainda se encontra sob a análise do Senado, Lula preferiu não ser específico. Apenas repisou o que pensa sobre o tema: "O momento não é apropriadopara essa discussão..." "...Nós não podemos deixar que as paixões momentâneas influenciem decisões que devem valer por décadas..." "...Eu espero que o Congresso, passadas as eleições, saiba encontrar uma solução que contemple todos os Estados". Não parece, de resto, disposto a "mandar verificar" como são aplicadas as verbas dos royalties. Limitou-se a anotar que Estados e prefeituras não deveriam torrar o dinheiro com o "custeio" de suas máquinas administrativas. "A prioridade deve ser a educação", Lula ensinou. Se seguisse o conselho de dona Vanda, constataria que prevalecem o custeio e a corrupção, não as escolas. PT-SP marca para abril "homologação" de Mercadante O diretório do PT paulista pretende realizar no "final de abril" o encontro em que será homologada a candidatura de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo. Na mesma reunião, o petismo vai oficializar a candidatura de Marta Suplicy ao Senado. Reunido nesta segunda (29), o diretório petista removeu a última pedra que se insinuava no caminho de Mercadante. Eduardo Suplicy retirou-se da disputa pela vaga de candidato ao Palácio dos Bandeirantes. O PT não precisou nem usar o cotovelo. Bastou o peteleco de um apelo verbal. O presidente do PT-SP, Edinho Silva (ao lado de Suplicy na foto), celebrou: "O Senador Suplicy faz um gesto grandioso, de construtor partidário. Chama a unidade do PT, retira a pré-candidatura e declara apoio a Mercadante". O gesto chegou no mesmo dia em que o Datafolha informara: tomado pela quantidade de votos, Suplicy (19%) é, hoje, maior que Mercadante (13%). O instituto também informou que ambos são bem menores que o candidato tucano, Geraldo Alckmin (53% no cenário em que aparece Mercadante). Mercadante vai às urnas paulistas empurrado por Lula. Entra na disputa como a segunda opção do presidente. A primeira era Ciro Gomes (PSB). O senador petista sobe ao ringue exibindo praticamente a mesma musculatura que ostentava na largada da disputa de 2006: 12%. Naquela eleição, tumultuada pelo escândalo do dossiê antitucanos dos "aloprados", Mercadante cruzara a linha de chegada com 32% dos votos. Edinho, o comandante do PT-SP, estima que a "repetição da candidatura" de Mercadante produzirá resultado mais vistoso. A ver. De concreto, por ora, apenas a evidência de que, em São Paulo, Estado dominado pelo PSDB há 16 anos, o palanque de Dilma é mais estreito que o de Serra. Para evitar "fiasco", Lula cancela ida a obra inacabada O vídeo acima foi gravado em fevereiro de 2009. Exibe discurso de Lula num pa©lanque montado na cidade pernambucana de Salgueiro. Lula acabara de vistoriar as obras da ferrovia Transnordestina. Pendurado ao microfone, enalteceu o zelo de sua gestão com o Nordeste. Mencioniou "feitos" variados –da transposição das águas do rio São Francisco à abertura de escolas. Disse que voaria para Brasília "orgulhoso" e "esperançoso". Prometeu retornar em breve: "Quando eu voltar aqui outra vez, a gente já vai ter feito mais um pedaço da rodovia [sic]". O gogó do presidente já ouvia até o apito da locomotiva: "Quando eu voltar aqui depois de 2010, eu já vou poder dar uma volta no trem, que vai passar por aqui apitando [...]". No último mês de janeiro, de passagem por Paulista, outra cidade pernambucana, Lula marcara o mês de sua volta a Salgueiro: março. O presidente dissera que inauguraria na cidade a "maior fábrica de dormentes do mundo". Entregaria também uma fábrica de brita. Deu chabu. Marcada para esta terça (30), a viagem de Lula a Salgueiro teve de ser cancelada. As fábricas que o presidente planejara inaugurar não ficaram prontas. Apito de trem? Nem pensar. Dilma Rousseff acompanharia Lula. Seria a última aparição dela num pa©lanque antes de deixar a chefia da Casa Civil para embrenhar-se na campanha. Nas pegadas do anúncio do PAC 2, nada parecia mais conveniente do que a visita à Transnordestina. Uma obra do PAC 1, assentada no Estado natal de Lula, onde sua aprovação roça a unanimidade. Até o final da tarde desta segunda (29), a Secretaria de Comunicação da Presidência ainda mantinha no seu sítio na web um aviso relacionado à viagem. O texto fornecia detalhes sobre a entrega de credenciais aos repórteres interessados em testemunhar as inaugurações de Salgueiro. Àquela altura, porém, já havia sido deflagrada a desmontagem do circo montado na cidade para recepcionar o cabo-eleitoral e a candidata. Para não fornecer munição à oposição, Lula deu meia-volta. A primeira vítima do cancelamento foi a rede hoteleira local, que já superfaturava as diárias. Repórteres que já haviam percorrido os 520 quilômetros que separam Recife de Salgueiro viram-se compelidos a retornar. Entre eles 13 profissionais da estatal Empresa Brasil de Conunicação. Emissoras de rádio que haviam recebido a promessa de uma entrevista com Lula, desmobilizaram-se. O vaivém do "inaugura-não-inaugura-mais" impôs um custo à Viúva, cujo valor não foi divulgado. Como ocorre em todos os deslocamentos do presidente, o Planalto mobilizara o seu aparato de viagens. Agentes do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e do cerimonial da Presidência encontravam-se desde a semana passada. Prepararam, nos mínimos detalhes, a viagem que não ocorreu. Um contribuinte mais exaltado poderia perguntar: quem vai restituir esses gastos? Vaccari, tesoureiro do PT, depõe no Senado nesta 3ª O secretário de Finanças do PT, João Vaccari Neto, vai prestar depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, nesta terça (30). A audiência consta da pauta da comissão, veiculada no portal do Senado. A sessão está marcada para as 11h30. Vaccari vai falar sobre as denúncias de malfeitos na Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, acusa-o de participar de desvios de verbas da cooperativa para o caixa 2 do PT. Pretende-se inquirir Vaccari também sobre acusação atribuída ao corretor Lúcio Bolonha Funaro, um personagem do mensalão do PT. Ouvido pela Procuradoria da República na época em que o escândalo foi investigado, Funaro teria feito menção a Vaccari. Dissera que o petista agenciava negócios nos fundos de pensão de empresas estatais, mediante cobrança de propina que variava de 6% a 15%. Ex-presidente da Bancoop, Vaccari nega as acusações. Atribui todas elas à suposta tentativa de fragilizar o PT em período de campanha eleitoral. Sobre o inquérito conduzido pelo promotor Blat, declara que jamais foi denunciado. Sobre Funaro, diz que seu nome não consta dos autos do mensalão. O tesoureiro vai à comissão do Senado na condição de "convidado". Significa dizer que não é obrigado a responder a todas as perguntas. A oposição aprovou também, há 15 dias, requerimento para que ele compareça à CPI das ONGs. Dessa vez como "convocado". A bancada do governo argumenta que o convite da comissão torna desnecessária a convocação da CPI. A oposição diz que vai insistir. TV-PT leva à internet pa©tóide da "emoção" de Dilma As manchetes desta terça - Globo: Lula lança plano para além de 2014, a 9 meses de sair - Folha: Mulheres-bomba matam 38 no metrô de Moscou - Estadão: Atentado no metrô de Moscou mata 38 - JB: PAC 2: Obras terão R$ 958 bi - Correio: Programa de Aceleração da Candidata de Lula - Valor: Meta do PAC 2 derruba ações de construtoras - Jornal do Commercio: Operação-padrão na PM Pa©andidatura! Via 'Gazeta do Povo'. Ao som de "tá chegando a hora", Serra faz campanha Na bica de deixar o governo de São Paulo, José Serra mantém, em ritmo de azáfama, a maratona de vistorias e inaugurações. Nesta segunda (29), foi inspecionar uma linha inacabada de metro. A coisa descambou para um corpo a corpo com eleitores. Serra gastou 15 minutos do tempo de governador para encenar um gestual de candidato. Percorreu a Avenida Paulista. Distribuiu acenos e cumprimentos. Estava acompanhado do secretário Geraldo Alckmin (Desenvolvimento), candidato tucano ao governo de São Paulo. A dupla era "perseguida" por uma banda de música, que entoava: "Tá chegando a hora. O dia já vem raiando, meu bem, e eu tenho que ir embora..." Instado a comentar a última pesquisa Datafolha, na qual aparece nove pontos adiante de Dilma Rousseff, Serra não quis dizer palavra. Preferiu lamentar: "Eu queria ter feito mais em tudo, mas acho que fizemos bastante..." As vítimas das últimas enchentes decerto concordarão com a primeira parte da frase. Serra completou: "...O governo do Estado, na minha gestão, são quatro anos, vai até o final deste ano e até lá muita coisa a mais vai ficar pronta". Mais cedo, o "quase-ex-governador" inaugurara uma escola técnica em Paraisópolis. Ali, dissera que, nos próximos dias, vai "empacotar" o papelório que se acumulou em seu gabinete. Na quarta (31), fará uma "prestação de contas". O tucanato cuida de providenciar a platéia. Expediram-se convites a prefeitos e deputados estaduais. Apresentado como ato administrativo, o balanço de Serra vai ganhando a forma de um pré-palanque. No mesmo dia, o sindicalismo de São Paulo fará um "bota fora" para Serra. Coisa organizada por 40 entidades. Entre elas a cutista Apeoesp (sindicato dos professores de São Paulo), que comanda uma greve iniciada em 8 de março. Nesta segunda, o PSDB anunciou que vai protocolar no TSE uma representação contra a Apeosp e sua presidente, Maria Izabel Noronha. Bebel, como é conhecida, imprime à greve sob seu comando uma coloração eleitoral. Daí a ação do tucanato. O partido pedirá ao TSE que imponha multas ao sindicato e à própria Bebel. Anexará à representação vídeos ilustrativos. Numa das cenas, Bebel pergunta a uma multidão de professores. "Serra será presidente?" E a platéia: "Nããããããããão". Noutro vídeo, a assembléia de professores entoa um mantra: "Daqui a pouco tem eleilção. No Planalto ele não chega não". Em manifestação realizada na semana passada, a doce Bebel dissera: "Esse senhor não vai ser presidente do Brasil..." "...Se for eleito vai acabar com imagem que Brasil conquistou lá fora". Convocou os professores para uma cruzada. Na mesma manifestação, reprimida pela PM, Bebel encarecera aos professores que ajudassem a "acabar com o partido" de Serra. Dirigindo-se à sua clientela, Bebel fora explícita "Estamos aqui para quebrar a espinha dorsal desse partido e desse governador". Uma aula de agitação política travestida de reivindicação salarial. Na véspera de deixar o governo, Dilma vai "às obras" Armou-se para Dilma Rousseff uma agenda atribulada para as horas que antecedem a despedidea da ministra do governo. Nesta terça (30), véspera da saída, Lula levará a candidatura de sua quase-ex-ministra para passear em Pernambuco. Dilma e seu cabo-eleitoral vão vistoriar as obras da Ferrovia Transnordestina, em Pernambuco. A obra não foi escolhida ao acaso. Trata-se de empreendimento que o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, diz que só existe na propaganda oficial. Na manhã desta terça, Lula e Dilma embarcam rumo à cidade de Salgueiro (PE). Além de percorrer um trecho de trilhos, visitarão uma fábrica de dormentes. Levarão de carona, no aerolula, o governador pernambucano Eduardo Campos, que veio a Brasília para participar da pajelança do PAC 2. Rara oportunidade para uma troca de ideias sobre o futuro de Ciro Gomes. Campos é presidente do PSB, o partido de Ciro. Lula opera para desligar da tomada a candidatura presidentecial de Ciro. Nos subterrâneos, Campos mostra-se receptivo à ideia de ajudar a puxar o fio. - Atualização feita às 20h05: Lula cancelou a viagem a Salgueiro. Motivo: obra do PAC 1, a fábrica de dormentes que pretendia visitar não ficou pronta. Lançado o "Programa de Acelaração da Campanha 2" Ricardo Stuckert/PR Como previsto, o governo levou à vitrine o PAC 2. Deu-se numa cerimônia pseudoadministrativa. Em verdade, um pa©tóide eleitoral. Tudo foi concebido de modo a realçar o papel da candidata de Lula à sucessão, Dilma Rousseff. A começar pela escolha da data. O "novo" programa empilha obras e projetos para o ciclo de 2011 a 2014 e para além desse período. Coisa para o sucessor e para o sucessor do sucessor de Lula. Se o objetivo fosse meramente administrativo, o plano poderia ser lançado até dezembro, último mês da gestão Lula. Encurtou-se o calendário porque Dilma terá de deixar o governo. Em dois dias, ela troca a Casa Civil pelo palanque. Daí a pressa. Convertida em estrela da cerimônia, Dilma discursou. "O PAC é uma herança bendita que vamos deixar para quem venha suceder o nosso governo", ela disse. Um óbvio contraponto à "herança maldita" que Lula diz ter recebido do antecessor tucano. Dilma cuidou de vergastar FHC. Disse que a era tucana foi marcada pela "estagnação". Declarou que Lula "reconstruiu" o Brasil. Como convém a uma candidata às voltas com a necessidade de atenuar a fama de durona, Dilma chorou. Foi às lágrimas ao afirmar que os brasileiros não vão "deixar de escapar de suas mãos" o governo iniciado por Lula. "Atravessamos o deserto da estagnação. O país retomou a rota do desenvolvimento", disse a ministra-candidata. "O governo Lula, um governo do qual nos orgulhamos muito de fazer parte, não aceita outro caminho que não seja o do desenvolvimento com distribuição de renda". Voltando-se para o chefe, arrematou: "Esse é o Brasil que o senhor, presidente Lula, reconstruiu para todos nós..." "...E que os brasileiros não deixarão escapar mais de suas mãos", afirmou, chorosa. Pespegou na gestão FHC a pecha de governo "do não". "Não tinha planejamento estratégico, não tinha aliança com o setor privado, não incrementou investimento público, não financiou investimento privado". Sob Lula, Dilma declarou, emergiu um modelo de Estado que ressuscitou uma trinca de expressões no "coração e no cotidiano dos brasileiros": São elas: "Planejamento, investimento e desenvolvimento com inclusão social. Deixamos para trás décadas e décadas de improvisação". Às voltas com duas multas impostas pelo TSE por campanha ilegal e fora de época, Lula recorreu a uma esperteza: terceirizou os elogios à candidata. Em nome dos governadores, falou o petê Jaques Wagner, da Bahia. Pelos prefeitos, discursou o pemedebê Eduardo Paes, do Rio. Foram discursos impregnados de 2010. "Parabéns, ministra Dilma, pela sua competência", enalteceu Wagner. "[...] Que Deus lhe abençoe nas novas tarefas pelas quais a senhora vai enveredar". Paes, um ex-tucano que atuou na CPI do mensalão como torquemada inclemente, manteve o mesmo diapasão água-com-açúcar. Enalteceu o papel da genitora do PAC 1: "Sei que a ministra Dilma parte para novas missões, mas a capacidade gerencial, de executar, de dialogar..." "...Permitiu o diálogo permanente desse volume enorme de recursos com 27 governadores e mais de cinco mil municípios". Numa tentativa vã de retirar do PAC 2 o indisfarcável carimbo eleitoral, Lula atribuiu a pressa a questões gerenciais. Ao discursar, disse que age para permitir que os gestores que virão depois dele encontrem "uma prateleira de projetos" (assista no vídeo abaixo). A segunda versão do Programa de Aceleração da Campanha chega num instante em que o PAC 1 claudica. Metade das obras (54%) permanece no papel. Lula viu-se como que compelido a dar o braço a torcer: "Não estou contente com o que fizemos até agora e acho que nenhum de vocês está contente..." "...Temos obrigação de fazer mais (...) O povo pobre desse país precisa que a gente faça mais, a economia precisa que isso aconteça". O PAC 2 prevê um volume de investimentos de sonho: R$ 958,9 bilhões entre 2011 e 2014; R$ 631,6 bilhões a partir de 2012. No total: R$ 1,59 trilhão. No papel, tudo assume a forma da grandiloquência. A meta de construção de casas populares, por exemplo, subiu de 1 milhão para 2 milhões de unidades. A aceleração do crescimento é uma realidade por apalpar. Nas dobras do relatório do PAC 2, o PIB de 2010 cresce 5,2%. Depois, 5,5% até 2014. Para já, busca-se atingir uma outra modalidade de crescimnento. O crescimento da campanha de Dilma, nove pontos atrás do rival tucano José Serra, segundo o Datafolha. A oposição reagiu por meio de uma nota conjunta de PSDB, DEM e PPS. No texto, a solenidade capitaneada por Lula e estrelada por Dilma é chamada de "pantomima eleitoral" - Serviço: A propaganda do PAC 2 ganhou a forma de uma revista. Dividida em seis partes, pode ser consultada aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Datafolha: Suplicy soma mais votos que Mercadante Em todos os cenários, o tucano Alckmin é franco favorito Preterido por Lula e pelo PT, o senador Eduardo Suplicy ganhou 19 motivos para manter de pé sua candidatura ao governo de São Paulo. Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda (29) atribui a Suplicy 19% das intenções de voto. Ungido por Lula e encampado pelo PT, o companheiro Aloizio Mercadante entra na disputa com percentual mais modesto: 13%. Para complicar, o nome do PT, seja ele qual for, vai às urnas como candidato favorito a tornar o tucano Geraldo Alckmin governador. No cenário que inclui Mercadante, Alckmin belisca 53% dos votos. injetando-se Suplicy na paisagem, o tucano leva obtém 49%. Na semana passada, em discurso no Senado, Suplicy reafirmara sua candidatura. Parecia farejar o perfume do Datafolha. Condicionara sua saída do páreo à divulgação de uma pesquisa que comprovasse o acerto da opção por Mercadante. Deu-se o oposto. Agora, ou o PT reconhece o direito de Suplicy de acionar as prévias previstas no estatuto do partido ou terá de afastá-lo a golpes de cotovelo. Antes de voltar os olhos para Mercadante, Lula tentara fazer de Ciro Gomes (PSB) o seu candidato à sucessão de José Serra. Depois de levar seu título eleitoral cearense para passear em São Paulo, Ciro deu pra trás. Declara-se candidato ao Planalto. Ao bater em retirada, Ciro somava, em São Paulo, algo como 16% das intenções de voto. Era, também ele, um sub-Suplicy. Lula fará despedida "coletiva" de ministros na quarta Lula antecipou em três dias a saída dos ministros que trocarão a Esplanada pelos palanques. O prazo legal para a desincompatibilização é 3 de abril. Mas a despedida foi agendada para esta quarta (31). Será um adeus coletivo. Escalou-se a chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff para discursar em nome dos que saem. No mesmo dia, serão empossados os substitutos. No geral, assumem o comando das pastas os atuais secretários-executivos. No Ministério da Agricultura, uma exceção. Ali, vai à cadeira de ministro o presidente da Conab, Wagner Rossi. Rossi é apadrinhado do presidente da Câmara e do PMDB, Michel Temer (SP). Conta com o respaldo da bancada ruralista. Em discurso dirigido aos que ficam, Lula recordará que o governo só termina em 31 de dezembro. Vai cobrar mangas arregaçadas. PSDB cogita escolher uma mulher para vice de Serra Em público, o PSDB diz que foi adiado para maio o debate sobre a escolha do candidato a vice na chapa de José Serra. Nos subterrâneos, a discussão corre solta. A última cogitação do tucanato é a de acomodar ao lado de Serra uma mulher. Encontra-se sobre a mesa o nome da senadora tucana Marisa Serrano (MS), atual vice presidente do PSDB federal. Informado, o DEM torce o nariz. Parceiros dos tucanos na sucessão presidencial, os "demos" consideram-se como que donos da vaga de vice. O DEM admitira abrir mão da postulação em favor do grão-tucano Aécio Neves. Mas o governador mineiro refugou a oferta. Na semana passada, reuniram-se em Brasília, longe dos holofotes, os presidentes do PSDB, Sérgio Guerra, e do DEM, Rodrigo Maia. O repórter apurou que Maia disse a Guerra o seguinte: o DEM quer a vice. Mas admite abrir mão, desde que se encontre um nome que ajude Serra sem desfavorecer o DEM. Antes, Rodrigo Maia dizia coisa diferente: Sem Aécio, o vice teria de ser um "demo". Ou seja, houve uma mudança de posição. Sérgio Guerra quis saber quais seriam as alternativas do DEM. Ouviu meia dúzia de nomes. Três deles teriam "maior densidade eleitoral" São eles: O ex-prefeito carioca Cesar Maia, o ex-governador baiano Paulo Souto e o senador pernambucano Marco Maciel. O primeiro prefere concorrer a uma cadeira de senador pelo Rio. E o segundo não abre mão de concorrer ao governo da Bahia. Quanto a Maciel, teria o inconveniente de empurrar para dentro da chapa de Serra a lembrança da gestão FHC, à qual serviu como vice-presidente. Descartada essa trinca, foram citados: a senadora Kátia Abreu (TO) e os deputados Ronaldo Caiado (GO) e José Carlos Aleluia (BA). Kátia e Caiado, por seus notórios vínculos com o setor rural, são descartados pelo tucanato. Avalia-se que puxariam a chapa de Serra para a "direita". Restou Aleluia. Trata-se de deputado dotado de raro preparo intelectual. "Demos" e tucanos reconhecem-lhe os méritos. Porém... Porém, para o desafio da vice, Aleluia não é unanimidade nem no DEM. Avalia-se que, do ponto de vista eleitoral, agregaria pouco. A lista incluía um sétimo nome: José Agripino, líder do DEM no Senado. Tem trânsito fácil no PSDB. Mas, consultado em termos definitivos, disse que não quer ser vice. Resumindo: só em teoria o DEM dispõe de "muitos nomes". Na prática, não tem nenhum. Por isso aceitou analisar nomes alheios aos seus quadros. Na negociação com os tucanos, os "demos" ofereceram um exemplo de costura que aceitariam gotosa e prontamente. Envolve o Paraná. Sugere-se que Beto Richa, prefeito tucano de Curitiba, troque a candidatura ao governo do Paraná pela posição de vice de Serra. Consumado o movimento, a oposição ficaria livre para fechar, no Paraná, um acordo com o senador Osmar Dias. É pré-candidato ao governo pelo PDT. O DEM sonha coligar-se com ele. Dois problemas: Beto não topa ser vice. Se aceitasse, reavivaria as pretensões do tucano Alvaro Dias, irmão de Osmar e também aspirante ao governo. Numa tentativa de atalhar o impasse, o DEM tramou uma operação baiana: o "demo" Paulo Souto desistiria de concorrer ao governo da Bahia. Iria à chapa de Serra. Num segundo lance, PSDB e DEM apoiariam a candidatura baiana de Geddel Vieira Lima, do PMDB. Há dez dias, um par de emissários procurou Geddel. Ministro de Lula e fechado com o projeto Dilma-2010, Geddel mandou dizer que não contempla, a essa altura, bandear-se para a canoa de Serra. De resto, Paulo Souto deu pulos de irritação. Enxergou na manobra as digitais de dois caciques "demos": o prefeito paulistano Gilberto Kassab e o ex-senador Jorge Bornhausen. Souto mandou dizer à dupla o seguinte: Não cogita ser vice de Serra. E sua candidatura ao governo da Bahia não é mercadoria que possa ser negociada. Mexe daqui, tricota dali, o PSDB vê-se diante de um impasse. Já dispõe do candidato. Mas não consegue arranjar para Serra um vice. É nesse contexto de dúvidas e hesitações que o nome de Marisa Serrano remanesce sobre a mesa. A favor dela pesam dois fatos: dispõe de boa articulação verbal. E veste saias, como Dilma Rousseff. Contra ela, a resistência do DEM é a localização periférica do seu Estado de origem, o Mato Grosso do Sul. As manchetes desta segunda - Globo: PAC-2 vai ser lançado hoje, mesmo com PAC-1 atrasado - Folha: Mudança na lei dá mais espaço na TV a candidatos - Estadão: MP cobra governo sobre venda de terra a estrangeiros - JB: Vasco tira o pé da lama - Correio: Denúncia suspende concurso da PM - Valor: Tereos traz sede e ativos de € 1 bilhão para o Brasil - Jornal do Commercio: Ciro apaga Brasão Noves fora o Datafolha...! Via 'JB'. PT do Maranhão rejeita Roseana Sarney e apóia Dino O diretório do PT do Maranhão decidiu ignorar a vontade de Lula. Na disputa pelo governo maranhense, o petismo apoiará a candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB). Lula e o PT federal defendiam o apoio à recandidatura da governadora Roseana Sarney (PMDB). Dino (na foto) prevaleceu sobre a filha do presidente do Senado, José Sarney, em votação apertada: 87 a 85. Três petistas se abstiveram de votar. A decisão foi tomada neste sábado (27), em São Luís. Consumado o resultado, Dino foi convidado a comparecer ao encontro do PT. "Foi uma grande vitória para o povo do Maranhão", discursou, sob aplausos. Franqueará seu palanque à presidenciável petê Dilma Rousseff. Além de Dino, Roseana terá contra si Jackson Lago, do PDT. Cassado pelo TSE, Lago prepara-se para retornar aos palanques. Em Brasília, o partido de Lago está fechado com Dilma. No Maranhão, tenta costurar um acordo com o PSDB de José Serra. Coisas da política. Há uma "macumba" shakeasperiana na trilha de Serra O grão-tucano José Serra está a um passo de sua segunda candidatura presidencial. No caminho de Serra há uma macumba. A farofa exala naftalina. A galinha preta cacareja um dilema de 2006, de timbre shakespeariano: Ser ou não ser FHC? Armou-se para 10 de abril a aclamação de Serra. Convidado para a pajelança, FHC não terá acesso ao microfone. Deseja-se escondê-lo. Mantida essa decisão, ainda que Serra plante bananeira no palco, nada chamará mais atenção do que o silêncio do sábio da tribo. Ladino a mais não poder, Lula traçou um risco no chão da sucessão. Cuspiu na linha. E chamou FHC para a briga. "Nós contra eles", disse Lula à sua tropa. A era petê versus o ciclo peéssedebê. Dilma "da Silva" Rousseff contra José "Cardoso" Serra. Para regozijo de Lula, o tucanato mordeu a isca. Pôs-se a perguntar: o que fazer com FHC? Decidiu levá-lo ao armário. No esforço que empreende para fazer de FHC um coadjuvante de sua história, o tucanato adorna o próprio dorso com a plumagem de outro pássaro. FHC julga-se um colecionador de façanhas: o Real, as privatizações, a estabilidade econômica, a Lei de Responsabilidade Fiscal... Considera-se merecedor de uma estátua. Mas os tucanos, pardais de si mesmos, preferem sujar, com desenvoltura dialética, a testa do seu líder. Repete-se em 2010 o erro que levou Alckmin a ter menos votos no segundo turno de 2006 do que amealhara no primeiro round. O Lula de quatro anos atrás jogara no chão a casca de banana da comparação. E o tucanato escorregara gostosamente. As pesquisas informam que o governo FHC, a despeito dos méritos, não deixou saudades. O eleitor rejeita o ex-presidente. Ex-ministro de FHC, Serra foi vítima dessa aversão na sucessão de 2002. Repaginado por Duda Mendonça, Lula surrou-o. Submetido à esperteza plebiscitária de Lula, o Serra-2010 tem dois caminhos: ou explica os êxitos da era FHC ou foge de um debate incontornável. Se optar por repetir o Alckmin-2006, jogando o passado sob o tapete, arrisca-se a comparecer à disputa sem cara. Ou por outra, Serra pode virar a mula sem cabeça da eleição. "As pessoas aprendem com a vida", disse FHC na semana passada. Acha que o presidenciável de seu partido tem a obrigação de defendê-lo. Por quê? "O Serra tem um compromisso, porque ele [ex-ministro do Planejamento e da Saúde] foi parte ativa do que se fez". Faz sentido. Diz o senso comum que "errando é que se aprende". Mas, tomado pelos primeiros movimentos, o PSDB parece decidido a adaptar o brocardo. Para o tucanato, é "errando é que se aprende... A errar." Com dois fracassos presidenciais sobre os ombros, o PSDB aposta, de novo, no erro. Retorne-se ao início: No caminho de Serra há uma macumba. Ainda há tempo para remodelar a encruzilhada. Um bom recomeço seria convidar FHC para dizer meia dúzia de palavras na pajelança de 10 de abril. A 9 meses de sair, Lula tem aprovação recorde: 76% Lula chega à quadra final de sua administração com cara de recordista. Segundo o Datafolha, o presidente é aprovado por 76% dos brasileiros. Desde 1990, ano em que o instituto começou a produzir esse tipo de estatística, nenhum outro presidente alcançara semelhante marca. Os índices de aprovação de Lula (ótimo ou bom) crescem pesquisa a pesquisa. De agosto de 2006 para cá, escalou nove pontos –de 67% para os atuais 76%. Considerando-se um intervalo maior –três anos— a escalada foi de notáveis 26 pontos percentuais. Hoje, apenas 20% da população atribui a Lula a menção regular. É ínfimo o número de entrevistados que o consideram ruim ou péssimo: 4%. Abaixo, algumas das informações mais relevantes trazidas à luz pelo Datafolha: 1. Entre as mulheres, a aprovação ao governo Lula subiu de 71% para 75% entre fevereiro e março. 2. No segmento formado pelos brasileiros com mais de 60 anos, a aprovação de Lula cresceu seis pontos. Foi de 67% para 73%. 3. Considerando-se as faixas de renda, um dos saltos mais notáveis na avaliação positiva de Lula foi anotado entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos (R$ 5.100). Pulo de 12 pontos –de 56% para 68%. 4. Em 2003, no alvorecer do primeiro mandato, esse mesmo segmento concedia a Lula aprovação bem inferior: 36%. Desde então, os índices de ótimo ou bom foram engordados em 32 pontos percentuais. 5. O avanço foi ainda maior –34 pontos— entre os integrantes de famílias com renda menor do que cinco salários mínimos (R$ 2.550,00). Nesse universo, a aprovação de Lula é, hoje, de 77%. 6. Entre os patrícios mais ecolarizados, com curso universitário, a aprovação do presidente foi de 65% para 70%. 7. Nas regiões Sul e Sudeste, a popularidade de Lula bate em 69%. O recorde dos recordes é obtido no Nordeste: 87%. 8. A despeito da superpopularidade de Lula, o Datafolha captou, na mesma pesquisa, dados eleitorais que sorriem mais para José Serra, presidenciável da oposição, do que para Dilma Rousseff, candidata do governo. 9. Um mês atrás, Dilma (28%) roçava os calcanhares de Serra (32%). Escassos quatro pontos separavam a candidata de Lula do líder oposicionista. 10. Hoje, a diferença ampliou-se para nove pontos. Serra foi a 36%. Dilma escorregou para 27%. 11. Uma evidência de que a transfusão de prestígio de Lula para a candidata dele é mais lenta do que gostaria o petismo. Lula anuncia PAC 2 com metade do PAC 1 por iniciar Novo pacote de obras será desembrulhado nesta segunda Prevê investimentos de R$ 1 trilhão para período "pós-Lula" Prioriza educação, saúde, transporte e saneamento básico Lançamento visa alavancar candidatura de Dilma Rousseff Lula e Dilma Rousseff comandam nesta segunda (29) uma megacerimônia com a presença estimada de 1,2 mil pessoas. Diante de uma platéia de governadores, prefeitos, congressistas, empresários e sindicalistas, a candidata e o cabo-eleitoral vão desembrulhar o PAC 2. A cereja do bolo tem a forma de uma cifra vistosa. Coisa de R$ 1 trilhão. Dinheiro da União, de empresas estatais e da iniciativa privada. O recheio é feito de projetos que priorizam a melhoria dos serviços oferecidos aos brasileiros urbanos, moradores das regiões metropolitanas. Inclui empreendimentos voltados a setores variados: saúde, educação, cultura, esporte, transporte, moradia e segurança pública. Decidiu-se dar especial realce às obras antienchente –um cutucão no grão-tucano José "Alagamentos" Serra, rival de Dilma na sucessão presidencial. O PAC 2 vai à vitrine como um mero vir a ser. Chega num instante em que o PAC 1 exibe indicadores claudicantes. Em levantamento levado à web há seis dias, o sítio Contas Abertas informou que, a metade (54%) das obras do primeiro PAC não saiu do papel. Perscrutadas 12.163 em 24 Estados, verificou-se apenas 11,3% (1.378) foram concluídas desde 2007, quando o PAC foi lançado. É nesse cenário que o bolo de obras do PAC 2 foi preparado, a toque de caixa. Lula comandou pessoalmente cinco reuniões setoriais. Há servidores fazendo hora-extra neste fim de semana. Corre-se contra o relógio para ajustar o tempo do governo ao cronograma da campanha eleitoral. Na bica de deixar a chefia da Casa Civil, Dilma servirá como ministra o rocambole de obras que vai mastigar no palanque, como candidata. A cerimônia desta segunda ocorre dois dias antes de Dilma se despedir do governo. Nos discursos soarão vocábulos que, depois, virarão motes de campanha. Palavras como "planejamento", "rumo" e, sobretudo, "continuidade". Concebido no apagar das luzes da gestão Lula, o PAC 2 será vendido como herança bendita. Prevê-se que a execução se estenderá por todo o mandato do próximo inquilino do Panalto –2011 a 2014. Lula repisará um raciocínio que vem desfiando há meses. Diz que ao assumir, em 2003, encontrou as prateleiras vazias de projetos. Deseja agora evitar que o sucessor –ou sucessora— desperdice o ano inaugural da nova gestão decidindo o que fazer. Quer legar, segundo diz, "um rumo". O gestor(a) do pós-Lula não terá senão o tabalho de dar "continuidade" ao já iniciado. O presidente se esquivará de dizer que o PAC 1 espetará no caixa do próximo governo uma conta não liquidada de mais de R$ 35 bilhões. Incumbiu-se Dilma de fazer a apresentação do novo programa na pajelança desta segunda. Uma forma de acentuar que, depois de gerir o PAC 1, a ministra-candidata vai à eleição como uma espécie de encarnação da "continuidade". Já na fase de preparação, a cerimônia do PAC dois exalava um indisfaçável cheiro de eleição. Nos subterrâneos, integrantes da equipe de Lula recordam que, em entrevista recente, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, tachara o PAC de "propaganda". Mais: o mandachuva tucano insinuara que, prevalecendo nas eleições, a oposição cuidaria de dar cabo do programa obreiro. Assim, mais do que um programa para o próximo governo, o PAC 2 chega com cara de peça de campanha. Por ironia, o anúncio do PAC 2 será feito no mesmo auditório alugado pelo PSDB para aclamar, em 10 de abril, José Serra como seu presidenciável. As manchetes deste domingo - Globo: União não fiscaliza mais de R$ 17 bi em repasses - Folha: Popularidade de Lula bate recorde - Estadão: Ministros candidatos dobram liberação de verbas a seus Estados - JB: Força-tarefa da PF contra corrupção - Correio: Transporte pirata está de volta às ruas - Veja: Condenados! Agora, Isabella pode descansar em paz - Época: Culpados - IstoÉ: Por que eles mataram - IstoÉ Dinheiro: O dono do skype se liga no Brasil - CartaCapital: A máfia calabresa está aqui Não é a mamãe! Via 'O Dia'. Caixa do PT, Vaccari continua no "conselho" de Itaipu. Guindado à função de Secretário de Finanças do PT federal, João Vaccari Netto deixou a presidência da Bancoop. Mas reteve um contracheque de Itaipu. O novo gestor das arcas do PT ocupa, desde 2003, uma cadeira no conselho administrativo da hidrelétrica. Em texto veiculado no seu portal na web, Itaipu Binacional informa que o conselho "reúne-se a cada dois meses ou em convocação extraordinária". Para quê? "Definir as diretrizes fundamentais da administração da empresa e seu regimento interno; aprovar o orçamento para cada exercício; e examinar o relatório anual". O trabalho dos conselheiros não chega a ser extenuante. Mas rende remuneração mensal não negligenciável: pouco mais de R$ 13 mil. Vaccari recebeu a sinecura do amigo Lula. Foi uma espécie de prêmio de consolação. Vale recordar o que se passou. No alvorecer do primeiro mandato de Lula, Vaccari era presideente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e secretário de Finanças da CUT, braço sindical do PT. Na fase de composição do governo, o petismo cogitou acomodá-lo num posto vistoso, a presidência da Caixa Econômica Federal. Vaccari foi barrado por dois obstáculos: uma barricada de Antonio Palocci, então ministro da Fazenda, e a falta de diploma universitário. Os estatutos da Caixa exigem que o presidente tenha frequentado os bancos de uma universidade. E Vaccari não preenchia esse quesito. Lula ordenou, então, que fosse providenciado outro cargo para Vaccari. Foi à mesa a sugestão de acomodá-lo em Itaipu. O presidente aprovou prontamente. O contato do bancário Vaccari com o mundo da energia era, então, exíguo. Achegava-se ao tema só no instante em que precisava tatear o interruptor de luz. O tempo passou. Vaccari migrou do sindicato para a Bancoop, cooperativa habitacional dos bancários paulistas. Só não deixou Itaipu. Na Bancoop, Vaccari respondeu, primeiro, pela área financeira. Depois, pela presidência. Dali, escalou o controle das arcas do PT. Pediu desligamento da Bancoop. Mas reteve a cadeira de "conselheiro" de Itaipu. Tornou-se um conselheiro incômodo. Acusado de malfeitos na cooperativa, Vaccari é alvo do Ministério Público de São Paulo e dos partidos de oposição. Nega as irregularidades que lhe atribuem. A despeito disso, não será o tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff. Optou-se por separar as arcas do comitê eleitoral dos cofres da legenda. Dilma vai escolher seu próprio tesoureiro. Há sete anos, a mesma Dilma respondia pelo ministério das Minas e Energia, de cujo organograma pende Itaipu. Nessa época, a ministra não viu problemas confiar a Vaccari a cadeira no conselho da estatal binacional. Laivos do que se ouve sobre o que houve na semana Ex-ministra, Dilma terá salário de R$ 17,8 mil no PT O PT prepara a estrutura para recepcionar sua candidata à sucessão de Lula. Vai gastar, até junho, pelo menos R$ 350 mil. Deve-se a informação ao repórter Diego Escosteguy, de Veja. Na semana que vem, Dilma deixará o cargo de ministra para pleitear o emprego de presidente. Suas despesas passam a ser bancadas pelo partido. Terá dinheiro na conta, casa, comitê, carro e jatinho no hangar. Eis os números: 1. Salários de Dilma: R$ 17,8 mil mensais. 2. Salários de cinco assessores: R$ 55 mil por mês. 3. Aluguel de casa para a candidata: R$ 12 mil. 4. Aluguel de sede do comitê de campanha: R$ 30 mil. Resta definir o custo do aluguel de carros para Dilma e para o comitê, e dos jatinhos em cujas asas voará a candidata. Embora Dilma tenha informado que vai ter um tesoureiro que possa chamar de seu, o ordenador de despesas é, por ora, João Vaccari "Bancoop" Neto. Novo Datafolha acentua a lulodependência de Dilma; Serra sobe e eleva diferença de quatro para nove pontos Saiu do forno uma nova pesquisa do Datafolha. Expõe dois fenômenos: a resistência de José Serra e a lulodependência de Dilma Rousseff. No intervalo de um mês, a dianteira de Serra, que havia se reduzido a quatro pontos percentuais, foi dilatada para nove pontos. Dilma, que percorria curva ascendente, estacionou. É a primeira pesquisa na qual ela não pontua para o alto. O candidato tucano foi de 32% para 36%. Retorna aos patamares de dezembro, mês em que amealhara 37%. A presidenciável petê escorregou um ponto percentual. Oscilou de 28% para 27%. Manteve-se abaixo do patamar historicamente atribuído ao PT: 30%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos –para mais ou para menos. Significa dizer que Serra teve crescimento real. E Dilma ficou onde estava. Os dados são quentes como pães do dia. Os pesquisadores do Datafolha foram às ruas na quinta (25) e na sexta (26). A sondagem do mês passado deixara nos lábios do petismo o doce sabor da perspectiva de ultrapassagem. Ficara-se com a impressão de que, carregada por Lula e superexposta nos pa©mícios, Dilma estava na bica de assumir a dianteira. O petista mais pessimista dava de barato que Dilma obteria na pesquisa seguinte, no mínimo, o empate técnico. Deu-se o oposto. A despeito de frequentar uma vitrine menor –de dimensão estadual— e de ter demorado a assumir-se como candidato, Serra recuperou terreno. A sete meses da eleição, os números ainda prenunciam uma briga renhida. Serra vai ao ringue armado de sua biografia. Dilma sacode o manto da continuidade. Na próxima semana, o embate ganha novos ares. Os contendores terão de deixar os cargos de governador e de ministra. A nova fase tende a estabelecer um cenário de paridade de armas. Gradativamente, Dilma terá de descer dos ombros de Lula. No dizer do próprio presidente, a candidata terá provar-se capaz de "caminhar com as próprias pernas". Surge, então, a pergunta: conseguirá Dilma livrar-se da "lulodependência"? O sucesso está atrelado à resposta. Parecer da Advocacia-Geral da União autoriza Dilma a manter os pés nos pa©lanques até junho, quando sua candidatura será aprovada em convenção. Porém... Porém, a Justiça Eleitoral, normalmente cega, emite sinais de que achou a lente de contato. Já impôs a Lula um par de multas: R$ 5 mil e R$ 10 mil. Há ainda três ações da oposição pendentes de julgamento no TSE. Na semana que vem será protocolada uma quarta. A manutenção da tática de converter atos oficiais em pantomimas eleitorais impõe, além do custo monetário, o risco da desmoralização política. O PT esboça reação. Ameaça inundar o TSE com ações contra Serra. Mas já assimilou a ideia de que terá de refrear o escracho. Lula não vai esconder a musculatura. Usará, nos limites do possível, o tônus da popularidade para erguer sua candidata. Emerge, então, a segunda pergunta-chave: até onde vai a capacidade de transferência de prestígio do líder superpopular? Em conversa com o repórter, um dirigente do PT foi buscar na oposição argumentos para sustentar o raciocínio de que Dilma está como que condenada a crescer. Chamou a tese de "efeito Gilberto Kassab". Disse: "Na eleição de 2008, o prefeito do PFL [DEM] tinha 3% nas pesquisas e uma gestão bem avaliada..." "...À medida que a campanha foi avançando, o percentual do candidato encostou no índice de avaliação do prefeito. E ele venceu a eleição..." "...Pelas mesmas razões, o percentual de intenções de voto da Dilma tende a se aproximar dos índices de aprovação do governo Lula". O argumento, por lógico, não é negligenciável. Mas parece esbarrar, por ora, numa diferença: na sucessão presidencial, a candidata é Dilma, não Lula. Por mais que o cabo-eleitoral ajude, a candidata terá de socorrer a si própria, livrando-se do vício da dependência. De resto, só o tempo dirá se vai funcionar a estratégia de Serra. Está escorada em dois pilares: o confronto de biografias e o reconhecimento do óbvio. A segunda estaca passa pelo reconhecimento dos êxitos de Lula. Serra dirá: o que é bom será mantido. E tenho mais experiência para aperfeiçoar e avançar. No mais, é preciso saber que jogo pretende jogar Ciro Gomes (PSB). Em dezembro, tinha 13%. No mês passado, cravou 12%. Agora, dispõe de 11%. Se Ciro abandonar o ringue, crescem as chances de uma definição em primeiro turno. Terá mais chances quem for capaz de capturar-lhe os votos. Quanto a Marina Silva (PV), estacionada em 8% desde dezembro, parece fadada ao papel de figurante. As manchetes deste sábado - Globo: Após multa a Lula, PT reforça ações na Justiça contra Serra - Folha: Serra volta a crescer; Dilma estaciona - Estadão: Lula ignora TSE e usa tom eleitoral ao lado de Dilma - JB: Olimpíada já eleva aluguel - Correio: Condenados - Alexandre Narconi: 31 anos de prisão; Anna Jatobá: 26 anos de prisão Lulilma! Via blog J.Bosco. Depois de podar PT, TRE-SP tira do ar peça do PSDB A propaganda eleitoral enseja pecados pluripartidários. As legendas, mesmo quando separadas por feroz rivalidade, dançam de mãos dadas em torno do ilegal. Depois de tirar do ar duas propagandas televisivas do PT, o TRE-SP arrancou da tela uma publicidade do PSDB. A peça vetada exibe o grão-tucano José Serra tecendo loas a si mesmo. Jacta-se de ter sido autor do projeto que deu à luz o seguro desemprego. "Eu batalhei, nós conseguimos", diz Vangloria-se também de ter expandido as linhas do metrô de São Paulo: "[...] É isso, planejamento, experiência de vida e o Brasil no coração". Corregedor regional eleitoral de São Paulo, o desembargador Alceu Penteado Navarro concluiu o óbvio: O PSDB produziu não uma propaganda partidária institucional, mas uma peça de campanha eleitoral. Algo vedado pela lei. O mesmo magistrado tirara do ar uma peça em que Lula levantava a bola de Dilma Rousseff, vinculando-a São Paulo. Interrompera também a veicuação de inserção em que o petê Aloizio Mercadante, virtual candidato a governador, pedia ao eleitor "uma chance" para o PT. Aos pouquinhos, a Justiça Eleitoral vai abrindo os olhos. STJ impõe a ex-auxiliar de Arruda vistoria sem roupa Depois de produzir a nudez administrativa, o panetonegate gerou a nudez física. Um ex-secretário de José Roberto Arruda terá de ficar pelado na cadeia. Chama-se Wellington Moraes. Respondia pela Secretaria de Comunicação do GDF. Há 42 dias, é hóspede do presídio brasiliense da Papuda. Em petição dirigida ao STJ, os advogados de Wellington pediram que seu cliente fosse liberado de vistorias que a hospedaria costuma impor a todos os presos. Deeu chabu. O tribunal determinou que Wellington precisa, sim, passar pelo constrangimento ds revistas. Tudo deve proceder dentro dos conformes: sempre que receber a visita de seus advogados, Wellington terá de tirar a roupa. Antes e depois. Deve-se a decisão ao ministro Fernando Gonçalves, relator do inquérito do panetoene no STJ. Magistrado rigoroso, ele determinou: além de Wellinton ter de ficar "desnudo", seus advogados serão revistados na entrada do presídio, caso levem pastas. Wellington foi à garra pelas mesmas razões que justificaram o encarceramento do ex-chefe: a tentativa de suborno de testemunha. Por um desses azares do destino, Wellington não foi alcançado pela ventura de ser detido no PF"s Inn. Arruda reclama. Mas a Papuda é bem pior. Nesta segunda, a PF começa a inquirir as 42 pessoas mencionadas no inquérito. Entre elas Arruda e Wellington. Se tudo correr bem, a Procuradoria da República pretende requerer, em abril, o relaxamento da prisão de Arruda e Cia.. Até lá, Wellington terá de conviver com a exposição compulsória das formas. Precatórios: STF cobra "providências" de seis Estados Na bica de entregar a presidência do STF a Cezar Peluso, o ministro Gilmar Mendes retirou da gaveta os pedidos de intervenção movidos contra seis Estados. Estão na berlinda: Espírito Santo, Paraíba, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e São Paulo. Foram acionados por um mesmo motivo. São devedores de precatórios, dívidas decorrentes de decisões judiciais. Uma inadimplência que sujeita os Estados à intervenção federal. Juntos, os seis Estados têm contra si notáveis 42 pedidos de intervenção federal. Valendo-se dos poderes de presidente do Supremo, Gilmar deu prazo de 15 dias para que os Estados apresentem um plano de liquidação dos precatórios. Determinou que seja observada a ordem cronológica das dívidas. Anotou que o plano tem de ser "detalhado", ordenando cada pagamento "em data razoável". Classificou de "notório e preocupante" o dar de ombros de Estados, municípios e da União para a obrigatoriedade de pagar as dívidas judiciais. Anotou: "Não é possível justificar o não pagamento de créditos, muitas vezes de natureza alimentícia, apenas com alegações genéricas de falta de recursos materiais..." "...É necessário um esforço conjunto dos poderes no sentido da organização financeira e do adimplemento das dívidas financeiras que o Estado contrai com a sociedade". Embora previsto na Constituição, a intervenção federal nos Estados devedores é um tigre que o STF jamais ousou retirar da jaula. A iniciativa de Gilmar não é senão um derradeiro esforço para conservar a fera na gaiola. No texto em que deu o ultimato aos seis Estados, Gilmar lembrou de precedentes criados por julgamentos anteriores. Ficou decidido: "Enquanto o Estado se mantiver diligente na busca de soluções para o cumprimento integral dos precatórios judiciais, não estarão presentes os pressupostos para a intervenção federal". Ou seja, os Estados que cumprirem a ordem de preparar o plano de pagamentos, em duas semanas, vai ser preservado das garras da intervenção. Gilmar escreveu: "Em sentido inverso, o Estado que assim não proceda estará sim, ilegitimamente, descumprindo decisão judicial, atitude esta que não encontra amparo na Constituição Federal." Papa pede a jovens que rejeitem "sexo desordenado" Tomada pelo noticiário, a Igreja Católica tornou-se uma instituição à procura de um dique. Uma represa qualquer, capaz de deter um mar de espermatozóides buliçosos. Sozinha, a tradição já não consegue segurar as pulsões escondidas atrás de mais 2 mil anos de celibato. Pois bem, assim mesmo, com a perversão a roçar-lhe a barra da batina, o papa decidiu, veja você, dar conselhos sobre sexo. Dirigindo-se a uma platéia de mais de 70 mil jovens, Bento 16 recomendou que rejeitem as tentações. Entre elas o do "sexo desordenado". A Igreja faria melhor se refletisse sobre a seguinte evidência: o sexo, quando consentido, pode fazer santos. Mas o sexo, quando proibido, só faz canalhas. Logo, logo, quando o papa for visto com as mãos erguidas aos céus, vai-se imaginar que Sua Santidade não deseja senão saber se deve levar o guarda-chuva. Oposição prepara uma nova ação contra Lula no TSE O pa©mício realizado por Lula e pela presidenciável petista Dilma Rousseff em Osasco (SP) renderá uma nova representação no TSE. DEM, PSDB e PPS vão protocolar mais uma ação contra o presidente e a candidata dele na próxima semana. Alegarão, de novo, que Lula e Dilma, a pretexto de entregar apartamentos, fizeram campanha política ilegal em evento pseudoadministrativo, custeado com verbas públicas. "Eles estão avacalhando o processo", disse Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM. "Ou a Justiça Eleitoral age, ou o jogo fica desequilibrado". A campanha extemporânea já rendeu a Lula duas multas. Na semana passada, em decisão individual, o ministro Joelson Dias aplicara pena de R$ 5 mil. Refere-se a um pa©mício realizado no complexo do Alemão, no Rio, em 2009. A Advocacia-Geral da União anunciou que vai recorrer. Na noite desta quinta (25), em julgamento colegiado, o plenário do TSE impôs a Lula outra multa: R$ 10 mil. Dessa vez por conta de discurso pronunciado em janeiro, na inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo. No ato de Osasco, que resultará na nova representação, Lula fez piada da multa da semana passada. "Não adianta vocês gritarem nome porque eu já fui multado pela Justiça Eleitoral, R$ 5 mil, porque eles disseram que eu falei o nome de uma pessoa..." "...Pra mim não tem nome aqui". A platéia, que até então não pronunciara nome nenhum, pôs-se a gritar: "Dilma, Dilma, Dilma..." E Lula, entre risos: "Se eu for multado, vou trazer a conta pra vocês. Quem é que vai pagar a minha multa? Levanta a mão aí". A oposição vai anexar ao texto da nova representação um vídeo com as cenas de Osasco. Além de Dilma, acompanhava Lula o candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante. Sem contar a ação que está por vir, há ainda no TSE mais três representações à espera de julgamento. Em todas elas, PSDB, DEM e PPS pedem providências contra a movimentação eleitoral do presidente. Rodrigo Maia diz que, se quiser, "Lula pode fazer pré-campanha". Desde que seja "dentro da lei". "Se ele entra na sede do PT e faz campanha, se pede votos para a candidata dele em evento fechado, é legítimo", diz o deputado. "O que não é admissível é a utilização escancarada da estrutura e dos recursos públicos para fins eleitorais. Isso torna a disputa desigual". A julgar por suas últimas decisões, a Justiça Eleitoral parece dar razão aos adversários de Lula. Líder do PT chama Ciro de "falastrão desequilibrado" Ciro Gomes (PSB) tornou-se, para o PT, um "aliado" indesejável. As ressalvas ao deputado, antes feitas entre quatro paredes, ganharam o meio-fio. Líder do PT na Câmara, o deputado Fernando Ferro (PE) trouxe à borda do caldeirão o caldo que ferve no fundo. Chamou Ciro de "falastrão", "desequilibrado", "desesperado" e –a mãe de todas as ofensas— "meio-tucano". Os ataques de Fernando Ferro foram pronunciados nesta quinta (25), em entrevista ao programa "Opinião". É veiculado pela Rádio Comunidade FM de Santa Cruz do Capibaribe, de Pernambuco. O signatário do blog ouviu a entrevista. Ferro disse que, "quanto mais o Ciro Gomes fala, pior pra ele". Afirmou que o presidenciável do PSB "já criticou todo mundo". Acha que Ciro ganhou uma aparência de "adolescente rebelde, que está com raiva do mundo". Embora ninguém considere a hipótese a sério, Ferro rechaçou a possibilidade de Ciro ser guindado à condição de companheiro de chapa de Dilma Rousseff. "Ele não vai ser vice na nossa chapa, porque o PSB, com todo respeito, não tem estatura para ser vice na nossa chapa, não tem dimensão nacional". Avalia que "Ciro perdeu uma oportunidade de ser candidato a governador em São Paulo", com o apoio do PT e de outras legendas governistas. "Agora quer ser candidato a presidente da República. Afunda nas pesquisas. Não tem perspectiva. Brigou com todo mundo..." "...Brigou com o PCdoB, com o PDT, atacou o PT, atacou o PMDB. Ele quer ser a palmatória do mundo..." "...Fica fazendo elogios a Aécio [Neves] e aos tucanos. Ele é, na verdade, um meio-tucano". Ferro despejou sobre o microfone da rádio pernambucana um par de perguntas: "O Ciro tá fazendo o jogo de quem nessa eleição? Vai dividir o governo?" Insinua que o quase-ex-aliado veste a camisa do inimigo: "Se ele fosse do nosso time não tava divindindo a nossa candidatura, tava ajudando". Ajudaria "como nós estamos ajudando o governador [pernambucano] Eduardo Campos [presidente nacional do PSB]". Para Ferro, se insistir na trilha presidencial, Ciro deslizará nas pesquisas para patamares inferiores aos 13% atuais. Vai a "7%, 8%". Pior: "Vai encerrar uma carreira que poderia até ser brilhante. É uma pessoa inteligente, um bom quadro político". Perde-se porque "tem a língua muito grande, é muito falastrão. E política não pode ser feita como fígado, com raiva, com grito, com ameaças, só com acusações". O líder petê diz que Ciro está "desesperado". Imagina-se "maior do que é". Acha que o PSB não vai "insistir nessa aventura". Seria "pior para eles". Refere-se à candidatura presidencial de Ciro como um "capricho pessoal". E insinua que o governador Eduardo Campos, o mandachuva do PSB, está noutra canoa. "Pelas conversas que tenho com o governador Eduardo, essa candidatura não é unanimidade no PSB. Ele sabe que o importante é a nossa aliança". Declara que o presidente do PSB "está fazendo um trabalho para ver se retira essa aventura de Ciro Gomes para presidente". O entrevistador lembrou a Ferro que Ciro dissera que seus passos são combinados com Eduardo Campos. E o líder petista: "Não é isso que a gente conversa com o governador Eduardo Campos. Ele tem um certo constrangimento". Acrescenta: "O que o Ciro fala, pela boca, ele solta muita labareda. Eu acho que ele, lamentavelmente, virou um falastrão que não tá sendo levado a sério..." "...Todo mundo tá achando que ele é apenas uma pessoa que tá querendo brigar com Deus e o mundo. Tá meio revoltado". Avalia que Ciro passa à opinião pública a imagem de "alguém que tá desesperado, que tá aperreado, tá nervoso e desequilibrado". Afirma, de resto, que, para ser presidente da República, "tem que ter equilíbrio" e "cabeça fria". Do contrário, "não aguenta, pipoca, renuncia, chora, se destrói". Evoca o exemplo de Lula: "Tem cabeça fria, ouve, recebe críticas de todo jeito..." "...Mas tem a capacidade de perdoar, de amenizar. E reage quando é preciso, mas sem perder o equilíbrio..." "...O Ciro, lamentavelmente, é uma figura desequilibrada. E com deesequilibrio não tem condições de assumir uma presidência da República". É de perguntar: com aliados assim, quem precisa de inimigos? Dilma defronte de Serra: "A esperança vence o medo" Afora ter trocado com Lula farpas verbais sobre as verbas da saúde, José Serra foi submetido, em Tatuí (SP), a um discurso ardiloso de Dilma Rousseff. Acusada pela oposição de "inexperiente" e "autoritária", a presidenciável petê levou ao microfone uma redição do bordão do Lula-2002. Diante de um Serra impassível, Dilma apresentou-se como personagem capaz de dar curso à "transformação" do Brasil. "Vamos fazer isso isso cercado por essa imensa força desse sentimento que é a esperança que, mais uma vez, vem vencendo o medo no Brasil". Medo de quê? A candidata não disse. Mas não deixa de ter certa razão. A sorte de Dilma –e também de Serra— é que o eleitor observa a cena política com o semblante próprio dos desinformados. Melhor assim. Quem tem informação tem medo. Quem tem muita informação tranca-se em casa. Quem tem ainda mais informação enfia-se num buraco. Depoimento de Arruda no "panetonegate" será na 2ª Por ordem do STJ, a Polícia Federal agendou para a próxima segunda (29) o interrogatório do governador cassado e preso José Roberto Arruda. A oitiva de Arruda foi solicitada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em ofício dirigido ao ministro Fernando Gonçalves, do STJ. Gurgel pediu pressa. Gonçalves concordou. Daí a movimentação da PF. A intenção da Procuradoria é a de apressar as investigações. Se quiser, Arruda pode calar durante a inquirição. Acusado, ele tem a prerrogativa de invocar o direito de falar posteriormente, em juízo. Porém... Porém, a expectativa do Ministério Público é a de que o ex-governador fale. Por quê? Os advogados de Arruda alardeiam o fato de ele não ter sido ouvido no inquérito. Consumado o depoimento, a Procuradoria dedidirá sobre a conveniência de requerer novas diligências. Na sequência, o procurador-geral, autor do pedido de prisão de Arruda, pretende requerer ao STJ a liberação do hóspede involuntário do PF's Inn. Estima-se que Arruda ganhará o meio-fio antes de 17 de abril, dia em que a Câmara Legislativa do DF fará a eleição indireta para a escolha de um sucessor. As manchetes desta sexta - Globo: Plenário do TSE pune Lula por campanha antecipada - Folha: Governo Chávez prende dono de TV oposicionista - Estadão: Empresário de TV é preso por criticas a Chávez - JB: Emprego segura a Previdência - Correio: Reajustes de Wilson irritam o Planalto - Valor: Crescem pressões sobre o Brasil no caso do Irã - Jornal do Commercio: Policial terá bônus por queda de homicídios Nunca antes na história do cristianismo! Via sítio Charges do Benett. TSE multa Lula por fazer campanha ilegal: R$ 10 mil Em decisão apertada –quatro votos contra três— o TSE decidiu impor a Lula o pagamento de multa de R$ 10 mil. Concluiu-se que Lula fez campanha ilegal para a candidata dele, Dilma Rousseff, num evento realizado em São Paulo. Deu-se em janeiro, durante a inauguração da nova sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de dados do Estado. Acompanhado de Dilma Rousseff, Lula discursou. Em meio a elogios ao "companheiro Getúlio Vargas", disse coisas assim: "Eu penso que a cara do Brasil vai mudar muito. E quem vier depois de mim – e eu, por questões legais, não posso dizer quem é; espero que vocês adivinhem..." O pedido de punição havia sido protocolado pelas legendas oposicionistas: PSDB, DEM e PPS. Pediram a imposição de multa também para Dilma. Os ministros, porém, isentaram a ministra-candidata de responsabilidade. Dilma também havia discursado na sede do sindicato. Recebera do chefe um elogio: "palanqueira". Na semana passada, Lula já havia sido multado em R$ 5 mil. Decisão monocrática, tomada por um único ministro, Joelson Dias. Ainda sujeita a recurso. No julgamento realizado na noite quinta (25), a multa foi decidida pelo plenário do TSE. Lula pode recorrer. Mas a possibidade de reversão é mínima. Curiosamente, o TSE decidiu ser mais rigoroso com Lula no mesmo dia em que o presidente desdenhou da primeira multa, aquela de R$ 5 mil. Mais cedo, em pa©mício realizado na cidade de Osasco (SP), Lula fizera troça da multa. Trazia, de novo, Dilma a tiracolo. Garibaldi nomeia relatores governistas para o pré-sal Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) nomeou os relatores do pacote de projetos que regulam o pré-sal. Preferiu ignorar a oposição. Confiou a mãos governistas a relatoria três propostas pré-saleiras. E reteve para si próprio a quarta. A coisa ficou assim: 1. Gim Argelo: Líder do PTB, o protogovernista Argelo vai relatar o projeto que cria a Petrosal, nova estatal petroleira. Numa escala de zero a dez, a hipótese de produzir um relatório contrário aos interesses do governo é de menos onze. 2. Renan Calheiros: Líder do PMDB, Renan levará à grelha o miolo da picanha do poré-sal, o projeto que cria o sistema de partilha, em substituição às concessões. Tomado pelo estilo, Renan pode acomodar pedras no caminho do governo. Talvez se anime a pedir algo, talvez reivindique o atendimento de algum pleito. Vai sair mais caro. Mas, uma vez atendido, Renan acaba entregando a encomenda. 3. Delcídio Amaral: expoente da bancada do PT, Delcídio vai cuidar do projeto que capitaliza a Petrobras. Velho admirador da estatal petroleira, Delcídio fará por ideologia o que outros governistas talvez só fizessem por obrigação. Jogo jogado. 4. Garibaldi Alves: O presidente pemedebê da Comissão de Economia reservou par si a proposta que adiciona açúcar no pré-sal. Vai relatar o projeto que envia parte dos lucros das novas jazidas para um Fundo Social. Um quindim. Garibaldi não haverá de opôr resistência à ideia de destinar verbas para áreas como saúde, educação e cultura. Além de passar pelo crivo da comissão dirigida por Garibaldi, o pacote do pré-sal terá de ser desembrulhado noutras duas comissões. A primeira, de Infraestrutra, é presidida pelo neogovernista Fernando Collor (PTB-AL). Prenúncio de tranquilidade para o Planalto. A segunda, de Constituição e Justiça, é comandada pelo oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO). Treimei, Lula! Em pa©mício de SP, Lula faz troça de multa do TSE De passagem por São Paulo, Lula levou a candidatura de Dilma Rousseff para passear em Osasco. Realizou-se na cidade uma pajelança genuinamente petista. No pa©lanque, além do presidente, um prefeito petê, Emídio Souza... ...Ao lado de Dilma, Aloizio Mercadante, o candidato petê à sucessão do grão-tucano José Serra. Lula entregou apartamentos populares erigidos com verbas do PAC. Estão inconclusos. Falta o acabamento. As paredes de banheiros e cozinhas, por exemplo, ficaram no cimento. Coisa proposital, segundo Lula. Cada morador providenciará o "azulejo" de sua preferência. Ao discursar, Lula, cabo-eleitoral de uma presidenciável de saias, cuidou de enaltecer as mulheres. Instou-as a trabalhar, para obter idependência financeira. A certa altura, Lula fez referência à mula mixuruca que lhe fora imposta pelo TSE na semana passada. Falou em timbre de troça: "Não adianta vocês gritarem nome porque eu já fui multado pela Justiça Eleitoral, R$ 5 mil, porque eles disseram que eu falei o nome de uma pessoa... "...Pra mim não tem nome aqui". A platéia que até então não pronunciara o nome dee ninguém, pôs-se a entoar: "Dilma, Dilma, Dilma..." E Lula, entre risos: "Se eu for multado, vou trazer a conta pra vocês. Quem é que vai pagar a minha multa? Levanta a mão aí". As mãos foram aos céus. E Lula, virando-se para o prefeito petista de Osasco, responsável pela arregimentação da claque: "Eu vou covrar, heim, Emilio". De resto, o presidente declarou que, a despeito da eleição, continuará correndo o país: "Este ano, nós vamos viajar o Brasil inteiro para a gente inaugurar todas as coisas que estamos aprontando pelo país". Como se vê, o TSE recebe de Lula o tratamento que merece. Um tribunal que não se dá ao respeito, não pode exibir que o respeitem. Serra e Lula trocam "farpas verbais" sobre as "verbas" Em tempos de campanha, a glória está mais na crítica do que no elogio. Por vezes, o embate desrespeita a inteligência. Nesta quinta (25), uma cerimônia de entrega de ambulâncias converteu-se, em São Paulo, num inusitado palco político. Presentes: Lula, presidente da República, e os dois candidatos mais cotados a sucedê-lo –José Serra e Dilma Rousseff. Serra, como se sabe, é capaz de tudo, menos de fazer oposição aberta a Lula. Daí ter empurrado sua entrada no ringue sucessório para os limites do calendário legal. Alegava que queria medir forças com Dilma, não com o cabo-eleitoral da ministra. Antecipando-se, acabaria por trocar "jabs" retóricos com Lula. Pois bem, traído pelo protocolo, que obriga o governador a discursar antes do presidente, Serra viu-se metido num embate involuntário. A cena se desenrolou na cidade paulista de Tatuí. Os holfotes iluminavam a entrega de ambulâncias a prefeitos do interior de São Paulo. Ao discursar, Serra animou-se a cobrar melhorias no atendimento que o Estado oferece à bugrada: "Nós temos que aperfeiçoar o nosso sistema de saúde. Temos que torná-lo cada vez melhor, cada vez com o atendimento de primeira classe". Construiu uma metáfora aérea: "Podemos ter, em avião, primeira, segunda e classe turista..." "...Mas não podemos ter, na saúde, serviço de primeira e serviço de segunda classe..." "...Saúde tem que ser serviço de primeira classe para todo mundo e esse é um trabalho que nós estamos perseguindo". Lula foi ao microfone nas pegadas de Serra. Disse que saúde melhor depende de dinheiro. E mirou no PSDB de Serra e no DEM, aliado dele: "Fiquei muito magoado e ofendido quando a minha oposição no Senado derrubou a CPMF..." "...Eu não conheço um empresário no Brasil que reduziu do custo do seu produto em 0,38%, que é o que a gente pagava no [imposto do] cheque". Lula pespegou em tucanos e "demos" a pecha de mesquinhos: "O Senado, por mesquinhaia, me tira R$ 40 bilhões por ano do orçamento da saúde". Vaticinou: "Quem quer que seja presidente da Republica depois de mim vai ter que discutir mais dinheiro pra saúde..." "...Não tem alternativa, não é possível fazer saúde nesse país sem dinheiro. Custa caro" (veja um pedaçom do discurso no vídeo abaixo). Assisitu-se em Tatuí a um desses embates eleitorias ofensivos à inteligência. Alguém poderia ter pergutado a Serra: Ora, por que não proveu ao país a saúde de primeira classe na época em que foi ministro da área no governo FHC? Quanto a Lula, um expectador incauto poderia recordar: apenas uma ínfima parte da CPMF era borrifada nas arcas da saúde. Mais: só no instante em que a derrota já se avizinhava Lula enviou ao Senado uma carta comprometendo-se a destinar toda a verba do tributo à saúde. Lula sabe, de resto, que a CPMF caiu contra a vontade de Serra. O governador opusera-se aos movimentos da bancada de senadores oposicionistas. No mais, vale realçar: em matéria de saúde, é preciso mais do que a simples troca de farpas para assegurar a verba. Tomado pela cena de Tatuí, o embate eleitoral como que avisa ao eleitor: o debate sucessório será tão profundo que uma formiguinha o atravessará com água pelas canelas. Vai-se eleger em outubro não o melhor presidente, mas a encenação mais eficiente. Lula cuidou de retirar da pantomima todo proveito que ela poderia dar. Estetoscópio nas orelhas, chegou mesmo a auscultar o coração de Dilma, sua dodói. Quanto a Serra, desceu ao noticiário como protagonista involuntário de uma cena de oposicionismo explícito. Contracenou com Lula. Dilma foi mera figurante. Suíça bloqueia a conta do filho de Sarney: US$ 13 mi O governo da Suíça ordenou o bloqueio de uma conta de US$ 13 milhões controlada por Fernando Sarney, o filho mais velho de José Sarney (PMDB-AP). Deve-se a revelação aos repórteres Leonardo Souza e Andreza Matais. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa: 1. Os depósitos feitos na Suíça foram rastreados a pedido da Justiça brasileira. Suspeita-se que o dinheiro tenha emigrado ilegalmente. 2. A conta suíça foi registrada em nome de empresa batizada de Lithia. Apurou-se que Fernando Sarney é a única pessoa autorizada a movimentá-la. 3. O dinheiro não foi declarado à Receita Federal. 4. O dinheiro foi retido quando Fernando Sarney tentava transferi-lo da Suíça para o principado de Liechtenstein. É um paraíso fiscal. Fica entre a Áustria e a Suíça. 5. O bloqueio é, por ora, "administrativo". Pode converter-se em "criminal" se ficar demonstrado que os depósitos têm origem em corrupção ou fraude bancária. 6. O pedido feito à Suíça decorre de uma operação da Polícia Federal. Chama-se "Faktor". Começara com outro nome: "Boi Barrica". 7. O filho do presidente do Senado, gestor dos negócios da família Sarney, frequenta as páginas do inquérito na condeição de "indiciado". 8. A PF atribui a Fernando Sarney os seguintes malfeitos: formação de quadrilha, gestão financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. 9. Essa não é a primeira conta alienígena atribuída a Fernando Sarney. No início do mês, a Folha revelara a existência de outra, na China. Coisa de US$ 1 milhão. 10. A existência da conta chinesa, em nome de uma empresa chamada Prestige Cycle Parts & Accessories Limited, fora comunicada ao Ministério da Justiça. 11. Informara-se que o dinheiro entrara na China procedente de outra conta, aberta no Caribe. A ordem bancária traz a assinatura de Fernando Sarney. 12. Procurado, Fernando disse que não faria comentários. Numa entrevista de 2009, o filho do presidente do Senado dissera que operava contas no estrangeiro. 13. Procurou-se também o advogado de Fernando Sarney, Eduardo Ferrão. Não pôde atenter ao telefonema. Estava reunido com José Sarney. Bush cumprimenta hatiano e limpa a mão em Clinton Roriz revela detalhes do assédio que "sofre" do PSDB Candidato a um quinto mandato como governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz é "vítima" de dois tipos de assédio. É assediado pelo Ministério Público, que se esforça para arrastá-lo para dentro do inquérito que apura malfeitos no governo do DF. É cercado também pelo PSDB, que tenta acomodar o PSC, partido de Roriz, na coligação presidencial de José Serra. A direção do PSDB reuniu nesta quarta (24), parlamentares tucanos e das duas legendas que já se incorporaram à sua caravana: DEM e PPS. O objetivo da reunião era organizar a cerimônia de lançamento da candidatura de Serra, marcada para 10 de abril, em Brasília. Lero vai, lero vem, a turma do DEM animou-se a criticar a negociação que o PSDB abriu com Roriz. Os "demos" ainda trazem atravessada na traquéia a crise moral que fulminou o único governador de que dispunham: o preso José Roberto Arruda. Roriz vai às urnas "surfando" na desgraça de Arruda. E o DEM manifestou certa inconformidade com um encontro do grão-tucano FHC com o "surfista" do DF. Deu-se em São Paulo, na última segunda (22), no apartamento de FHC, assentado no bairro chique de Higienópolis. Submetido aos queixumes do aliado, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), tentou minimizar a importância da conversa ocorrida em São Paulo. Disse que o tucanato não cogita celebrar nenhum acordo que leve Serra ao palanque brasiliense de Roriz. Afirmou que ninguém de "bom senso" ousaria tratar do tema num instante em que o panetonegate ainda arde no noticiário. Não é bem assim. O signatário do blog recebeu uma nota emitida por Roriz. Incomodado com as reações azedas, ele decidiu contar o que se passa. "Jamais procurei ninguém", anota, de saída, o texto de Roriz. "No mês passado, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, veio à minha residência". Guerra não estava só. Acompanhava-o o "vice-presidente executivo do PSBD, o ex-ministro Eduardo Jorge". O que foram fazer na casa de Roriz? Vieram "me oferecer a legenda para uma aliança eleitoral no Distrito Federal, em outubro próximo". O que disse Roriz? "Respondi que essa aliança seria possível, sim, pela enorme admiração que tenho pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso". Roriz diz ter imposto uma condição: tucanos mencionados no inquérito do panetonegate teriam de ser "afastadoss dos cargos diretivos partidários". Depois desse encontro, Roriz diz ter recebido "um telefonema do ex-ministro Eduardo Jorge". O que disse Eduardo Jorge? Informou "que ex-presidente Fernando Henrique desejava encontrar-se comigo", escreveu Roriz. O ex-auxiliar de FHC disse mais: "As bases para a aliança estavam aceitas". Marcaram, então, "o dia e a hora" da reunião de São Paulo: "segunda, 22, às 17h". Roriz diz que foi ao encontro de FHC "acompanhado do próprio Eduardo Jorge". Encontrou-o "no aeroporto de Congonhas". Levou consigo mais duas testemunhas: "O meu assessor de imprensa, Paulo Fona, e a fotógrafa da minha equipe, Sheyla Leal". O que foi tratado na conversa com FHC? "Disse, basicamente, duas coisas ao ex-presidente Fernando Henrique". Coisa número um: "Sou candidato a governador do Distrito Federal em outubro, lidero todas as pesquisas de institutos nacionais e locais e posso, então, ser governador pela quinta vez". Coisa número dois: "Transmiti a ele minha solidariedade aos ataques sofridos por ele pelo PT [...]". E disse que, "se fosse desejo dele, apoiaria em Brasília o candidato do PSDB à Presidência [...], o que, aliás, já faço desde os tempos de Mário Covas, em 1989". Dias antes de voar para São Paulo, Roriz recebera em Brasília o deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB e réu no inquérito do mensalão. Roriz não diz na nota, mas relatou a FHC algo que ouvira de Jefferson. O ex-deputado queixara-se de não ter recebido, ainda, um telefonema de Serra. Embora pendesse para outro tucano, Aécio Neves, Jefferson revelou-se propenso a levar o seu PTB à coligação oposicionista. O interesse é recíproco. O tucanato flerta com Roriz e com Jefferson porque deseja tonificar o tempo de TV da propaganda eleitoral de Serra. Adensada pelo PSC e PTB, a coligação de Serra vai ao ar com cerca de oito minutos. Estima-se que a petista Dilma Rousseff terá cerca de 11 minutos. O esforço do PSDB para manter à sombra as negociações que empreende com seus "quase-futuros-neoaliados" é tão revelador que dispensa comentários. Deu-se à pajelança em que Serra será aclamado como candidato o nome de "Encontro Nacional do PSDB, do DEM e do PPS". Por ora, nada de PSC nem de PTB. Lula quer dar dinheiro para municípios inadimplentes Projeto do governo "dribla" a Lei de Responsabilidade Fiscal Para Lula, o cadastro do Tesouro é "estupidez burocrática" "Nós não queremos apostar que todo mundo é desonesto" Lula enviará ao Congresso um projeto de lei que autoriza o governo a repassar verbas a prefeituras de pequenos municípios inadimplentes. Verbas destinadas a um programa específico, o "Territórios da Cidadania" –R$ 27 bilhões até dezembro, último mês da gestão Lula. Assinado pelo presidente nesta quarta (24), o projeto abre uma fenda na Lei de Responsabilidade Fiscal. De resto, atropela um cadastro gerido pelo Tesouro Nacional. Chama-se Cauc (Cadastro Único de Convênios). Foi criado para armazenar os nomes de Estados e municípios que, por devedores, não podem receber verbas de Brasília. Pelo projeto, prefeituras de cidades de até 50 mil habitantes poderão continuar recebendo recursos federais mesmo que estejam inadimplentes. A novidade chega a sete meses da eleição presidencial. Um pleito em que cada prefeito é visto como um potencial cabo-eleitoral. Em discurso feito para uma platéia que incluía ministros, governadores e prefeitos, Lula subverteu a lógica dos mecanismos de controle. Disse ter descoberto que o Cauc, aquele cadastro em que o Tesouro identifica os devedores, "era um empecilho". Mais que isso: "Uma estupidez burocrática". "Se uma prefeitura deve para a Previdência hoje, ela não pode fazer nenhum convênio com o governo..." "...Mas, amanhã, ela pode estar em dia e pode fazer [convênios]. Depois de amanhã, ela pode não fazer mais. E fica uma estupidez burocrática". O presidente dividiu os prefeitos inadimplentes em três categorias. Há os que não honram os compromissos "porque não podem"... ...Há os que "estão em dificuldades". E existem "outros que querem ser malandros e não querem cumprir". A despeito de reconhecer que a Viúva está sujeita a ser vítima de malandragens, Lula não hesitou em apôr o jamegão no projeto liberalizante. Por quê? "Nós resolvemos apostar na ideia de que todo mundo é honesto até prova em contrário..." "...Nós não queremos apostar que todo mundo é desonesto até pronva em contrário. Todo mundo é honesto..." "...É, na verdade, um voto de confiança que a gente tá dando, para que a gente possa fazer fluir o dinheiro que está disponibilizado". Para "fazer fluir" o dinheiro, levando-o inclusive às prefeituras que desonram seus compromissos, Lula pretende recorrer a uma manobra já utilizada no PAC. Em vez de classificar os repasses como "voluntários", algo que a lei veda às prefeituras inadimplentes, ele os fará na forma de transferências "obrigatórias". O discurso do "liberou geral" estava impregnado de 2010. Lula criticou a imprensa, que, por "má-fé", prefere noticiar "desgraças" a enxergar os "avanços desse país". Espinafrou a oposição: "Na visão de alguns o correto era que o Brasil estivesse dando tudo errado para que eles pudessem dizer...: "..."tá vendo, nós falamos, o menino não letrado [...]. Nasceu pra ser torneiro mecânico, a partir daí já é abuso..." (assista no vídeo abaixo). A certa altura, Lula informou aos presentes que lançará em 29 de março o PAC-2. "Não posso permitir que quem vier depois de mim perca um ano fazendo programas". "Quando essa pessoa chegar, essa pessoa vai ter um programa pronto". Súbito, um coro da platéia interrompe Lula: "Dilma, Dilma, Dilma..." E o presidente: "Eu não posso dizer quem vai ser, vamos aguardar. Não posso dizer apesar de, na minha cabeça, eu ter consciência do que vai acontecer nesse ano". Curiosamente, Lula disse no mesmo discurso que a eleição não pode servir de pretexto para que o governo afrouxe os controles econômicos: "Não temos o direiro de brincar com a economia. Nós não vamos brincar com a estabilidade econômica, ela tem que ser mantida..." "...A questão fiscal tem que ser cuidada com seriedade, com muita seriedade. E a inflação tem que ser controlada [...]". Ora, a liberação de verbas para municípios inadimplentes não é senão uma "brincadeira" fiscal. As manchetes desta quinta - Globo: Lula dribla lei para repassar verba a municípios devedores - Folha: Suíça bloqueia conta de filho de Sarney - Estadão: Mantega cobra de BB e Caixa explicação sobre alta de juros - JB: União pelo Rio: Rio rejeita "emenda do ridículo" - Correio: A ajuda milionária de Eurides ao genro - Valor: BC avança na liberalização do câmbio - Jornal do Commercio: Professor derrotado Império Bizantino! Contra o Vento Humberto Costa é inocentado no caso dos "Vampiros" O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, sediado em Recife, inocentou o ex-ministro Humberto Costa no caso conhecido como Máfia dos Vampiros. O julgamento ocorreu nesta quarta (24). Costa foi absolvido por unanimidade. Um resultado prenunciado desde 25 de fevereiro. Nesse dia, o Ministério Público Federal, que incluíra o ex-ministro no rol dos acusados, deu meia-volta. Concluiu, em parecer enviado ao TRF-5, que não lograra reunir provas capazes de inciminar Humberto Costa. Pediu a absolvição. O escândalo dos Vampiros começou a frequentar as manchetes em maio de 2004, nas pegadas de uma operação da Polícia Federal. A PF jogou holofotes sobre uma "quadrilha" que fraudava licitações para a compra de hemoderivados. Costa era, então, ministro da Saúde de Lula. Segundo a PF, o malfeiro nascera na gestão FHC, em 1992. E sobrevivera a Lula. Em 2006, dois anos depois da deflragração da Operação Vampiro, a Procuradoria levou Humberto Costa ao rol de acusados. Nessa época, Costa já havia deixado a Esplanada. Era candidato do PT ao governo de Pernambuco. Hoje, o ex-ministro é secretário das Cidades do governo pernambucano de Eduardo Campos (PSB). Deixará o cargo na semana que vem. Deseja comparecer às urnas de 2010 como candidato do PT ao Senado. Brindado com a absolvição, Costa respira: "Estou muito feliz e plenamente aliviado. Agora, vou pensar no meu futuro com um horizonte mais amplo". Ciro Gomes: "Sou candidato a presidente, não a vice" Ciro deu entrevista à TV Brasil. Vai ao ar nesta quarta (24), às 23h. Reafirmou sua candidatura à sucessão de Lula. E se Lula o convidasse para ser vice na chapa de Dilma Rousseff, perguntou-se ao deputado. E Ciro: "Sou candidato a presidente, não a vice". No curso da entrevista, Ciro alvejou o grão-petê José Dirceu. Revelou detalhes da ação subterrânea do ex-ministro de Lula. Contou que Dirceu esteve com dois governadores do PSB: Cid Gomes (Ceará) e Eduardo Campos (Pernambuco). Disse a ambos que, se apoiassem Ciro, em detrimento de Dilma, arrostariam a oposição do PT nos seus respectivos Estados. Ouça-se Ciro? "Dirceu [...] foi visitar o governador do Ceará e disse, com toda a delicadeza que se o irmão dele fosse candidato a presidente do Brasil..." "...Ia fazer o PT ir contra a ele [Cid] no Ceará. Teve ainda o desplante de fazer a mesma coisa com o Eduardo Campos, em Pernambuco". Ciro reclamou: "Não é assim que se trata um amigo, parceiro ou companheiro". Noutro trecho, discorreu sobre o tipo de aliado que considera ser: "Sou um aliado do PT. Agora, sou um aliado que exige respeito. O PT está acostumado a tratar seus aliados como se fossem seus empregados e a destratá-los, como faz com o PCdoB". A menção ao PCdoB não é gratuita. Ciro esperava atrair o partido para o seu projeto presidencial. Lula e o PT agiram para impedir. Ciro soou como se quisesse dizer que, ao tentar retirá-lo da disputa presidencial, o presidente e o petismo acabam por admitir a fragilidade de Dilma: "Eu tento dizer aos companheiros do PT que, se o Lula, com a força legítima e a popularidade extraordinária e merecida que tem..." "...Não tiver segurança de que a Dilma ganha as eleições de mim, que estou trabalhando apenas com as unhas, é porque ela vai perder para o Serra..." "...E aí será uma tragédia. O Brasil vai voltar aos anos do FHC." Sem mencionar o nome de José Serra, Ciro insinuou que o rival tucano está por trás das notícias que alvejam a candidatura de Dilma e os aliados dela. "Isso já começou. Vocês vão ver na grande mídia. Vai ser uma pancada por semana na Dilma..." "...Vão pegar José Dirceu, [Fernando] Pimentel [coordenador de campanha de Dilma]. Depois vão pegar o fundo de pensão de Furnas". Eximindo-se de avaliar o mérito do noticiário, Ciro acrescentou: "É cruel. O brasileiro talvez não tenha idéia do que é enfrentar a máquina clandestina de difamação que o PSDB de São Paulo montou. Eu já passei por isso". Ciro repisou as críticas à tática plebiscitária que Lula imprimiu à sua sucessão. Uma estratégia que, no dizer do deputado, reduz a campanha a uma disputa entre "os amigos do Lula e os amigos de FHC'. O modelo não serve ao país, disse Ciro. Por quê? Impede que o eleitor preste atenção aos outros cargos que estão em jogo na eleição. "Quem manda [no país] não é o presidente. É o Congresso Nacional. Por isso pretendo dizer em minha campanha ao cidadão...: "Se você quer votar em mim, então me dê deputados e senadores". Ciro acha que é o único que tem legitimidade para dirigir o apelo aos eleitores: "Só eu posso dizer isso, porque o Serra está com uma banda de podridão e a Dilma está com a outra". Enalteceu Dilma: "Dilma tem um grande histórico, mas pode cometer um erro no processo político eleitoral porque nunca foi candidata a nada". Consdiera-se mais bem preparado que a preferida de Lula: "Sou, por ter mais estrada, o mais preparado para o debate..." "...Isso não diminui a Dilma, que é uma pessoa extraordinária e de muito valor. É uma grande administradora, gosta do Brasil, é decente..." "...Se o país escolhê-la, pode saber que estará com uma grande presidente. Não tenha dúvida disso. Mas eu tenho mais experiência do que ela". Procurados, Dirceu e dirigentes do PT não quiseram comentar as declarações de Ciro. A cúpula do tucanato posiconou-se assim: "Ao ser retirado de sua base eleitoral, o Ceará, Ciro Gomes foi jogado em um vácuo político..." "...Não tendo o que fazer, depois que foi enganado e rejeitado pelo PT, o deputado, que já foi condenado quatro vezes pela Justiça por difamação, faz o que lhe resta: o uso da língua de aluguel". Para Lula, imprensa privilegia a "desgraça" por "má-fé" Lula voltou a exercitar nesta quarta (24) o esporte de sua predileção: tiro à imprensa. Deu-se numa solenidade que tratou do programa Territórios da Cidadania. O presidente lamentou que a imprensa priorize a desgraça em detrimento das coisas boas. Age assim, disse ele, por "má-fé". Como se sabe, Lula não lê jornais. Já disse que o noticiário lhe dá "azia". No discurso, porém, disse que corre os olhos pelas manchetes. "Eu levanto de manhã, vejo as manchetes e fico triste. Acabei de inaugurar 2.000 casas, não sai uma nota. Caiu um barraco, tem manchete..." "...É uma predileção pela desgraça. É triste quando a pessoa tem dois olhos bons e não quer enxergar..." É triste "...quando a pessoa tem direito de escrever a coisa certa e escreve a coisa errada. É triste, melancólico, para um governo republicano como o nosso". Lamentou a sorte dos estudantes que, daqui a 30 anos, tiverem de buscar nos jornais dados historiográficos sobre o governo dele. Vão se deparar, segundo disse, com "tablóides" que não retratam a realidade. Vão estudar "mentiras" (assista ao vídeo lá do alto). Algum assessor de Lula poderia mostrar a ele a carta de Thomas Jefferson (1743-1826) a Edward Warrington. Mas Lula, além de não ser afeito à leitura, não tem assessores. Dispõe apenas de áulicos. Pena. Priva-se do raciocínio lapidar de Jefferson: "Se dependesse de decisão minha termos um governo sem jornais ou jornais sem um governo, não hesitaria um momento em preferir a segunda alternativa". Presidente que se queixa do noticiário é como comandante de navio que reclama da existência do mar. Há erros no noticiário? Claro que sim. Há exageros? Evidente que sim. Porém, o signatário do blog, vira-letras incorrigível, está convencido do seguinte: Melhor conviver com o noticiário imperfeito do que ser privado da informação de que sob Lula, nasceu e prosperou o mensalão. Melhor a "má-fé" que vê os malfeitos do que a "boa fé" que enxerga biografias inatacáveis onde não há senão Sarneys. Os jornais por vezes parecem, de fato, rascunhos do dia. Mas quem os passa a sujo não são os repórteres. Procurador sugere extinção de ação contra Meirelles Em parecer enviado ao STF, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sugeriu o arquivamento de inquérito contra Henrique Meirelles, presidente do BC. O pedido de inquérito, feito pela Justiça Federal, foi ao Supremo porque Meirelles tem status de ministro. Só pode ser processado com autorização do tribunal. Relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa requisitara a manifestação de Gurgel. Daí o parecer do procurador-geral. Segundo Gurgel, o inquérito não se justifica porque envolve acusações (crimes contra a ordem tributária) já analisadas e arquivadas pelo STF, em 2007. A palavra final será de Joaquim Barbosa. O ministro pode acatar ou não a sugestão de Gurgel. Nesta quarta (24), Lula disse que deve conversar com Meirelles, na próxima semana, sobre o futuro político do auxiliar. "A situação do Meirelles é uma situação que depende só dele. Eu talvez converse com ele na semana que vem..." "...Não sei se ele quer ser candidato, se ele não quer ser candidato". Lorota. Em verdade, Lula sabe o que Meirelles quer. Ele sonha com a posição de vice na chapa de Dilma Rousseff. Lula teria muito gosto em ajeitar-lhe as coisas. Porém... Porém, o PMDB não digere a ideia de entregar tão relevante posto a um "cristão novo" como Meirelles. Líder de Lula age para cancelar ida de Vaccari a CPI Uma manobra executada por Romero Jucá (PMDB-RR), líder de Lula no Senado, fez subir no telhado o depoimento do petista João Vaccari Neto à CPI das ONGs. Tesoureiro do PT, Vaccari fora convocado na semana passada para prestar esclarecimentos à CPI. Deveria ter sido inquirito nesta terça (23) sobre as denúncias de desvios de verbas da cooperativa habitacional Bancoop para o caixa dois do PT. Vaccari não foi ouvido porque, na véspera, protocolara um ofício solicitando o adiamento da arguição. Alegara que seu advogado está nos EUA. A pretexto de remarcar a data da inquirição, Heráclito Fortes (DEM-PI), presidente da CPI, reuniu os membros da comissão. Supreendido pela movimentação de Jucá, Heráclito viu-se compelido a encerrar a sessão da CPI cinco minutos depois de tê-la iniciado. O líder do governo ameaçou mobilizar a tropa para aprovar requerimento cancelando a ata da sessão que aprovara a convocação de Vaccari. Cancelamento de ata é coisa jamais vista na história do Senado. Heráclito saltou da cadeira: "No dia que você anular uma ata de comissão, você acaba com o processo legislativo". Àlvaro Dias, coautor do pedido de convocação de Vaccari, ironizou: "O único que tem o poder de desconvocar é o Dunga". Movendo-se em combinação com a líder de Lula no Congresso, Ideli Salvatti (PT-SC), Jucá não se deu por achado. Disse que o mais apropriado seria ouvir Vaccari noutra comissão, a de Fiscalização e Controle, presidida por Renato Casagrande (PSB). Algo que Ideli defendia desde a semana passada. Cancelada a sessão da CPI das ONGs, a oposição foi chiar no plenário do Senado. Da tribuna, Álvaro Dias expôs a manobra de Jucá. Em apartes, os líderes Agripino Maia (DEM) e Arthur Virgílio (PSDB) ameaçaram reagir à eventual desconvocação de Vaccari com o bloqueio das votações. Nos subterrâneos, Jucá também desfiava uma advertência. Cuidou de avisar que, mantida a convocação de Vaccari na CPI, a oposição teria o troco. A resposta, disse Jucá, viria na forma da convocação em série de expoentes oposicionistas mencionados em escândalos. O senador pemedebê chegou mesmo a dizer que guarda consigo uma pasta apinhada de requerimentos já formulados pelo PT. No meio da tarde, surgiu uma novidade: aprovou-se na Comissão de Fiscalização e Controle um requerimento de Álvaro Dias. Prevê a audição, na terça-feira (30) da semana que vem, de Vaccari e outros personagens do caso Bancoop. Tudo como queria Jucá. Na comissão, o tesoureiro do PT será ouvido como "convidado". Na CPI, seria espremido como "convocado". Confirmando-se a sessão de terça, a oposição terá dificuldades para insistir na inquirição da CPI das ONGs, prevista para depois da Semana Santa. Além de Vaccari, o "convite" aprovado nesta terça (23) alcança o promotor José Carlos Blat, responsável pelo inquérito da Banccop. Pretende-se ouvir também, entre outros, Luiz Malheiro. Vem a ser irmão do petista Hélio Malheiro, morto num acidente de automóvel em 2004. Hélio Malheiro antecedera Vaccari na presidência da Bancoop. Em depoimento ao Ministério Público de São Paulo, o irmão reforçou as suspeitas de desvios. Resta agora saber: 1) As ameaças de retaliação expostas por Jucá vão arrefecer os arroubos inquisitoriais da oposição? 2) A convocação da CPI será mantida? STJ manda para casa presos mantidos em contêiners A decisão beneficia mais de 400 presos do Espírito Santo O STJ determinou ao governo do Espírito Santo que mande para casa os presos mantidos em contêiners de metal na cidade de Cariacica. Há no município um presídio e um centro de detenção provisório. Para fugir do flagelo da superlotação carcerária, recorreu-se ao contêiner. No total, há 14 celas metálicas em Cariacica. Abrigam cerca de 430 detentos. Desceram ao xilindró preventivamente. Aguardam julgamento. Pois bem, em decisão unânime, a 6ª turma do STJ converteu as prisões preventivas em prisões domiciliares. Significa dizer que o governo capixaba terá de mandar para casa as quatro centenas de prisioneiros dos contêiners. Gente acusada de toda sorte de crimes. A decisão do STJ foi tomada no julgamento de pedido de habeas corpus formulado por um dos presos. Chama-se Antônio Roldi Filho. Foi à garra sob a acusação de mandar matar um adolescente de 14 anos que invadira sua fazenda. Pesa contra Roldi também a acusação de tentativa de execução de um segundo adolescente. Não morreu porque conseguiu fugir. Relator do processo, o ministro Nilson Naves, que preside a 6ª turma do STJ, considerou que o contêiner capixaba impõe ao preso uma "pena cruel". Para ele, o acusado está em "prisão desumana". Coisa que afronta a Constituição, as leis infraconstitucionais e os tratados internacionais sobre direitos humanos. Nilson Naves citou a Constituição brasileira: "É assegurado aos presos integridade física e moral". Lembrou que, por conta das condições degradantes de seus presídios, o Espírito Santo foi alvo de reclamação na ONU. Referia-se a debate ocorrido na sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, no dia 15 de março, em Genebra, na Suíça. O ministro afirmou que o acusado deveria aguardar pelo julgamento numa cela adequada, não no contêiner degradante. Por isso, deferiu o habeas corpus, concedendo a Antônio Roldi Filho a prisão domiciliar. O voto foi seguido pelos demais ingrantes da turma. Decidiu-se também estender o benefício da detenção domiciliar a todos os presos espremidos pelo Estado do Espírito Santo nos contêiners de ferro. A decisão do STJ, tomada nesta terça (23), vai à crônica criminal como a mais recente evidência da falência do sistema carcerário brasileiro. - Em tempo: Ilustração via blog do Guto Cassiano. - Siga o blog no twitter. Ministro do TSE rejeita contas do PSDB e de Alckmin O ministro Felix Fischer, do TSE, considerou "irregular" a contabilidade da campanha presidencial tucana de 2006. Relator das prestações de contas do comitê eleitoral do PSDB e do então candidato Geraldo Alckmin, Fischer rejeitou ambas. Como punição, sugeriu ao tribunal o bloqueio, por seis meses, dos repasses de verbas do Fundo Partidário para o PSDB. Submetido na noite passada ao plenário do TSE, integrado por sete ministros, o voto de Fischer foi acompanhado pelo colega Fernando Gonçalves. O julgamento foi suspenso porque o ministro Marcelo Ribeiro, terceiro a votar, pediu vista dos dois processos. Felix Fischer escorou o seu voto em relatórios de um órgão técnico da Justiça Eleitoral, a Coepa. Trata-se da Coordenadoria de Exame de Contas Eleitorais e Partidárias. Apontou várias irregularidades nas contas do tucanato e de Alckmin. A principal delas refere-se à dívida exposta na contabilidade da campanha. O PSDB informou ao TSE que arrecadou cerca de R$ 59 milhões. Os gastos da campanha escalaram a casa dos R$ 79 milhões. Restou um passivo de R$ 19,9 milhões. Pela lei, o partido teria dois caminhos: ou liquidava a dívida antes da prestação de contas ou transferia o débito do comitê eleitoral para a legenda. Na segunda hipótese, o partido teria de obter de cada credor uma anuência escrita da renovação do débito. Na sua prestação de contas, o PSDB assumiu as dívidas. Mas não anexou ao processo o aceite dos credores. Daí a rejeição das contas. Em sua defesa, o tucanato alegou que fez, em 2006, o mesmo que fizera na campanha de José Serra, em 2002. O diabo é que o comitê petista de Lula procedeu de forma distinta. Também levou à prestação de contas da campanha de 2006 um resultado negativo. Porém... Porém, além de assumir os débitos, o PT foi de credor em credor, para obter de todos eles a concordância quanto à protelação dos pagamentos. A defesa do PSDB tentou contra-argumentar: "Convenhamos que, para o partido do presidente da República, cuja reeleição acabara de ocorrer, é fácil conseguir esse tipo de concordância. A mesma condição não se aplica ao candidato derrotado". O relator Félix Fischer deu de ombros. Manteve o voto pela rejeição das contas e pela imposição da pena de bloqueio dos repasses do Fundo Partidário por seis meses. O julgamento será finalizado quando o ministro Marcelo Ribeiro, aquele que pediu vista, devolver os processos ao plenário. Algo que deve ocorrer até o final de abril. As manchetes desta quarta - Globo: Nova proposta mantém royalties, mas o Rio ainda perde R$ 3,6 bi - Folha: Tesouro é contra reativar Telebras - Estadão: Exclusividade do BB no consignado é contestada na Justiça - JB: Juros têm a maior queda em 16 anos - Correio: MP quer ouvir logo os acusados da Pandora - Valor: Mercosul faz propostas à UE para destravar acordo - Jornal do Commercio: Morte em assaltos a sulanqueiros O pacificador! Via Gazeta do Povo. Em SP, aliança pró-Mercadante reúne cinco partidos Na bica de levar à vitrine sua candidatura ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante já dispõe de uma coligação pluripartidária. Reunidos nesta terça (23), dirigentes de cinco legendas comprometeram-se a dar suporte a Mercadante. Além do PT, integram a caravana: PDT, PRB, PCdoB, PR e PPL. Apertaram-se os parafusos da chapa. Na vice, um nome a ser indicado pelo PDT. Para as duas vagas do Senado: Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PCdoB). Assim, empurrada por Lula, Mercadante está prestes a trocar uma provável reeleição ao Senado por uma incerta disputa contra Geraldo Alckmin (PSDB). No mais, o PT vira uma página que Ciro Gomes (PSB) não quis escrever. Agora, ou Ciro se viabiliza como candidato ao Planalto ou vai catar coquinho no Ceará. Em São Paulo, o PSB deve apresentar o nome do neosocialista Paulo Skaf, hoje presidente da Fiesp, templo do capitalismo selvagem. Lula: Aliança PT-PMDB evita volta do Brasil do atraso Lula concedeu entrevista ao "Jornal do Tocantins". O conteúdo foi reproduzido no portal da Presidência. A certa altura, o presidente foi instado a comentar a parceria celebrada entre PT e PMDB na disputa pelo governo tocantinense. Disse que o acordo o "deixou muito feliz". Afirmou que será ainda "mais interessante" se outras legendas governistas se juntarem à caravana. Declarou que PT, PMDB e Cia. asseguram uma coligação "mais competitiva tanto para a disputa local quanto para a disputa nacional". Acrescentou: "Nós precisamos garantir que todas as políticas que estamos implementando e que estão tirando o Brasil do atraso [...] tenham continuidade". Em seguida, Lula foi convidado a dizer meia dúzia de palavras sobre outra aliança selada no Tocantins pela oposição. Um acordo que uniu o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) e a senadora Kátia Abreu (DEM). Envolve a disputa local e o apoio ao presidenciável tucano José Serra. Lula disse: "Precisamos separar quem está ao lado do nosso projeto nacional de mudanças e quem não está..." "...Espero que a aliança entre PT e PMDB vá além dos dois partidos e consiga unir toda a nossa base nacional também no Tocantins..." "...Acho que os tocantinenses não querem a volta de um tempo em que esse Estado – assim como vários outros distantes do Centro-Sul – não era levado em conta na elaboração das políticas públicas". O presidente pôs-se, então, a realçar o discurso plebiscitário que idealizou para a sucessão de 2010. Desancou a era FHC: "O Brasil passou anos praticamente estagnado, pedindo dinheiro emprestado e se sujeitando ao monitoramento do FMI..." "...Sem investimentos em infraestrutura, com altíssimo índice de desemprego, com sua população mais pobre sem nenhuma perspectiva". Enalteceu sua própria gestão: "Hoje, estamos comemorando o fato de termos atravessado praticamente sem nenhum arranhão..." "...Uma crise que devastou a maioria dos países. Enquanto no mundo todo foram eliminados nada menos que 16 milhões de postos de trabalho, em 2009, no Brasil, ao contrário, nós criamos mais 995 mil empregos com carteira assinada..." "E neste ano devemos criar mais 2 milhões de empregos formais, uma coisa excepcional". Arrematou: "É o projeto político vitorioso nos últimos anos que queremos manter. Por isso, vou apoiar decididamente o conjunto de forças que estão conosco e que vão estar coligadas também no plano estadual. O Brasil merece". O lero-lero segundo qual PT e PMDB impedirão a volta do "Brasil do atraso" não convence nem mesmo os aliados de Lula. Ciro Gomes (PSB), por exemplo, a par de reconhecer os méritos da gestão Lula, ressalva: a aliança PT-PMDB tem "moral frouxa". Onde Lula vê solidez, Ciro enxerga fragilidade: "A Dilma [Rousseff] está sendo suportada por uma coalizão cuja hegemonia moral eu questiono..." "...Na minha mente, é um roçado de escândalos que está plantado à espera da chuva, e a chuva vem, e ela pode ficar na mão..." "...Não que a Dilma não seja exemplarmente decente, mas o roçado de escândalos que está semeado nessa ligação do PT com o PMDB, você não tem ideia". - Em tempo: Com Dilma a tiracolo, Lula voou nesta terça (23) para o Tocantins. Pretendia inaugurar um trecho da Ferrovia Norte-Sul. Ao chegar, Lula deparou-se com uma chuva torrencial. Cancelou a agenda e retonou a Brasília. O país foi privado de mais um daqueles discursos de pa©mício. Pena. Maluf aciona promotor que pôs a Interpol na sua cola Benett Acostumado a fazer pose para São Paulo e para o Brasil, Paulo Maluf ganhou platéia nova. Representa agora para os EUA. Levado à lista de procurados da Interpol, o deputado veio à boca do palco enrolado na bandeira brasileira. Fronte alta, Maluf anunciou a abertura de um processo judicial contra o promotor distrital de Nova York, Robert Morgenthau. Partiu de Morgenthau o pedido que converteu Maluf e Flávio, o filho do deputado, em caçados internacionais da Interpol. Coisa "arbitrária", Maluf se queixa. Procedimento "não condizente com o que rege o Direito internacional". Pior: uma afronta à "soberania das nações livres". O promotor americano, veja você, "decidiu acusar cidadão brasileiro". Mais que isso: "Membro do Congresso Nacional". Não é só: Morgenthau acusa Maluf, no dizer do deputado, "de S-U-P-O-S-T-O-S fatos que, por absurdo, T-E-R-I-A-M ocorrido no Brasil". E para quê? "Com o fim de serem julgados pela Corte Americana". Para completar, emitiu-se "ilegalmente um alerta vermelho para a Interpol". Justificável a revolta de Maluf. O promotor Morgenthau, por alienígena, desconhece os mais tradicionais costumes brasileiros. Ora, no Brasil, supostos bandidos dispões de regalias. Acima de um certo nível de renda, ninguém é alcançado pela lei. Bem verdade que os supostos malfeitos atribuídos a Maluf e Flávio renderam à dupla, em passado recente, 40 dias de cana. Porém... Porém, Maluf, o suposto violador de arcas públicas, foi brindado pelo eleitor paulista com um mandato de deputado. Maluf é, hoje, feliz beneficiário do privilégio de foro. O processo em que é acusado de suposta bandalheira subiu ao STF. O relator, Ricardo Lewandowiski, supostamente assoberbado, demora-se em folhear os autos. Mais um ano e as suposta ladroagem será recoberta pela prescrição. Maluf já se insurgira contra o promotor Silvio Marques, do Ministério Público de São Paulo. Refutara a acusação de suposto envio de dinheiro para contas supostamente abertas em casas bancárias do exterior. Contestara a suposição de que as verbas transitaram por supostas contas de Nova York. Negara que, dos EUA, o suposto dinheiro teria migrado para supostas contas supostamente abertas em bancos de Jersey e da Suíça. Por tudo isso, é mesmo incompreensível a perseguição do promotor Morgenthau contra o suposto ladrão brasileiro. Ao processar seu algoz americano, Maluf demonstra que sua grande pose não é para São Paulo, para o Brasil, para os EUA ou para o Juízo Final. O deputado veste seu melhor terno, aperta no pescoço sua mais vistosa gravata, leva ao palco suas melhores virtudes para o seu próprio julgamento. Um julgamento particular. Nelson Rodrigues diria que o promotor Morgenthau enxerga em Maluf um vampiro de Düsseldorf. Mas o deputado não se vê senão como um reles bebedor de groselha. Por isso invoca a soberania. Por isso exalta a condição de membro do Congresso Nacional. Acha que o Brasil, esse suposto país, merece mais respeito. A última de Serra: inauguração de obras "à distância" A 11 dias de trocar a cadeira de governador pelo palanque de candidato, José Serra trava uma corrida contra o relógio. Na correria, revela-se um político, digamos, inventivo. Há duas semanas, havia "inaugurado" a maquete de uma ponte por fazer, em Santos. Agora, num rasgo de criatividade, Serra "inaugura" obras à distância. A novidade materializou-se em Campinas. De passagem pela cidade, o governador tucano entregou um hospital de reabilitação. Investimento de R$ 11 milhões. Ali mesmo, de cambulhada, "inaugurou" um par de rodovias que a azáfama da agenda pré-eleitoral o impediu de visitar. Serra descerrou a placa do hospital e também as placas das rodoviais, que lhe chegaram em cavaletes. Cuidou de acomodar todo o pacote num mesmo discurso: "Hoje, aqui, neste momento, nós estamos inaugurando três obras. Nosso problema não é falta de obras para inaugurar, é tempo para inaugurar as obras". Pressa de candidato? Não, não. Absolutamente. "É que tem coisas efetivamente para inaugurar e falta tempo para isso, então, a gente faz as coisas conjuntas". Para Lula, "social" justifica a carga tributária elevada Prometida por todos os governos, a reforma tributária tornou-se uma utopia brasileira. Sob Lula, a última tentativa foi realizada em 2008. Relatou o projeto o grão-petê Antonio Palocci (SP). Depois de consumir meses de debate parlamentar e de produzir quilômetros de manchetes de jornal, a coisa foi ao arquivo. A nove meses e oito dias do término do seu segundo mandato, Lula parece conformado. Mais que isso: considera a carga de tributos que pesa no bolso do brasileiro –34% do PIB em 2009— necessária. Lula clareou o seu ponto de vista na coluna semanal "O presidente reponde", veiculada nesta terça (23) em jornais de todo país. Numa das questões dirigidas a Lula, o atendente de farmácia Luciano da Silva, morador da cidade de Jaguaré (ES), anotou: "Os brasileiros estão entre os que mais pagam impostos no mundo. Nem por isso nossos serviços públicos são melhores". Feita a observação, inquiriu: "Existem medidas destinadas a reduzir os impostos ou a melhorar os serviços públicos?" Em sua resposta, Lula reconheceu: "Nossa carga tributária [...] não é das mais baixas". Mas ponderou que "está longe das mais altas do mundo". E passou a esgrimir um discurso que, em essência, justifica o avanço sobre o bolso do contribuinte com a necessidade de prover verbas para o social. "Há países", escreveu Lula ou algum assessor em seu nome, "que prestam serviços públicos de excelência, mas cuja carga é muito mais elevada". Citou "Suécia (48%) e Dinamarca (49%)". Prosseguiu: "Outros países, têm carga tributária baixa, mas o Estado é praticamente ausente". "No Brasil é diferente", Lula acrescentou. "Com os impostos, nós investimos de forma inédita em programas sociais". Programas "como o Bolsa Família, que beneficia 12,4 milhões de famílias". Ligou os benefícios à crise financeira global: "Com os programas [sociais] e o aumento real de 76% do salário mínimo desde 2003, nós fortalecemos tanto o mercado interno, que atravessamos a crise sem maiores danos". Celebrou: "Enquanto o mundo perdeu 16 milhões de empregos em 2009, nós criamos 995 mil". E quanto à qualidade do atendimento prestado à bugrada nas repartições públicas? "Estamos investindo na melhoria dos serviços públicos", Lula anotou. Convidou Luciano, o atendente de farmácia que lhe dirigiu a pergunta, a observar o que se passa nos guichês do INSS. "Com o agendamento por telefone acabamos com as filas e hoje as aposentadorias são concedidas em meia hora". Debitou o passivo na conta dos antecessores: "Há muita coisa a fazer porque o abandono vem de décadas, mas estamos avançando na solução dos problemas". É um tipo de discurso que, escorado no gerúndio, pode ser usado por qualquer um, a qualquer tempo. Em 2014, o sucessor de Lula poderá dizer, de fronte alta: "Estamos investindo". Em 2018, o sucessor do sucessor poderá festejar: "Estamos avançando". E a mordida imposta ao "contribuinte" sempre parecerá incompatível com a qualidade dos serviços que lhe são –ou deveriam ser— prestados. Lula e Dilma vão a obra que TCU tacha de "suspeita" Nesta terça (23), Lula e a ministra-candidata Dilma Rousseff desembarcam no Tocantins. Vão realizar um pa©mício. O pa©lanque foi montado no município de Guaraí, a 180 km da capital, Palmas. Será inaugurado um pedaço da Ferrovia Norte-Sul, obra do PAC. Trata-se do trecho que liga Colinas do Tocantins a Guaraí –133 km de trilhos. Iniciado em março de 2007, ficou pronto em novembro passado. Pelas contas do Planalto, custou R$ 384 milhões. Dilma e seu cabo-eleitoral também vão vistoriar um segmento da Norte-Sul ainda inconcluso. Liga Guaraí a Palmas –148 km de dormentes. Uma das frações da ferrovia carimbadas pelo TCU como "irregulares". Detectou-se um superfaturamento de 11,7%. Para resguardar a Viúva, o tribunal de contas determinou a retenção mensal de 10% dos pagamentos. A repórter Luíza Damé conta que a visita de Lula e Dilma deixou exultante o prefeito de Guaraí, Padre Milton Alves da Silva, do PT. "Será o meu dia de glória. A gente só vê o presidente de longe", disse Padre Milton. É a primeira vez que um inquilino do Planalto pisa em Guaraí O estado de "glória" do prefeito levou-o a decretar ponto facultativo no município. Fez mais. Em parceria com o governo do Estado, a prefeitura providenciou o aluguel de dez ônibus. Para quê? Ora, para conduzir ao local do pa©mício, distante 25 km do centro da cidade, os habitantes que quiserem desfrutar da "glória" de ouvir Lula. A Ferrovia Norte-Sul é uma obra velha. Foi lançada em 1987, sob a presidência de José Sarney. Nasceu sob o signo do malfeito. Na época, Jânio de Freitas veiculou na Folha anúncios cifrados que anteciparam o resultado da licitação. Os valores dos diversos lotes da ferrovia haviam sido previamente combinados entre as empreiteiras. Um vexame. Quando estiver completa, a Norte-Sul vai medir 2.254 Km. Começou em Açailândia (MA). Espera-se que chegue até Estrela d"Oeste (SP). Estima-se que, depois de pronta, a ferrovia terá sorvido R$ 6,5 bilhões dos cofres do Tesouro –R$ 5 bilhões até o final de 2010; R$ 1,5 bilhão daí em diante. Em ritmo de plebiscito eleitoral, o Planalto informa que nunca antes na história desse país a ferrovia avançara tanto quanto prosperou sob Lula. Na era Sarney, foram assentados apenas 95 km de trilhos, ligando as cidades maranhenses de Açailândia e Imperatriz. Nos dois mandatos de FHC, os dormentes foram esticados de Imperatriz até Aguiarnóplis, no Tocantins –mais 120 km. Na fase Lula, jacta-se o governo, "já foram construídos 371 km" de trilhos. Sem mencionar os 978,5 km que se encontram em fase de execução. Como se vê, o discurso que Lula fará em Guaraí promete. As manchetes desta terça - Globo: PM ocupa a Providência para criar 7ª UPP do Rio - Folha: Plano de expansão do metrô de SP vai atrasar - Estadão: Contas externas pioram e BC aumenta previsão de déficit - Correio: Arruda cede mandato para tentar liberdade - Valor: Ofertas de estreantes decepcionam na Bolsa - Estado de Minas: Estado dá aumento de 10% a servidores e de 15% a militares - Jornal do Commercio: Água poluída mata mais que violência O pós-Lula do Lula! Via blog do Benett. Arruda desiste de recurso e salva os direitos políticos Em cana, sem partido e sem mandato, José Roberto Arruda (ex-DEM) desistiu de recorrer ao TSE para tentar reaver a cadeira de governador. Em carta endreçada aos seus advogados, Arruda afronta a lógica: "Não tenho a culpa que querem me imputar". Depois, homenageia o bom senso: "Concluí que posso ajudar mais Brasília, em seu aniversário de mais 50 anos, com a minha ausência do que com a minha presença". Em seguida, comunica: "Decidi solicitar a vocês, meus advogados, que não recorram ao TSE. Recorrer seria prolongar o drama". O lero-lero esconde um cálculo político: recorrendo, Arruda correria o risco de ter restituído o cargo de governador que o TRE lhe retirou. De volta ao cargo, recolocaria nos trilhos o processo de impeachment que corre contra ele na Câmara Legislativa do DF. Exaustos da solidariedade panetônica que os unia a Arruda, os deputados distritais passariam o mandato do governador na lâmina. Cassado pelo Legislativo, Arruda perderia os direitos políticos. Ficaria inelegível por arrastados oito anos. Mantida a cassação do TRE, Arruda fica sem o cargo. Mas mantém intactos os direitos políticos. Sem partido e desmoralizado, não pode ir às urnas de 2010. Porém... Porém, pode candidatar-se já no pleito de 2014. Assim, melhor perder os anéis por decisão do TRE do que sujeitar-se a ter os dedos cortados pelo impeachment da Câmara. No mais, mesmo sem mandato, Arruda não corre o risco ver o processo do panetonegate migrar do STJ para a mesa de um juiz de primeira instância. Arruda perdeu o direito ao foro privilegiado. Mas há nos autos um acusado que dispõem do privilégio: Domingos Lamoglia. Conselheiro do Tribunal de Contas do DF, Lamoglia só pode ser julgado pelo STJ. Assim, o processo não pode descer para as instâncias inferiores do Judiciário. Por último, Arruda pode alegar no STJ que, sem poder, já não precisa conservar a condição de hóspede do "PF"s Inn". Acha que abriu uma trilha que pode levá-lo ao meio-fio. Há no STJ um pedido de relaxamento da prisão de Arruda. A Procuradoria da República posicionou-se contra. A decisão cabe ao ministro Fernando Gonçalves, relator do processo e signatário do despacho que mandou Arruda para a cadeia. Na carta aos advogados, Arruda posa de magnânimo: "Acatando a decisão do TRE, responderei aos processos como cidadão comum, longe das paixões e dos interesses políticos. Saio da vida pública". Em verdade, não sai. Foi arrancado. Enaltece a própria obra: "Espero, apenas, que, meus sucessores não deixem que as obras sejam interrompidas, todas já com recursos assegurados e na sua fase final". É como reivindicasse para si uma máxima comum na política brasileira, o "rouba, mas faz". Arruda declara-se grato à sua "equipe de governo". Mais: "Sou grato, também, a Sua Exa o senhor Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - e ao seu governo, sem cujo apoio não teríamos feito tudo que fizemos". Filosofa: "Com a paz que já me assiste neste momento de despedida, lembro que há homens livres nas celas e homens presos nas ruas. O meu corpo-matéria sofre desgastes, mas nunca tive tanta liberdade de espírito". Revela-se um leitor do Livro dos livros: "Leio, em Eclesiastes: "Sabedoria é a capacidade de discernir a verdade por trás das aparências. Quem é capaz disso não se perturba diante dos conflitos"." Numa reedição do lema de Fernando Collor –"O tempo é senhor da razão"— Arruda lança um olhar para o futuro: "Pode demorar, mas a verdade se estabelecerá. Tenho fé que serão identificados os interesses que contrariei, as propostas indecorosas que não aceitei, os hábitos que repeli. A vida é cíclica. Já vivi altos e baixos. Aplausos e vaias. Vitórias e derrotas. Vida que segue". O diabo é que nem com auxilio divino o agora ex-governador conseguirá apagar da memória coletiva o vídeo no qual aparece apalpando um maço de dinheiro de má origem. No finalzinho da carta, Arruda anima-se a posar de vítima: "Não posso negar que a doença coronariana que me levou ao cateterismo –e agora a cuidados especiais –foi variável importante nesta decisão..." "Já vivi o bastante para saber que as razões políticas muitas vezes ultrapassam os limites do Direito –e que a humildade de saber parar pode valer mais que a mais triste e destemida insistência". Resta saber até quando a súbita "humildade" manterá Arruda longe de uma nova aventura eleitoral. E torcer para que, recobrada a prepotência, o eleitor brasiliense negue ao ex-fraudador do painel do Senado o direito a uma terceira chance. - Em tempo: Pressionando aqui, você chega à íntegra da carta de Arruda. Para quem tem estômago, vale a leitura. DEM abandona governo do PMDB em Santa Catarina. Como previsto, o DEM de Santa Catarina decidiu desembarcar do governo de Luiz Henrique (PMDB). Desligou-se também da chamada "tríplice aliança", que o unia ao PMDB e ao PSDB catarinenses. O partido vai se dedicar agora à campanha do senador "demo" Raimundo Colombo, candidato ao governo de Santa Catarina. Em nota aprovada por aclamação na reunião de seu diretório estadual, o DEM reafirmou apoio à candidatura presidencial de José Serra (PSDB). Presidente de honra do DEM federal, o ex-senador Jorge Bornausen participou da reunião. Na nota distribuída após o encontro, o DEM justifica a saída do governo e da tríplice aliança. Alega que, em 2009, acertara-se que, na falta de um acordo quanto ao nome do candidato ao governo, PMDB, PSDB e DEM fixariam uma regra comum. Anota que o governador pemedebê Luiz Henrique comprometera-se com a fixação do critério. Chegou 2010. E nada. "Terminado o ano sem que fosse alcançado o almejado consenso, aguardou o DEM que fossem estabelecidos prazo e critério para escolha do melhor candidato", diz a nota. O texto realça que "em todas as pesquisas, públicas e reservadas, sempre o senador Raimundo Colombo esteve com boa margem à frente dos demais postulantes". O DEM lembra que, neste mês de março, em desacordo com o que fora acertado, "o PMDB resolveu marcar prévias para escolher seu candidato a governador". Mais: "O PSDB, consultado, não se dispôs a definir desde logo a sua posição". E, "diante das circunstâncias", o DEM optou por bater em retiradea. Am legenda "pôs à disposição" do governador os 27 cargos que ocupa no primeiro e no segundo escalão da administração catarinense. São cinco secretárias de Estado; cinco de secretárias de desenvolvimento regional; quatro presidências e diretorias de estatais, autarquias e fundações; e 13 diretorias e gerências em outras áreas. O documento do DEM é categórico ao tratar da sucessão presidencial. Ratifica "o apoio à candidatura de José Serra". Refere-se ao presidenciável tucano como o "único capaz de recuperar a ética e a eficiência na administração federal". De resto, a etnia catarinense da tribo "demo" declara-se aberta "ao diálogo com os partidos que desejarem compor uma coligação para apoiar Raimundo Colombo para governador e José Serra para presidente". No Rio, Lula volta a criticar imprensa e se autoelogia Lula abriu nesta segunda (22) o Fórum Urbano Mundial, evento que reúne, no Rio, representantes de mais de 160 países. Diante de platéia tão, digamos, planetária, Lula disse que seu governo está provando que "é possível construir um novo país" e "uma nova política urbana". Tudo isso, afirmou, "sem precisar ficarmos criticando o que aconteceu antes de nós". Em seguida, pôs-se a vergastar o que veio antes: "Digo sempre que o século 21 é o século em que o administrador público tem duas coisas importantes a fazer...: "...A primeira é projetar uma cidade com melhor qualidade de vida. A segunda é fazer a reparação dos desmandos causados por muitos administradores século 20..." Desmandos "...que permitiram que o país e muitas cidades no Brasil e no mundo se transformassem numa grande favela". Lula "Nunca Antes" da Silva convidou a platéia a visitar o Rio e outras capitais brasileiras. "Vão ver investimentos em políticas urbanas, saneamento básico e habitação como nunca houve na história desse país". A certa altura, Lula entregou-se à prática de seu esporte predileto: o arremesso de dardos contra o pedaço da imprensa que o imprensa. "Alguns setores da imprensa não enxergam ou não querem enxergar, mas em muitos casos deste país está havendo um êxodo ao contrário..." "...Pessoas da cidade estão voltando para o campo. Isso porque nós temos uma grande política de financiamento para a agricultura familiar..." "...Temos uma grande política de assentamento de 570 mil famílias no campo. Isso porque o governo federal compra parte dos alimentos que os pequenos produzem..." "...E porque levamos luz para 12 milhões de brasileiros que moram no meio do mato". O governador Sérgio Cabral (PMDB), que discursara antes de Lula, já havia convidado a estrangeirada a "passear" pelo Rio. Recomendara que, além dos pontos turísticos, visitassem as favelas beneficiadas com obras do PAC, para testemunhar as "mudanças absolutamente radicais". Depois, ao ecoar Cabral, Lula teve o cuidado de aconselhar: "Não se embrenhem em locais que vocês não conhecem". Boa, muito boa, ótima recomendação. Há certas coisas que as "mudanças absolutamente radicais" não lograram modificar. A violência que viceja no Rio é uma delas. Nessa matéria, Lula nem precisa que "alguns setores da imprensa" o auxiliem a enxergar o óbvio. Adiado o depoimento de terouseiro do PT no Senado O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, protocolou um ofício na CPI das ONGs, no Senado. Convocado para prestar depoimento nesta terça (23), Vaccari pediu o adiamento da sessão. Anotou que deseja comparecer à CPI acompanhado de seu advogado, Pedro Dallari. Informou que Dallari, em viagem aos EUA, só retorna ao Brasil na sexta-feira (26). Ouvido pelo blog, o presidente da CPI, Heráclito Fortes (DEM-PI), disse que vai atender ao pedido de Vaccari. "Vamos remarcar o depoimento para depois da Semana Santa", informou o senador. A convocação de Vaccari foi aprovada na semana passada. A oposição deseja inquiri-lo sobre o caso Bancoop, a cooperativa habitacional criada e gerida por petistas. O promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, acusa a Bancoop de lograr os cooperados, desviando para o PT verbas quer serviriam à construção de imóveis. Vaccari presidia a entidade antes de ser guindado ao posto de gestor das arcas do PT. Ele nega os malfeitos. Sustenta que Blat o alveja para atingir o PT. DEM deve desembarcar do governo do PMDB em SC Desavenças envenenam o palanque de Serra no Estado O diretório do DEM de Santa Catarina reúne-se nesta segunda (22). Vai a voto uma proposta que não ajuda à candidatura presidencial de José Serra. Os "demos" catarinenses covitam desembarcar do governo pemedebê de Luiz Henrique (foto), ferrenho apoiador de Serra. Em manifestação feita neste domingo (20), o senador Raimundo Colombo (DEM-SC) disse que viceja no partido o "viés de saída": "Não tem ninguém [no DEM] defendendo posição contrária. A conclusão é que, para o nosso projeto, o melhor é ficar de fora do governo". A prevalacer a "conclusão" exposta por Colombo, baterão em retirada da gestão Luiz Henrique algo como 25 "demos" de primeiro e segundo escalão. Entre os cargos que ficarão vagos há quatro secretarias de peso: Fazenda, Administração, Desenvolvimento Sustentável e Agricultura. Presidente do diretório catarinense do DEM, o senador Colombo é também o candidato da legenda à sucessão de Luiz Henrique. Sonhava com o apoio das legendas que compõem a tríplice aliança que dá suporte ao governo: além do DEM, o PMDB de Luiz Henrique e o PSDB de Serra. O caldeirão começou a ferver depois que o PMDB emitiu sinais de que escapa ao controle de Luiz Henrique. O governador tentava empinar a candidatura de Eduardo Pinho Moreira, presidente do PMDB no Estado e serrista como ele. Porém... Porém, o prefeito pemedebê de Florianópolis, Dário Berger, apresentou-se como alternativa. Luiz Henrique não teve forças para escanteá-lo. O PMDB catarinense viu-se compelido, então, a agendar para a próxima segunda (27) uma prévia na qual Pinho Moreira medirá forças com Berger. Em carta manuscrita endereçada aos aliados, Luiz Henrique comprometeu-se a manter a tríplice aliança. Pelo plano do governador, os três partidos que o apóiam apresentariam os seus nomes e, mais adiante, seria ungido o candidato que exibisse melhores índices de pesquisa. O problema é que Dário Berger, o prefeito da capital, flerta nos subterrâneos com a candidatura petista de Dilma Rousseff. Suspeita-se que, prevalecer sobre Pinho Moreira, Berger tenderá a oferecer a Dilma um segundo palanque, alternativo ao da petê Ideli Salvatti. Ao farejar o cheiro de queimado, o DEM procura o seu rumo. No discurso, mantém o lero-lero pró-manutenção da aliança. Na prática, busca outros parceiros. Para complicar, o PSDB esquiva-se de tomar posição. Planejara por de pé a candidatura do tucano Leonel Pavan, vice-governador de Luiz Henrique. Acusado de intermediar negócios para uma empresa privada, Pavan foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina: "corrupção passiva". O Tribunal de Justiça agendou para quarta-feira (31) da semana que vem uma sessão em que será analisado o processo no qual Pavan figura como réu. Politicamente alquebrado, Pavan reuniu-se na semana passada com uma trinca de grão-tucanos: Sérgio Guerra, Marisa Serrano e Rodrigo de Castro. O presidente, a vice-presidente e o secretário-geral do PSDB fedeeral ouviram de Pavan o compromisso de não disputar o governo catarinense. O DEM esperava mais. Além da retirada de cena de Pavan, contava com uma declaração explícita de apoio à candidatura de Raimundo Colombo. O tucanato prefere esperar pela resolução da encrenca que se estabeleceu no interior do PMDB. Quer saber até que ponto Luiz Henrique controla sua legenda. Acha que deve essa deferência ao governador, um dos poucos pemedebês que desafiam a posição da cúpula nacional de seu partido, fechada com Dilma. Trincada, a tríplice aliança pró-Serra assiste ao crescimento da deputada Angela Amin, candidata do PP à sucessão catarinense. Tomada pelas pesquisas que chegaram às mãos do tucanato, Angela vai assumindo as feições de favorita. Além de Angela, vai às urnas com chance de vitória o ex-governador Espiridião Amin (PP), candidato ao Senado. O que consola o PSDB é o fato de que as mesmas pesquias dão a Serra uma dianteira confortável sobre Dilma em Santa Catarina. Imagina-se que 2010 vai repetir 2006, quando o tucano Geraldo Alckmin bateu Lula nas urnas catarinenses. Na quadra presidencial, a posição da família Amin é uma incógnita. Não se sabe se o casal fechará com Dilma ou com Serra. Desmilinguindo-se a tríplice aliança, o PSDB não exclui a hipótese de buscar um acerto com o PP dos Amin. Obama prevalece e Câmara aprova o SUS americano Barack Obama obteve na noite deste domingo (21) sua mais importante vitória legislativa desde que chegou à Casa Branca. Conseguiu arrancar da Câmara dos EUA a aprovação da reforma do sistema de saúde americano. Foi um triunfo suado. Obama precisava de 216 votos. Obteve 219. Votaram contra 212 deputados. O projeto vai agora à sanção do presidente. Em pronunciamento feito depois da sessão domingueira da Câmara, que se arrastou até perto da meia-noite, Obama degustou o triunfo: "Nós provamos que este governo, um governo do povo e para o povo, ainda é capaz de trabalhar pelo povo". A reforma empurra para dentro do sistema que concede cobertura de saúde algo como 32 milhões de americanos antes desassistidos. Com isso, a cobertura estatal de saúde torna-se praticamente universal nos EUA. Passam a dispor de atendimento médico 97% dos americanos. Hoje, o orçamento da saúde soma nos EUA cerca de US$ 2,3 trilhões anuais, incluindo verbas públicas e privadas. A cifra representa algo como 15% do PIB americano. Com a reforma, estima-se que o o Tesouro terá um gasto adicional de US$ 940 milhões. Projetando-se a novidade para os próximos dez anos, algo como US$ 1,69 trilhão em verbas do contribuinte serão carreadas para a área de saúde. Nenhum deputado Republicano votou a favor da reforma. Para vencer resistências do seu partido, o Democrata Obama teve de rebolar. Cancelou uma viagem internacional. Arregaçou as mangas. E só aos 45 minutos do segundo tempo, virou os votos que lhe permitiram prevalecer. Um grupo de Democratas justificava a aversão à reforma com o argumento de que o dinheiro extra a ser despejado na saúde financiaria o aborto. A Casa Branca assumiu o compromisso editar uma "ordem executiva". O texto dirá que o dinheiro novo não poderá ser usado como tônico para o aborto. Com esse gesto, Obama virou os votos de que necessitava. Em votação paralela, os deputados aprovaram ajustes periféricos à proposta que viera do Senado. Esses ajustes terão de ser referendados pelos senadores, num procedimento chamado de "reconciliação". Para passar, a "reconciliação" exige apenas maioria simples: 51 votos. Coisa que a bancada de Obama tira de letra. A reforma do sistema de saúde é vista como um marco histórico. Uma intervenção estatal incomum num país em que o liberalismo é um valor dogmático. Em novembro, os americanos irão às urnas para renovar o Congresso. A encrenca da saúde vai virar munição para o oposicionista Partido Republicano. "Serra quer se livrar do FHC, eu me orgulho do Lula" Com 15 dias de atraso, o grão-petê Tarso Genro festejou na noite de sábado os 63 anos que completara em 6 de março. Candidato ao governo gaúcho, Tarso aproveitou o bolo para amealhar fundos de campanha. Os amigos foram instados a desembolsar entre R$ 50 e R$ 100. Convidada de honra, Dilma Rousseff aproveitou os holofotes para ironizar o desejo de José Serra de restringir a campanha ao cotejo de biografias dos candidatos. "Não farei o milagre de me desvencilhar do governo Lula porque tenho orgulho dele. Agora, se ele quer se desvencilhar do governo FHC, é problema dele". As manchetes desta segunda - Globo: Governo infla números da nova versão do PAC - Folha: Plano de Obama para saúde é aprovado - Estadão: Brasileiro bate recorde de gastos no exterior - JB: Justiça Eleitoral refém do crime - Correio: Segurança pelo menos na hora da morte - Valor: Forte procura congestiona crédito para investimento - Jornal do Commercio: Haja emoção: Santa 4x2 Náutico Julius Lula da Silva Caesar! Via blog do Nani. Lula, os "vira-latas" da mídia e o carpete do sindicato Antes de virar presidente, Luiz Inácio sempre reconheceu que a imprensa teve papel de relevo no processo que o converteu em Lula. Numa das passagens do livro "Lula, o Filho do Brasil", o ex-sindicalista contou à jornalista Denise Paraná o drama que vivenciou quando decidiu fundar o PT. Corria o início da década de 80. No comando do movimento sindical, Lula era festejado por todos. Até que... Até que decidiu pôr em pé o seu próprio partido político. "Aí já tinha o PMDB contra, já tinha o PC contra..." "...Já tinha o PCdoB contra, já tinha o MR-8 contra, já tinha o PDT contra. Você tinha um monte de gente contra". Lula deixou de ser, segundo contou, uma "unanimidade". Foi devolvido à condição de "um ser normal". Porém... Porém, desfrutava de um contraponto ao nariz virado dos políticos tradicionais. "Foi um período em que a gente tinha muito espaço na imprensa". Lula enfatizou: "Muito espaço". Fez uma única ressalva: "Na Globo o espaço era muito pouco. Na televisão o espaço sempre foi muito pouco". Nessa época, Lula via as redações de jornal como aliadas. E não era o único. Fernando Collor concordaria com ele anos mais tarde. Collor costuma dizer que virou presidente do Brasil numa eleição em que mediu forças não apenas com Lula, mas também os aliados dele na imprensa. Conta que, durante a campanha, para afrontá-lo, alguns repórteres compareciam às suas entrevistas ostentando broches do PT na lapela. Na investigação que desaguou no impeachment de Collor, o petismo servia-se das denúncias da imprensa. Na CPI do Collorgate, gente como José Dirceu e Aloizio Mercandante especializou-se em "vazar" para as manchetes dados sigilosos. Súbito, Lula virou presidente. Passou de estilingue a vidraça. E começou a desancar a "mídia". O "controle social dos meios de conunicação" virou um mantra do PT. Nos últimos meses, em sua cruzada contra a "mídia", Lula tomou de empréstimo uma metáfora que Nelson Rodrigues cunhara para se referir ao Brasil e aos brasileiros. O cronista costumava dizer que o brasileiro sofre de "complexo de vira-lata". Escrevia coisas assim: "O brasileiro é um Narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima". Inconformado com o pedaço da imprensa que tem a mania de imprensar, Lula passou a servir-se da máxima rodrigueana para atacar a "mídia". Lula "Nunca Antes" da Silva passou a dizer que o Brasil é muito impopular nos jornais do Brasil. Só a imprensa estrangeira reconhece-lhe os feitos. Passou a renegar o papel fiscalizador dos repórteres. Algo que o PT e ele próprio tanto exaltavam no passado. Agora, como que habitados ao elogio fácil, Lula e o petismo abominam a crítica. Cultivam um modelo de imprensa em que não há espaço para apurações. Desde que as manchetes expuseram o mensalão, em 2005, Lula e Cia. passaram a cultivar a certeza de que a "mídia" conspira contra o governo. Nas últimas semanas, Lula passou a dizer que o noticiário exerce sobre o brasileiro um efeito deletério. Tonifica na alma dos patrícios o hábito da subordinação. Conta uma história dos tempos em que presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Eis o episódio: "Uma vez nos colocamos um carpete amarelo na minha sala. Carpetão, daquele bem grosso. O peão, quando trabalha na fábrica, o sapato dele enche de cavaco..." "São lascas de ferro, que saem das máquinas. Quando o peão anda, se ele pisa num lugar limpo, vai ficando aquele rastro de óleo..." "...Um dia, o cara chegou na minha sala e foi tirando o sapato. Eu disse: O é isso companheiro. E ele: "Oh, Lula, não vou sujar esse tapete de graça"..." "...Eu falei: Mas foi você que pagou isso aqui, meu filho. Você não é sócio do sindicato? Então, entra. Se sujar a gente troca o carpete por outro melhor". Lula confunde a educação do peão com subordinação. Ora, se o sujeito ajudara a pagar o carpete amarelo, nada mais natural que quisesse conservá-lo. Ao trocar o ambiente das fábricas pelos gabinetes carpetados de Brasília, Lula melhorou a qualidade dos sapatos. Mas, no papel de peão de si mesmo, carrega sob a sola o "cavaco" liberado pela engrenagem que preside. São lascas de equívocos e malfeitos, não de ferro. Manda a boa educação jornalística que os repórteres se esforcem para expor o rastro de cavacos. Em jogo, as verbas da Viúva, não mais o dinheiro do sindicato. Lula agora prefere manter o carpete limpo. Quando não dá, compra um carpete novo. Ou, por outra, empurra a sujeira para debaixo do carpete. Faxina? Nem pensar. É mais cômodo espinafrar a mídia. Jornal britânico diz que Lula deseja comandar a ONU O que Lula vai fazer da vida depois que passar a faixa presidencial ao sucessor, em janeiro de 2011? A julgar por uma notícia veiculada pelo diário britânico "The Times", Lula estaria tramando converter-se secretário-geral da ONU. O mandato do atual ocupante da cadeira, Ban Ki-moon, expira no final de 2011. Daí a especulação. O jornal escora a notícia em declarações de diplomatas cujos nomes são omitidos. Cita, de resto, Nicolas Sarkozy. Diz que o presidente da França teria lançado o nome de Lula para a ONU numa reunião de cúpula do G20, em setembro. Ouvido, o "chanceler do B" Marco Aurélio Garcia, assessor internacional de Lula, não admitiu o interesse do chefe. Tampouco refutou a idéia. Ao contrário: "Ele [Lula] tem um grande interesse em questões internacionais, no processo de integração da América do Sul..." "...Ele tem uma grande paixão pela África. Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África". Se o boato virasse fato, Lula teria contra si a má vontade de dois países com peso para vetá-lo. Grã-Bretanha e EUA torcem o nariz para as últimas desventuras internacionais do presidente brasileiro. Afora o rebuliço causado pela aproximação de Lula com o Irã, o "The Times" atribui a Hillary Clinton um comentário desairoso sobre Oriente Médio. A secretária de Estado norte-americana teria considerado as iniciativas de Lula para promover a paz entre judeus e palestinos como coisas "risivelmente ingênuas". Seja como for, a notícia que chega de Londres vai tonificar em Brasília o ciclo de meditações sobre qual será o pós-Lula do próprio Lula. PSDB prepara uma festa de 2 mil pessoas para Serra Será em Brasília, no dia 10 de abril, um sábado, a pré-convenção em que o PSDB vai aclamar José Serra como seu candidato à sucessão de Lula. Alugou-se um auditório no centro da Capital. Dispõe de cadeiras para 1.500 pessoas. Somando-se os que ficam em pé, acomoda uma platéia de 2.000. Se vingarem os planos do tucanato, a proclamação da candidatura Serra será uma pajelança de casa cheia. Reunirá, além da nata tucana, liderenças dos aliados já disponíveis: DEM e PPS. Deseja-se, além de ungir o candidato, passar a idéia de unidade. O governador tucano de Minas, Aécio Neves, que programara sair em férias, adiou o descanso. E confirmou sua presença. Aécio declara-se um "soldado" a serviço de Serra. Algo que o tucanato, grupo de amigos composto integralmente de inimigos, celebra. Parte-se do pressuposto de que as relações Serra-Aécio, se mal administradas, podem custar a eleição. O passado desrecomenda o atrito. O PSDB descera às urnas de 2002 (Serra) e de 2006 (Alckmin) trincado. Nas duas ocasiões, foi surrado por Lula. Imagina-se que, reincidindo no erro, a principal legenda da oposição flertará, de novo, com o insucesso. Servindo-se de outra lição extraída do passado, o PSDB decidiu reservar na pajelança pró-Serra um papel de destaque também para Fernando Henrique Cardoso. Elabora-se, no momento, a lista de políticos com direito a microfone. Diz-se que a prerrogativa será concedida a poucos na "festa" do dia 10. De antemão, Serra, Aécio e FHC frequentam a relação na condição de oradores naturais e compusórios. Para fugir ao improviso, a direção do PSDB vai contratar, até a próxima terça (23), uma empresa especializada na organização de eventos. A conta será espetada no fundo partidário. A legenda escora a decisão numa resolução do TSE. O tribunal autorizou os partidos a usarem o fundo fornido com verbas públicas para o custeio de despesas de pré-campanha. Decidiu-se, de resto, transmitir o evento, ao vivo, pela internet. Por que esperar até o dia 10 se José Serra deixará o governo de São Paulo no dia 2? O PSDB alega-se que o adiamento foi, por assim dizer, imposto pela folhinha. Entre a saída de Serra do governo e a festa haverá a Semana Santa. Daí a postergação. Depois que levar o nome de Serra à estrada, restará à oposição encontrar um discurso para rechear a carroceria da candidatura. Elio Gaspari: "Aerocracia adiou a multa pelos atrasos" O repórter Elio Gaspari abre sua coluna deste domingo (21) com uma peça reveladora das madracarias aéreas do governo. O texto demonstra como o ministro Nelson Jobim (Defesa) prometeu uma coisa, entregou outra e Solange Vieira, mandachuva da Anac, fez o oposto. Vai abaixo o artigo, encontrável na edição da Folha: "A ministra Dilma Rousseff precisa marcar um almoço com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com a presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Solange Vieira, para estudar a anarquia das medidas compensatórias oferecidas às vítimas dos atrasos das empresas aéreas. Há método nela: protege a aerocracia. Em dezembro de 2007, em meio ao caos instalado nos aeroportos, Jobim deu uma espetaculosa entrevista anunciando um plano de ressarcimento para as vítimas de atrasos e cancelamentos. Em três meses, entraria em vigor uma medida provisória determinando que a empresa indenizaria o passageiro de acordo com uma tabela progressiva que chegaria ao equivalente a 50% do valor do bilhete, caso o atraso fosse superior a cinco horas. Se o voo fosse cancelado, a empresa indenizaria a vítima no equivalente ao dobro do valor do bilhete. Na ocasião, a doutora Solange chegou a prever o surgimento de "um mercado secundário dos créditos de atrasos". Passou o tempo e nada. A medida provisória foi desidratada numa minuta de projeto de lei, cuja tramitação no Congresso poderia levar anos. A tabela progressiva emagreceu e o teto baixou para 20% do valor do bilhete. Sumiu a indenização pelo cancelamento. No último dia 12, dois anos depois do anúncio de Jobim, Nosso Guia mandou ao Congresso outro projeto, prevendo uma indenização de 50% do valor da passagem para os casos de cancelamento inadvertido, overbooking ou atraso superior a duas horas em voos curtos e quatro horas nos longos. (Um projeto que tramita no Congresso desde 2004 é muito mais rigoroso, talvez até exagerado, e, para o caso de overbooking, prevê uma indenização no valor da passagem). Três dias depois, a Anac, onde a doutora Solange acha que o ressarcimento é um problema para ser levado aos Procons, e não à agência, soltou uma resolução ao gosto das empresas. Se o atraso levar o passageiro a desistir da viagem, ele terá direito ao reembolso do que já pagou. Indenização, nem pensar. Se a vítima veio de outra cidade para embarcar numa conexão, ganha um bilhete de retorno e tchau. No caso de overbooking, a Anac diz que a vítima deve negociar com a empresa. Como? Virai-vos. Pelo que Jobim anunciou em dezembro de 2007, um passageiro que pagou R$ 323 por um voo Rio-Salvador e esperou três horas no aeroporto seria indenizado com R$ 48,45. Pela primeira minuta do projeto de lei, levaria R$ 32,30. Pelo projeto do dia 12, que entrará em vigor sabe-se lá quando, a indenização sobe para R$ 161,50. Pela resolução da Anac, que vigorará a partir de junho, não tem direito a nada. A comissária Dilma precisa perguntar aos doutores Jobim e Solange Vieira quem fala sério". Clóvis Rossi: Serra aponta seu problema na eleição Com o brilho que lhe é próprio, o repórter Clóvis Rossi levou às páginas um artigo que resume o drama de José Serra. Antes de chegar ao texto de Rossi, abra-se um parêntese. No Brasil, duas evidências permitem a um presidente detectar a chegada da síndrome do fim do mandato: 1. De uma hora pra outra, o inquilino do Planalto começa a beber cafezinho frio. 2. De repente, o presidente se dá conta de que os aliados estão desembarcando. Sob Lula, tudo acontece às avessas. O cafezinho que chega da copa queima-lhe a língua. Legendas como o PMDB o bajulam como nunca. Se quiser desperdiçar a sua hora, basta à oposição passar a campanha martelando os defeitos da gestão Lula. Pode levar ao caldeirão, por exemplo, a encrenca do descontrole nos gastos públicos. Ou a falta de reformas estruturais. Porém... Porém, a platéia parece estar noutra. O velho e bom "choque de gestão" tucano não é mercadoria que faça sucesso na gôndola sucessória. Para seduzir eleitores que dão a Lula índices de popularidade divinais, o tucanato terá de providenciar algo que se pareça com um sonho novo. Fecha parênteses. Retorne-se a Clóvis Rossi. No seu texto, disponível na Folha, o repórter enxerga na última entrevista de José Serra o drama eleitoral de José Serra. Leia abaixo: "Ao assumir sua candidatura à Presidência com aquele jeito José Serra de ser, o governador paulista disse o seguinte: "O Lula fez dois mandatos, está terminando bem o governo. O que nós queremos para o Brasil? Que continue bem e até melhore". Em três frases, Serra conseguiu, ao mesmo tempo, ser honesto na avaliação do governo do adversário, ser também óbvio e, por fim, definiu a imensa dificuldade que terá para vencer a disputa. De fato, é muito difícil encontrar quem ache que Lula está terminando mal o governo. Mas uma das principais características do mundo político é a oposição negar-se sempre a reconhecer os fatos quando os fatos são favoráveis ao governo. Serra não caiu nessa tentação. O problema é o item seguinte, a torcida para que o Brasil "continue bem e até melhore". É o óbvio. Salvo um ou outro tarado, não há nunca quem não queira que o país melhore. O problema para Serra será provar que ele é a pessoa indicada para fazer o Brasil melhorar. Imagino que a massa de eleitores se fará a seguinte pergunta: se está bem com Lula, como admite até o candidato a candidato da oposição, para que mudar? A resposta de Serra será (ou foi) esta: "Pesam as ideias, as propostas e o passado, o que cada um fez, como foi provado na vida pública". Pode até ser que tais fatores pesem. Mas pouco. Vamos ser sinceros: ideias e propostas servem para debate entre especialistas. A massa é guiada pela emoção e/ou pelo sentimento pessoal de cada qual. E o sentimento predominante, repito, é o tal "feel good factor", o sentir-se bem que predomina na população/eleitorado. Passado conta? Talvez. Mas pode contar contra também. Afinal, todas as pesquisas mostram que a maioria do eleitorado está hoje mais contente do que quando Serra fazia parte do governo". As manchetes des domingo - Globo: Lula deixa para sucessor conta de R$ 35 bi do PAC - Folha: Lula inaugura obras que voltam a ser canteiros - Estadão: Bancos públicos lideram alta dos juros para o consumidor - JB: Brincar também dá lucro - Correio: Cerco aos sonegadores - Veja: O psicótico e o Daime - Época: O daime provocou o crime? - IstoÉ: O avanço do exorcismo - IstoÉ Dinheiro: Brasileiros globais - CartaCapital: E que diria São Pedro? - Exame: Sua empresa é pior do que você imagina Tucano escaldado! Via blog do Nani. Governador Hartung desiste de concorrer ao Senado Tido como nome fortíssimo para a eleição ao Senado, o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), desistiu de concorrer. Comunicou, em discurso, que decidiu permanecer à frente do governo capixaba até o final do mandato, em 31 de dezembro. Se optasse por disputar uma cadeira de senador, Hartung teria de deixar o cargo até o próximo dia 2 de abril. "Renuncio a um projeto pessoal de disputar um novo mandato [de senador]. Faço esse gesto com serenidade e consciência republicana", disse ele. A novidade chega num instante em que o Espírito Santo acaba de ser denunciado na ONU pelas condições subhumanas de suas prisões. Chega, de resto, num momento em que Hartung se associa ao também governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio, na guerra petroleira. Primeiro e segundo maiores produtores de Petróleo do país, Rio e Espírito Santo se insurgem contra o projeto que redistribui os royalties da exploração das jazidas petrolíferas. Hartung nega que as prisões e os royalties tenham influenciado na decisão de permanecer na cadeira de governador. Invoca como justificativas para a desistência de disputar o Senado a "convicção pessoal" e a "devoção à causa pública". Governador de segundo mandato, Hartung não pode mais concorrer ao mesmo cargo. Assim, ele como que se autoexclui da cena política. Dedica-se agora a coordenar a própria sucessão. Deseja eleger o seu vice-governador, Ricardo Ferraço (PMDB). Antes de desistir do Senado, esboçara uma parceria com o PT, que indicaria o vice na chapa de Ferraço. O acerto passava pelo apoio de Hartung à candidatura do prefeito de Vitória, João Coser (PT), ao governo estadual na eleição de 2014. A reviravolta provocada pelo anúncio de Hartung mandou os acertos ao telhado. A política local é sacudida agora por um leque de perguntas. Eis a principal interrogação: Hartung não seria, ele próprio, candidato a retornar ao governo em 2014? Embora seja amigo do presidenciável tucano José Serra, Hartung flerta com o apoio à candidatura petista de Dilma Rousseff. Manterá o flerte? Em resposta a Serra, Dilma exalta "feitos" da era Lula De passagem por Santa Catarina, neste sábado (20), Dilma Rousseff respondeu a declarações de José Serra. O presidenciável do PSDB dissera na véspera que o eleitor de 2010 deve comparar a trajetória dos candidatos, não de presidentes ou ex-presidentes. Instada a comentar, a candidata do PT reincidiu na tática de cotejar a era petista de Lula à fase tucana de FHC. Serra dissera que o eleitor fará "um juízo mais pessoal a respeito dos candidatos". E Dilma: "Não costumo me manifestar sobre comparações. Principalmente em relação ao Serra. Não é só o projeto de governo [dos candidatos] que vai ser comparado..." "...Nós podemos dizer o que fizemos [...]. Foram 12 milhões de empregos gerados [sob Lula] diante da inexistência disso na gestão anterior [de FHC]". Aferrada à tática plebiscitária urdida por Lula –Ontem X Hoje, Nós contra Eles—, Dilma empilhou os "benefícios" implementados no governo atual. Mencionou: o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida e os "milhões de empregos gerados no período". Dilma foi a Santa Catarina para participar do Congresso em que o PT tornou oficial a candidatura da líder de Lula no Congresso, Ideli Salvatti, ao governo do Estado. O repórter Roberto Azedo conta que Idelli foi recepcionar Dilma no aeroporto. Flutuaram até o local do Congresso partidário de helicóptero. No percurso, senadora e ministra "brincaram" de cineastas. Uma filmou a outra. "Eu tô de Glauber Rocha hoje", Ideli exagerou. Veja o resultado no vídeo lá do alto. A militância presente ao Congresso petista recepcionou Dilma efusivamente: "Olêêêê, olêêêêé, olêêêê, Oláááááááá... Dilmáááááááá, Dilmááááááá...". Ao discursar, Ideli disse que faz parte de um projeto maior. Passa por sua eleição no Estado e pela ascenção de Dilma ao Planalto. Depois, a senadora "despiu-se" da condição de Glauber Rocha. Na pele de um Zeca Pagodinho algo fora do tom, chamou Dilma ao púlpito: "Deixa a Dilma nos levar, Dilma leva eu. Deixa a Dilma nos levar, Dilma Leva eu. Sou feliz e agradeço a tudo que ela fez", cantou Ideli. Dilma retribuiu com outra música: o velho parabéns pra você. Ideli fez aniversário de 58 anos há dois dias. Como se vê, tudo muito meigo. No Oriente Médio, o pacificador; aqui, um Petropilatos Serra toca no twitter: "Quero botar meu bloco na rua" José Serra deu "expediente" no twitter até por volta das quatro horas da madrugada deste sábado (20). Antes de ir ao encontro do cobertor, pendurou no microblog uma canção que diz ter recebido de um leitor: Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio. Eis a letra: Há quem diga que eu dormi de touca Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga Que eu caí do galho e que não vi saída Que eu morri de medo quando o pau quebrou Há quem diga que eu não sei de nada Que eu não sou de nada e não peço desculpas Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira E que Durango Kid quase me pegou Eu quero é botar meu bloco na rua Brincar, botar pra gemer Eu quero é botar meu bloco na rua Gingar, pra dar e vender Eu, por mim, queria isso e aquilo Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso É disso que eu preciso ou não é nada disso Eu quero é todo mundo nesse carnaval... Eu quero é botar meu bloco na rua Brincar, botar pra gemer Eu quero é botar meu bloco na rua Gingar, pra dar e vender Serra inaugurara a noite num festejo familiar: "Para os netos, quando a gente faz aniversário é como se fosse o aniversário deles: assopram a velinha, cortam o bolo, abrem os presentes..." Depois, defronte do computador, esticou a celebração dos 68 anos na web: "Primeiro aniversário que comemoro no twitter. Estou impressionado. Vocês gostam de fazer uma festa... Que auê aqui hoje! Obrigado a todos". Aproveitou para realçar uma fama que convém ao candidato. A fama de trabalhador compulsivo: "Não parei hoje", escreveu. Enfileirou um rosário de notas sobre a agenda administrativa do dia: uma, duas, três, quatro, cinco. Em seguida, anotou: "Ah, se alguém não viu minha entrevista ao Datena, tem aqui, dividida em quatro partes". Assim, como quem não quer nada, Serra remeteu seus "seguidores" à entrevista em que admitira, à tarde, a condição de candidato. Antes da despedida, Serra cuidou de arrematar o lance: "Após a entrevista, aprontaram comigo... E me mandaram esta música: Bloco na Rua, de Sérgio Sampaio (Calma, gente!)". Serra foi ao travesseiro deixando pra trás o refrão que, agora, parece dominar-lhe a alma: "Eu quero é botar meu bloco na rua". Entre os aliados de Serra viceja a turma do "há quem diga que eu dormi de touca/Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga". O governador, na bica de trocar São Paulo pelo palanque, parece convencido de que ainda é tempo de envolver "todo mundo nesse carnaval". Marcou o início do samba para 2 de abril. Sem Fogaça, PSDB endossa "recandidatura" de Yeda A direção nacional do PSDB decidiu encampar a candidatura reeleitoral da governadora tucana do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius. Ela dividirá o palanque gaúcho com o virtual presidenciável da oposição, o também tucano José Serra. A decisão foi tomada há dois dias, numa reunião reservada ocorrida em Porto Alegre. Participaram, além de Yeda, três dirigentes do PSDB federal. São eles: Sérgio Guerra (PE) e Marisa Serrano (MS), respectivamente presidente e vice-presidente da legenda; e Rodrigo de Castro, secretário-geral. "A governadora está demonstrando que tem todas as condições de disputar a eleição", disse ao blog o senador Sérgio Guerra. Na última pesquisa feita pelo Datafolha, em dezembro do ano passado, Yeda era a lanterninha da disputa, com 5% das intenções de voto. Às voltas com uma gestão tisnada por escândalos, a governadora estava atrás até mesmo do deputado Beto Albuquerque (PSB) –5% no Datafolha. Perdia de longe também para os dois líderes da sondagem: Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB), empatados em 30%. Segundo o presidente do PSDB, o partido dispõe de pesquisas que indicariam uma melhoria da situação de Yeda. "Ela cresceu dez pontos nos últimos 40 dias", diz o senador. Numa pesquisa telefônica, Yeda teria obtido 15%. Em sondagem presencial, 18%. Nos subterrâneos, o tucanato negociava uma parceria com o pemedebê José Fogaça, prefeito de Porto Alegre. Porém... Porém, embora simpático à candidatura presidencial de José Serra, Fogaça teve de dar meia-volta. O prefeito estabeleceu como prioridade de sua campanha o fechamento de um acordo com o PDT gaúcho. Fechado com a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, o ministro Carlos Lupi (Trabalho), mandachuva do PDT, impôs uma condição. Para obter o apoio do governista PDT, Fogaça teria tomar distância dos tucanos e de Serra, o presidenciável da oposição. Embora um pedaço expressivo do PMDB gaúcho prefira Serra a Dilma, Fogaça cedeu às pressões vindas de Brasília. Assim, não restou ao PSDB senão abraçar-se ao projeto de Yeda. Um projeto que, no dizer de Sérgio Guerra, o o tucanato jamais cogitou abandonar. Na reunião de dois dias atrás, o tucanato acertou o apoio do PP. Em Brasília, a legenda integra o consórcio partidário que dá suporte congressual a Lula. No Rio Grande do Sul, o PP decidiu fazer um caminho inverso ao do PDT, associando-se a Yeda. Aguarda-se agora por uma decisão do DEM. Parceiros do PSDB na campanha nacional de Serra, os "demos" torcem o nariz para Yeda no Sul. Paulo Feijó (DEM), o vice de Yeda, frequentou o noticiário dos escândalos que assediaram a governadora na condição de denunciante, não de aliado. Em privado, Yeda argumenta que seu nome já não consta de nenhum procedimento derivado do inquérito que apura desvios de cerca de R$ 40 milhões no Detran-RS. Alega que, alvejada por CPIs e por um pedido de impeachment, livrou-se também das complicações legislativas. Acha que tem chances de renovar o mandato. O grosso do tucanato é mais cético do que a governadora. Associa-se a ela, porém, por ausência de alternativa. O PSDB confia, de resto, que, a despeito da opção feita por José Fogaça, a maioria do eleitorado simpático ao PMDB vai votar em Serra, não em Dilma. No Rio Grande do Sul, o PMDB é um rival histórico do PT. Na sucessão de 2006, o tucano Geraldo Alckmin prevaleceu sobre Lula no Estado. Agora, o tucanato afirma que dispõe de pesquisas que indicariam uma dianteira de mais de dez pontos percentuais de Serra sobre Dilma, no Rio Grande do Sul. Nesse cenário, o suporte a Yeda é visto como um detalhe que não irá comprometer o desempenho de Serra nas urnas gaúchas. A ver. Juiz do Rio bloqueia os bens de Valério e de outros 6 O juiz Roberto Schulman, da 3ª Vara Federal Criminal do Rio, acatou denúncia do Ministério Público Federal contra sete envolvidos no escândalo do mensalão. Entre os denunciados estão Marcos Valério, provedor das arcas cladestinas do PT; e o ex-procurador da Fazenda Nacional Glênio Sabbad Guedes. Assina a denúncia o procurador da República Antonio do Passo Cabral. Ele acusou Glênio Guedes de receber verbas do chamado valerioduto. Em troca, valia-se do cargo de procurador fazendário para favorecer bancos utilizados por Valério no escoamento das verbas que irrigaram o mensalão. Além de Valério e Glênio, a denúncia que o magistrado Roberto Schulman aceitou acomoda outras cinco pessoas no banco dos réus. A lista inclui Rogério Lanza Tolentino e José Roberto Moreira de Melo, sócios de Valério na empresa Tolentino & Melo Associados. Inclui também o pai, a mãe e a companheira do ex-procurador Glênio: Ramon Prestes Guedes Moraes, Sami Sabbad Guedes e Cibele Gomes Gaicoia, respectivamente. Ao acatar a denúncia, o juiz determinou, a pedido do Ministério Público, a "indisponibilidade" dos bens dos acusados. A denúncia do Rio é um dos inúmeros "filhotes" do mensalão que correm nos Estados, à margem do processo-mãe, submetido ao crivo do STF. O pedaço carioca da encrenca nasceu de investigações que apontaram incongruências nas declarações de Imposto de Renda de Glênio Guedes. Verificou-se, segundo o Ministério Público, que o patrimônio do ex-procurador da Fazenda e de seus familiares sofrera uma "abrupta evolução". A anomalia já havia rendido a Glênio um processo administrativo na Corregedoria-Geral da União, que lhe custara o cargo de procurador. Agora, a denúncia do Ministério Público Federal. Na peça, o procurador da República Antonio do Passo Cabral escreve: 1. "As evidências mostraram o aumento repentino do patrimônio dos réus sem justificativa se comparado com a renda declarada de cada um deles". 2. "[...] A obtenção de outras provas, inclusive com a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de dados telefônicos de alguns dos acusados, foi decisiva em revelar de forma consistente a conduta dos denunciados". 3. Apuraram-se "atos de corrupção e tráfico de influência", além de "lavagem de dinheiro" –uma "tentativa de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos recebidos". 4. "O benefício individual de alguns dos acusados passou de R$ 1,5 milhão". 5. "As decisões favoráveis aos bancos ligados ao mensalão fez com que cerca de R$ 10 milhões não entrassem nos cofres públicos". 6. Foram canceladas, de resto, "sanções pessoalmente aplicadas aos diretores e gestores das instituições". Os detalhes da denúncia foram expostos em nota divulgada na última quinta (18) pela Procuradoria da República no Rio. O texto pode ser lido aqui. Os acusados negam participação nos malfeitos. Recebida a denúncia, terão a oportunidade de exercer o seu direito de defesa no Judiciário. As manchetes deste sábado - Globo: Pré-sal: após Serra, Dilma reconhece direitos do Rio - Folha: Serra assume candidatura com elogio ao governo Lula - Estadão: Serra assume candidatura ao Planalto - Correio: Câmara tem até 28 dias para eleger governador Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país. - Siga o blog no twitter. Lula 'Vírus da Paz' e Silva! Aroeira Via 'O Dia'. MPF diz que inquérito do mensalão não inclui Vaccari O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto não é mencionado no inquérito do mensalão, informa o Ministério Público Federal. Em sua edição da semana passada, Veja anotara que o nome de Vaccari fora citado em depoimento do corretor Lúcio Bolonha Funaro. Segundo a revista, Funaro dissera que Vaccari agenciava negócios nos fundos de pensão de estatais, mediante pagamento de propinas de 6% a 15%. A Procuradoria da República divulgou, em São Paulo, nota a respeito do tema. Ijforma que Bolonha (na foto) é réu numa ação penal aberta em 2008. Bolonha e o sócio dele, José Carlos Batista, respondem por formação quadrilha e outras 33 infrações relacionadas a lavagem de dinheiro. Donos da corretora Garanhuns, os dois alvejaram a verba de má origem que Marcos Valério repassara ao PL (hoje PR), do ex-deputado Valdemar Costa Neto. No total, a Garanhuns "lavou" R$ 6,5 milhões que a SMP&B, agência de publicidade de Valério, entregara ao PL. A autora da ação é a procuradora da República Anamara Osório Silva. O processo corre "normalmente" na 2ª Vara Federal de São Paulo. Na nota, a Procuradoria informa: "Não há nenhuma menção ao ex-presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, atualmente tesoureiro do PT". O nome de Vaccari não aparece "na documentação remetida pela Procuradoria Geral da República a São Paulo, que embasou a denúncia". O tesoureiro do PT tampouco é mencionado "na acusação formal remetida à Justiça pelo MPF-SP". O PT apressou-se em levar ao seu portal na web um texto à sua página na web. Traz, ao final, manifestação de Francisco Campos, dirigente nacional da legenda: "Essa é mais uma prova de que Veja mentiu novamente. O objetivo da revista é provocar uma guerra eleitoral visando desgatar o PT e prejudicar a campanha da companheira Dilma à Presidência". Paulo Maluf escala a lista de "procurados" da Interpol O deputado Paulo Maluf (PP-SP) tornou-se uma espécie de prisioneiro em seu próprio país. Se viajar para o estrageiro, vai em cana. A pedido da Justiça de Nova York, a Interpol inseriu o nome de Maluf na sua lista "vermelha" de procurados. Significa dizer que, Maluf tocar os sapatos no solo de qualquer um dos 188 países conveniados à polícia internacional, será preso. Responsável pelos dissabores jurídicos de Maluf, o promotor Silvio Marques, do Ministério Público de São Paulo, esclarece: O deputado escalou a lista de caçados da Interpol a pedido do Grande Júri de Nova York. A solicitação fora feita no final do ano passado. Em 2007, a Justiça dos EUA indiciara Maluf pelos crimes de "conspiração em 4º grau": transferência de recursos de origem ilícita para instituições financeiras americanas e roubo de fundos públicos. Acionada pelo Ministério Público brasileiro, a Promotoria em Nova York concluiu que Maluf usara casas bancárias da cidade para ocultar verbas desviadas em São Paulo. Dos EUA, a grana migrou para contas nas Ilhas Jersey e na Suíça. Depois, parte da verba foi borrifada nos cofres da Eucatex, a empresa da família de Maluf. Pelas contas do promotor Silvio Marques, a caixa registradora da Eucatex foi engordada com US$ 166 milhões de má origem. Ao se tornar um procurado da Interpol, Maluf pode ser preso no Brasil? Não, eis a resposta. Por quê? Embora o Brasil integre a Interpol, a Constituição impede a extradição de brasileiros natos. Ou seja, ainda que os EUA solicitassem, Maluf não seria extraditado. E quanto à ação penal que corre no Brasil? Bem, depois que o eleitor de São Paulo concedeu a Maluf um mandato de deputadeo, a encrenca foi ao STF. Encontra-se sob os cuidados do ministro Ricardo Lewandowski, que demora a julgar o caso. Silvio Marques estima que, se o julgamento for tratado a golpes de barriga por mais um ano, os crimes atribuídos a Maluf vão prescrever. A assessoria jurírica de Maluf diz que a inclusão do nome dele na lista de Interpol é "uma ilegalidade". Alega que a promotoria de Nova York "afronta a soberania do Brasil e do Congresso". Em nota, os defensores do deputado recorreram a uma comparação: "Seria o mesmo que um promotor de Justiça estadual de qualquer Estado brasileiro, a exemplo do que fez a promotoria do Estado de Nova York, enviar à Polícia internacional o nome de um parlamentar norte-americano proibindo-o de viajar sob pena de prisão". Maluf contratou um advogado em Nova York. Protocolou um recurso no mês passado. Tenta-se anular o pedido que fez do deputado um caçado internacional. Afronta à soberania e ao Congresso? Depende do ponto de vista. O contribuinte de São Paulo talvez cultive outro tipo de sentimento. O sentimento da vingança. Serra leva o nariz para fora do armário: "Falta pouco" Já não há na praça quem duvide da candidatura presidencial de José Serra. Mas o governador, caprichoso, prolonga o suspense. Pois bem, nesta sexta (19), em conversa com o apresentador Datena, da Band, Serra pôs a ponta do nariz de candidato pra fora do armário. Disse: "Não, eu num tô negando. Apenas tô dizendo que nesse momento, enquanto eu estiver no governo, não vou fazer campanha, só isso". Seguiu-se o seguinte diálogo: — Acho que o sr. já devia falar como candidato porque senão a Dilma cresce mais nas pesquisas. — Eu acho que vai ter muito tempo pela frente, esse efeito vai passar. Faltam poucos dias. — Quantos dias o sr. deve lançar a candidatura? — Ah, no começo de abril. — No começo de abril. Tá definido então? — Tá. Mais tarde, instado a definir melho a coisa, Serra disse coisa menos definitiva: "Não fui eu quem disse [que serei candidato], foi o Datena quem disse". Estratégia? Pode ser. Mas a demora é tanta que já tem gente na oposição avaliando que Serra virou o candidato mais cotado para tornar Dilma Rousseff presidente. PMDB usa programa para fugir à fama de fisiologista Lula Para fugir à fama de fisiológico, PMDB tenta se firmar como legenda de 'programa' As últimas pesquisas prenunciam uma disputa presidencial renhida, de resultado imprevisível. Porém... Porém, algo já se pode prever: vença José Serra ou prevaleça Dilma Rousseff, o PMDB terá cargos no novo governo. A movimentação do PMDB na cena política do Brasil redemocratizado expõe um rastro de fisiologia. A má fama converteu a legenda em piada. Uma delas, embora velha, é reiterada a cada eleição. Diz-se no Congresso que, em meio às dúvidas que permeiam todas as sucessões, há uma certeza imutável: o líder do futuro governo será Romero Jucá. Jucá foi líder de Fernando Henrique Cardoso. Hoje, lidera a bancada que orbita ao redor de Lula. Numa tentativa de se livrar da pecha, o PMDB decidiu pôr suas idéias no papel. Deseja firmar-se como uma legenda de programa (sem trocadilho). Munido da peça, planeja negociar o apoio a uma candidatura presidencial. Os cargos iriam à mesa como coisa "acessória". Nesta quinta (18), o partido realizou a primeira reunião do grupo que vai deitar o programa sobre o papel. Sob a presidência de Michel Temer (SP), candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, juntou-se gente com idéias distintas das do PT. O grupo inclui o presidente do BC, Henrique Meirelles; o ministro Nelson Jobim (Defesa), o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger... ...O líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves; um diretor da CEF, Wellington Moreira Franco; e o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha. O repórter ouviu três participantes do grupo. Juntando-se as idéias que lhes ocupam os neurônios pode-se concluir que produzirão um texto de arrepiar o petismo. Na economia, o PMDB deseja fortalecer o mercado, não o Estado. Prega a retomada de reformas negligenciadas sob Lula. A Previdenciária, por exemplo. O partido torce o nariz para uma proposta que caiu nas graças de Lula e Dilma: a recriação da Telebras. Advoga o fortalecimento das agências regulatórias, hoje aparelhadas pelo petismo. Dá de ombros, de resto, para um documento que o PT consagrou no Congresso que realizou, em Brasília, no mês passado: o Plano Nacional de Direitos Humanos. Fechado com Dilma, Michel Temer diz que a celebração do casamento PMDB-PT terá de ser precedida por uma "fusão" de programas. Mas nem só de partidários de Dilma é feito o grupo destacado para formular o programa do PMDB. O gaúcho Eliseu Padilha, por exemplo, ex-ministro dos Transportes de FHC, prefere que a legenda se associe à candidatura do tucano José Serra. Amigo de Serra, o ministro Nelson Jobim não diz em público, mas também soltaria fogos se o PMDB caísse no colo de Serra. Padilha e Jobim integram uma minoria. O mais provável é que o grupo pró-Dilma prevaleça na convenção, marcada para junho. Mas o programa do partido será multiuso. Se Serra vencer, vai à mesa também na negociação do apoio ao futuro governo tucano. O PMDB se autoimpôs um calendário. A primeira versão do programa ficará pronta em 15 de abril. Correrá de mão em mão. Recolhidas as sugestões de ajuste, um segundo texto virá à luz até o fim de abril. Será levado a voto num megaencontro marcado para 8 de maio. Começa, então, a batalha para temperar a plataforma esquerdista que o PT entregou a Dilma com os condimentos de centro que agradam ao paladar do PMDB. Afora o catecismo econômico comum (respeito às metas fiscal, cambial e de inflação), há dúvidas quanto às propostas que Dilma aceitará encampar. De concreto, apenas duas certezas: 1. O líder do próximo governo será o pemedebê Romero Jucá. 2. Seja qual for o eleito, o PMDB terá cargos na Esplanada. Muitos cargos. Mercadante leva à web vídeo que TRE proibiu na TV Na bica de migrar do palanque de senador para o de candidato ao governo de São Paulo, o petê Aloizio Mercadante transformou a web em arma de campanha. Na noite passada, Mercadante pendurou no microblog um par de notas. Na primeira, reclamou: "A oposição, mais uma vez, usa a Justiça para interditar o debate político e impede a veiculação de minha fala no programa de TV do PT". Na segunda, direcionou o internauta para o vídeo reproduzido aí no alto. Justificou: "Estou usando a emenda que aprovei na lei eleitoral de liberdade na internet para assegurar a minha liberdade de expressão". Seguidor de Mercadante no twitter, o grão-tucano Arthur Virgílio (AM) enxergou nas notas do colega uma janela aberta para a ironia. O rol de qualidades que os colegas de Senado enxergam em Mercadante não inclui a humildade. Diz-se que o nariz empinado do líder petista o impede de enxergar até mesmo a cor azulada do tapete que forra o piso do Senado. Servindo-se da má fama, Virgílio animou-se a dirigir a Mercadante, em seu microblog, duas notas. Numa anotou: "Seu problema não é mesmo a modéstia: "Usando a lei que aprovei de liberdade na internet pra ter liberdade na internet". Puxa..." Noutra sapateou: "Merca, admite que eu e outros ajudamos pelo menos um pouquinho de nada, vai...rs". Depois multar Lula numa ação, TSE o absolve noutra O TSE transformou a Justiça, no seu ramo eleitoral, numa espécie de loteria togada. Num intervalo de poucas horas, condenou e absolveu Lula em ações análogas. No início da tarde desta quinta (18), veio à luz a notícia da condenação. Em decisão individual, o ministro auxiliar Joelson Dias multou Lula em R$ 5 mil. Considerou que o presidente fizera campanha ilegal para sua candidata, Dilma Rousseff, num pa©mício realizado no Rio, em maio de 2009. No início de março, o mesmo Joelson havia inocentado Lula e Dilma de acusação semelhante, relacionada a um pa©lanque montado em Minas Gerais. A oposição recorrera. E o caso escalara o plenário do TSE em 11 de março. Dois ministros –Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia—acompanharam Joelson. Outros três –Felix Fischer, Fernando Gonçalves e Carlos Ayres Britto— dissentiram. Votaram pela imposição de multa de R$ 5 mil a Lula e Dilma. Estabelecido o empate –três a três—, o ministro Marcelo Ribeiro pediu vista do processo. Queria tempo para analisar a encrenca. Pois bem, em sessão realizada na noite passada, Marcelo Ribeiro expôs o seu voto. Desempatou em favor do governo. E o processo foi ao arquivo. No pa©lanque de Minas, Lula discursara na inauguração de uma barragem. Dissera que aceleraria o ritmo de inaugração de obras. Por quê? Alegara que, depois que virasse candidata, Dilma não poderia mais acompanhá-lo nas pajelanças inauguratórias. Na sessão do dia 11, Ayres Britto, presidente do TSE, condenara o uso de atos supostamente administrativos para fins eleitorais: "A deflagração de propaganda eleitoral antecipada comparece inevitavelmente como elemento de perturbação ao funcionamento da máquina administrativa..." "...Antecipa as coisas sem a menor necessidade porque desvia as atenções do governante para a necessidade de fazer o seu sucessor". Na na sessão noturna desta quinta (18), Marcelo Ribeiro disse que faltou, no evento de Minas, "um requisito essencial para a configuração de propaganda antecipada: a menção direta ou indireta ao candidato". Ayres Britto disse que o voto do colega foi "técnico". Mas, perfilando entre os vencidos, manteve a posição que manifestara na sessão anterior: "Na medida em que se faz de inauguração de obra pretexto para no fundo realizar um comício em prol dessa ou daquela candidatura, isso opera como elemento de perturbação no funcionamento da máquina, desequilibra o jogo eleitoral..." "...A competição perde o seu necessário equilíbrio de forças, e o princípio da impessoalidade fica sensivelmente abalado". Logo, logo o plenário do TSE terá de se pronunciar também sobre outra ação, aquela em que o ministro Joelson optou por multar Lula. A Advogacia-Geral da União já anunciou que vai recorrer. O recurso levará o caso ao plenário. Há, de resto, mais quatro ações pendentes de julgamento. Em todas elas a oposição acusa Lula e Dilma de fazerem campanha extemporânea. O placar desta quinta –quatro a três pela absolvição— autoriza uma conclusão e desautoriza as previsões. Pode-se concluir que, em matéria de campanha fora de época, a Justiça Eleitoral está irremediavelmente dividida. O ritmo de loteria torna os julgamentos imprevisíveis. De concreto, por ora, apenas a impressão de que a Justiça Eleitoral, além de cega, equilibra-se numa balança desregulada e segura uma espada sem fio. As manchetes desta sexta - Globo: Problema do pré-sal é do Congresso, diz Lula - Folha: Acerto entre empreiteiras envolveu até prédio da PF - Estadão: Arrecadação sobe, mas governo decide bloquear verbas - Correio: STJ nega prisão em hospital a Arruda - Valor: STJ limita planejamento fiscal nas incorporações - Jornal do Commercio: Enem aprovou 38% de forasteiros no Estado Verbo tóxico! Via 'O Tempo'. MPF pede prorrogação do inquérito do panetonegate Responsável pelo inquérito do panetonegate, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge endereçou um ofício ao STJ. No texto, Raquel solicitou a prorrogação do prazo da investoigação por 30 dias. O pedido foi à mesa do ministro Fernando Gonçalves. Caberá a ele, como relator do processo que corre no STJ, decidir se o inquérito deve ou não ser esticado. 1. Há perícias queee, embora solicitadas, ainda não foram feitas. 2. Há depoimento de testemunhas ainda por realizar. 3. Há também a necessidade de realizar novas "diligências investigatórias". Coisa necessária à elucidação de indícios surgidos em documentos e computadores apreendidos em batidas feitas pela PF em fevereiro e março de 2010. Datado de 12 de março, só nesta quinta (18), o pedido de Raquel Dodge veio à luz. A expectatica é a de que o ministro Fernando Gonçalvez o defira. Concluída a fase de investigação, o Ministério Público deve requerer ao STJ o relaxamento da prisão do governador cassado José Roberto Arruda (ex-DEM). TSE multa Lula por fazer campanha ilegal "pró-Dilma" A platéia já se havia resignado. Rendera-se às evidências. O TSE parecia ter dado a Lula uma licença para exorbitar. A oposição ajuizara uma dezena de reclamações contra Lula e a candidata dele, Dilma Roussef. Rumavam, uma após a outra, para o arquivo. Súbito, já rendido à evidência de que não nascera para assistir à cura da cegueira da Justiça Eleitoral, o brasileiro é sacudido por uma novidade. Joelson Dias, ministro auxiliar do TSE, decidiu impor uma multa a Lula –espanto, surpresa, pasmo, estupefação! Submetida à notícia, a platéia perde a paz, o sossego, o diabo. Ninguém mais toma café, almoça ou janta. O tempo é pouco para admirar o ocorrido Suspendam-se os partos, os velórios e as bodas. Nenhum acontecimento vale um espirro do ministro Joelson. O magistrado deu bom dia à lógica ao folhear uma das inúmeras representações da oposição. Refere-se a um pa©mício ocorrido no Rio, em maio do ano passado. Além do papelório, o PSDB levou aos autos uma fita. Joelson assistiu. Um trecho chamou-lhe a atenção (confira lá no alto). Empoleirado no pa©lanque, Dilma a tiracolo, Lula discursa: "Esse país pode ser diferente, se a gente aprender a não eleger mais vigarista". Mais adiante, a claque põe-se a gritar: "Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma, Dilma..." E o presidente, tentando disfarçar a condição de cabo-eleitoral: "O Lula não falou em campanha política. Vocês é que se meteram a gritar um nome aí". A audiência não se dá por achada: "Dilma, Dilma, Dilma..." E Lula: "Eu espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta nesse momento". Para o ministro Joelson, ao recorrer ao lero-lero da profecia, Lula "acabou realçando a futura candidatura". Foi "essa a peculiaridade" que levou o ministro a "concluir pela ocorrência de propaganda eleitoral antecipada". Joelson livrou a cara de Dilma. Quanto a Lula, impôs o pagamento de multa de R$ 5 mil. Mixaria, considerando-se que o valor poderia roçar os R$ 50 mil. Releve-se. No momento, importa mais o gesto do que a cifra. Antes, imaginava-se: Generalizando-se a perversão talvez se restabeleça a justiça. Agora, tem-se a impressão de que a Justiça, embora cega, pode ter achado a lente de contato. O Advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, mandou dizer que vai recorrer da decisão do ministro. Algo quie levará a encrenca ao plenário do TSE. Aqui, outra anomalia tida por normal. Em vez de ser defendido por advogado remunerado pelo PT, Lula se fará representar pela Advocacia da União. Dito de outro modo: o presidente converte ato administrativo em comício, faz campanha ilegal e ainda retira do bolso da bugrada o dinheiro para o advogado. Dirceu: "A mídia não elege mais presidente no Brasil" José Dirceu fez aniversário na última terça (16). Festejou a chegada dos 64 em Brasília, rodeado amigos e poderosos. A certa altura, dicursou. Falou dos assuntos de praxe: PT e eleição; mídia e perseguição. Disse coisas assim: "Há uma manobra diversionista contra nós, mas não vamos nos desviar do nosso objetivo..." "...Em 2002 e 2006 nós elegemos Lula e agora vamos eleger a continuidade do nosso projeto, que é a Dilma. A mídia não elege mais presidente no Brasil". Dilma Rousseff não deu as caras. Tinha outro compromisso. Um jantar com o pedaço do PTB que lhe devota simpatia. Deu-se na casa do líder Gim Argelo (PTB-DF). Durante o repasto, coube ao senador Fernando Collor (PTB-AL) a intervenção mais efusiva. Disse que presidente como Lula o país não via desde Getúlio Vargas. Ex-perseguido político do petismo, Collor como que ecoou Dirceu, um grão-petê que, no passado, plantava despachos de macumba contra ele nas encruzilhadas da mídia. "O Brasil pode atravessar uma quadra de prosperidade de dez anos", vaticinou Collor. "Basta elegermos a Dilma. É fundamental". Como se vê, na Brasília dos dias que correm, o político coerente é um cadáver mal informado. Como não sabe que morreu, nunca é o que parece. Sobretudo quando parece o que é. Em dia de Ibope aguado, Serra ouve Águas de Março José Serra pendurou no microblog, na noite passada, a seguinte nota: "Neste 17 de março, Elis Regina faria 65 anos..." "...Aqui, a interpretação mais que perfeita de Águas de Março". Ele remete para o vídeo reproduzido aí no alto. Começa assim: "É pau, é pedra, é o fim do caminho/É um resto de toco, é um pouco sozinho/É um caco de vidro, é a vida, é o sol/É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol..." Mais cedo, a web fora inundada pelos números do Ibope. Puxada pela correnteza Lula, Dilma Rousseff já respinga sua viabilidade na nuca do rival. "É madeira de vento, tombo da ribanceira/É o mistério profundo, é o queira ou não queira/É o vento ventando, é o fim da ladeira..." De 17%, Dilma ascendeu à casa dos 30%. De 38%, Serra escorregou para 35%. "É o pé, é o chão, é a marcha estradeira/Passarinho na mão, pedra de atiradeira/É uma ave no céu, é uma ave no chão..." De passagem por São Paulo, Nárcio Rodrigues, o presidente do PSDB-MG, entregou a Serra uma mensagem de Aécio Neves: conte com Minas. "É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã/É um belo horizonte, é uma febre terçã..." Em viagem aos Estados do Sul, Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, tenta ajeitar os palanques. Preve-se para 4 de abril a saída do quase-candidato do armário. "Pau, pedra, fim, caminho/Resto, toco, pouco, sozinho/Caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol..." No pano de fundo da campanha, uma atmosfera de borrasca. Nos céus de São Paulo, um prenúncio de estiagem. "São as águas de março fechando o verão/É a promessa de vida no teu coração". O barulhinho que você ouve ao fundo não é o som da chuva. É o ruído do Tom Jobim se revirando no túmulo. Estado é obrigado a custear remédios caros, diz STF Em decisão unânime, o STF reconheceu o direito dos brasileiros de recorrer ao Judiciário para obter remédios e tratamentos sonegados pelo SUS. Mais: deliberou-se que é obrigação do Estado custear remédios e tratamentos de alto custo a portadores de doenças graves. O tribunal manteve de pé nove liminares concedidas a pacientes. A União e os Estados afetados pediam que fossem revogadas. O relator do processo foi Gilmar Mendes. O voto dele foi acompanhado por todos os demais ministros. Ficou assentado que, excetuando-se os tratamentos experimentais, cuja eficácia ainda não tenha sido atestada, o Estado é obrigado a atender às demandas da clientela. Eis o que anotou Gilmar Mendes"O direito à saúde representa um pressuposto de quase todos os demais direitos..." "...É essencial que se preserve esse estado de bem-estar físico e psíquico em favor da população, que é titular desse direito público subjetivo de estatura constitucional". Um dos casos analisados envolve uma paciente de 21 anos. Mora em Fortaleza (CE). É portadora de patologia rara: Niemann-Pick Tipo C. Os médicos receitaram uma droga chamada Zavesca. O SUS negou-se a fornecer. E a família da moça pediu socorro ao Judiciário. Alegou que não tinha condições de bancar o tratamento, estimado em R$ 52 mil por mês. Obrigado a fornecer o remédio, o governo recorreu. Argumentou que a eficácia do Zavesca era coisa ainda pendente de aferição científica. De resto, a droga não dispunha de registro na Anvisa. Gilmar Mendes disse que, de fato, na época em que a ação começara a tramitar, o Zavesca não possuía registro. O ministro fez, porém, uma visita ao sítio da Anvisa na Web. Constatou que, hoje, o medicamento já consta da lista de drogas registradas na Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Porém, embora comercializado legalmente no Brasil, o Zavesca não foi incluído nos protocolos e diretrizes terapêuticas do SUS. O ministro anotou: "Há necessidade de revisão periódica dos protocolos existentes e de elaboração de novos protocolos..." "...Não se pode afirmar que os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas dos SUS são inquestionáveis, o que permite sua contestação judicial". Afora as informações disponíveis no processo, Gilmar serviu-se de dados recolhidos em audiência pública promovida pelo STF em abril do ano passado. Fora a debate a crescente "judicialização" da saúde no Brasil. Um fenômeno que, segundo o governo, afeta o equilíbrio do orçamento do SUS. Levada aos tribunais, a encrenca costuma desaguar no STF. Gilmar informou que há na presidência do Supremo "diversos pedidos" de suspensão de condenações. Envolvem "o fornecimento de remédios, suplementos alimentares, órteses e próteses..." Tratam da "...criação de vagas de UTIs e de leitos hospitalares, realização de cirurgias e exames, custeio de tratamento fora do domicílio e inclusive no exterior". Ao indeferir os nove recursos ajuizados pelo Estado, o STF sinalizou: desatendida nos guichês do SUS, a platéia deve, sim, recorrer ao Judiciário. As manchetes desta quinta - Globo: Petróleo une o Rio - Estadão: Lula ajuda se pedir ao Irã que se afaste do Hamas, diz Abbas - JB: União pelo Rio: Com o Rio até debaixo d"água - Correio: Câmara apressa eleição indireta - Valor: Depósito compulsório eleva as taxas de CDBs - Estado de Minas: Casos de dengue sobem 61% em BH - Jornal do Commercio: Assassinato da alemã: Quarto suspeito preso confessa participação Lamento que Ele se deixe crucificar! Via blog do Benett. PT veta na Câmara moção de apoio a presos de Cuba O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) submeteu ao plenário uma moção de solidariedade aos presos políticos de Cuba. Curto e objetivo, o texto anota: "A Câmara manifesta moção de irrestrito apoio e solidariedade aos presos políticos que em Cuba lutam pela liberdade e democracia". Temer abriu os microfones para que os líderes pudessem encaminhar a votação. Deu-se, então, o inusitado. O PT pegou em lanças contra a moção. Discursando em nome da liderança petista, o deputado Eduardo Valverde (PT-RO) atacou o autor do requerimento, Jair Bolsonaro (PP-RJ). Referindo-se ao passado de Bolsonaro, militar da reserva do Exército, conhecido pelo apoio à ditadura, Valverde disse: "Causa-nos estranheza que, quem protocolou essa moção, no passado defendeu a ditadura. Pela incoerência, somos contrários". Temer tentou contemporizar. Disse que o texto, em sua versão original, propunha "uma moção de apoio mais vigorosa". Esclareceu que, a pedido da presidência da Câmara, Bolsonaro negociara com líderes partidários e enxugara a moção. O petista Valverde não se deu por achado: "Boa parte dessas informações não provem de fonte segura, mas de opositores do regime cubano..." "...a crítica não vem da sociedade cubana, mas daqueles que resistem ao regime, financiados pelos EUA". Estabeleceu-se em plenário uma atmosfera de polêmica. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), foi ao microfone: "Ficar contra essa moção é o mesmo que dizer que é contra a liberdade e a democracia. Só o PT teve coragem de assumir essa posição". Ao farejar o cheiro de queimado, Temer deu meia-volta. Suspendeu a votação. Informou que levaria o texto da moção a uma reunião com os líderes. Comprometeu-se a devolver o tema ao plenário na próxima terça (23). Líder do PSDB, o deputado João Almeida (BA) interveio. Lembrou a Temer que, por orientação da presidência, os líderes já haviam negociado o texto. "Reflete a posição da maioria", disse. Almeida acrescentou: "É impossível fazer uma moção em termos mais brandos do que essa. Sob pena de expressar uma posição vacilante, inadmissível..." "...Ao atacar o deputado Bolsonaro, o PT parece não acreditar na conversão dos homens. Isso não é argumento". Temer recusou-se a voltar atrás: "Já fiz declarações públicas, em nome da Câmara, de solidariedade a todos os que lutam por liberdades no mundo..." "...Mas o meu dever é manter unidade no plenário. Vou levar a matéria aos líderes para tentarmos chegar a um texto comum. Se não houver, trarei a moção ao plenário". A despeito do adiamento da votação, o deputado Nilson Mourão (PT-AC) não se conteve: "Todo esse interesse da oposição em debater Cuba tem o objetivo de combater o presidente Lula..." "...Ele está no Oriente Médio, procurando construir a paz no mundo. Alguns parlamentares querem deformar o debate..." "...Por que não incluem na moção o fim do embargo a Cuba e o fim da base militar de Guantânamo? Cuba está construindo o seu país. Vamos construir o nosso". O argumento de Mourão, por ridículo, não fica em pé. No debate sobre Cuba, Lula dispensa desmoralizou-se por conta própria. Não precisou da oposição. Ao se contrapor à moção de teor anódino, o PT vai no mesmo caminho. Presas em Cuba 30 mães e mulheres de "dissidentes" A ditadura cubana, por esclerosada, já não controla a atrofia das circunvoluções cerebrais de seus líderes. Nesta quarta (17), um grupo que se autodenomina "Damas de Branco" animou-se a ganhar o meio-fio. Em protesto pacífico, cerca de 30 mães e mulheres de dissidentes cubanos pediam a libertação de 50 presos de consciência. Não foram atendidas. Pior: acabaram, elas próprias, na cadeia. A polícia cubana deteve todas elas. Como se vê, até para exercitar o totalitarismo, o regime dos irmãos Raúl e Fidel Castro é incompetente. Mas, como diz Lula, é preciso "respeitar" o governo de Cuba. Câmara aprova eleição indireta de governador no DF. Menos de 24 horas depois de o TRE-DF ter cassado o mandato do governador preso José Roberto Arruda (ex-DEM), a escolha do substituto começou a ser preparada. A Câmara do DF aprovou, por unanimidade, um ajuste na Lei Orgânica da Capital, uma espécie de constituição local. Previa que, vagando-se os cargos de governador e de vice, assumiria o presidente da Câmara. Porém... Porém, a Constituição federal, que se sobrepõe à Lei Orgânica, prevê a realização, em 30 dias, de eleição indireta. Em votação relâmpago, os deputados distritais ajustaram a legislação do DF à Constituição. Presentes, 19 parlamentares. Todos votaram a favor. Para que comece a vigorar, a emenda ainda precisa ser votada em segundo turno. Algo que deve ocorrer em dez dias. Nesse meio tempo, a Câmara aguarda pelo julgamento do recurso que a defesa de Arruda promete protocolar no TSE. Confirmando-se a cassação, os deputados terão 30 dias para escolher o novo governador. Por ora, permanece no leme o presidente da Câmara, Wilson Lima (PR). Ele responde interinamente pelo governo desde 25 de fevereiro. Oposição aprova audiência sobre Bancoop no Senado Em manobra realizada nesta quarta (17), a oposição aprovou dois requerimentos relacionados ao caso Bancoop. Deu-se na Comissão de Direitos Humanos do Senado. O primeiro requerimento prevê a inquirição de três personagens: 1. José Carlos Blat, promotor do Ministério Público de São Paulo. É ele o responsável pelo inquérito que investiga a Bancoop. 2. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e ex-presidente da Bancoop. 3. Lucio Funaro, corretor do mercado financeiro, que, em depoimento à Procuradoria-geral da República, acusou Vaccari de intermediar negócios nos Fundos de Pensão de estatais, mediante pagamento de propinas de 6% a 15%. Dinheiro supostamente carreado para o mensalão. Funaro disse que se reuniu com Vaccari na sede da Bancoop. O segundo requerimento prevê a formação de um grupo de senadores para visitar, em São Paulo, os "esqueletos" de prédios de apartamentos que a Bancoop prometera entregar aos seus cooperados. Para arrastar o escândalo da Bancoop para dentro do Senado, a oposição valeu-se de uma manobra urdida na véspera. Pela manhã, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apresentou o requerimento de convocação dos protagonistas do caso na Comissão de Justiça. Ali, a bancada do governo estava a postos. E derrotou o requerimento. Simultaneamente, a oposição levou à encrenca à Comissão de Direitos Humanos. Nesse front, o governo, desavisado, era representado por um mísero "soldado": Paulo Paim (PT-RS). A oposição cerrou fileiras. E os requerimentos passaram lisamente, em votação simbólica. A Comissão de Direitos Humanos, que PSDB e DEM converteram em trincheira, é presidida pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). A sessão estava inicialmente marcada para quinta (18). Mas tucanos e "demos" foram a Cristovam. Informaram que um grupo de cerca de 30 cooperados lesados pela Bancoop viriam ao Senado nesta quarta. Sugeriu-se a Cristovam que os visitantes fossem ouvidos em audiência pública da comissão. O senador assentiu. Em depoimentos dramáticos, um deles entrecortado por lágrimas, os cooperados pediram a intervenção dos senadores. E a oposição, servindo-se de requerimentos preparados na véspera, deu o bote, aprovando-os. Blat, Vaccari e Funaro foram convidados, não convocados. Podem comparecer ou não. Pelo menos o promotor deve dar as caras. Reproduzirá na comissão uma acusação que já levou às manchetes: A Bancoop converteu-se numa "quadrilha", diz Blat. Verbas da cooperativa habitacional foram desviadas para campanhas do PT, ele afirma. Se Vaccari optar por não comparecer, deixará a si próprio e ao PT sem defesa. Ibope: Serra, 35%, "ainda" na frente de Dilma, 30% Reuters Antes de expor os dados, convém ambientar a cena. Recorra-se a uma imagem, digamos, molhada: noite de tempestade. Ventania. Começa mansa. Intensifica-se. Fica forte. Muito forte. Fortíssima. De manhã, cedinho, o sujeito vai à janela. Percebe que a rua está meio desarrumada. Tinha saído de sua pachorra. Decide conferir o quintal. No caminho até a soleira, avista um rombo no teto da sala. As lufadas haviam sorvido algumas telhas. O tapete ensopado. Lá fora, um imenso galho de ipê só não caíra de todo porque parou num fio de alta tensão que sai do poste da rua. Pende sobre o alpendre. Aparece um vizinho. Eu avisei, diz. Mesmo antes da tempestade, a árvore já era uma ameaça. Estava na hora de tomar providência. Pois bem, José Serra atravessa um roteiro semelhante. Uma ventania lhe sacode o sonho presidencial. Mais que vergado, o "ex-poste" Dilma Rousseff se despeja, ameaçador, sobre sua candidatura. A vizinhança cobrava providências há meses. Porém, dono de "nervos de aço", Serra dera de ombros. E Dilma, empurrada por Lula, foi se achegando. Segundo o último Ibope, divulgado nesta quarta (17), a diferença estreitou-se para cinco pontos percentuais. Ela com 30%. Ele, 35%. Em novembro do ano passado, Serra tinha 38%. Dilma, 17%. Em fevereiro passado, ele amealhara 36%. Ela, 25%. Agora, 35% a 30%. E agora, José? "Não comento pesquisa", diz Serra. "Nem quando estou disparado nem quando não estou disparado". "Pesquisa, até outubro ou novembro, eu nunca vou comentar". Então, tá! - Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do relatório da pesquisa Ibope, feita por encomenda da CNI. - Siga o blog no twitter. STF leva mensalão à pauta e testa isenção de Toffoli A pedido do relator Joaquim Barbosa, o STF incluiu na pauta da sessão desta quinta-feira (18) uma dicussão sobre o andamento do processo do mensalão. Vai a julgamento recurso interposto por um dos réus da "quadrilha dos 40", o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Dá-se ao recurso o nome técnico de "agravo regimental". Resultou numa "questão de ordem". A encrenca escalou o plenário porque Joaquim Barbosa deseja compartilhar a decisão com os outros dez ministros que integram o Supremo. A coisa diz respeito ao andamento do processo, não ao mérito da causa, cujo julgamento está longe de acontecer. O relator não informou aos seus pares o teor da peça dos advogados de Jefferson. Supõe-se que diga respeito ao depoimento de Lula. O presidente da República frequenta os autos na condição de testemunha. Sob protestos de Jefferson, que o vê como co-réu. Esta será a primeira vez que o processo do mensalão passa pelo plenário do STF desde a chegada do ministro Dias Toffoli, o último indicado por Lula. Reza o Código de Processo Penal que um julgador deve se declarar suspeito sempre que estiver em jogo o interesse de um "amigo íntimo". Há no STF e no Ministério Público a expectativa de que Toffoli tome a iniciativa de se auto-excluir de decisões relacionadas à ação penal do mensalão. Antes de ser guindado ao STF, Toffoli chefiara, sob Lula, a Advocacia Geral da União. Recuando-se um pouco mais no tempo, atuara como assessor da Casa Civil na época em que o órgão era chefiado por José Dirceu (PT-SP), hoje qualificado de réu. Retrocendo-se ainda mais na folhinha, Toffoli servira como advogado do PT na campanha presidencial de Lula, em 2002. Foi nessa campanha que o PT contraiu com Duda Mendonça as dívidas que, mais tarde, seriam parcialmente liquidadas com as verbas de má origem do mensalão. Mais recentemente, já no STF, Toffoli votou pelo arquivamento da denúncia contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG) no caso do mensalão tucano de Minas. Foi voto vencido. Mas valeu-se de uma tese que, transposta para o escândalo petista, poderia ser invocada para livrar a cara do ex-ministro José Dirceu. Toffoli alegou que o fato de Azeredo ter sido governador na época em que as arcas de sua campanha reeleitoral foram borrifadas com verbas ilegais não autorizava a suposição de que o tucano tivesse conhecimento dos malfeitos. Eis o miolo do raciocínio de Toffoli: "A peça acusatória, sem especificar de modo concreto a participação do investigado, atribui-lhe objetivamente responsabilidade pelos eventos tidos como delituosos pelo fato de ser ele à época governador de Minas Gerais". Numa entrevista de 25 de março de 2007, Toffoli, então advogado-geral da União, travara com a repórter Silvana de Freitas o seguinte deiálogo: -O sr. trabalhou na Casa Civil. É amigo de José Dirceu? Sou, mas não posso dizer que tenho com ele a mesma relação que tenho com o [Arlindo] Chinaglia [de quem foi assessor]. Com Dirceu, trabalhei diretamente pela primeira vez na Casa Civil. O contato profissional anterior tinha sido como advogado do PT. - O sr. estava na Casa Civil quando surgiu o escândalo do mensalão. Qual é a avaliação que você faz da denúncia criminal do procurador-geral da República? Não analisei a denúncia, não posso me manifestar sobre algo que não conheço. - A denúncia afirma que o mensalão era negociado dentro da Casa Civil e que Dirceu era chefe de uma organização criminosa. Enquanto estive na Casa Civil nunca ouvi falar em mensalão. Não posso falar sobre o que desconheço, o que não vi, o que não sei e que nem mesmo sei se existe. O curioso é que o Roberto Jefferson foi cassado por não ter comprovado o mensalão, e Dirceu, por ser chefe do mensalão. São dois relatórios, submetidos ao mesmo plenário, com situações absolutamente antagônicas. Em entrevista mais recente, de 4 de outubro de 2009, o já ministro Toffoli foi reinquirido sobre o tema pelos repórteres Valdo Cruz e Vera Magalhães: - O sr. foi subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil na gestão de José Dirceu, que é réu numa ação penal sob a acusação de ter chefiado o mensalão. Há suspeição sua para julgar o caso quando o ministro Joaquim Barbosa levá-lo ao plenário? Eu não vou falar sobre caso concreto. Cinco dias antes, durante sabatina na Comissão de Justiça do Senado, Toffoli havia sido fustigado pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS): "Vossa Excelência é amigão do José Dirceu. Inclusive a sua indicação é considerada uma vitória pessoal do ex-chefe da Casa Civil", dissera o senador. Por todas as razões, Toffoli renderá homenagens ao bom senso se tomar a iniciativa de se afastar das decisões relacionadas à ação penal do mensalão. Na hipótese de preferir o flerte com o erro, ex-adgovado-geral da gestão Lula, ex-assessor de Dirceu e ex-advogado do PT pode arrostar uma arquição de suspeição. Pode ser for formulada pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, ou pelos advogados dos réus. Melhor evitar o risco do constrangimento. Mercadante já negocia "aliança" para a disputa de SP Tomado por suas declarações públicas, Aloizio Mercadante (PT-SP) ainda é candidato à reeleição para o Senado. Tomado por sua movimentação subterrânea, Mercadante já assimilou a idéia de disputar o governo de São Paulo. Nesta terça (16), o líder petista reuniu-se em segredo com o deputado Paulo Pereira da Silva, mandachuva do PDT-SP. Paulino da Força Sindical, como o deputado é conhecido, informou a Mercadante que o PDT pode embarcar na canoa do PT. Porém... Porém, Paulinho levou à mesa uma condição: que indicar o companheiro de chapa de Mercadante. Um problema para o petismo, que idealizara outro vice: o neosocialista Paulo Skaf, presidente da Fiesp e recém-filiado ao PSB. Para regozijo de Paulinho, Skaf refugou a companhia de Mercadante. Prefere comparecer às urnas como candidato a governador. Antes de trocar idéias com Paulinho, Mercadante reunira-se com a correligionária Marta Suplicy (PT-SP), que deve herdar dele a candidatura ao Senado. Conversara também com o deputado Celso Russomano (PP-SP), vendido por Paulo Maluf como uma alternativa para sucesão paulista. Até bem pouco, Mercadante era o "Plano B" de Lula para São Paulo. Como Ciro Gomes (PSB) demora-se em aceitar a missão, o líder do PT virou a "Opção A". Se for mesmo ao ringue, Mercadante enfrentará um adversário com cara de favorito. As pesquisas atribuem ao tucano Geraldo Alckmin índices de intenção de voto ao redor dos 50%. Se perder, Mercadante torna-se instantaneamente candidato ao recebimento de uma "recompensa": a cadeira de ministro do governo Dilma Rousseff. Se Dilma for derrotada, Mercadante não terá senão a alternativa de planejar 2012 e torcer para que o PT o apóie numa eventual candidatura à prefeitura paulistana. Rodeado de tantas variáveis, Mercadante talvez tenha saudades prematuras das pesquisas que o acomodam na dianteira da corrida para o Senado, à frente de Romeu Tuma (PTB) e Orestes Quércia (PMDB). Como diria Lula, amigo é pra essas coisas. Câmara do DF terá de eleger substituto para Arruda Lula Assim que for publicada, a senteça de cassação do mandato do governador preso José Roberto Arruda (ex-DEM) provocará desdobramentos na Câmara Legislativa do DF. Sacramentado o ato, o Legislativo da Capital terá de organizar a eleição indireta de um novo ocupante para o cargo. O vice Paulo Octávio (ex-DEM) já havia batido em retirada. Sua renúncia acomodara na cadeira de governador o interino Wilson Lima (PR), presidente da Câmara. A decisão do TRE produziu festejos e apreensões. A comemoração foi puxada por estudantes que assistiam à sessão, como demonstram as cenas lá do alto. A preocupação materializou-se na Câmara Legislativa, que havia agendado para abril a votação do impeachment de Arruda. Atropelados pela decisão da Justiça Eleitoral, os deputados distritais terão de se concentrar em outra prioridade. Contra a enfermidade da dupla vacância, a Lei Orgânica do DF prevê um remédio diferente do receitado pela Constituição. Diz a lei que, quando ocorre no último ano do mandato, a inviabilização simultânea do governador e do vice leva à cadeira de governador o presidente da Câmara. A Constituição, porém, prevê que a Câmara é obrigada a escolher, em eleição indireta, um substituto para completar o resto do mandato –nove meses e meio. Para corrigir a inconstitucionalidade, os deputados distritais terão de aprovar uma mudança na Lei Orgânica, ajustando-a à Constituição. Algo que o vice-presidente do Legislativo, Cabo Patrício (PT), hoje no exercício da presidêencia, planeja articular já a partir desta quarta. Não se sabe, por ora, quem pode virar governador. Mas, a julgar pela composição da Câmara, são escassas as opções. A estudantada, momentaneamente em festa, talvez seja empurrada de volta ao meio-fio muito em breve. Um detalhe adiciona dúvida num cenário já demasiado fluido. A defesa de Arruda anunciou a intenção de recorrer ao TSE contra a cassação. O recurso pode incluir um pedido que os advogados chamam de "efeito suspensivo". Significa dizer que a decisao do TRE seria sobrestada até o pronunciamento do TSE. De resto, o TRE acomodou interrogações também sobre o inquérito do panetonegate. Cassado, Arruda passou a flertar com o risco de ser transferido do "PF"s INN", sua hospedaria atual, para o presídio da Papuda, menos confortável. Antes da cassação, a defesa de Arruda protocolara no STJ um pedido de revogação da prisão. O tribunal requereu a manifestação do Ministério Público. Estima-se que o novo recurso não será julgado em menos de 30 dias. Não é só: abre-se um debate em torno do foro que deve cuidar do processo contra Arruda. Como governador, ele só podia ser processado no STJ. Com a cassação, o processo desceria, em tese, para a primeira instância do Judiciário. O rol de acusados do inquérito inclui, porém, um conselheiro afastado do Tribunal de Contas do DF, Domingos Lamoglia, que ainda desfruta do privilégio de foro. Assim, pode prevalecer o entendimento de que, por conta das acusações que pesam contra Lamoglia, os autos devem permanecer no STJ. Se for instado a comentar a geléia em que se converteu a política brasiliense, Roberto Carlos decerto dirá: São muitas emoções, bicho! As manchetes desta quarta - Globo: Sem dinheiro do pré-sal, Rio perde programas ambientais - Folha: Enem não preenche vagas nas faculdades - Estadão: Israel rejeita pressão dos EUA sobre Jerusalém e crise piora - JB: União pelo Rio: Agora é questão de honra - Correio: TRE cassa mandato de Arruda - Valor: Companhias de energia limpa chegam à Bolsa - Estado de Minas: Lula só poderá fazer campanha fora do expediente - Jornal do Commercio: Um quarto suspeito Presidente de mostruário! Zé da Silva Via Diário Catarinense. Por 4 votos a 3, TRE-DF cassa o mandato de Arruda Em julgamento de placar apertado –quatro votos contra três— o TRE do DF passou na lâmina o mandato do governador preso José Roberto Arruda. O pedido de cassação fora formalizado pelo Ministério Público Eleitoral. O procurador Renato Brill de Góes sustentou que o cargo pertencia ao DEM. Ao se desfiliar do partido, Arruda perdeu o direito à cadeira de governador. A defesa do governador alegou que ele deixara o partido em gesto de autodefesa. O argumento foi refugado pelo TRE. Concluiu-se que Arruda deixou o DEM por mera decisão pessoal. Algo que a Justiça Eleitoral não aceita como justa causa para a desfiliação. Resolução do TSE prevê como aceitáveis apenas quatro motivos para a desfiliação. São eles: criação de nova legenda, desrespeito reiterado ao programa e ao estatuto da legenda, incorporação ou fusão do partido e grave discriminação ao filiado. Cassado, Arruda ainda pode recorrer ao TSE. Designado procurador da ação movida contra Dirceu Foi às mãos do subprocurador-geral da República Aurélio Virgílio Veiga Rios a representação da oposição contra o grão-petista José Dirceu. A representação foi protocolada no Ministério Público na quarta-feira (10) da semana passada. O texto é assinado pelos três líderes da oposiçãona Câmara: Paulo Bornhausen (SC), do DEM, Fernando Coruja (SC), do PPS e João Almeida (BA), do PSDB. Pediram a abertura de investigação da denúncia de que Dirceu teria feito "lobby" em favor de um cliente. Chama-se Star Oversea Ventures. Está sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal do Caribe. Pertence ao empresário Nelson dos Santos, que pagou, entre 2007 e 2009, R$ 620 mil à JD Consultoria, firma de Dirceu. Antes, em 2005, Nelson dos Santos comprara, em 2005, 49% do capital da Eletronet. Pagara o preço sibólico de R$ 1. Falida, a Eletronet acumulava dívidas de R$ 800 milhões. Mas detinha a posse de 16 mil km de cabos de fibra óptica ligando 18 Estados. Ao decidir reativar a Telebras, o governo foi à Justiça para reaver a rede de fibras ópticas. Deseja utilizá-la para implantar o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga). Dirceu negou que tivesse feito lobby. Alegou que prestara consultoria a Nelson dos Santos sobre a conuntura econômica da América Latina. O governo informou que a reativação da Telebras não resultaria em lucros para os controladores da Eletronet. Alheia às negativas, os três líderes da oposição anotaram na representação levada à Procuradoria-Geral da República: "Os fatos sinalizam, sem dúvida, para a existência de uma contiguidade excessiva entre empresas privadas, representadas pelo ex-ministro[ Diceu]..." "...E o Palácio do Planalto, numa área de atuação direta da ministra Dilma [Rousseff], o que impõe ao órgão responsável pela defesa da ordem jurídica o dever de instaurar procedimento investigatório". Caberá agora ao subprocurador Veiga Rios decidir se o caso merece descer ao arquivo ou se justifica a abertura de uma investigação. Nesta terça (16), na coluna "O Presidente responde", veiculada em jornais de todo país, Lula discorreu sobre o plano de banda larga. Em resposta a uma pergunta do engeiheiro de software Victor Cavalcanti Rodrigues, de São Paulo, Lula escreveu: "O PNBL está em discussão interna no governo e deve ser lançado em abril". PSDB boicota votação de embaixadores do Itamaraty A bancada do PSDB decidiu boicotar, no Senado, a votação de embaixadores indicados por Lula para representar o Brasil no estrangeiro. O tucanato declarou-se "rompido" com a política externa do governo Lula. Daí o boicote, anunciado nesta terça (16). Presidente da Comissão de Relações Exteriores, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) informou que foram suspensas as sabatinas de embaixadores. Com isso, sustaram-se as inquirições de três embaixadores que aguardam na fila da comissão: Venezuela, Equador e Grã-Bretanha. Em discurso no plenário, Arthur Virgílio (PSDB-AM) atribuiu o "rompimento" ao que chamou de "erros" da política externa brasileira. Mencionou o apoio de Lula à ditadura de Cuba, em detrimento do apoio à causa dos dissidentes que fazem greve de fome na Ilha dos irmãos Fidel e Raúl Castro. Citou o apoio do governo Lula ao Irã. E criticou a recusa do presidente de visitar, em Israel, o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo. Em aparte a Virgílio, Azeredo justificou a suspensão das sabatinas de embaixadores: "A Comissão de Relações Exteriores tem a obrigação de acompanhar a política externa do governo. Não podemos nos omitir". Curiosamente, no instante em que Arthur Virgílio discursava, o plenário do Senado aprovou o envio do novo embaixador brasileiro na Grécia. Chama-se Oto Agripino Maia. Vem a ser irmão de José Agripino Maia, líder do DEM, o parceiro de oposição do tucanato. Sabatinado pela comissão na semana passada, Oto obteve no 47 votos a favor e um contra. O resultado foi anunciado no instante em que Virgílio ainda ocupava a tribuna. O PSDB condiciona a suspensão de seu boicote seletivo à realização de um encontro com o chanceler Celso Amorim. O partido quer que Amorim lhe explique a lógica que permeia a política externa brasileira. Filho de Stephanes desanca Dirceu, Dilma e petismo Toda família tem as suas contradições. Quando a família é integrada por políticos, a incongruência pode ser levada às fronteiras do paroxismo. Tome-se o exemplo dos Stephanes. O pai, Reinhold Stephanes, representa o PMDB no comando do Ministério da Agricultura de Lula. O filho, Reinhold Stephanes Júnior, filiado ao mesmo PMDB, dedica-se a esculachar os peistas e o PT, partido do chefe do pai. Deputado estadual, Stephanes Júnior pronunciou, da tribuna da Assembléia Legislativa do Paraná um discurso duro. Deu-se há 15 dias, em 1º de março (assista lá no alto). Chamou o grão-petista José Dirceu de bandido: "O ex-ministro coordenou um dos maiores esquemas de corrupção no Brasil. É uma vergonha o PT dar espaço para ele. Eles tão loucos para reabilitar o Dirceu, que é um bandido, que faz mal para o país". Pôs em dúvida a origem das verbas que financiam as atividades internas do PT: "O PT fez uma festa, um congresso, e gastou R$ 6,5 milhões. Espero que esse dinheiro não tenha vindo do mensalão e de caixa dois, nem dos fornecedores do governo." Sem citar o nome de Lula, discorreu sobre a morte de Orlando Zapata, o dissidente cubano que morreu em 23 de fevereiro, após 85 dias de greve de fome. "O que o PT fala: que culpa tem o Castro se o rapaz faz greve de fome? O PT é coisa do diabo, não serve pra nada". Para completar, Júnior expõe uma opinião pouco lisonjeira sobre Dilma Rousseff, a presidenciável de Lula: "Como pode indicar uma pessoa que assaltava bancos, que sequestrava pequeno empresário para pedir resgate para dar dinheiro a guerrilheiro. É isso que ela fazia, a Dilma Rousseff e seu grupo". Quem ouve o deputado Júnior fica tentado a perguntar: Que opinião terá a respeito do pai, ministro do mandachuva do partido "do diabo" e membro do pedaço do PMDB que corteja a candidatura da "assaltante" e "sequestradora"? Assembléia do PR é gerida com "diários extraoficiais" Agricultoras e clientes do Bolsa Família, mãe e filha viraram marajás involuntárias Descobriu-se no Paraná um caso análogo ao escândalo dos atos secretos do Senado. Entre 2006 e 2009, mais da metade (56,7%) dos atos oficiais da Assembléia Legislativa paranaense foi editada por baixo da mesa. Em vez de atos secretos, o legislativo paranaense serviu-se de diários extraoficiais. Publicações avulsas, sem numeração. Estampam datas. Mas não seguem uma ordem cronológica. Há casos em que a data do diário extraoficial coincide com a do oficial. Dois diários num mesmo dia. O oficial publicado normalmente. O extraoficial, por clandestino, mantido longe de curiosos e dos órgãos de fiscalização. O grosso dos diários paralelos é recheado com atos de movimentação de pessoal –contratações e demissões. Nos últimos quatro anos, um em cada três atos relacionados à movimentação de pessoal na Assembléia foi publicado nos diários clandestinos. O caso foi descoberto pelo "Gazeta do Povo", que veicula uma série de reportagens. O jornal obteve cópias dos diários extraoficiais por meio de fonte cuja identidade decidiu preservar. Um episódio ajuda a explicar as origens da criatividade administrativa dos deputados estaduais paranaenses. Brindadas com empregos na Assembléia, Jermina Maria Leal da Silva e a filha dela, Vanilda Leal, foram aquinhoadas com supersalários. À filha atribuiu-se um contracheque de cerca R$ 20 mil mensais. A mãe foi à folha salarial com vencimentos de R$ 18 mil. Juntas, elas tiveram os nomes associados a pagamentos que aliviaram as arcas do Estado em R$ 1,6 milhão em cinco anos. Porém... Porém, nenhuma delas jamais viu a cor do dinheiro. Brasileiras de primeiras letras, vivem na zona rural, em casebres modestos. São clientes do Bolsa Família. Vanilda, a filha, diz que nem sabe onde fica a Assembléia. Jermina, a mãe, reagiu com indignação ao saber do valor dos salários que nunca recebeu: "Isso é uma vergonha. Nunca tive esse dinheiro. Deus está vendo isso". Procurada, a direção da Assembléia informou, por meio da assessoria, que desconhece a existência de diários editados à sombra. Informou-se que a agricultura Vanilda "trabalha" no gabinete do deputado estadual Jocelito Canto (PTB). "É um absurdo isso. Não conheço", negou o parlamentar. Quanto a Jermina, declarou-se que ela trabalhara na equipe de um ex-deputado. Chama-se Geraldo Cartário. Acusado de abuso do poder econômico nas eleições passadas, Cartário teve o mandato cassado em 2009. Jermina teria sido, então, exonerada. Ouvido, Cartário atribuiu a contratação e a exoneração de funcionários ao ex-chefe de gabinete, João Batista Lopes. O deputado cassado disse que Jermina, de fato, trabalho para ele. Fazia o quê? Não soube dizer: "Na época, eu era 1.º secretário. Então, não lembro se ela trabalhou no gabinete da secretaria ou no meu gabinete. Mas acho que é ela mesmo". Chama-se Walter Kraft o chefe do setor de arquivo da Assembléia Legislativa do Paraná. Foi submetido à seguinte pergunta: Por que nem todos os diários vão para o arquivo da Casa? Respondeu: "É uma incógnita. Publicam um que fica para eles. Se um dia acontecer alguma coisa, dizem: "Eu tenho aqui, não sei por que os outros não têm"..." "...Mas se, de repente, eles são obrigados a publicar uma coisa, mas não querem que os outros tenham acesso, então eles fazem ali dez [exemplares]..." "...Dez fica para alguns, em mãos seguras. Os outros não têm acesso. Eu acho que a ditadura foi mais transparente do que é hoje". É, faz sentido! Serra bate Lula e Dilma na gincana de inaugurações José Serra, o quase-presidenciável do PSDB, promoveu neste ano eleitoral de 2010 mais inaugurações do que Lula e Dilma Rousseff, a candidata do PT. Considerando-se todo o pacote administrativo-eleitoral (inaugurações, lançamentos de projetos, visitas a indústriais e vistorias em obras), Serra foi a 32 eventos desde 1º de janeiro –um a cada dois dias. No mesmo período, Lula e Dilma deram as caras em 27 atividades do gênero –uma a cada dois dias e meio. Somando-se a entrega de um hospital estadual, no Rio, à qual compareceu sozinha, Dilma vai a 28. Computando-se apenas as inaugurações, Serra conserva a dianteira. Compareceu a 27 cerimônias. Lula e Dilma foram a 21. Incluindo-se o hospital carioca, Dilma soma 22. Embora prevaleça nos números, Serra perde no tamanho da vitrine. O governador desfila sua quase-candidatura em São Paulo. Lula leva a candidatura de Dilma para passear em diferentes Estados. Os dois lados qualificam as solenidades como atos estritamente administrativos. Mas a comparação com 2009 desmonta a pantomima. Num cotejo com o mesmo período do ano passado, Serra participara de dez inaugurações. Lula, fora apenas a sete. A fúria com que descerram-se as placas e cortam-se as fitas encontra explicação no calendário eleitoral. Serra e Dilma terão de trocar as cadeiras de governador e de ministra pelos palanques até 3 de abril. De resto, reza a lei que, a partir do dia 6 de julho, nenhum candidato a cargo eletivo poderá tomar parte de inaugurações. Descontado o fato de que, no gogó, Lula é mais efusivo do que Serra, o governador tucano também se serve das solenidades oficiais para exaltar os próprios "feitos". A eloquência verbal de Lula e a indefectível presença de Dilma nos eventos federais levaram a oposição a protocolar nove representações no TSE. PSDB, DEM e PPS acusam a candidata oficial e o cabo-eleitoral dela de fazer campanha eleitoral antecipada. Algo que a lei proíbe. Até aqui, a tese não prosperou nos julgamentos. Para o Tribunal Superior Eleitoral, o presidente e sua preferida não ultrapassaram, por ora, a fronteira que separa o legal do ilegal. A aferição das estatísticas pode levar o petismo a dizer que, tomada pela movimentação de Serra, a oposição reclama, por assim dizer, de barriga cheia. Enviado de Aécio vai a Serra para "confirmar" o apoio. Presidente do diretório do PSDB de Minas, o deputado federal Nárcio Rodrigues estará em São Paulo nesta terça (16). Deve encontrar-se com o governador José Serra e com o também deputado Mendes Thame, presidente do PSDB-SP. Entregará a ambos uma cópia de comunicado aprovado na noite passada em reunião da Executiva do PSDB mineiro (foto). O documento vale menos pelo que traz escrito e mais pelo propósito da articulação que o precedeu. Elaborado em combinação com Aécio, o texto informa o já sabido: Antonio Anastasia é o candidato do PSDB ao governo de Minas. E Aécio disputará o Senado. Anota, de resto, algo que, em tese, deveria dispensar a formalidade de um documento oficial: O PSDB de Minas apoia o presidenciável do PSDB, José Serra. O alarde em torno do supostamente óbvio é uma tentativa de Aécio de se livrar de uma pecha que grudou nele em eleições anteriores. A fama do "corpo mole". O documento refuta "qualquer iniciativa" que possa levantar dúvidas quanto às "convicções partidárias" do tucanato mineiro. O aceno de fidelidade dirigido a Serra visa afastar de Aécio uma "macumba" armada na semana passada por um aliado do governador mineiro. Chama-se José Antonio Prates. Filiado ao PTB, comanda o município de Salinas. Fechado com a candidatura de Aécio ao Senado, ele lançou o "voto Dilmasia". Segundo José Antonio, um grupo suprapartidário de prefeitos faria campanha pela eleição do tucano Anastasia para o governo de Minas. Para o Planalto, a petista Dilma. Uma espécie de reedição do "voto Lulécio", que vicejou na eleição de 2006 –para Minas, a reeleição de Aécio; para o Brasil, a recondução de Lula. Na semana passada, Aécio dissera que a fórmula "Dilmasia" não passava de uma "bobagem". Parecia negligenciar o fato. A edição do comunicado que será entregue a Serra demonstra que Aécio dá mais importância à encrenca do que sua declaração fazia supor. Resta conseguirá fazer valer o escrito. Há em Minas 853 municípios. A grossa maioria (625) é gerida por aliados de Aécio. Dos 625 prefeitos simpáticos ao governador, 232 são filiados a partidos que, em Brasília, integram o consórcio que dá suporte congressual a Lula. Legendas como PTB, PR, PP e PDT. É nesse núcleo que se propaga a articulação em favor do "voto Dilmasia". Uma opção que, materializada nas urnas, pode proporcionar a Serra uma azia mineira, com refluxos de pão de queijo. Daí a embaixada do deputado Nárcio Rodrigues em São Paulo. Vai dizer a Serra que, por decisão de Aécio, o tucanato de Minas já providenciou o antiácido. As manchetes desta terça - Globo: COB: mudança no pré-sal inviabiliza Jogos no Rio - Estadão: Governo e oposição em Israel se unem e cobram Lula sobre Irã - JB: "O Rio não troca direito por esmola" - Correio: CPI desafia Durval a detalhar propinas - Valor: Avançam negociações para fusão Citrosuco-Citrovita - Estado de Minas: Vagas de até R$ 9,3 mil no setor de energia - Jornal do Commercio: TRE anula concurso Muro! Via Correio Popular. Justiça é cega, mas enxergou esperteza do PT em SP Lula e o PT testam cotidianamente os limites da legislação e a paciência da Justiça Eleitoral. Em São Paulo, o desembargador Alceu Penteado Navarro, corregedor do TRE decidiu abrir os olhos. Enxergou ilegalidade numa publicidade levada ao pelo PT paulista. Destinada à promoção do partido, o filmete virou peça de campanha. Abre com uma aparição de Dilma Rousseff. Segue-se uma levantada de bola de Lula: "Essa mineira que viveu no Rio Grande tem a cara e a alma de São Paulo". Acionado pelo PMDB-SP, presidido pelo "serrista" Orestes Quércia, o desembargador Navarro mandou tirar o comerical do ar. Exibido na última sexta (12), seria reprisado ao longo da semana. A menos que a liminar seja cassada, não chegara mais aos lares dos paulistas. O PT informou que vai recorrer contra a decisão do TRE. Com ou sem recurso, a decisão, por liminar, terá de ser submetida ao plenário do tribunal. Pela lei, a campanha eleitoral televisiva só começa em junho. Ao aproveitar a publicidade partidária para propagandear Dilma, o PT esqueceu de maneirar. O propósito eleitoral é claro como a gema. Governado pelo tucano José Serra, principal rival de Dilma, São Paulo é o maior colégio eleitoral do país. A 9 meses do fim, governo quer criar SUS da Cultura A nove meses do término do mandato de Lula, o governo iniciou a elaboração de um "marco regulatório" para o setor Cultural. O ponto de partida é um lote de 32 propostas aprovadas na semana passada, em Brasília, na 2ª Conferência Nacional de Cultura. Participaram mais de 700 representantes de todos os Estados. A idéia mais bem recebida –70% dos votos— foi a criação do SNC (Sistema Nacional de Cultura). Coordenadora executiva da Conferência, Silvana Meireles, assessora do Ministério da Cultura, esmiuçou a novidade numa entrevista ao blog do Panalto (assista lá no alto). Ela se refere ao SNC como uma espécie de SUS da Cultura. A exemplo do que ocorre na saúde, o novo órgão reuniria as três esferas de governo –federal, estadual e municipal. Ficaria responsável pela implantação de uma política cultural para o país. Disporia de recursos orçamentários próprios, assegurados pela Constituição. O plano, por ambicioso, não cabe no calendário do atual governo. Prevê a implantação de uma rede nacional de "equipamentos culturais". Atribui ao Estado a gestão de centros de cultura, bibliotecas, cinemas e teatros. Idealiza a instalação de pelo menos um "ponto de cultura" em cada município. Deseja-se também reformular a Lei Rouanet, "democratizando" a distribuição das verbas que fluem graças à isenção tributária concedida ao mecenato empresarial. Entre as propostas aprovadas na Confedrência de Cultura, há também coisas exóticas. Uma delas envolve os currículos escolares. Deseja-se levar às escolas públicas e privadas o ensino de "línguas étnicas", de "matriz africana e indígena". Para isso, pretende-se injetar nos currículos uma nova disciplina: a "Língua e Cultura Local", treinando "profissionais de educação". A "capacitação" dos professores seria feita "por meio da troca de saberes com os mestres da cultura popular". Ou seja: um Estado que não consegue prover nem o ensino dos rudimentos do português, vai desafiar a criançada a aprender línguas africanas e indígenas. Aprovou-se também na Conferência a realização de campanhas educativas de combate à discriminação racial. As peças serão veiculadas no rádio e na televisão, em horário nobre. Tratarão da diversidade étnica do Brasil. Além de realçar que a discriminação racial é crime, as campanhas vão combater a homofobia. Vai-se fazer uma defesa do respeito à "diversidade sexual". Noutro tópico, a Conferência decidiu recomendar ao governo o fortalecimento as rádios e TVs pertencentes ao Estado. São emissoras comunitárias, educativas, universitárias e legislativas. Deseja-se impor a todas elas "o efetivo controle social". De resto, planeja-se utilizar essas emissoras do "campo público" para levar à sociedade uma programação que valorize a "diversidade cultural e regional". Parece polêmica demais para um governo que está na bica de terminar. Numa escala de zero a dez, a chance de o "marco cultural" ser deglutido pelo Congresso neste ano eleitoral de 2010 é de menos dez. - Serviço: Pressionando aqui, você chega ao documento que expõe as 32 propostas aprovadas no 2ª Conferência Nacional de Cultura. Chanceler de Israel decide "boicotar" a visita de Lula Nesta segunda (15), primeiro dia da viagem oficial de Lula a Israel, o presidente brasileiro "tropeçou" num cadáver. Lula recusou-se a visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do sionismo. O gesto causou profundo mal-estar. Abespinhado o ministro israelense de Assuntos Exteriores, Avigdor Lieberman, decidiu impor a Lula um boicote. Lieberman esquivou-se deliberadamente de comparecer à sessão especial do Parlamento israelense (Knesset) na qual Lula discursou. No discurso, Lula enrolou-se na bandeira da paz. Evitou o improviso. Teve o cuidado de ler texto preparado pela assessoria (assista a um trecho lá no alto). Evocando o seu passado de sindicalista, Lula pregou a negociação. Defendeu o Estado de Israel. Em coexistência, porém, com um Estado palestino. Falou o que quis. E teve de ouvir o que não queria. Ecoaram no plenário três duras interpelações contra a aproximação do Brasil com o Irã. Celso Amorim tentou amenizar o desconforto. Quanto à ausência de Lieberman, foi atribuída à "falha" de protocolo. O descaso de Lula com o túmulo de Herzl foi entendido como insulto. A visita ao túmulo do fundador do sionista deveria ocorrer nesta terça (16), segundo dia da visita de Lula. O caldo começou a entornar quando o Itamaraty endereçou ao governo israelense um pedido de esclarecimento. A agenda de Lula incluiu apenas uma passagem pelo museu do Holocausto e a colocação de flores no túmulo de Yitzhak Rabin. Rabin é o ex-primeiro-ministro de Israel que iniciara o malogrado processo de paz com os palestinos. Morreu assassinado, em 1995, por um extremista de direita israelense. A despeito dos esforços de Israel, a diplomata brasileira Dorit Shavit diz que Lula não tem a intenção de incluir o túmulo de Herzl em seu périplo. Brasília alega que os dois últimos chefes de Estado que passaram por Israel –o francês Nicolas Sarkozy e o italiano Silvio Berlusconi– não visitaram o local. Na manhã desta segunda, enquanto Lula encontrava-se com o colega israelense Shimon Peres, o affair protocolar fervilhava. O chefe de protocolo do Ministério de Assuntos Exteriores de Israel, Yitzhak Eldan, dirigiu-se ao colega brasileiro, embaixador George Monteiro Prata. Perguntou se Lula mudara de opinião em relação à visita ao túmulo de Herzl. E George Monteiro: "Não". O incômodo é maior porque, na sequência da viagem, Lula não deixará de levar flores ao túmulo do lendário dirigente palestino Yasser Arafat. Mais cedo, antes de se dirigir ao parlamento israelense, Lula discursara para um grupo de empresários. Dissera que traz inoculado carrega consigo o "vírus da paz". Não se lembra de ter brigado com ninguém, apesar de integrar um "partido complicado". "Eu acho que o vírus da paz está comigo desde que estava no útero da minha mãe. Não me lembro do dia em que briguei com alguém", disse. Curioso que, com esse perfil, se arrisque a envenenar a visita por conta de uma guerra de protocolo. Sem contar. PT-SP condiciona diálogo com Ciro a uma "retratação" As últimas declarações do multicandoto Ciro Gomes (PSB) provocaram um curto-circuito nas relações do deputado com o PT de São Paulo. Edinho Silva (foto), presidente do diretório paulista do PT, insinua que, se não houver uma "retratação", o petismo vai tirar Ciro da tomada. Em entrevista à repórter Malu Delgado, Ciro disse que o PT de São Paulo "é um desastre". Por quê? Evocando a escândalo do mensalão e o caso dos "aloprados" petistas do dossiêgate, Ciro respondeu: "Por tudo o que aconteceu. Eu lamento, mas há uma lista toda, a nominata quase inteira com problema..." "...[...] Os principais quadros do partido, por essa ou aquela outra, justa ou injustamente, entraram num problema..." "...Não é brincadeira não, rapaz. José Dirceu, Genoino, Mercadante, Marta, João Paulo... Não é brinquedo não. Praticamente isso é a lista inteira". Em reação aos ataques de Ciro, Edinho Silva, o presidente do PT-SP, levou ao seu microblog um lote de 12 notas. Metido na articulação que visava fazer de Ciro candiato ao governo de São Paulo, o dirigente petista expôs o fio desemcapado. Pediu um isolante: "Nosso diálogo com o Ciro dependerá do seu posicionamento público, se haverá ou não uma retratação em relação a entrevista publicada". Espantou-se: "Um partido que lhe ofereceu apoio e lealdade não pode ser atacado. Nunca presenciei tamanha falta de habilidade politica na minha vida". Apontou a ingratidão: "O mesmo PT paulista atacado por Ciro, sem nenhum motivo, construiu unidade em torno de seu nome para a disputa em São Paulo". Acomodou Ciro no retrovisor: "As lideranças citadas por Ciro estavam unidas em torno de sua candidatura para o governo de São Paulo". Condicionou a volta ao para-brisa a um gesto imediato: "Um esclarecimento público, que imediatamente, restaure a relação de respeito e confiança". Tomado pelo teor da entrevista que acendeu o pavio do PT, Ciro não parece lá muito interessado em composição. Muito menos em recomposição. Afirma que sua candidatura ao governo de São Paulo seria "artificial". Só admite o flerte com a aventura "se o mundo se acabar". Sem apocalipses, repisa sua preferência pelo Planalto. A despeito da baixa estatura que lhe atribuem as pesquisas –12% no Datafolha— Ciro tenta soar categórico: "Não posso parecer indeciso. E eu não estou", ele jura. Repisa os ataques à aliança partidária que dá suporte à candidatura de Dilma Rousseff. Além dos ataques ao PT, Ciro mira o sócio majoritário da megacoligação: "O DEM é muito melhor que o PMDB neste instante", compara. É no mínimo curioso que só agora o PT tenha esboçado uma reação a Ciro. Nessa entrevista, o deputado soou até mais ameno. Antes, já havia declarado que a junção PT-PMDB é uma aliança de "moral frouxa". Dissera que, sob Lula, a parceria, por tóxica, deixou "um roçado de escândalos". Ciro sempre compareceu às negociações paulistas com ares de boxer. Nessa briga, reservou ao PT o papel de sparring. PT espera receber mais doações que PSDB em 2010 Está pavimentado o caminho que ligará a campanha de Dilma Rousseff (PT) às caixas registradoras das maiores empresas do país. A cúpula do PT estima que as arcas eleitorais de Dilma serão de três a cinco vezes mais robustas que as do rival José Serra, do PSDB. O blog ouviu nas últimas duas semanas dirigentes petistas e tucanos. Detectou, de um lado, certezas e otimismo. Do outro, dúvidas e desânimo. "No passado, quando o PSDB era governo, para cada milhão doado pra eles o PT recebia R$ 200 mil. Agora vai ser o contrário", vaticinou um grão-petê. Confrontado com a estimativa, um dirigente tucano familiarizado com a coleta de fundos de campanha concordou com o raciocínio. O partido de Serra avalia que, neste ano, a desvantagem monetária em relação ao PT será maior do que a registrada em 2006. Naquele ano, o PSDB levara às urnas o nome de Geraldo Alckmin. Amealhara, no oficial, R$ 62 milhões. Uma cifra insuficiente para cobrir as despesas declaradas da campanha: R$ 81,9 milhões. Restara um passivo de R$ 19,9 milhões. O PT, que comparecera à disputa com o projeto reeleitoral de Lula, arrecadara R$ 94,4 milhões. Despesas: R$ 104,3 milhões. Um vermelho de R$ 9,87 milhões. Na sucessão de 2002 –Serra X Lula— o volume de verbas movimentado por cima da mesa fora quase o mesmo: R$ 33,7 milhões para o PT; R$ 34,4 para o PSDB. Na atual fase de pré-campanha, o petismo atribuiu ao ex-ministro Antonio Palocci a tarefa de achegar-se aos grandes doadores. No tucanato, mercê da demora de José Serra em retirar sua candidatura do armário, a coisa atrasou. Só agora os contatos começam a ser planejados. Um dirigente do PT federal listou para o repórter cinco razões que levam a turma de Dilma a contar com um ovo que a galinha ainda não botou: 1. "Se é verdade que os pobres estão satisfeitos com o governo Lula, os muitos ricos também não têm do que reclamar". 2. "A indústria naval brasileira, que estava quebrada, foi reativada graças às encomendas da Petrobras". 3. "Grandes construtoras, que entraram em dificuldades com a crise internacional, tiveram acesso a crédito oficial". 4. "O programa Minha Casa, Minha Vida reativou o setor da construção civil, antes voltado para um filão que agonizava, o de classe média alta". 5. "Os bancos também não têm do que reclamar. Registraram no governo Lula recordes de lucratividade". Do lado da oposição, um dirigente do PSDB disse que, afora o fato de o PT controlar os grandes cofres da República, há o "fator TSE". É como se refere à resolução baixada pelo TSE para coibir as chamadas doações ocultas. Dinheiro repassado pelas empresas aos partidos, não aos candidatos. Na prestação de contas, apontava-se como origem da verba a legenda, não a logomarca privada. "A prevalecer o novo entendimento, a empresa que fizer doações para a oposição terá o nome exposto no jornal na semana seguinte", queixou-se o grão-tucano. E daí? "Nenhuma empresa gosta de ficar exposta à pressão de governo com o qual mantém contratos". Citou um caso que diz ter ocorrido em 2006. O PSDB precisava de dinheiro para financiar as despesas da convenção que apontaria Alckmin como seu candidato. Contactado, um grande empresário –não quis mencionar o nome— topou custear o evento partidário. Fez a primeira doação numa conta do Banco do Brasil. Segundo o tucano, o governo ficou sabendo. E o doador foi chamado ao Planalto. Pressionado, fechou o bolso. Encerrou o relato com uma pergunta: "Qual é o grande fornecedor da Petrobras que vai correr o risco de fazer doações abertas para a oposição?" PT e PSDB encerraram o ano de 2009 no vermelho. João Vaccari Neto, que assumiu a tesouraria petista há duas semanas, herdou um passivo de cerca de R$ 35 milhões. O buraco é grande. Mas é menor do que o rombo de R$ 55 milhões que o ancetessor Paulo Ferreira, herdara de Delúbio Soares nas pegadas do mensalão. O PSDB, que saíra da campanha de 2006 com uma dívida maior que a do PT, terminou 2009 com passivo bem menor: algo como R$ 4 milhões. Num e noutro caso, o equilíbrio da escrituração partidária depende da coleta que cada legenda for capaz de realizar neste ano eleitoral de 2010. A julgar pelos relatos feitos nos subterrâneos, o PT largou na frente. As manchetes desta segunda - Globo: Ibsen quer transferir para União perdas com pré-sal - Folha: Compras de armas na América do Sul aumentam 150% - Estadão: Acordo prevê compensação por perdas de royalties - JB: Revolta nas ruas - Correio: Crise política emperra votações na Câmara - Valor: GP forma consórcio e cria grande empresa de lácteos - Estado de Minas: Mar rende expansão de negócios para Minas - Jornal do Commercio: Família italiana teme pela vida de Roberta Loquacidade seletiva! Via blog do Lute. Apadrinhado de Temer assumirá pasta da Agricultura Lula já definiu com a direção do PMDB os nomes dos substitutos dos ministros do partido que deixarão o governo para tentar a sorte nas urnas. O ministro Reinhold Stephanes, da Agricultura, será substituído pelo presidente da Conab (Cia Nacional de Abastecimento). Chama-se Wagner Gonçalves Rossi. É apadrinhado do deputado Michel Temer (SP), presidente da Câmara e do PMDB. O comando da pasta da Integração Nacional será confiado a João Reis Santana Filho, secretário-executivo do atual ministro, Geddel Vieira Lima. Vai à cadeira de ministro de Minas e Energia Marcio Zimmermann, secretário-executivo do ministro Edson Lobão. Diferentemente de Lobão, um neófito no setor, Zimmermann é técnico tarimbado. Já passou pela Eletrosul e pela Eletrobras. Antes de ser alçado à função de secretário-executivo, Zimmermann respondera pela secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta. Chegou ao ministério em 2003, trazido por Dilma Rousseff. Depois, foi "adotado" por dois mandachuvas do PMDB do Senado: José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). Resta definir o nome do substituto do ministro das Comunicações, Hélio Costa. O titular indicou o seu chefe-de-gabinete, José Artur Filardi Leite. Porém... Porém, Lula torceu o nariz para a indicação de Hélio. Considerou o nome de Filardi demasiado inexpressivo. Lula manifestou sua aversão ao nome em reunião, na última quinta (11), com Temer, Sarney e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ficou entendido que o PMDB terá de indicar outro nome para a substituição de Hélio Costa. O sócio majoritário do consórcio governista controla outros dois ministérios. Mas José Gomes Temporão (Saúde) e Nelson Jobim (Defesa) permanecerão nos cargos. Esquecidos no Brasil, presos viram assunto na ONU O vídeo acima foi gravado pela Associação dos Investigadores da Polícia Civil do Espírito Santos. As imagens são da semana passada –terça (9) e quarta (10). Mostram cenas degradantes. Presos espremidos em cárceres da chamada Grande Vitória, a capital capixaba. Esquecidos aqui, os detentos viraram asssunto no exterior. Nesta segunda (15), o sistema prisional do Espírito Santo será debatido em Genebra, num painel na Comissão Direitos Humanos da ONU. No Brasil, não há lista de temas que interessam à população que não inclua a criminalidade. É questão obrigatória. Em matéria de insegurança, exausto de tanto debate, o brasileiro imagina-se diante de um dilema sem solução. Engano. Na verdade, o país ainda nem enxergou o problema. Pior: talvez não queira enxergar. Pede-se mais polícia e mais presídios. Como se a cadeia fosse o fim do problema. Bobagem. É no cárcere que o problema começa. Desnecessário qualificar as cadeias brasileiras. Qualquer zoológico oferece estadia mais decente. Tratado assim, como sub-bicho, o preso vira fera. E, como não há no país nem pena de morte nem prisão perpétua, o animal bravio está condenado a ganhar as ruas. Em tempos de campanha eleitoral, caberia aos políticos iluminar a questão. Preferem, contudo, escondê-la. A propósito do esonde-esconde, vale a pena ler uma nota veiculada pelo repórter Elio Gaspari em sua coluna deste domingo (14), sob o título Masmorras de Hartung: "Realiza-se amanhã em Genebra um evento paralelo à reunião da Comissão de Direitos Humanos da ONU, durante o qual ficará disponível o "Dossiê sobre a situação prisional do Espírito Santo". Tem umas 30 páginas e oito fotografias de corpos esquartejados que ficarão cravadas na história da administração governador Paulo Hartung. Na semana passada, neste espaço, foi publicado um texto intitulado "As masmorras de Hartung aparecerão na ONU". O jornal "A Tribuna", de Vitória, que detinha direitos de reprodução da coluna no Espírito Santo, deixou de publicá-la. Diante disso, o signatário encerrou suas relações profissionais com "A Tribuna". Eremildo, que é um idiota, está convencido de que esse foi mais um passo da ofensiva chavo-petista para instalar o controle social dos meios de comunicação no Brasil. Informado de que o governador do Espírito Santo é do PMDB, já foi tucano, mas nunca passou pelo PT, o cretino pediu 250 anos para pensar no assunto". - Serviço: No radapé da nota, Gaspari anota o link que conduz ao dossiê com as fotos de presos esquartejados. Pressionando aqui, você chega à peça. Para ver, é preciso ter estômago. Lula comunica a Hélio Costa que vai apoiá-lo em MG Presidente agendou para o dia 22 reunião com PMDB e PT Lula embarcou neste sábado (13) para o Oriente Médio. A viagem começa por Israel, evolui pelos territórios palestinos e termina na Jordânia. O retorno a Brasília está previsto para a próxima sexta (19). Estima-se que o Aerolula pousará em Brasília no meio da madrugada, ao redor de 3h30. Lula vai tirar o sábado e o domingo para repousar. Na segunda (22), descerá ao front político com a disposição de pacificar as relações entre PT e PMDB nos Estados. Vai cuidar, primeiro, da encrenca que considera mais espinhosa e prioritária: a de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país. Na manhã da última quarta (10), Lula recebeu para uma conversa reservada o ministro Hélio Costa (Comunicações), do PMDB. Senador licenciado, Hélio deseja comparecer às urnas de Minas como candidato a governador. Tomado pelas pesquisas de hoje, é favorito. Porém... Porém, o próprio ministro reconhece, entre quatro paredes: sem o PT, será candidato à derrota. Precisa retirar de seu caminho os dois petistas que, como ele, se declaram candidatos à sucessão do tucano Aécio Neves: Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Mais do que isso: Hélio precisa atrair o petismo mineiro para o seu palanque. Na conversa de quarta, ganhou um aliado de peso. Lula deixou claro que, no pano verde mineiro, suas fichas serão puxadas para o lado do PMDB: "Sua presença [nas pesquisas] é forte, está muito bem. Merece e deve ser candidato. Conte comigo", disse o presidente ao ministro pemedebê. De volta da viagem internacional, Lula se reunirá com os presidentes do PMDB, Michel Temer; e do PT, José Eduardo Dutra. Chamará para o encontro o preferido Hélio Costa e o par de petistas que disputam com ele: Patrus, ministro do Bolsa Família; e Pimentel, ex-prefeito de BH. Será, no dizer de Lula, um encontro de "definições". Acha que se esgotou a fase do deixa-como-está-para-ver-como-é-que-fica. Aproxima-se o fatídico 3 de abril. Nesse dia, os ministros-candidatos terão de trocar a Esplanada pelos palanques. Daí a pressa. No sonho do PMDB, Hélio Costa seria candidato com um dos rivais –Patrus ou Pimentel- na posição de vice. No plano esboçado pela direção do PT, Patrus iria ao Senado. Pimentel coordenaria a campanha de Dilma, com a promessa de ocupar um ministério num eventual governo companheiro. E quanto ao vice? O petismo deseja acomodar do lado de Hélio Costa o deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG). Resolvida a pendência de Minas, Lula vai cuidar de outras encrencas. PMDB e PT se estranham em pelo menos mais quatro Estados: BA, PA, MS e CE. Metade dos problemas estará resolvida a partir da definição de como vai funcionar a política de duplo palanque que se pretende adotar nos Estados em que os sócios de Dilma Rousseff medirão forças. Lula já absorveu como coisa definitiva a idéia do convívio com os dois palanques. Mas o PMDB quer definir melhor as coisas. Lula pisará nos dois palanques ou reservará a tarefa apenas para Dilma? Ambos levarão a cara à propaganda televisiva ou só a candidata vai aparecer? Em conversas com os negociadores do PMDB, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) pronunciou a palavra que será repetida a Lula: "Igualdade". Para o PMDB, o que for feito para um terá de ser repetido para o outro. Geddel enfrentará na Bahia o projeto reeleitoral do petista Jaques Wagner, velho amigo de Lula. Nos seus diálogos privados, o ministro pemedebê resume assim o drama: "Os acordos terão de ser políticos, não na base da amizade. Até porque o pemedebista mais amigo de Lula jamais será tão amigo quanto o menos amigo do PT". Daí a intenção do PMDB de arrancar de Lula um rol de compromissos que promova a igualdade de armas entre os aliados de conveniência e os amigos históricos. Gaspari: "Para Lula, greve de fome sempre foi teatro" Num dos textos que recheiam sua coluna deste domingo (14), Elio Gaspari reforça o caráter pantomímico do lero-lero de Lula sobre os cubanos que "se deixam morrer" de greve de fome. Na semana passada, Lula comparou os dissidentes de Cuba à bandidagem comum enjaulada em São Paulo. Numa das passagens de seu texto, o repórter conta que, no caso dos sequestradores de Abílio Diniz, Lula ficou do lado dos bandidos. Vai abaixo o texto, encontrável também na Folha: "Nosso Guia, ou Grande Mestre, como diz a comissária Rousseff, comparou as razões dos dissidentes cubanos que fazem greve de fome às dos delinquentes das prisões nacionais. O aspecto autoritário, intolerante e até mesmo servil da fala de Lula já foi universalmente exposto, mas resta um detalhe: a natureza farsesca de seu próprio recurso à greve de fome. Em 1980, quando penou 31 dias de cadeia que ajudaram-no a embolsar pelo Bolsa Ditadura um capital capaz de gerar mais de R$ 1 milhão, Lula fez quatro dias de greve de fome. Apanhado escondendo guloseimas, reclamou: 'Como esse cara é xiita! O que é que tem guardarmos duas balinhas, companheiro?' Em 1998, quando os sequestradores do empresário Abilio Diniz fizeram greve de fome na cadeia, Lula ligou para o presidente Fernando Henrique Cardoso e intercedeu por eles: 'Olha, Fernando, você vai levar para a tua biografia a morte desses caras'. (Dar o mesmo telefonema para Raúl Castro, nem pensar.) Nesse mesmo ano, quando Lula sentiu-se massacrado pelas denúncias de intimidades imobiliárias com o empresário Roberto Teixeira, saiu em busca de apoios e disse que cogitava fazer uma greve de fome. Não fez, e tanto ele como Teixeira alimentam-se bem até hoje. Recordar é viver. Em plena ditadura, o presidente Ernesto Geisel foi confrontado por uma greve de fome de 33 presos políticos da Ilha Grande que reivindicavam transferência para o continente. Quando o jejum estava no 14º dia, Geisel capitulou: 'Ceder a uma greve de fome é duro, mas eu prefiro ceder'." Pesquisa anota empate, com Dilma à frente de Serra O repórter Lauro Jardim levou à coluna Radar uma trinca de notas cujo teor pode trincar o já combalido ânimo da oposição. Confira abaixo: - Na frente? 1: De acordo com informações já do conhecimento do partido, o PSDB saiu-se mal em uma pesquisa nacional de intenção de voto a ser divulgada na quarta-feira. Ela mostra um empate técnico de José Serra e Dilma Rousseff, mas com a petista 1 ponto porcentual à frente. A pesquisa foi feita entre 5 e 10 de março com 2 002 pessoas em 142 municípios. - Na frente? 2: Outra pesquisa, desta vez encomendada pelo PT, foi levada ao Planalto na sexta-feira. Deu pela primeira vez Dilma Rousseff 3 pontos à frente de José Serra. - O rei dos palanques está aflito: Aos mais próximos, Lula tem reclamado da (falta de) desenvoltura de Dilma Rousseff nos palanques. Avalia que os seus discursos são longos e sem emoção. Presidente do tucanato, Sérgio Guerra levou ao seu microblog um comentário: "O PSDB desconhece qualquer resultado antecipado de pesquisas", escreveu. "Nossos monitoramentos indicam que José Serra continua liderando essa corrida". A sondagem que está prestes a vir à luz foi feita pelo Ibope. Resta agora aguardar pela quarta-feira. O último levantamento, feito pelo Datafolha, acomodara Dilma nos calcanhares de Serra –quatro pontos percentuais a separavam do tucano. A eventual ultrapassagem, ainda que em quadro de empate técnico, converterá a apreensão dos oposicionistas em pânico. Vaccari afirma que notícia contra ele é ataque ao PT João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, disse que "não é verdadeiro" o teor do depoimento de Lucio Bolanha Funaro ao Ministério Público. Funaro depôs à Procuradoria da República, em 2005, na condição de réu-colaborador do inquérito que apurou o mensalão. Disse que Vaccari, à época na Bancoop, intermediava negócios nos fundos de pensão de estatais. Cobrava, segundo o delator, propinas que variavam entre 6% e 15%. Dinheiro que seria carreado às arcas clandestinas do PT. Levada às páginas de Veja, a notícia levou Vaccari a divulgar uma nota. "A Veja desta semana dá continuidade à estratégia de me usar para atingir o PT", escreve o tesoureiro. As novas acusações, sustenta Vaccari, "se baseiam exclusivamente em depoimento cujo conteúdo não é verdadeiro". Segundo ele, "o Ministério Público Federal [...] não considerou as acusações minimamente consistentes". "Passados cinco anos, nunca fui chamado para prestar esclarecimentos [...]. Nem mesmo fui informado da existência ou do teor desse depoimento..." "...O Ministério Público não propôs ação contra mim. Nenhuma denúncia foi apresentada". Para o tesoureiro do PT, a notícia da revista é mais um ataque ao PT. Visa, segundo ele, "influenciar o processo eleitoral". Vaccari não incluiu na nota referências aos cheques da Bancoop estampados nas páginas da revista. Sobre o caso da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo limitou-se a dizer que a denúncia baseou-se em "investigação que teve providências [...] rejeitadas pela Justiça". Uma referência à decisão judicial que indeferiu o pedido de bloqueio das contas da Bancoop, feito pelo promotor José Carlos Blat, de São Paulo. A mesma decisão condicionou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Vaccari à apresentação de elementos que o justifiquem. As manchetes deste domingo - Globo: Vinte anos depois, perdas do Plano Collor somam R$ 50 bi - Folha: Empreiteiras criam esquema paralelo para repartir licitações - Estadão: Serra vai se lançar candidato defendendo "Estado ativo" - JB: Brasil x EUA: a retaliação que ninguém quer - Correio: Os efeitos da Pandora na sucessão ao GDF - Veja: 12% - A conexão Bancoop/mensalão - Época: Os bilhões de Eike - IstoÉ: Exclusivo - Tudo sobre o julgamento dos Nardoni - IstoÉ Dinheiro: Exclusivo - Carlos Ghosn, presidente mundial da Renault Nissan - CartaCapital: Um mundo de medos Caixa oculto do G-4 somou R$ 184 milhões em 2008 Nas eleições municipais de 2008, os quatro maiores partidos políticos do país amealharam R$ 184,7 milhões em doações ocultas. O PT frequenta o topo do ranking. O PSDB vem em segundo, seguido de perto pelo DEM. Na lanterna, o PMDB. Eis os montantes amealhados pelo G-4, o grupo dos quatro grandes: PT: R$ 74,1 milhões. PSDB: R$ 42,9 milhões. DEM: R$ 41,4 milhões. PMDB: R$ 26,3 milhões. Prevista em lei, a doação oculta não se confunde com o caixa dois. É um tipo de contribuição eleitoral que premia as empresas com o anonimato. Funciona assim: em vez de doar verbas aos comitês eleitorais, as empresas doam aos partidos, que se encarregam de repassar o dinheiro aos candidatos. Na hora de prestar contas à Justiça Eleitoral, os candidatos informam ter recebido as doações dos respectivos partidos. E as logomarcas dos doadores ficam à sombra. Na eleição de 2010, que movimentará volume bem maior de dinheiro, o TSE quer acabar com a brincadeira. Baixou resolução que inibe o esconde-esconde. Pelas novas regras do Tribunal Superior Eleitoral, o partido continua autorizado a receber doações de campanha, como prevê a lei. Porém... Porém, o dinheiro não poderá mais ser levado ao caixa partidário. Terá de ser depositado em conta bancária aberta exclusivamente para a eleição. A identificação da empresa passa a ser obrigatória tanto no caso dos repasses feitos a partidos como nas doações carreadas diretamente aos candidatos. A investida do TSE produziu uma união partidária instantânea. Coisa rara na política. O G-4 analisa a melhor forma de recorrer contra a luminosidade. Ouça-se, por oportuno, o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Ele falou à Agência Globo: "A partir do momento em que você abre uma conta para as eleições, e o depósito é feito, o dinheiro passa a ser do partido. Como vai saber se ele veio deste ou daquele doador?" Para Dutra, as regras do TSE são um convite ao caixa dois: "Qualquer tipo de inibição à doação legal pode acabar nisso. De boas intenções, o inferno está cheio". Vice-presidente do DEM, o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), acha que os prejuízos serão maiores para os partidos de oposição. Por quê? ACM Neto diz que parte do empresariado opta pela doação oculta para fugir à retaliação das legendas aboletadas na máquina estatal. O deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB, enxerga no movimento do TSE uma interferência descabida na autonomia das legendas: "Os partidos têm estratégias internas de fortalecer as campanhas de um Estado, grupo ou candidato. Agora, perdem autonomia sobre os recursos". O tucanato encomendou um estudo sobre o impacto das regras baixadas pelo TSE. A coisa fica pronta na próxima terça. A reação suprapartidária é um indicativo do acerto do TSE. Doação oculta é algo incompatível com a era da informação. Tomados pelo gogó, todos os políticos desfraldam a bandeira da transparência. Porém... Porém, quando estão em jogo os seus interesses financeiros, preferem a limpidez do cristal Cica. Um acinte. Vai à berlinda o patrimônio de candidato do PT no DF Chama-se Agnelo Queiroz o candidato do PT ao governo do Distrito Federal. Apresenta-se ao eleitor como uma "alternativa ética". Notícia levada às páginas de Época pelos repórteres Andrei Meirelles e Marcelo Rocha indica que Agnelo terá dificuldades para sustentar a plataforma. No primeiro mandato de Lula, Agnelo respondera pelo Ministério dos Esportes. Hoje, é diretor da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária). Em 2006, ano em que concorreu ao Senado, Agnelo levou à Justiça Eleitoral uma declaração de bens relativamente modesta. Somado, seu patrimônio alçava à casa dos R$ 224,3 mil. Incluía R$ 45 mil depositados em quatro bancos e um apartamento avaliado em R$ 78 mil. Menos de quatro meses depois, informa a revista, Agnelo deu uma entrada de R$ 150 mil para a compra de uma casa. Imóvel de 500 m², assentado numa área chique da Capital, o Setor de Mansões Dom Bosco. Ouvido, Agnelo disse ter quitado o imóvel em cinco prestações mensais. A escritura anota R$ 400 mil. Não fez empréstimo. Tampouco se desfez de nenhuma propriedade. De onde veio o numerário? "Usei o dinheiro de minhas economias e as de minha mulher", explicou-se Agnelo. Ele exibiu aos repórteres as declarações de Imposto de Renda de 2006 e 2007. As dele e as de sua mulher. Mostrou extratos bancários. Manusenado o papelório, os repórteres constataram que Agnelo não dispunha de recursos para custear nem a metade do valor declarado da nova casa. Para complicar, informa a revista, Agnelo adquiriu no mesmo período um par de apartamentos financiados e um automóvel. Há mais: Agnelo submeteu a casa nova a uma reforma. "Estava muito depreciada", declarou. Há pior: na reforma, o imóvel foi dotado de quadra de tênis, campo de futebol e lago artificial. Facilidades acomodadas em área pública, contígua à mansão. Encontradiça nas áreas nobres de Brasília, a prática é ilegal. O próprio Agnelo admitiu o malfeito: "Reconheço que foi uma ilegalidade. Para que isso não servisse à exploração política na campanha, mandei desmontar a quadra há mais ou menos um ano..." "...Não posso pagar por um erro que já corrigi." Nesta sexta (12), antes que a notícia fosse ao prelo, Agnelo retificou-se. A coisa só foi desmontada em 2010. Agnelo disse que preferia discorrer sobre planos de governo a ter de falar sobre negócios privados. Foi submetido, então, a uma questão programática: se eleito, como agiria diante de invasões de áreas públicas urbanas? "Não tenho uma opinião formada sobre isso", escorregou. "Afinal, eu não tenho obrigação de ter opinião sobre todas as coisas". Agnelo trava uma disputa interna no PT com o deputado federal Geraldo Magela, que também deseja concorrer à cadeira de governador. O PT local agendou para 21 de março uma prévia. A queda-de-braço leva Agnelo a suspeitar de que está sendo alvo de "fogo amigo". Afora o embaraço patrimonial, Agnelo flerta com um dissabor político. O petismo o encosta na parede por conta de um encontro inusitado. Avistou-se, no primeiro semestre de 2009, com Durval Barbosa, delator do panetonegate, o escândalo que levou José Roberto Arruda para a cadeia. Durval mostrou a Agnelo, em primeira mão, os vídeos em que Arruda e Cia. aparecem apalpando maços de dinheiro. Em vez de levar os lábios ao trombone, Agnelo silenciou. Por quê? "Fiquei calado para não politizar o assunto nem prejudicar uma possível investigação sobre esse esquema de corrupção", ele justifica. Assediado por insinuações de que teria negociado com Durval compensações a uma eventual denúncia contra Arruda, Agnelo nega: "Isso é invencionice. Sei que minha conversa com o Durval foi filmada. Gostaria que ela fosse divulgada. Se eu tivesse qualquer temor, não seria candidato". E quanto à notícia de que teria se encontrado, numa fazenda, em outubro de 2008, com Joaquim Roriz, o arquival do PT em Brasília? "Isso é delírio, nunca estive na fazenda de Roriz", respondeu Agnelo na noite de quinta (11). No dia seguinte, a assessoria do candidato procurou a revista para desdizê-lo. Agnelo estivera, de fato, na fazenda de Roriz. Informou-se que conversaram sobre as eleições no DF. Como se vê, a "alternativa ética" do PT manteve contatos com personagens que simbolizam o que há de mais aético na capital da República. As manchetes deste sábado - Globo: Governo propõe mudanças três anos após caos aéreo - Folha: Lula admite que Jefferson o alertou sobre mensalão - Estadão: Lula inaugura obra inacabada e suspeita - JB: União pelo Rio - Correio: Freio na gastança para a festa dos 50 anos Delator liga Vaccari ao caixa do mensalão, diz revista O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi alçado, pela segunda semana consecutiva, à condição de personagem de capa da revista Veja. A nova reportagem, assinada pelos repórteres Alexandre Oltramari e Diego Escosteguy, apresenta Vaccari como "elo perdido" do escândalo do mensalão. Informa-se que, em parceria com Delúbio Soares, o tesoureiro petista do mensalão, Vaccari intermediou negócios nos fundos de pensão de estatais. Franqueva o acesso às arcas dos fundos em troca de propinas. Variavam entre 6% e 15%, dependendo da natureza e do valor das transações. O "pedágio", anota a reportagem de Veja, era carreado para o caixa clandestino usado pelo PT para destinar verbas de má a legendas governistas. A notícia se baseia em depoimentos sigilosos prestados ao Ministério Público Federal por um "réu colaborador" do inquérito do mensalão. Chama-se Lúcio Bolonha Funaro (na foto). É corretor do mercado financeiro. Aderiu ao programa de delação premiada em agosto de 2005. Na época, Funaro era investigado por remessas ilegais de US$ 2 milhões para o exterior. Topou colaborar com a Justiça em troca de redução da pena. Vai abaixo um resumo do conteúdo da notícia: 1. Entre 2003 e 2004, época em que o mensalão rodava longe das manchetes, Vaccari recolhia propina junto a interessados em fazer negócios com fundos de pensão das estatais no mercado financeiro. 2. Vaccari operava em cinco fundos: Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica), Nucleos (Nuclebrás), Petros (Petrobras) e Eletros (Eletrobrás). Segundo os depoimentos de Funaro, ele a propina cobrada por ele variava entre 6% e 15%. Nos negócios com CDBs, que interessavam ao corretor, o pedágio era de 12%. 3. A propina, anota a revista, era borrifada no caixa clandestino do PT, usado para financiar as campanhas do partido e subornar parlamentares "aliados". Vaccari movia-se em parceria com o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, a quem chamava de "professor". Por trás de ambos, escreve a Veja, estava o então chefe da Casa Civil de Lula, José Dirceu. 4. O corretor Funaro começou a abrir o bico em narrativas feitas diante de procuradores da República lotados no Paraná, onde corria a investigação das remessas ilegais que fizera ao exterior. Espremido, Funaro se dispôs, em agosto de 2005, a contar o que sabia. Depois disso, prestou quatro depoimentos sigilosos à Procuradoria-Geral da República, em Brasília. 5. Contou que se achegou à engrenagem clandestina do PT levado pelo deputado cassado Valdemar Costa Neto (PR-SP), um dos réus do mensalão. Num dos depoimentos, Funaro relatou que, na campanha eleitoral de 2002, emprestara R$ 3 milhões a Valdemar, tornando-se credor de favores do deputado. 6. Valdemar, disse o corretor ao Ministério Público, foi cobrar os favores do PT, partido ao qual se associara na sucessão de 2002, na qual Lula prevalecera sobre José Serra. Segundo Funaro, Valdemar foi a Delúbio Soares, que o direcionou para Vaccari. 7. Coube a Funaro contactar Vaccari, à época responsável pelas finanças da Bancoop. Alcançou-o pelo celular. O primeiro encontro do corretor com Vaccari, presenciado por Valdemar, ocorreu na sede da Bancoop, na Rua Libero Badaró, em São Paulo. 8. Na conversa, disse Funaro à Procuradoria, Vaccari contou que lhe cabia intermediar as operações com os fundos, mediante pagamento de um "percentual para o partido [PT]". Vaccari explicou que o PT dividira as operações dos fundos de pensão. Ele operava nos fundos grandes. Dos pequenos cuidava o petista Marcelo Sereno, à época um assessor do Palácio do Planalto. 9. Nos depoimentos, o delator fez menção a um segundo encontro que teria mantido com Vaccari. Trataram de um possível negócio na Funcef. Não deu detalhes, contudo. Tampouco informou se a trasação foi efetivada. 10. O primeiro depoimento de Funaro, aquele ocorrido em agosto de 2005, no Paraná, foi enviado a Brasília em dezembro do mesmo ano. Foi quando o STF, consultado, concordou em admitir o corretor como réu-colaborador do inquérito do mensalão. 11. Segundo Veja, parte das informações repassadas pelo delator foi usada na fundamentação da denúncia em que o então procurador-geral, Antonio Fernando de Sousa, acusou no Supremo os 40 integrantes da "quadrilha" do mensalão. 12. Os depoimentos do corretor teriam sido fundamentais, por exemplo, para destrinchar os negócios de três bancos –BMG, Rural e Santos—com os fundos de pensão geridos por petistas. 13. Quem corre os olhos pela reportagem de Veja sai do texto com uma pergunta irrespondida: por que diabos a Procuradoria não incluiu Vaccari como o 41º réu do mensalão? Não há na reportagem, de resto, manifestação do PT nem de seu tesoureiro. 14. A revista traz ainda novos detalhes sobre o caso que noticiara na semana passada. Estampa cópias de três cheques do episódio Bancoop. Durante a semana, falando ao Estadão, Vaccari dissera que os R$ 31 milhões sacados na boca do caixa pela Bancoop, que ele presidia, teriam sido "movimentações interbancárias". 15. Os cheques, obtidos mediante quebra de sigilo bancário da cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo, indicam coisa diferente: o dinheiro foi mesmo sacado na boca do caixa. 16. Um dos cheques, de R$ 50 mil, é nominal à própria Bancoop. Traz no verso a palavra "saque" e o código SQ21, que indica a retirada no caixa. Outro, de R$ 130 mil, é nominal à empresa Caso Sistemas de Segurança, do "aloprado" Freud Godoy. O terceiro cheque, de R$ 60 mil, não é da Banccop. Emitiu-o a Germany, uma empresa de ex-dirigentes da Bancoop, que tinha a cooperativa como cliente único. É nominal ao "Comitê Financeiro do Partido dos Trabalhadores. Confira abaixo: Tesouraria! Via Correio Popular. Justiça aceita denúncia contra Kassab: "improbidade" Gilberto Kassab (DEM) voltou à grelha. Denúncia apresentada contra ele por uma promotora de São Paulo foi aceita pela Justiça. O prefeito "demo" da capital paulista é acusado de improbidade administrativa. Por quê? Deixou de pagar "precatórios", como são chamadas as dívidas nascidas em processos judiciais. Os débitos referem-se ao ano de 2006. Coisa de R$ 240,7 milhões. A cifra chegou a ser incluída no orçamento do município. Porém... Porém, a promotora Andréa Chiaratti Pinto sustenta que apenas uma parte dos débitos foi liquidada (49,45%). Por isso, ela foi à Justiça contra o prefeito. "O orçamento destinado ao pagamento dos precatórios alimentares teve seu crédito transferido para uma finalidade diversa", anota a promotora na ação. Uma eventual condenação sujeitaria Kassab à perda do mandato de prefeito, entre outras punições. Juiz nega pedido de "bloqueio" de contas da Bancoop O juiz Carlos Eduardo Lora Franco indeferiu o pedido de bloqueio das contas da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). O requerimento havia sido formulado há uma semana pelo promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo. Blat pedira também a quebra dos sigilos bancário e fiscal de João Vaccari Neto, ex-presidente da Bancoop, hoje tesoureiro do PT. Quanto a esse tópico, o juiz adiou sua deliberação. Achou que não havia embasamento técnico no pedido. Requereu dados adicionais ao promotor. No seu despacho, o juiz anota que não se pode desconsiderar o fato de o caso Banccop, Vaccari incluído, ter retornado à cena a sete meses da eleição. Um contexto que, segundo o magistrado, "apenas reforça ainda mais a necessidade de cautela e rigor no exame dos requerimentos formulados..." "...Justamente para que tal atmosfera política não venha a contaminar a presente investigação ou, noutro sentido, que esta não venha a ser utilizada por terceiros para manipulação da opinião pública por propósitos políticos". - Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do despacho do juiz Carlos Eduardo Lora Franco. No Paraná, Requião diz já estar "acertado" com Dilma Nesta sexta (12), Lula foi ao Paraná. Com Dilma Rousseff a tiracolo, entregou a primeira etapa das obras da Repar (Refinaria Getúlio Vargas). O TCU detectara superfaturamento na obra. Recomendara a suspensão do repasse de verbas. O Congresso referendara a decisão. Mas Lula dá de ombros. Presente à cerimônia, o governador Roberto Requião, pseudocandidato do PMDB à presidência da República, surpreendeu. Em discurso, Requião evocou a frase de um amigo para dizer algo que foi entendido como uma declaração de apoio a Dilma: "Nóis tá tudo acertado, nóis se finge de leitão pra poder mamar deitado". Ao mirar as tetas do eventual futuro governo Dilma, Requião deitou uma candidatura própria que, antes, dizia estar em pé. Pronunciara ataques à direção nacional do PMDB, simulando contrariedade com o acerto que fará do grão-pemedebê Michel Temer o vice de Dilma. Criticara asperamente o PT do Paraná, forçando o partido de Lula a romper com ele e a entregar os cargos que mantinha no governo paranaense. Em privado, alvejara Lula e Dilma que, no Paraná, se encaminham para um acerto com o desafeto Osmar Dias, candidato ao governo do Estado pelo PDT. Numa única frase, Requião converteu Requião em pantomima. No lugar do presidenciável, surgiu um simulacro de leitão, que prefere mamar deitado a brigar em pé. Ao achegar-se ao microfone, Requião ouviu um ensaio de vaias. A platéia, constituída de funcionários da Petrobras, tomava-o por traidor. O governador reagiu. Declarou-se um quadro de "esquerda". Um defensor da "empresa nacional". Incapaz de permitir que retrocedam os avanços obtidos sob Lula. "A última coisa que eu esperaria na minha vida era esse tipo de comportamento em uma assembléia de trabalhadores de uma empresa nacional", disse Requião. A frase do leitão como que pacificou a platéia. Antes, numa entrevista a um diário local, Lula falara da dificuldade de "juntar no mesmo barco todo mundo que a gente respeita e admira". Estava enganado. A despeito da retórica ciclotímica, Requião já está com os dois pés no transatlântico partidário que conduz a candidatura de Dilma. Lula aproveitou a solenidade para festejar, uma vez mais, o êxito de seu governo no combate à crise. Disse que o brasileiro nem sentiu os efeitos da turbulência global (assista abaixo). Glauco ao repórter: "Desenho torto por linhas certas" Fã de Glauco, o signatário do blog tinha a mania de reproduzir-lhe as charges neste recanto da web. Num certo dia de 2007, Glauco tocou o telefone para o repórter. Queria agradecer. Ouviu agradecimentos. Foi um telefonema raro. O primeiro. Em verdade, o único. A certa altura, o repórter perguntou a Glauco de onde lhe vinha tanta inspiração. E ele, entre risos: "Deus escreve certo por linhas tortas. Eu faço o contrário: desenho torto por linhas certas". Pois bem, Glauco morreu. Foi assassinado. Coisa bárbara, ainda pendente de explicação. A polícia caça o responsável. O enterrro será neste sábado. Não se sabe o que há no céu. Mas é certo que, se não tiver lápis e papel, Deus vai mandar buscar. Não vê a hora de tomar lições com Glauco. O Todo-poderoso está doidinho para aprender a rabiscar torto por linhas certas. Na TV de Lula, enlatado daria lugar a frevo e carimbó Lula compareceu na noite passada à 2ª Conferência Nacional de Cultura. Coisa destinada a prover sugestões de alteração na política cultural do governo. Em discurso, Lula atacou a mídia, comparou Avatar ao filme que leva seu nome, bateu na oposição e fez uma piada de péssimo gosto sobre terremotos. O presidente revelou aos presentes detalhes da televisão dos seus sonhos. Em vez de filmes "enlatados", atrações regionais. Entre elas, o frevo pernambucano, o carimbó paraense e os humoristas cearenses. "Imagina se a TV brasileira mostrasse a dança do carimbó. Imagina se o frevo fosse uma coisa que o brasileiro conhecesse mais fortemente. Imagina uma quantidade de artistas cearenses contando piadas das desgraças do presidente. O que nós sonhamos, o que nos queremos é isso..." "...Ao mesmo tempo que a gente quer alargar a participação da sociedade numa comunicação globalizada, a gente quer regionalizar, para despertar a cultura local". Submetida à programação idealizada por Lula, a platéia, aparentemente mais interessada nas novelas e no BBB, talvez se animasse a pegar em armas. Dirigindo-se a uma platéia amigável a mais não poder, Lula disse: "Vocês que participam dessas conferências não têm dimensão da contribuição inestimátivel..." Espantado com a própria versatilidade vernacular, Lula brincou consigo mesmo: "Gostaram do inestimável? Quando ganhei as eleições, eu falava menas laranja. Agora, tô falando inestimável. A evolução é difícil". Foi ovacionado. Lula criticou a profusão de "enlatados" levados ao ar pelas TVs por assinatura. "Às vezes, um mesmo filme passa 80 vezes". Entre risos, comentou: "Não entendo uma palavra em inglês, mas já decorei vários [filmes]. Já aprendi aquela tal de leitura labial..." "...Tem filme que passa 90 vezes, você já não aguenta mais. Os artistas viram íntimos da gente. Eu ligo a televisão e o cara já fala: "Oi, Lula". A Marisa já acha que é parente dela". É nisso que Lula deseja "mexer". Coisa difícil, ele reconhece: "A gente mexe com interesses de pessoas que não estavam acostumadas a ver o povo sonhar". Antes, o presidente criticara, sem mencionar as logomarcas, as grandes redes de TV. Dissera que o ministro Franklin Martins (Comunicação Social), um ex-funcionário da TV Globo, resolvera diminuir os gastos oficiais com publicidade. Passara a pagar, segundo Lula, "apenas a mídia técnica". As emissoras começaram a ser remuneradas "pelo que valem, não pelo que acham que valem". Houve incredulidade, disse Lula. "As pessoas não acham normal. Aliás, eles [os donos de TVs] não estavam acostumados a ter um presidente que não precisa almoçar com eles, jantar com eles e tomar café com eles para governar esse país". Apalusos efusivos. Para Lula, os meios eletrônicos de comunicação do Brasil servem uma "cultura passiva" à platéia. "A gente não ajuda a criar", queixou-se. "O que nós queremos é que a sociedade ajude a criar as coisas nesse país, porque será mais bonito, será mais rico". Nesse ponto, passou a enumerar as cidades interioranas que, segundo acredita, apreciariam uma programação televisiva regionalizada. Ao mencionar a sua Caetés, fez piada de gosto duvidoso com matéria-prima dolorosa: os terremotos. "Pernambuco está tão chique que, em Caruaru, teve um terremotozinho. Vocês viram nos jornais? Não é mole Pernambuco!" Risos. Gargalhadas. Antes, o presidente já havia feito graça com o cinema. Comparou "Avatar", um sucesso planetário, a "Lula, o filho do Brasil", um fiasco nacional. Disse que Avatar "custou US$ 400 milhões [em verdade foram mais de US$ 500 milhões]. Você imagina que os artistas, nas reuniões, deviam comer caviar, champanhe da melhor qualidade..." "...O coitado do [Fábio] Barreto, para fazer um filme aí, "Lula, o filho do Brasil [orçamento de R$ 10 milhões], teve de colocar no começo quase que um pedido de desculpas..." "...Pelo amor de Deus, não teve empresa pública que deu dinheiro. Foi essa daqui que deu. Porque a pressão foi de tamanha ordem que a gente tinha que ficar se explicando antes de fazer. O Brasil é assim". Decerto queria que as estatais tivessem borrifado verbas no novelão propagandístico sobre sua vida. Por sorte, o Brasil ainda não é assim. Lula injetou no discurso uma ironia endereçada à oposição. Num dia em que o IBGE informou que o PIB de 2009 foi negativo em 0,2%, elogiou o seu próprio desempenho na crise: "Deus escreve certo por linhas tortas. Aconteceu uma crise internacional. Era o que faltava para que os meus opositores disssessem: 'acabou a sorte do Lula. Agora ele vai se enterrar'..." "...E nos provamos pra eles, que, pra lidar com a crise, nós não queríamos sorte. Tínhamos acumulado competência e compromisso nesse país". O presidente recomendou à audiência que comece a "prestar atenção ao noticiário". Por quê? "Política e eleição também é cultura". "Leiam editorias de jornal, que a gente pensa que só dono lê. De vez em quando é bom ler, pra gente ver o comportamento de alguns falsos democratas. Dizem que são democratras, mas agem como se o editorial deles fosse a única voz pensante no mundo". Mais aplausos. Como se vê, a popularidade subiu, definitivamente, à cabeça de Sua Excelência. Aécio imita Lula e já inaugura até pedra fundamental. O governador tucano de Minas, Aécio Neves, adotou uma prática que, sob Lula, a oposição especializou-se em criticar: a "inauguração" de pedras fundamentais. Aécio mimetizou Lula no município mineiro de Divinópolis. "Inaugurou" ali a pedra fundamental de um hospital público. O hospital vai custar R$ 36 milhões às arcas estaduais. Aécio liberou R$ 8,9 milhões desse total. A a obra é coisa por fazer. Só será concluída na próxima gestão. Mas Aécio, em franca campanha, cuidou de contabilizar antecipadamente o feito: "O Hospital Regional, uma demanda, uma necessidade, uma carência quase que histórica dessa cidade, começa agora a ser implementado". Nas palavras do governador, as futuras instalações chegaram mesmo a ganhar forma: "Um hospital todo equipado é o que pretendemos oferecer à população de Divinópolis". Candidato declarado ao Senado, Aécio levava a tiracolo o vice-governador Antonio Anastasia. Vem a ser uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Um tucano que Aécio tenta eleger seu sucessor. Ainda em Divinópolis, Aécio e Anastasia "entregaram" um aeroporto. Foi reformado, ao custo de R$ 11 milhões. Para Aécio, tratou-se de uma "inauguração". De acordo com o texto levado ao portal do governo mineiro, realizou-se uma "reinauguração". Governador e vice deixaram em Divinópolis um rastro de verbas: R$ 6 milhões para pavimentação de vias públicas... ...R$ 840 mil para a construção de um par de postos de saúde, R$ 730 mil para a um terminal de passageiros do aeroporto local. Antes de retornar a Belo Horizonte, Aécio concedeu uma entrevista. Perguntaram-lhe sobre a articulação de prefeitos mineiros em favor do voto "Dilmasia" –Dilma para presidente e Anastasia para governador. E ele: "Acho uma bobagem. Acho que aqueles que estiveram conosco, vão estar empenhados também na eleição do nosso partido, na eleição do governador José Serra..." "...Esse é o nosso compromisso e vou trabalhar no limite das minhas forças para que ele tenha um ótimo resultado em Minas Gerais". Quase candidato, Serra se autoelogia e deprecia Lula. Devagarinho, José Serra, o "quase-talvez-provável-futuro" presidenciável da oposição, vai injetando em seu discurso um timbre de campanha. A escalada verbal ficou visível nesta quinta (11), numa passagem de Serra pela cidade litorânea de Santos. O governador discursou para políticos e empresários num seminário organizado pela Associação Comercial de Santos. A certa altura, disse que sua gestão implementa em São Paulo o maior projeto de saneamento do país. Chama-se Onda Limpa. Está orçado em R$ 1,4 bilhão. Serra falou de petróleo, abundante na costa de São Paulo. Disse que a exploração terá um impacto ambiental muito grande. Numa crítica velada ao discurso "pré-saleiro" de Lula, disse: "Esse impacto, se não for bem abordado, com antecipação, pode vir a ser negativo". Como que decidido a mostrar que dispõe de matéria-prima para rivalizar com o PAC da rival Dilma Rousseff, Serra discorreu sobre investimentos do seu governo. Privilegiou iniciativas adotadas em setores análogos aos que recebem as verbas federais do PAC. Além do projeto de saneamento, citou a construção de três estaleiros, um parque tecnológico, o veículo leve sobre trilhos e a ponte entre Santos e Guarujá. Essa ponte, ainda pendente de licitação, fora objeto de uma ironia de Lula. Serra estivera em Santos, 48 horas antes, para apresentar a maquete da obra. E Lula, num pa©mício realizado na mesma cidade, comentara: "Tem gente inaugurando até maquete". Serra, que na véspera mandara a assessoria dizer que o comentário não o incomodara, animou-se a responder: "O importante é obra com começo, meio e fim, e estruturada", disse, numa referência indireta aos atrasos que infelicitam o cronograma das obras do PAC. O quase-candidato criticou outra iniciativa da gestão Lula: a revitalização do porto de Santos. Disse que São Paulo foi alijado do projeto: "Todos sabem que, no início do governo, eu propus ao governo federal que o Estado administrasse o porto. Acho que teria sido, sem dúvida, a melhor opção..." "...Não estamos pegando no pé por causa do atraso da dragagem, que só agora está começando, mas enfim há muitas questões que ficam dando volta". Serra também injetou no discurso as iniciativas do seu governo no setor de transportes, outra área encontradiça nas planilhas do PAC. De resto, citou o que considera ser uma das vitrines de sua administração: a abertura de escolas técnicas. Algo de que Lula também gosta de se jactar. Como que decidido a vingar-se do chiste da maquete, Serra alfinetou Lula "Nunca Antes" da Silva: "Se eu fosse usar imagens como outros usam, eu diria que fizemos tantas [escolas técnicas] quantas desde o Descobrimento". O governador concedeu uma entrevista. Interrompeu a conversa quando inquirido sobre a provocação de Lula acerca da "inauguração" da maquete. Sobre política, disse Serra, "não vou falar em hipóse alguma". Ora, não fizera outra coisa no discurso acabara de pronunciar. Um discurso de "quase-talvez-provável-futuro" candidato à presidência da República. Meirelles diz que pediu, no STF, o acesso a inquérito Elza Henrique Meirelles disse ter recebido com "serenidade" a notícia de que corre contra ele, no STF, um pedido de aberturura de inquérito. Por meio de nota, o presidente do Banco Central informou ter pedido ao Supremo que lhe dê acesso ao processo. Acusado da prática de crimes contra a ordem tributária, Meirelles disse que só soube da encrenca pelos jornais. Deseja ter "ciência" das acusações para, depois, tomar as "medidas jurídicas cabíveis". Recordou que, no passado, já fora "amplamente" investigado. E realçou que todas as acusações foram "arquivadas". De resto, Meirelles anotou que o grosso de sua fortuna foi amealhado na época em que trabalhava no exterior, como banqueiro. Antes de retornar ao Brasil, foi funcionário do FleetBoston, nos EUA. Chegou a presidir a casa bancária. Seu patrimônio, Meirelles anotou, resulta de "árduo trabalho". Escreveu que "todos os seus rendimentos e bens" foram "declarados aos órgãos competentes". O inquérito contra Meirelles foi pedido pela Justiça Federal de Brasília, não pelo Ministério Público, como se imaginara na véspera. O pedido ingressou no STF em 4 de março. Nesta semana, por sorteio, o ministro Joaquim Barbosa foi designado relator do processo. Já endereçou ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, um ofício requerendo a manifestação do Ministério Público. Uma praxe. Gurgel pode recomendar o arquivamento. Ou, se concordar com o teor das acusações, pode advogar o prosseguimento do inquérito. Nessa hipótese, o procurador-geral passaria a atuar no processo como patrono da causa, assumindo o papel de acusador de Meirelles. Como os autos estão recheados de dados bancários e fiscais de Meirelles, o ministro Joaquim determinou que o processo corra em segredo de Justiça. Não há, por ora, nenhuma denúncia formal contra Meirelles. Se o relator entender que o inquérito deve prosseguir, as investigações serão aprofundadas. Só depois, se achar que é o caso, a Procuradoria vai oferecer uma denúncia. Com status de ministro, Meirelles só pode ser julgado no STF. Na eventualidade de a denúncia ser formalizada, o STF terá de decidir se abre ou não uma ação penal contra Meirelles. Se for aberta, o presidente do BC vira réu. Vai-se então, à fase do contraditório. Meirelles terá a oportunidade de apresentar sua defesa. Coisa demorada. Pode se arrastar por anos a fio. No momento, Meirelles amadurece a decisão de deixar o BC para tentar a sorte nas urnas de 2010. Tem até o dia 3 de abril para tomar uma decisão. Se deixar o comando do BC, perde automaticamente o direito ao foro privilegiado. Nesse caso, o processo seria devolvido à primeira instância do Judiciário. O risco de ter o seu destino acomodado nas mãos de um juiz de primeiro grau é mais um elemento a ser sopesado por Meirelles. Sonhava com a posição de vice na chapa de Dilma Rousseff. O PMDB fechou essa porta. Meirelles talvez conclua que a disputa por uma cadeira no Senado não vale o risco. As manchetes desta sexta - Globo: Lula teve em 2009 primeiro PIB negativo desde Collor - Folha: Brasil teve o pior PIB em 17 anos - Estadão: PIB cai 0,2% em 2009, mas já cresce como antes da crise - JB: Pré-sal: Cabral: "Foi um linchamento contra o Rio" - Correio: STF afasta distritais da votação do impeachment - Valor: União busca novas fontes de recursos para o BNDES - Estado de Minas: Homossexual que vive com servidor de MG terá pensão - Jornal do Commercio: Sob ameaça, cunhada da alemã chega ao Recife Pa©rinho! Via 'O Tempo'. DEM expulsa suplente de deputado preso em Brasília O suplente de deputado distrital Geraldo Naves foi expulso dos quadros do DEM. Expulsão sumária, sem direito a defesa prévia. Naves foi informado da novidade por um advogado do DEM. A notícia lhe chegou na Penintenciária da Papuda, onde está hospedado. O suplente foi à garra em 11 de setembro, junto com o governador afastado José Roberto Arruda. Teve a prisão decretada pelo STJ, acusado de tomar parte da tentativa de subornar uma testemunha do iquérito do panetonegate. Foi por intermédio de Naves que Arruda enviou um bilhete ao jornalista Edson Sombra. A despeito da expulsão, o suplente ainda pode assumir uma cadeira de deputado na Câmara Legislativa do DF. O titular da vaga, Júnior "Oração da Propina" Brunelli (PSC), renunciou ao mandato para fugir de um processo de cassação. Um parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara brasiliense concluiu que o mandato pertence ao suplente preso. Na semana passada, o ministro Marco Aurélio Mello, do STF, indeferira um pedido de habeas corpus formulado pelos advogados de Naves. A defesa do suplente refez o pedido, endereçando-o ao ministro Fernando Gonçalves, do STJ, autor do decreto de prisão. Antes de decidir, Gonçalves requisitou a manifestação do Ministério Público. A Câmara se dispõe até a manter o suplente sob custódia, em suas dependências. O inusitado da situação resume o ponto de deterioração a que chegou a política brasiliense. O melado escorreu tanto e em quantidade tão volumosa que foi impossível deixar de reagir. Daí a prisão de Arruda e de mais quatro. Daí também a cara feia do DEM. Ameaçara expulsar Arruda, que se desfiliou. Mostrara a foice a Paulo Octávio, que bateu em retirada do partido e da vice-governadoria. Ameaçara levar à bandeja a cabeça do deputado distrital Leonardo "Pé-de-meia" Prudente, que também deixou o partido, a presidência da Câmara e o próprio mandato. Agora, o DEM expurga de seus quadros o suplente Geraldo Naves. Com isso, conserva o direito de bater no peito e alardear que, submetido a um mensalão, fez a limpeza que PT e PSDB se esquivaram de fazer. Dissidente cubano em greve de fome é hospitalizado A ditadura de Cuba está na bica de produzir mais um cadáver. Em greve de fome há 16 dias, Guilhermo Fariñas foi hospitalizado. Jornalista e psicólogo, Fariñas parou de ingerir alimentos depois da morte do preso político Orlando Zapata, que feneceu ao cabo de 85 dias de jejum. A internação desta quinta (11) não foi a primeira. Fariñas, 48 anos, já havia descido ao leito de hospital na semana passada. Dera-se depois de uma crise de hipoglicemia que o deixara inconsciente. Ao voltar para casa, os médicos o avisaram que a coisa poderia se repetir dali a oito dias. Não deu outra. Fariñas voltou ao hospital depois de um desmaio. Reanimado, recobrou a consciência. Fariñas é um grevista reincidente. Em 2006, ele se autoprivara de alimentos em defesa do acesso livre dos cubanos à internet. Agora, fechou a boca para pressionar a ditadura cubana a libertar os cerca de 200 presos de consciência da ilha dos irmãos Raúl e Fidel Castro. Tomado pela aparência, Fariñas está muito próximo de se tornar mais um desses cubanos que, no dizer de Lula, "se deixam morrer de greve de fome". Lula vai ao front para "encerrar" pendências PT-PMDB Lula recebeu nesta quinta (11) uma trinca de grão-pemedebês: Michel Temer, José Sarney e Romero Jucá. Entre outros temas, trataram das encrencas que ainda sacodem o altar onde será celebrado o casamento eleitoreal do PMDB com o PT. O presidente informou que, nos próximos dias, descerá ao front com a disposição de unificar a tropa. Segundo Jucá, líder de Lula no Senado, haverá reuniões semanais. Vão à mesa os acertos pendentes em Minas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará e Ceará. E quanto à escolha do vice? "É matéria vencida", disse Jucá. O vice de Dilma Rousseff será Michel Temer. Henrique Meirelles? Um "ótimo candidato ao governo de Goiás ou ao Senado", afirmou Jucá. Além da promessa de pacificação regional, Lula comprometeu-se a conservar nas sob o domínio do PMDB todos os ministérios controlados pela legenda. Afora o BC, onde dá as cartas o neopemedebê Meirelles, a legenda controla Defesa, Agricultura, Comunicações, Minas e Energia, Integração Nacional e Saúde. Alguns dos titulares deixam as cadeiras em 3 de abril, para tentar a sorte nas urnas. Porém... Porém, "os espaços políticos vão ser mantidos e haverá continuidade do trabalho", Jucá explicou. Enquanto Lula amarra os últimos pontos de seu crochê partidário, José Serra, o quase-talvez-prováve-futuro" candidato da oposição, se mantém no armário. Entre Brics, PIB do Brasil superou apenas o da Rússia "Marolinha" custou ao país R$ 186 bilhões no ano de 2009. O PIB brasileiro encolheu 0,2% no ano da (des)graça de 2009. Foi a primeira retração na economia brasileira desde 1992. O nível de investimento foi o pior dos últimos 14 anos. Tomando-se apenas o setor industrial, o recuo foi de 5,5%. O PIBinho abaixo de zero foi um mal inevitável. Que o governo se esforça para transformar num bem. Lula ficou "satisfeito". O ministro Guido Mantega chamou de "razoável" a taxa de -0,2%. Já cuida do PIB de 2010. Estima que heverá crescimento de 5,7%. 1. PIB de 2009 desce à crônica econômica nacional como o pior resultado em 17 anos, a quinta marca negativa da série série histórica. A última vez que a economia brasileira ficara no vermelho foi em 1992, sob Fernando Collor. Naquele ano, o PIB reacuara 0,54%. 2. A "marolinha" produzida pela crise financeira internacional custou ao Brasil algo como R$ 186 bilhões. É quanto o país teria produzido se não tivessem sido conspurcadas as previsões do PIB de 2009, que rumava para os 6% antes de ser atropelado pela crise. 3. Considerando-se o G-20, o PIB brasileiro foi o sexto melhor do G20 entre os países do grupo. O Brasil foi à foto de 2009 em pose menos constrangedora, por exemplo, que a dos EUA (queda de 2,4%) e do Japão (tombo de 5%). 4. Tomando-se apenas os Brics, porém, o Brasil ficou na penúltima colocação. Superou apenas a Rússia (tombo de 7,9%). Ficou longe da China (crescimento de 8,7%). Não chegou nem perto da Índia (crescimento de 5,6%). 5. Entre mortos e feridos, o Brasil salvou sua posição no ranking das economias mundias. Permanece como a 9ª maior economia do planeta. O Brasil já roça os calcanhares da Grã-Bretanha e da Rússia, os dois países que estão imediatamente à sua frente. 6. E quanto ao futuro? Bem, como na letra do samba, esse ano não vai ser, para a economia brasileira, igual aquele que passou. A economia roda, desde o final do ano passado, em ritmo de retomada. Cresceu 2% no último quadrimestre de 2009. Porém, a taxa de investimento ainda se encontra aquém do desejável. 7. Para que o crescimento fosse consistente, a taxa de investimento teria de ser de 25% do PIB. Hoje, está em 16,7%, a menor taa desde 2006. Para Virene Matesco, economista da FGV Management, a economia brasileira realiza no momento um vôo de galinha: "A galinha não voa porque não tem sustentabilidade. E com a taxa de investimento que o Brasil tem, não há como mudar esse cenário. Sem investimentos, não há como ter um crescimento sustentado". Conclusão: o Brasil não chegou a fazer feio na crise. Nem por isso o mal, necessário e até inevitável, tranformou-se em um bem. Continuamos sendo um país à espera de ser feito. MPF pede ao STF que abra inquérito contra Meirelles Um mistério eletrifica os subterrâneos de Brasília. Envolve o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Descobriu-se que o Ministério Público Federal requisitou ao STF a abertura de um inquérito contra Meirelles. A Procuradoria indiciou o mandachuva do BC pela prática de delitos contra a ordem tributária. Que delitos? Por ora, não se sabe. Daí o suspense. O processo em que Meirelles figura como protagosnista tem 105 folhas. Aportou no Supremo na semana passada. Mas só nesta quarta (10) a notícia veio à luz. Os autos foram à mesa do ministro Joaquim Barbosa, que tratou de acomodar na capa o carimbo de "segredo de Justiça". Ouvida, a assessoria de imprensa de Meirelles disse que, no BC, o inquérito é desconhecido. A encrenca escalou o STF porque Meirelles tem status de ministro de Estado. E os ministros só podem ser processados no Supremo. O bode chega à sala de Meirelles num instante em que ele amadurece a idéia de deixar o cargo para tentar a sorte nas urnas. Neopemedebê, Meirelles sonha com a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff. Um desejo que o PMDB, fechado com o protopemedebê Michel Temer, está disposto a converter em pesadelo. Vingando Temer, como parece provável, restaria a Meirelles a disputa por uma cadeira de senador por Goiás. Tome a trilha que tomar, Meirelles convive agora com um fantasma à Drummond: há uma pedra no meio do caminho. Se Joaquim Barbosa mandar o bode ao arquivo, a pedra vira areia. Do contrário, o ministro autorizará a Procuradoria a dar curso ao inquérito. Nessa hipótese, será aprofundada uma investigação que, bem sucedida, desaguará numa denúncia. Aí haverá no caminho de Meirelles não uma pedra, mas uma avalanche. Depois do "Lulécio", nasce em Minas o voto "Dilmasia" Nas eleições de 2006, um grupo de prefeitos mineiros recomendou aos eleitores de seus municípios a adoção do voto "Lulécio". Para a Presidência, a reeleição do petista Lula. Para o governo de Minas, a recondução do tucano Aécio Neves. Para o pleito de 2010, o mesmo grupo de gestores municipais trama a reedição do fenômeno, agora rebatizado de voto "Dilmasia". Para o lugar de Lula, a preferida do presidente, Dilma Rousseff. Para a cadeira de Aécio, o apadrinhado do governador, Antonio Anastasia. Deve-se à repórter Patrícia Aranha a detecção da mistura eleitoral que começa a ferver no caldeirão de Minas. A sugestão de acidez estomacal que emerge do novo vocábulo não é gratuita. O candidato à azia é o grão-tucano José Serra. "Não temos que engolir o Serra", diz José Antonio Prates (PTB), prefeito do município mineiro de Salinas, famoso pela boa cachaça que produz. "Com a indisposição causada pela candidatura do Serra, a Dilmasia vai ser maior ainda", José Antonio ironiza. Em 2006, o prefeito era filiado ao PT. Foi expulso da legenda justamente por ter comandado o lançamento do voto Lulécio. Hoje, José Antonio sente-se à vontade para inaugurar a onda "Dilmasia". É um "apelo das bases", justifica. Segundo ele, o eleitor mineiro estaria frustrado por ter sido privado da oportunidade de votar em Aécio para presidente da República. Antevê problemas para o preferido do tucanato: "O Serra vai levar uma surra em Minas, que vai decidir novamente a eleição presidencial". O prefeito rememora 2006. Lembra que, em 27 de março daquele ano, 19 prefeitos do PT foram ao Palácio das Mangabeiras, a residência oficial do governador. Entregaram a Aécio Neves um manifesto de apoio à reeleição dele. Depois, o movimento disseminou-se, contagiando políticos de outras legendas. José Antonio estima que, em 2010, vários prefeitos do PT vão surfar na onda "Dilmasia". Além deles, gente do PDT, PV, PSB, PTB e PP. São legendas que, em Brasília, gravitam em torno do governo Lula. E, em Minas, orbitam ao redor da gestão Aécio. Por que tamanha adesão? José Antonio alega que os prefeitos foram muito bem tratados tanto por Lula quanto por Aécio. "Dilmasia", diz ele, é mero chiste. Dá-se, na prática, uma ressureição do "Lulécio". O grupo deseja, a propósito, trabalhar também pela candidatura de Aécio ao Senado. "O movimento já está articulado", diz o prefeito. "Tende a crescer. Só estamos esperando a oficialização das candidaturas". Em 2006, o movimento pelo voto misto rendeu a Aécio a pecha de traidor. Dizia-se que fazia corpo mole, evitando suar a camisa por Geraldo Alckmin, o Serra de então. Lula divertia-se com o Lulécio. Guindado pelas urnas ao segundo turno, o tucano Alckmin teve, em Minas, menos votos do que amealhara no primeiro round. Excluído da disputa presidencial de 2010, Aécio jura que vai arregaçar as mangas por Serra. Mas sempre se poderá alegar que a "Dilmasia" é moléstia sem remédio. Como recusar o agrado de prefeitos que, simpáticos a Dilma, se dispõem a pedir votos também para Anastasia e, melhor, para o próprio Aécio? Ouça-se mais um pouco de José Antonio, o ex-petista de Salinas, hoje um prefeito abrigado sob o guarda-chuva do PTB: "Sou da tribo dos utopistas, que imaginou um Brasil acima dos projetos individuais..." "...Cheguei a pensar, no ano passado, que Dilma e Aécio pudessem estar juntos numa chapa, já que não defendem um projeto antagônico de nação..." "...Mas como no Brasil só há projetos de poder, PSDB e PT pensam diferente de mim, o que não obriga os prefeitos a se subordinarem a essa lógica". Conhecido pela fama de hipocondríaco, José Serra, o "quase-talvez-provável-futuro" presidenciável do PSDB, talvez tenha de reforçar o estoque de antiácidos. Jarbas se irrita com Serra e desiste de reunião em SP Há sete dias, pelo telefone, Jarbas Vasconcelos e José Serra pré-agendaram uma reunião. Ocorreria nesta semana, em São Paulo. Não vai mais acontecer. Irritado com Serra, um "quase-talvez-provável-futuro" presidenciável do PSDB, Jarbas desistiu do encontro. Perdeu o interesse. Conversariam sobre a montagem de um palanque oposicionista para Serra em Pernambuco, sob o comando de Jarbas, dissidente do PMDB. Ao tomar conhecimento, pelos jornais, de que Serra se mantém aferrado à idéia de só virar candidato no início de abril, Jarbas decidiu imitá-lo. Adiou, também ele, a decisão sobre sua candidatura ao governo pernambucano. Só vai se definir depois que Serra sair do armário. Caprichoso, Jarbas optou por levar sua decisão ao conhecimento de Serra pela mesma via utilizada pelo tucanato: os jornais. Mandou distribuir uma nota. No texto, escreve: "Não faz mais sentido me reunir, neste momento, com o governador para tratar do palanque dos partidos de oposição em Pernambuco". Por quê? "A prioridade escolhida por Serra é justamente a conclusão a contento da sua passagem pelo governo de São Paulo". Portanto, "vou aguardar a desincompatibilização e posterior lançamento da candidatura do governador Serra à Presidência da República". Algo "que deve ocorrer no início do próximo mês de abril, conforme também informou à imprensa o senador Sérgio Guerra", presidente do PSDB. A menção à entrevista de Guerra não foi gratuita. Jarbas estranhara o fato de não ter merecido do amigo, pernambucano como ele, a gentileza de um telefonema. Na noite passada, informado acerca do teor da nota de Jarbas, Serra mandou a secretária tocar o telefone para o senador. Jarbas participava de uma reunião na Comissão de Justiça do Senado. De volta ao gabinete, soube que Serra o procurara. Optou por não ligar de volta. Aguardava pelo telefonema de Serra havia seis dias. Na última conversa, ocorrida na quinta-feira (4) da semana passada, Serra ficara de ligar no dia seguinte. Informaria dia e hora da reunião. Não ligou na sexta. Nada no final de semana. Na segunda, nem sinal. Tampouco na terça. Só ligaria na quarta, assim mesmo depois da divulgação nota. Para Jarbas, Serra erra ao adiar o anúncio da candidatura num instante em que a rival Dilma Rousseff achega-se a ele nas pesquisas. Dissera o que pensa ao próprio Serra. Depois, publicamente. A despeito de tudo, Jarbas admite meter-se numa eleição que não precisaria disputar. Senador até 2014, não tinha o mais remoto interesse em concorrer à cadeira de governador de Pernambuco, que já ocupou por dois mandatos. A pedido de Serra, deve ir às urnas a contragosto, conectado ao "projeto nacional". Considera merecedor de um pingo de consideração. Daí a sua irritação. Em privado, Jarbas desabafou com um amigo: "Não preciso do Serra pra nada!" Talvez devolva a ligação do governador nesta quinta (11). Na noite passada, a pressa já lhe fugira. As manchetes desta quinta - Globo: Câmara aprova pré-sal que prejudica economia do Rio - Estadão: Governo quer Receita com poder de policia e Justiça - JB: Só as UPPs não bastam - Valor: Chineses acirram briga por R$ 6 bi de Belo Monte - Estado de Minas: Vereadores param Câmara de BH para fazer chantagem - Jornal do Commercio: Mega-Sena é do Recife Esperando Godot! Via Correio Popular. Suplicy repudia posicionamento de Lula sobre Cuba Jungmann protocola no Planalto a carta dos "dissidentes". Em discurso feito na tribuna do Senado, Eduardo Suplicy (PT-SP) cobrou de Lula posições mais firmes e coerentes sobre a falta de demcocracia em Cuba. Para Suplicy, o "respeito" que Lula devota aos irmãos Raúl e Fidel Castro não deveria impedi-lo de lembrar aos amigos cubanos alguns valores básicos. Por exemplo: a necessidade de observar os direitos humanos e a conveniência de valorizar as liberdades democráticas, sobretudo a liberdade de expressão. O senador petista lembrou que, em 1998, numa visita que fez a Cuba, o então papa João Paulo Segundo não se furtara a mencionar o essencial. Segundo Suplicy, o papa defendera o fim do embargo dos EUA à ilha. Mas também mencionara que Cuba deveria render-se à liberdade e ao pluralismo político. Em entrevista concedida à Associated Press, Lula comparou os presos políticos de Cuba aos criminosos comuns de São Paulo. E condenou a greve de fome. Em seu discurso, Suplicy cuidou de recordar ao presidente que há enorme diferença entre os presos de consciência de Cuba e os bandidos paulistas. Acrescentou: "Gostaria que Lula se recordasse de algumas das pessoas da história que fizeram greve de fome para alcançar um objetivo importante na história dos povos". Suplicy mencionou o líder indiano Mahatma Gandhi. Citou também o ícone sul-africano Nelson Mandela. Também nesta quarta (10), o deputado Raul Jungmann protocolou no Planalto a carta que Lula negara ter recebido na visita que fizera a Cuba, em 23 de fevereiro. No texto, os opositores do regime de Havana pedem a Lula que interceda junto aos irmãos castro em favor da liberação dos presos políticos de Cuba. Lula queixara-se de que os autores da carta deram-na por entregue sem ao menos tê-la protocolado. Agora, já não pode alegar a ausência de protocolo. A exemplo de Suplicy, Jungmann também refutou os últimos comentários do presidente: "Lula e a ministra Dilma [Rousseff] foram presos políticos..." "...Por isso mesmo o presidente não poderia nivelar prisioneiros de consciência com sequestradores, assassinos e estupradores, que são pessoas que cometeram crimes..." "...Isso não tem o menor cabimento. Os prisioneiros de Cuba estão na cadeia porque lutam pela democracia e pela liberdade". Mais cedo, Jungmann tentará aprovar na comissão de Relações Exteriores da Câmara uma moção lamentando a morte de Orlando Zapata Tamayo. Preso em Cuba, Tamayo fenecera horas antes da chegada de Lula a Cuba, depois de 85 dias de uma infrutífera greve de fome. Representantes do consórcio governistas manobraram para impedir que a moção fosse aprovada. "É lamentável que a base do governo se recuse a enxergar o flagrante desrespeito aos direitos humanos em Cuba", disse Jungmann. De resto, as derradeiras declarações de Lula ecoaram também em Cuba. Mereceram comentários do jornalista e sociólogo Guillermo Fariñas, em greve de fome há 15 dias. Fariñas (na foto lá do alto) disse que Lula é "cúmplice da tirania dos Castro". Mais: afirmou que Lula esqueceu o próprio passado. Após "morder", Lula "assopra" EUA e pede negociação De passagem por Cubatão (SP), Lula aproveitou o discurso num pa©mício para dirigir um apelo ao presidente dos EUA, Barack Obama: "Queria pedir ao companheiro Obama que colocasse as suas pessoas para negociar rapidamente. O Brasil não tem nenhnum interesse em nenhuma confrontação com os EUA..." "...Mas o Brasil tem interesse em que os EUA respeitem as decisões da OMC, tanto quanto o Brasil respeitará quando a OMC decidir contra nós". Lula referia-se à vitória que o Brasil saboreara na Organização Mundial do Comércio. Queixara-se de subsídios que os EUA haviam concedido aos seus plantadores de algodão, em prejuízo de algodoeiros do resto do mundo, inclusive os brasileiros. Como os americanos ignorassem a decisão da OMC, o governo brasileiro editou uma lista de produtos norte-americanos cuja importação será sobretaxada nesta terra de palmeiras e sabiás. A lista foi ao noticiário na forma de uma declaração de guerra. Ou os EUA retiram os subsídios ao algodão ou seus produtos serão sobretaxados em 30 dias. Tomado pelo apelo desta quarta (10), Lula deseja a composição, não o confronto. Impossível negar-lhe razão nessa matéria. Se a OMC não puder ser levada a sério, melhor que seja fechada. O problema é que, para ceder ao Brasil, Obama depende do assentimento do Congresso dos EUA. Telebras: Oposição representa contra Dilma e Dirceu PSDB, DEM e PPS protocolaram nesta quarta (10) uma representação contre os petistas Dilma Rousseff e José Dirceu No texto, pedem ao Ministério Público que investigue o chamado "caso Eletronet". Envolve a reativação da Telebras. O governo tenciona atribuir à velha estatal a condução de um plano para disseminar o uso de internet de banda larga no país. Deve-se o pedido de investigação da oposição à suspeita de que a operação possa beneficar um cliente da empresa de consultoria de José Dirceu. Ex-chefe da Casa Civil, o deputado cassado prestou consultoria a um empresário chamado Nelson dos Santos. Recebeu R$ 620 mil. O cliente de Dirceu adquirira por R$ 1 a massa faliada da Eletronet, empresa que reivindica a propriedade de 16 mil quilômetros de fibras ópticas. Fibras que serão essenciais para que o governo ponha em pé o plano de banda larga. No texto de sua representação, a oposição anota: "Os fatos sinalizam, sem dúvida, para a existência de uma contiguidade excessiva entre empresas privadas, representadas pelo ex-ministro [Dirceu]..." "...E o Palácio do Planalto, numa área de atuação direta da ministra Dilma, o que impõe ao órgão responsável pela defesa da ordem jurídica o dever de instaurar procedimento investigatório". O pedido vai à mesa do procurador-geral da República Roberto Gurgel. Pode mandá-lo ao arquivo ou abrir inquérito. Sobre Lula, Dilma, Serra, paus, cobras e "espertezas" Nesta quarta (10), Lula levou a candidatura de Dilma Rousseff para passear no Estado governador por José Serra. Presidente e candidata escalaram um pa©mício no município de Cubatão. Inauguraram uma usina termelétrica. Obra do PAC. Em discurso, Lula reeditou o brocardo. "Quando comecei minha vida política eu dizia que político mentiroso fala assim: mato a cobra e mostro o pau..." "...O fato de você mostrar o pau não significa que você matou a cobra. Então [...], político verdadeiro mata a cobra e mostra a cobra morta". Na sequência, Lula pôs-se a exibir a cobra do pré-sal. E, portando-se como "político mentiroso", cuidou de esticar o ofídio. Disse que, apenas na jazida de Tupi, foram encontrados 14 bilhões de barris de petróleo. Lorota. A Petrobras estima as reservas de Tupi em algo entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo. Foi a segunda vez, em dois dias, que o governo tortura os números da Petrobras. Na véspera, Dilma dissera que a Petrobras reservara R$ 85 bilhões para investir em 2010. Palanfrório. A estatal corrigiu a cifra: R$ 79,5 bilhões. Na passagem por Cubatão, Lula falou mais do que o homem da cobra. Desferiu pauladas verbais em José Serra, o suposto presidenciável da oposição. Referindo-se a episódio ocorrido na baixada santista no dia anterior, o presidente disse: "Estamos em um ano de campanha..." "...E estamos percebendo que tem gente inaugurando até maquete. E nós queremos mostrar o que realmente está acontecendo" (Confira abaixo). Como se vê, em fase de campanha, paus e cobras não são o que parecem. Ganham a inusitada forma de viperinas espertezas. Tasso sobre Serra: "Esperar até o fim do mês é muito" O PSDB, como se sabe, é um partido de amigos integralmente composto de inimigos. A cordial inimizade que desune os tucanos é açulada pelo calendário de José Serra. Ouça-se, por exemplo, o grão-tucano cearense Tasso Jereissati: "Esperar até o fim do mês é muito. Já está atrasado. Campanha tem que ter tropa, energia. Se você passa letargia e o outro adversário está em jogo, o militante e os aliados se portam como torcedor de time que está perdendo: vai deixando o estádio". Serra já "inaugura" até maquete de obra não-licitada. O governador de São Paulo, José Serra, suposto candidato do PSDB à sucessão de Lula, protagonizou uma cena inusitada. Como que decidido a rivalizar com Dilma Rousseff em visibilidade, Serra abalou-se da capital para o litoral Sul do Estado. O governador "inaugurou", veja você, a maquete de uma ponte. E nem ficou vermelho. Uma tenda protegeu-o do Sol. Não, você não leu errado. É isso mesmo. Serra visitou o local onde será erigida uma obra que ainda nem foi licitada. Quando estiver pronta, na gestão do sucessor de Serra, a ponte vai ligar as cidades de Santos e Guarujá. Hoje, o trajeto é feito de balsa. Flertando com o ridículo, Serra discorreu sobre a obra que, depois de licitada, consumirá 30 meses e R$ 700 milhões da próxima gestão: "Com esta ponte (?!?!?!) nós vamos quebrar um gargalo que é muito importante aqui na região da Baixada Santista..." "...Além disso, a ponte terá até um papel paisagístico [...]. Nós vamos dar mais segurança para as pessoas e para os navios e mais rapidez, coisas fundamentais". Depois dessa pantomima, eliminaram-se as dúvidas quanto à candidatura presidencial de Serra. Só um candidato é capaz de render-se assim ao burlesco. Em Minas, também rendido à fúria inauguratória desta quadra eleitoral, o governador tucano Aécio Neves entregou um hospital à população de Uberlândia. Coisa pronta, à vista de todos, não uma maquete por licitar. Para satisfação de Aécio, um repórter amistoso levantou a bola na frente dele. Pediu que falasse sobre o programa oficial de distribuição de geladeiras a mineiros pobres. Aécio não desperdiçou a oportunidade do chute: "Estamos permitindo que mais de 300 mil famílias de Minas, de mais baixa renda, possam trocar os seus equipamentos domésticos ociosos ou ultrapassados como uma geladeira ou um chuveiro elétrico por novos, sem custo absolutamente nenhum". Falou para a platéia local: "Apenas em Uberlândia serão 7.700 famílias atendidas". Didático, explicou que o cidadão entrega a geladeira velha e recebe uma "geladeira zero quilômetro". Repisou: "Sem qualquer custo". Mimetizando Lula, Aécio cuidou de acomodar a bola no colo de Antonio Anastasia, o tucano que, em Minas, vai às urnas como uma espécie de Dilma Rousseff de calças. Aécio explicou que, depois que ele se for, o bolsa geladeira "será ampliado pelo vice-governador Antonio Anastasia", o nome que escolheu para sucedê-lo. Trafegando na fronteira da legislação eleitoral, Aécio disse que, ao programar investimentos, sua gestão não está senão "planejando o futuro". "E a garantia da continuidade desses investimentos é a garantia que [...], no que depender de mim, por muito tempo ainda, vamos ter Antonio Anastasia à frente do governo". Perguntou-se a Aécio se não acha que Serra perde terreno ao protelar a retirada de sua candidatura presidencial do armário. E Aécio: "Não acredito. Não tenho essa aflição [...]. A campanha está longe ainda de ter o seu ápice. A campanha está longe ainda do debate". Reafirou que se considera fora do páreo nacional. "O momento é dele, temos um extraordinário candidato chamado José Serra e caberá a mim apoiá-lo". Curiosamente, terminou a entrevista expressando-se no condicional. Disse que se volta para Minas, "provavelmente como candidato ao Senado". E, desde Minas, "vou emprestar todo meu apoio e a nossa força política para o candidato do meu partido que, provavelmente, será o governador José Serra". Provavelmente? "Cabe a ele anunciar, no momento que achar mais adequado", Aécio encerrou. O tucanato já entregou os pontos. Engoliu o calendário de Serra. Anúncio de candidatura, disse Sérgio Guerra, o presidente da legenda, só no final do mês. Até lá, Serra planeja desfilar sua não-candidatura em muitas cerimônias de inauguração. Torça-se para que a lista de obras não inclua mais nenhuma maquete. Dilma converte eleição em briga de saia contra calça Dilma Rousseff fez da mesa de onde são dirigidos os trabalhos do Congresso um palanque. Deu-se nesta terça (9), numa sessão solene convocada com o propósito de homenagear o Dia Internacional das Mulheres. Em discurso, a candidata de Lula como que reduziu a disputa presidencial de 2010 a uma queda-de-braço da saia contra a calça. "O Brasil está preparado para ter uma mulher presidente", disse Dilma. Sua fala inspira uma pergunta inevitável: Afinal, uma mulher no comando é garantia de sucessõ? Eis a resposta: não. Repetindo: não. De novo: não. Mede-se o bom gestor –público ou privado— pelo tamanho de sua competência, não pelo comprimento da saia. Recorde-se, por oportuno, Zélia Cardoso de Mello. Foi a última mulher a exercitar o poder, em toda sua plenitude, no Estado brasileiro. Sob Fernando Collor, Zélia foi a czarina da Economia. Produziu confisco de contas, desordem econômica, inflação, estagnação e ruína. Quando a coisa apertou, Zélia portou-se como mulherzinha: tirou o colega Bernardo Cabral para dançar um bolero. Dilma fará melhor papel se for à sucessão munida de dados que comprovem o título de gestora competente que Lula lhe atribui. Até porque, tomada pela fama de durona, a candidata faz supor que, eleita, exercerá uma presidência, por assim dizer, macha. Não será, aliás, a primeira. Recorde-se Margaret Thatcher. Uma primeira-ministra homem. Evoque-se Indira Gandhi. Homem. Golda Meir. Outra mulher-homem. Se insistir na plataforma política baseada no sexo, Dilma arrisca-se, de resto, a atrair comparações menos alvissareiras. Alguém poderá dizer que Dilma frequenta a cena eleitoral como uma espécie de Isabelita Perón à brasileira, sem aliança. Uma mulher que virou candidata porque Lula, o seu Juan Domingo Perón torto, decidiu casá-la com sua gestão, prometendo à platéia a felicidade eterna. Desnecessário lembrar que Isabelita entregou aos argentinos o caos e o arbítrio. Melhor evitar o risco do paralelo. No Brasil, a política tem sido um território de machos. Algo que levou Marina Silva, a outra mulher-candidata, a dizer da tribuna, na mesma solenidade: "Não é a toa que, só após 500 anos de história de Brasil, tenhamos, pela primeira vez na história deste país - como diz o presidente Lula - a possibilidade de termos mulheres na Presidência..." "...E isso é uma conquista das mulheres por sua luta nos últimos cem anos, mas é também uma conquista particular da sociedade brasileira". Verdade. As mulheres romperam, também no Brasil, o escudo de testosterona que as impedia de entrar no jogo. E é bom que isso tenha ocorrido. Porém... Porém, a conquista pode resultar em desastre se as mulheres derem ouvidos à senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), outra mulher que discursou. "Uma mulher na Presidência é a mulher na Presidência. Somos nós. Eu me sentirei na Presidência da República. Cada mulher deste país vai se sentir presidente da República". Ora, se a "mulher na Presidência" provar-se uma incapaz, "cada mulher deste país" vai ser tomada de vergonha inaudita por "se sentir presidente da República". Por sorte, havia em plenário uma mulher com senso crítico. Vale a pena ouvir a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS): "A escolha do próximo chefe da nação não deve pautar-se em questões de gênero, raça ou nível social, mas sim em quem trouxer as melhores propostas para o futuro". Vale dizer: assim como a saia que Dilma não gosta de usar não faz dela uma boa presidente, tampouco a calça faz do tucano José Serra uma garantia de êxito. Na sessão em que o Congresso celebrou o triunfo feminino, o plenário foi adornato com um grande painel. Trazia os seguintes dizeres: "Mulher na política muda o poder". Na foto lá do rodapé, Dilma cruza o lema seguida de perto pelo proto-aliado José Sarney (PMDB-AP). Durante a cerimônia, o presidente do Senado cercara a presidenciável do PT de atenções. Sarney recobrira Dilma de elogios: "É uma mulher lutadora, vencedora, competente e que realiza, neste instante, um grande trabalho pelo Brasil". Se virar presidente, Dilma será, no poder, o novo acorrentado ao velho. Arrastará atrás de si os mesmos homens que eternizam o arcaico na política brasileira. Com Serra ou qualquer outro, não há de ser diferente. Uma evidência de que há muito mais em jogo do que uma mera gincana de óvulos e espermatozóides. Lula tenta explicar o inexplicável com o inadmissível Se o bom senso tivesse de escolher um epitáfio, optaria pelo seguinte: "Aqui jaz uma vítima dos aloprados de todas as ideologias". Lula, exausto da própria inteligência, assassinou o bom senso em fatídica viagem a Cuba. Na ilha de Fidel, lamentou que um preso "se deixe morrer de greve de fome". Desde então, num esforço inútil para esconder o caixão, o presidente despeja sobre o bom senso sucessivas camadas de "explicações". Nesta terça (9), em entrevista à Associated Press, Lula levou à sepultura do bom senso mais uma pá de "esclarecimentos". Pediu respeito às leis da ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro: "Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter pessoas em razão da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil". Vigora em Cuba uma monstruosidade chamada "Lei de periculosidade". Prevê a detenção de pessoas que o Estado considere "perigosas". Para descer ao calabouço, o sujeito não precisa cometer crimes. Basta que a ditadura diga que o camarada, por "perigoso", pode delinquir. Para Lula, coisa normal. O presidente voltou a condenar os que, em desespero, recorrem à privação alimentar: "Acredito que a greve de fome não pode ser usada como um pretexto de direitos humanos para libertar as pessoas". Como que decidido a desperdiçar a nova oportunidade para tomar distância do túmulo do bom senso, Lula exorbitou. Comparou os presos políticos de Cuba aos bandidos recolhidos ao sistema carcerário paulista: "Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem a liberdade". Foi como se Lula cuspisse no caixão do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, igualando-o a um Marcola qualquer. Num rasgo de benevolência, Lula disse que gostaria que a prisão de opositores da ditadura de Cuba "não acontecesse". Mas... "Mas não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil". Como se vê, no afã de explicar o inexplicável, Lula recorreu ao inadmissível. Antes, soara insensível. Com as novas declarações, converteu-se num alaporado ideológico. É pena que o presidente esteja cercado de assessores que, vítimas da mesma alopragem, concordam com cada palavra pronunciada por ele. Não há no Planalto ninguém capaz de dar ao chefe um conselho útil: Presidente, por favor, traga suas opiniões na coleira. As manchetes desta quarta - Globo: Dilma infla dados e Petrobras é obrigada a dar explicações - Folha: Lula compara preso político de Cuba aos bandidos de São Paulo - Estadão: Lula defende regime cubano e compara dissidente a criminoso - JB: Os riscos da facilidade em compras na internet - Correio: PGR reprova prisão domiciliar para Arruda - Valor: Empresas chegam a dobrar o lucro em ano de retração - Estado de Minas: Brasil terá maior safra da história - Jornal do Commercio: Hora de comprar a casa própria Melhor roteiro adaptado! Via Correio Popular. Toffoli, do STF, defere liminar à Petrobras contra TCU Último ministro indicado por Lula para o STF, Dias Toffoli deferiu liminar requerida pela Petrobras contra condenação que lhe fora imposta pelo TCU. O ministro liberou a estatal para continuar contratando fornecedores e prestadores de serviço à margem da lei de licitações (8.666, de 93). Na prática, a decisao de Toffoli validou o decreto 2.745. Editado sob FHC, em 1998, o decreto instituiu modelo simplificado de compras para a Petrobras. Em decisão de setembro do ano passado, o TCU tachara de ilegais dois contratos celebrados pela estatal com base no decreto de FHC. Em 23 de fevereiro, a petroleira batera às portas do Supremo. O recurso fora à mesa de Dias Tofolli, que agora concede a liminar. A decisão é provisória. Vai vigorar até que a petição da Petrobras seja julgada em termos definitivos pelo STF. Não há data para que isso ocorra. A pendenga que opõe o TCU à Petrobras é antiga. Para o tribunal a estatal está obrigada a seguir a lei geral de licitações. A empresa contra-argumenta que, desde 1995, quando foi quebrado o monopólio do petróleo, passou a operar no mercado em regime de livre competição. Alega que a lei 8.666, por complexa, impõe à Petrobras um rito licitarório que a impede de concorrer em pé de igualdade com as rivais privadas. Em seu recurso, a Petrobres argumentou, de resto, que cabe ao STF e não o TCU a prerrogativa de decretar a inconstitucionalidade de leis e decretos. Um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União), órgão que Toffoli chefiava antes de ser guindado ao STF, reafirmara a legalidade do decreto de FHC. O texto da AGU é de 2004. Referendado por Lula, passou a ser seguido por estatais como a Petrobras. O TCU, porém, dera de ombros. Ao julgar auditorias feitas em contratos da Petrobras com duas empresas –Altus Sistemas de Informática e AC Engenharia e Sistemas–, o TCU considerou-os ilegais. Daí o recurso da Petrobras ao STF. Em seu despacho, Toffoli disse ter se baseado em 12 decisões anteriores tomadas pelo Supremo em casos similares. "É conveniente deferir a liminar [à Petrboras...], dada a existência de diversas ordens mandamentais em seu favor, quando os dignos relatores conheceram de situações idênticas ou similares às ora apresentadas", anotou o ministro. PT processa 2 órgãos de imprensa e aciona promotor Em nota levada ao seu portal na web, o PT informa: vai processar judicialmente a Veja e o Estadão. Decidiu também protocolar representação contra o promotor José Carlos Blat no Conselho Nacional do Ministério Público. A revista Veja será processada porque o PT considerou "injuriosa" notícia veiculada no final de semana sobre a Bancoop. O Estadão será acionado por ter acusado o PT, em editorial, de ser "o partido da bandidagem". Quanto a Blat, o PT o considera "fonte primária de onde brotam as mentiras, as ilações, as acusações sem prova..." "...E o evidente interesse em usar a imprensa para se promover às custas de acusações desprovidas de qualquer base jurídica ou factual". A nota do PT é assinada por seu presidente, José Eduardo Dutra. A certa altura, ele escreve: "Nem o PT nem a sociedade brasileira podem aceitar o baixo nível para o qual parte da mídia ameaça levar o embate político às vésperas de mais uma eleição presidencial". Cabe ao PT decidir o que lhe convém aceitar ou não. Em passado recente, já aceitou até o inaceitável. Mas o partido não dispõe de procuração para falar em nome da "sociedade brasileira". Um pedaço dela não deseja senão que tudo seja acomodado em pratos asseados. Oposição trama explorar o "caso Bancoop" no Senado Com o apoio do DEM, o novo líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), protocolou nesta terça (9) requerimento de convocação do promotor José Carlos Blat. Deseja-se ouvir Blat, membro do Ministério Público de São Paulo, na comissão de Justiça do Senado, presidida por Demóstenes Torres (DEM-GO). Blat investiga há três anos o desvio de verbas na Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). A entidade, criada e gerida por petistas, converteu-se, no dizer do promotor, numa "organização criminosa". Ele sustenta que recursos recolhidos de associados da Bancoop foram desviados para os bolsos de petistas e para o caixa dois do PT. Na semana passada, o promotor recebeu 8 mil lançamentos referentes à quebra do sigilo bancário da entidade. Depois de analisar um terço da papelada, Blat informou que cerca de R$ 30 milhões foram desviados mediante saques feitos na boca do caixa. Requereu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra do sigilo bancário do petista João Vaccari Neto. Até a semana passada, Vaccari presidia a Bancoop. Deixou o comando da cooperativa habitacional para assumir a tesouraria nacional do PT. Nega os malfeitos. Nesta terça (9), alheio às negativas, o promotor Blat veio ao meio-fio informou: os desvios na Bancoop são estimados em R$ 100 milhões. Além do requetimento apresentado à Comissão de Justiça, o líder tucano requereu ao TCU a investigação de um pedaço do escândalo. Quer que o tribunal de contas verifique a denúncia de que fundos de pensão de estatais geridos por petistas adquiriram papéis da Bancoop. Também nesta terça, criou-se na Assembléia Legislativa de São Paulo a CPI da Bancoop. Apresentado em 2008 pelo deputado estadual Samuel Moreira (PSDB), o pedido de CPI aguardava na fila. Começará a funcionar em duas semanas. Nesse período, os partidos com assento na Assembléia terão de indicar os membros da comissão. Governo vai torrar R$ 1 mi em "Datamulher" eleitoral Inebriado com Lula, um presidente superpopular, o brasileiro espanta-se cada vez menos com o governo. É, hoje, um sujeito de pouquíssimos espantos. Se ogoverno esfregar na cara do brasileiro um absurdo, ele não fará a concessão de uma surpresa. É absurdo? Pois que seja, e com o meu dinheiro. Aproveitando-se do sumiço do ponto de exclamação, a ministra petê Nilcéa Freire (Secretaria das Mulheres) decidiu exagerar. Num par de notas, a coluna "Painel" revela, na Folha, a penúltima da ministra. Leia: - De mulher pra mulher: A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, subordinada diretamente à Presidência da República e chefiada pela petista Nilcéa Freire, fará licitação de R$ 1 milhão para contratar instituto ou fundação que realize pesquisas durante a campanha eleitoral. Segundo o edital, trata-se de acompanhar os movimentos do eleitorado feminino. Além de pesquisas, o pacote inclui análise de materiais de campanha ("inclusive sites e blogs dos candidatos"). A secretaria diz ter decidido bancar as pesquisas por se tratar de um "processo eleitoral único, no qual há candidatas mulheres com boa margem de intenção de voto" -em especial a do governo, Dilma Rousseff. - Ferramenta: O edital prevê ainda que o instituto monitore o comportamento da mídia durante a campanha e analise debates entre os candidatos. O signatário do blog se compadece do brasileiro, esse povo sem horror. Com seus "oo" de espanto, seus "rr" guturais, seu hirto "h", horrou nunca foi um vocábulo tão necessário. Ai daquele que vive sem horror. Tasso negocia com Cid e deixa Serra "a pé" no Ceará Às voltas com a necessidade de reeleger-se para o Senado, Tasso Jereissati (PSDB) negocia no Ceará um acordo com o governador Cid Gomes (PSB). Irmão do multicandidato Ciro Gomes (PSB), velho aliado de Tasso, Cid tenta empurrar o senador tucano para dentro de sua chapa reeleitoral. Um problema para José Serra, que ficaria sem um palanque no Ceará. O de Cid está reservado para Dilma Rousseff e, talvez, para Ciro. Um problema também para PT e PMDB, que esperavam indicar os dois candidatos a senador na chapa de Cid. O nome do PT é José Pimentel, ministro da Previdência. O do PMDB, Eunício Oliveira, deputado e ex-ministro das Comunicações. Prevalecendo Tasso, um dos dois –Pimentel ou Enício— vai sobrar. Abespinhado, o petismo cearense já fala até em lançar candidato próprio. Presidente Estadual do PT, a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, descarta a hipótese de freqüentar o mesmo palanque de Tasso. Luizianne avisa: "Se for o caso, acho que o partido tem outros nomes para cumprir essa tarefa [de disputar o governo]". Há cerca de dois meses, reunido com Tasso em São Paulo, Serra encarecera ao senador que concorresse, ele próprio, ao governo cearense. Tasso refugara o apelo. Mas comprometera-se a providenciar um candidato tucano. Dissera que empinaria o nome de um empresário. Na última sexta-feira, numa aparição na cidade cearense de Sobral, berço da família Gomes, Tasso parecia bem distante do senador de dois meses atrás. Em conversa com repórteres, Tasso recobriu Cid Gomes de elogios. Inquirido, disse que o goverandor do PSB merece ser reeleito. Rendido às conveniências regionais de seu cacique cearense, o PSDB nacional parece já se ter conformado. Integrante do grupo de Aécio Neves, o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG), declarou: "Nós seguiremos o que o Tasso decidir. Ele é a liderança cearense". Pobre Serra. Aécio admite retomar candidatura caso Serra desista. Aécio Neves reuniu-se reservadamente, em Belo Horizonte, com dois caciques da oposição – um do PSDB e outro do DEM. A conversa ocorreu há seis dias, no Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro. Girou em torno da sucessão de Lula. Os interlocutores de Aécio perguntaram se a recusa dele em aceitar a posição de vice na chapa de José Serra era uma decisão irrevogável. O governador mineiro respondeu afirmativamente. Vice de Serra não será. De jeito nenhum. Ponto. Aécio foi, então, confrontado com uma segunda pergunta. Reassumiria a candidatura presidencial em caso de desistência de Serra? A resposta foi, de novo, afirmativa. Sim, voltaria à disputa. Aécio esclareceu: tendo se retirado do ringue nacional, não seria adequado que sua volta resultasse de qualquer tipo de maquinação contra Serra. Porém, havendo uma desistência formal do governador tucano de São Paulo, Aécio não se constrangeria em medir forças com Dilma Rousseff. O diálogo travado em Minas, por revelador, ilumina a encruzilhada a que chegaram os adversários de Lula e Dilma. Em teoria, a oposição continua dispondo de dois presidenciáveis potenciais. Na prática, não dispões de nenhum candidato. O impasse tem nome: José Serra. Entre quatro paredes, ele se diz candidato. Mas recusa-se a antecipar o anúncio formal da candidatura. A demora de Serra, antes vista como estratégia de político experiente, agora é tomada pelos seus próprios aliados como temosia. Uma birra que, confrontada com o crescimento de Dilma nas pesquisas, passou a ser interpretada como hesitação. O incômodo, antes restrito ao DEM, espraiou-se também pelo tucanato. Em privado, o próprio presidente do PSDB, Sérgio Guerra, diz estar com Serra pela tampa. No início da semana passada, Guerra dissera que, antes do sábado, Serra já freqüentaria o noticiário com uma cara de candidato irreversível. Os fatos o desmentiram. Sempre passou por Brasília e Belo Horizonte. Espremido pelos repórteres sobre a sucessão, recorreu à desconversa. Em privado, oposicionistas que sempre defenderam a opção por Serra encontram-se à beira de um ataque de nervos. Um exemplo: líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN) disse privadamente a Sérgio Guerra que a situação chegara a um limite. Longe dos holofotes, Agripino ponderou a Guerra que Serra tem de levar a candidatura à vitrine ainda nesta semana. Sob pena de a oposição flertar com o imponderável. Sérgio Guerra pôs-se inteiramente de acordo. Disse que voltaria a Serra. O diabo é que, a despeito da impaciência que o cerca, Serra não parece minimamente disposto a ceder aos apelos antecipatórios. Na semana passada, no mesmo dia em que Aécio admitia voltar à disputa em caso de desistência do rival, Serra trocou um telefonema com Jarbas Vasconcelos. Dissidente do PMDB, Jarbas estivera com Serra, em São Paulo, há dois meses. Ouviu dele um apelo para que aceitasse disputar o governo de Pernambuco. Desde então, Jarbas condiciona a montagem de um palanque pernambucano para a oposição ao calendário de Serra. Incomodado com a demora, tocou o telefone para o amigo. Para tranquilizá-lo, Serra disse que continuava candidato. Lero vai, lero vem Serra queixou-se dos que cobram dele a antecipação do calendário. Mencionou o grão-tucano Tasso Jereissati (CE). Depois, em entrevista ao Globo, o próprio Jarbas ecoaria Tasso. Disse que passa da hora de Serra retirar a candidatura do armário. No curso da conversa telefônica, Jarbas pedira a Serra um encontro pessoal. Combinou-se que ocorreria no início desta semana. Jarbas se dispôs a voar para São Paulo. Serra aquiesceu. E ficou de ligar de volta, marcando dia e hora. Veio o final de semana. E nada. Chegou a segunda-feira. E, até a noite passada, um Jarbas cada vez mais impaciente continuava esperando o telefonema do amigo. Além de facilitar a vida de Dilma, em ascensão nas pesquisas, a demora de Serra paralisa todos os movimentos da oposição. O PT já providencia o aluguel de um comitê para Dilma. E quanto ao PSDB? O blog ouviu um dirigente tucano. Disse o seguinte: "As pessoas que têm juízo, não podem deixar de buscar alternativas para essa questão [logística]. Mas, enquanto não tiver o candidato, não podemos avançar". A paralisia alcança também a seara política. Vive-se em São Paulo um drama. As pesquisas apontam o tucano Geraldo Alckmin como favorito à sucessão de Serra. Mas o partido vê-se como que manietado. Presidente do diretório paulista do PSDB, o deputado Mendes Thame resume a encrenca: "Definir agora a candidatura do Geraldo é como dizer que o Serra, mesmo que queira sair candidato à reeleição em São Paulo, não vai ter essa chance". No final do ano passado, alheio às pressões, Serra evocara Lupcínio Rodrigues. Dissera ter "nervos de aço". O diabo é que os nervos de Lula parecem feitos de elástico. Enquanto Serra impõe aos aliados a pasmaceira do samba-canção, o presidente faz Dilma dançar no ritmo frenético do frevo. As manchetes desta terça - Globo: Brasil ameaça retaliar EUA e preço do trigo pode subir - Folha: Serra e Dilma correm para inaugrar obra inacabada - Estadão: Promotor aponta desvio de R$ 100 milhões na Bancoop - JB: Brasil já tem menos preconceito salarial - Correio: Notificado à revelia, Arruda vai ao hospital - Valor: Venda de veículos no Brasil aquece mercado argentino - Estado de Minas: Força-tarefa tenta frear a violência no trânsito de BH - Jornal do Commercio: Remédio mais caro Melhor embromação! Via O Povo. Lula afirma que imprensa tem complexo de "vira-lata" Valendo-se de expressão cunhada por Nelson Rodrigues, Lula disse, no Rio, que a imprensa brasileira sofre de complexo de vira-lata. A coisa teria ficado evidente, segundo ele, na semana passada, durante a visisa da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton. Lula disse que os repórteres o inquiriram sobre os temas que trataria com Hillary. E esclareceu: só recebeu madame porque o chanceler Celso Amorim pediu. Evocando fato ocorrido sob FHC, Lula disse: foi-se o tempo em que um "sub do sub" do governo dos EUA palpitava sobre o Brasil e as autoridades abaixavam a cabeça. A audiência reagiu às bravatas de Lula com aplausos. Uma evidência de que Nelson Rodrigues continua, de fato, atual, muito atual, atualíssimo. Dizia o cronista: "No Brasil, há platéia para tudo e o brasileiro é, por vocação, platéia. Se um camelô vende caneta-tinteiro, junta gente... "...Se morre um cachorro atropelado, junta gente; e, se passa um batalhão, nós vamos atrás. O brasileiro tem uma alma de cachorro de batalhão". No momento, a julgar pelas pesquisas, a maioria dos "cachorros" segue gostosamente o batalhão chefiado pelo general do discurso fácil. Arruda deixa a prisão. Calma, foi ao hospital e voltou Preso há 25 dias, José Roberto Arruda ganhou o meio-fio nesta segunda (8). Foi ao hospital, submeteu-se a exames e voltou ao PF"s Inn. O governador preso queixara-se de dores no tornozelo direito, o mesmo que operara no final do ano passado. Suspeita-se de trombose. Arruda foi ao hospital, sob escolta, por recomendação dos médicos da PF. Os exames consumiram uma hora e meia. Os resultados não são conhecidos. O paciente retornou à sala de 16,8 m2 que lhe serve de cárcere em tempo de receber a visita do ex-aliado Batista das Coopetarivas (PRP). Deputado ditrital, Batista, hoje menos cooperativo, foi entregar a notificação da abertura do processo de impeachment aberto na Câmara Legisaltiva. Arruda recursou-se a assinar. Foi notificado assim mesmo, à revelia. Começou a correr o prazo de 20 dias para que o acusado apresente sua defesa. Você está pagando para "lustrar" a imagem de Dilma Sim, caro leitor. Você não sabe, mas está saindo do seu bolso um naco da verba que ajuda a envernizar a imagem da ministra-candidata Dilma Rousseff. Deve-se à repórter Marta Salomon a descoberta: o Planalto usou R$ 2 milhões da verba extraída do bolso do contribuinte para bancar um lote de pesquisas. Nas sondagens, aferiu-se a popularidade de programas que servem de esteio para a campanha presidencial de Dilma. Bancados pelos brasileiros que estão em dia com o fisco, os pesquisadores foram às ruas no ano passado. Produziram-se relatórios que indicam "patamares elevados de desconhecimento" de algumas das principais vitrines do governo. Entre elas PAC e o pré-sal. Num dos textos, de maio de 2009, anotou-se que era "escassa" a memória do público em relação à publicidade do PAC. Algo que levou o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação da Presidência, Ottoni Fernandes Júnior, a concluir: "[O PAC] é um programa que tem caráter abstrato e não estava no centro da publicidade institucional". Os estrategistas do governo foram informados também acerca da "forte desconfiança" da platéia em relação ao programa, sobretudo dos mais ricos. O Instituto Meta, que participou da empreitada, reproduziu em relatório uma resposta recolhida de entrevistado: "De certa forma, ele está usando o PAC para eleger a Dilma", anota o documento, de novembro de 2009. Informa que, entre os entrevistados que já tinham ouvido falar do PAC (menos da metade dos ouvidos), mais de 70% não conhecem suas obras. Em contraste, um percentual semelhante da população disse conhecer o Minha Casa, Minha Vida, programa que se propõe a entregar um milhão de moradias populares. O governo "descobriu", de resto, algo que os institutos indepentes já haviam informado sem que o bolso do contribuinte tivesse sido molestado: A avaliação positiva do governo é mais concentrada nas famílias com renda de até dois salários mínimos, principalmente no Norte e Nordeste. À medida que o entrevistado aumenta de renda decai o conceito de Lula e do governo dele. A corrupção serve de tônico para a avaliação negativa. O relatório de novembro ligou o fenômeno à crise do Senado. O texto fez menção ao "apoio público do presidente Lula a Sarney, principal alvo das denúncias". Signatário da avaliação, Flávio Silveira aventurou-se explicitamente na seara eleitoral. Num flerte com o óbvio, ele escreveu: "Não se sabe ao certo o teto do crescimento [de Dilma] e isso vai depender de vários fatores, como a transferência de votos de Lula". Retorne-se ao início: você, caro leitor, seja eleitor de Serra, de Ciro, de Marina ou da própria Dilma, financiou essa brincadeira. - Atualização feita às 21h15 desta segunda (8): O Planalto levou à web uma nota. Diz que as pesquisas visam "avaliar e aprimorar" a comunicação oficial. Envolvem três dezenas de ações e programas. Leia aqui. Será que Dilma ainda sabe onde fica o seu gabinete? Dilma Rousseff já deve ter esquecido o caminho que separa a casa do trabalho. Seu escritório agora é o pa©lanque. Sua agenda, a campanha. No peito da ministra, não pulsa senão o coração da candidata. Ela se gruda ao cós de Lula. Sabe que, sozinha, talvez nem a sombra a seguiria. Nesta segunda, Dilma e Lula participaram, no Rio, de mais um desses atos pseudoadministrativos que se tornaram rotineiros. O pa©mício foi na favela da Rocinha. Os gritos da claque do morro cuidaram de desnudar a pantomima: "Rocinha presente, Dilma presidente!". Lula, em discurso, deu conta do resto da empreitada. Espinafrou a imprensa, que fizera reparos à participação de Dilma numa inaguração ocorrida na véspera. Em hora-extra de candidata, a ministra comparecera, em pleno domingo, à inaguração de um hospital erigido sem verbas de Brasília, na baixada fluminense. E Lula: "A imprensa brasileira –por hábito ou desvio de comportamento— não gosta de falar de obra inaugurada. O que é bom, não presta, só serve desgraça". Lula também desancou o desafeto Cesar Maia. Disse que o candidato do DEM ao Senado, quando prefeito do Rio, em vez de trabalhar, ficava "num blog falando mal da gente". O governador Sérgio Cabral (PMDB), que em 2002 apoiara José Serra contra Lula, mas que hoje só fala bem do presidente e da gente dele, completou o faz-de-conta administrativo. Endossou as críticas a Maia. E vergastou o antecessor Anthony Garotinho (ex-PMDB, hoje PR), com quem disputa o governo do Estado e as atenções de Dilma. De cambulhada, Cabral açoitou todo o clã "infantil", incluindo a mulher e ex-governadora Rosinha e até a filha filha do casal, a vereadora Clarissa Garotinho. "O presidente estava muito traumatizado com o Rio de Janeiro, ao ponto de filha de governadora, de governador ir ao hotel onde ele ficava só para organizar vaia para ele", disse. Noutra passagem do pa©lanque, Lula fustigou os preconceituosos: "É verdade que na Rocinha deve ter algum bandido..." "...É verdade que deve ter algum algum bandido no Pavão-Pavãozinho e no Alemão. Mas quem disse que não tem bandido nos prédios chiques de Copacabana?" Nesse ponto, é impossível negar razão a Lula. Quem vê o consórcio partidário que gravita em torno dele há de concluir: há mais bandidos em Brasília do que no morro. Lula e Dilma entregam à comunidade da Rocinha apenas um pedaço das obras que o PAC levou à favela. Entre elas um complexo esportivo e um centro de judô. Lula disse que, para que as pessoas sigam na trilha do bem, fora do crime, é preciso prover a elas oportunidades. Citou as áreas de esporte e lazer, além do trabalho. Certo, muito certo, certíssimo. Pode ser uma saída também para o consórcio governista. Quem sabe o presidente leva os deputados e senadores que apóiam o seu governo e o projeto Dilma-2010 pra bater uma bolinha na Rocinha. Comitê de Dilma terá tesoureiro próprio, não o do PT Abalroado pelo escândalo da Bancoop, João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, será mantido à distância das arcas da campanha de Dilma Rousseff. A decisão de dotar o comitê de Dilma de tesoureiro próprio já estava tomada. A conversão de Vaccari em "gestor-problema" apenas a tonificou. Vaccari era, até a semana passada, presidente da Bancoop, a cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo. Desligou-se da função para segurar a chave dos cofres do PT. Na última sexta (5), teve a quebra de seu sigilo bancário requerida. À frente de uma investigação aberta há tres anos, o promotor José Carlos Blat, do Ministério Público de São Paulo, deseja apalpar as contas de Vaccari. Blat associa Vaccari a malfeitos que, segundo diz, converteram a Bancoop numa "organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT". Levado às páginas de Veja, Vaccari defendeu-se numa nota: "Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal". A Bancoop também cuidou de divulgar na web uma manifestação. Anota que a reportagem da revista "tem nítida finalidade política". Acrescenta que a publicação "se explica pela previsão de instalação [...] de CPI sobre a Bancoop na Assembléia Legislativa de São Paulo". Coisa "requerida, ainda em 2008, pela bancada de deputados do PSDB". Ou seja, a Bancoop insinua que o tucanato de José Serra estaria por trás da denúncia. Enquanto Dilma dá expediente na Casa Civil e comitê eleitoral dela não tem existência formal, Vaccari cuida da cozinha financeira. No momento, negocia o aluguel do imóvel que servirá de sede para o futuro guartel-general da candidata. O PT já tem inclusive um local em vista. Fica num prédio do Setor Comercial Sul de Brasília. Uma edificação ligada pela garagem, no subsolo, ao edifício onde funciona a sede do partido. Vaccari é mantido à distância, porém, da sala de jantar da campanha. Ali, quem mexe os talheres é Antonio Palocci (PT-SP), deputado e ex-ministro da Fazenda. Em refeições reservadas, Palocci faz os contatos que visam conectar a campanha de Dilma às caixas registradoras do empresariado. PT nacional já busca um vice para Hélio Costa em MG Encaminha-se para o final a disputa entre PMDB e PT pela indicação do candidato ao governo de Minas Gerais na eleição de 2010. A direção nacional do PT inclina-se para o apoio à candidatura do ministro pemedebê das Comunicações, Hélio Costa, hoje na liderança das pesquisas. Embora o petismo mineiro ainda insista na tese do candidato próprio –Fernando Pimentel ou Patrus Ananias—, a cúpula do PT já se ocupa da escolha do vice. Por ora, o nome mais cotado para compor a chapa como segundo de Hélio Costa é o do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG). A prevalecer a estratégia urdida em Brasília, Patrus, o ministro do Bolsa Família, vai às urnas como candidato ao Senado. Quanto a Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, ficaria restrito à coordenação de campanha de Dilma Rousseff. Idealiza-se para Pimentel uma recompensa futura: uma cadeira de ministro num eventual governo Dilma. O repórter Valdo Cruz informou no final de semana que Lula já avisou ao PT que, em Minas, vai apoiar Hélio Costa. Ou seja, o alto comando do PT apenas cuida para que a vontade de Lula, que tem peso de lei no partido, seja observada. Parte-se de raciocínio óbvio: numa praça em que o prestígio do governador tucano Aécio Neves rivaliza com o de Lula, a divisão PT-PMDB prejudica Dilma. Deseja-se prover à presidenciável oficial um palanque único em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Na estratégia idealizada por Lula, Minas funcionaria como uma espécie de contrapeso de São Paulo, o Estado do rival José Serra. Imagina-se que, se bem votada entre os mineiros, Dilma atenuará a provável desvantagem que terá em relação a Serra na contagem dos votos paulistas. Nascida em Minas, Dilma fez-se politicamente no Rio Grande do Sul. O comando da campanha elabora uma estratégia para tonificar a origem mineira da candidata. Ao apresentar Dilma como presidenciável com gosto de pão de queijo, o governo deseja açular a aversão dos mineiros à opção preferencial por São Paulo. Um sentimento que, imaginam os estrategistas de Dilma, foi aguçado pelo PSDB ao optar por José Serra em detrimento de Aécio Neves. Cerimônia do Oscar serviu de lenitivo para os idiotas Bonitinho na forma, mas ordinário no conteúdo, Avatar não deixou alternativa à platéia: ou o espectador gosta do filme ou é inteligente. O estrepitoso e planetário sucesso da fita de James Cameron deixara no ar a impressão de que inteligência humana não é tão vasta quanto a tolice. Pois bem, na madrugada desta segunda (8), ao final da cerimônia de entrega do Oscar, a burrice estava, por assim dizer, redimida. O razoável "Guerra ao Terror", seis estatuetas, prevaleceu sobre "Avatar", com três. Até o signatário do blog, estúpido contumaz, sentiu-se um pouco menos tolo. Avatar beliscou apenas uma trinca de premiações técnicas: direção de arte, fotografia e efeitos especiais. Justo, muito justo, justíssimo. Seu contendor, com quem media forças em nove categorias, levou o título de melhor filme... ...Melhor direção (Kathryn Bigelow, primeira mulher a degustar tal triunfo), roteiro original, edição, edição de som e mixagem de som. Na humilde e pouco especializada opinião do repórter, o grande injustiçado da noite foi "Bastardos Inglórios", de Quentin Tarantino. Guerra por guerra, Tarantino, saíra-se melhor. Escapara ao politicamente correto de James Cameron. Esquivara-se da patriotada de Kathryn Bigelow. Dono de genialidade invulgar, Tarantino levou às telas uma inusitada releitura do nazismo. Revestiu o trágico com um manto diáfano de humor. Cáustico. Irônico. Beliscou apenas o Oscar de melhor ator coadjuvante, dado a um impecável Christoph Waltz. Merecia direção, roteiro adaptado e, quiça, melhor filme. Bom, porém, que não tenha levado muita coisa. O repórter pôde recostar a cabeça tola no travesseiro ainda mais convicto de sua própria idiotia. As manchetes desta segunda - Globo: Deslizamentos mataram seis no Estado - Folha: Filiais no Brasil seguram os resultados das múltis - Estadão: Onda de violência marca o dia de eleição no Iraque - JB: TRagédias e prejuízos após chuvas de 5 horas - Correio: Mensaleiros podem livrar Arruda de ação penal - Valor: Retaliação aos EUA taxa mais produtos de luxo - Estado de Minas: Empresas abrem portas para quem não tem experiência - Jornal do Commercio: Sport dá gleada e Santa volta ao G4 Lostucanato! Via O Tempo. Na Brasília de Arruda, até "luminosidade" é sombrosa Espantado com o que vê ao redor, o ministro Carlos Ayres Britto, do STF, comentou com os colegas: "Esse caso do Distrito Federal é tão singular que o personagem que se apresenta como provedor de luz tem o nome de Sombra". Plano do PT prevê Dilma à frente de Serra até julho O PT enganchou sua estratégia de campanha a uma meta: deseja que Dilma Rousseff ultrapasse José Serra nas pesquisas antes de 1º de julho. Pelo calendário da Justiça Eleitoral, é nesse dia que começa a propaganda eleitoral eletrônica. Os candidatos levarão a cara à TV e a voz ao rádio. Animado com o Datafolha que acomodou Dilma a quatro pontos dos calcanhares de Serra, o petismo passou a cultivar uma "certeza". Além de chegar à vitrine eletrônica na frente de Serra, Dilma vai ao ar com ares de "favorita". Um favoritismo tonificado pelo flerte do eleitor com a tese da "continuidade". Para converter pretensão em realidade, o PT ajusta sua tática. Nos próximos meses, planeja, por exemplo, intensificar as viagens de sua candidata a São Paulo. Nesse ponto, o plano do partido coincide com a vontade de Lula. Também ele avalia que o jogo da sucessão será jogado no Sudeste, com peso em São Paulo. Tomado pela leitura que o governo faz da conjuntura, o tucanato joga suas fichas em São Paulo e Minas. Daí a pressão para que Aécio Neves aceite ser vice. Enxerga-se lógica na movimentação do rival. O PSDB tenta compensar nos dois maiores colégios eleitorais a dianteira de Dilma nas regiões Nordeste e Norte. Lula e o PT farão o que puder para atrapalhar. Além dos seus próprios esforços, contam com um desgaste "natural" de Serra. Afora o estrago provocado pelas enchentes, estima-se que o PSDB está na bica de enfiar na coligação de Serra duas encrencas: Roberto Jefferson e Joaquim Roriz. Para tonificar o tempo de TV de Serra, menor que o de Dilma, o tucanato negocia a adesão do PTB de Jefferson e do PSC de Roriz. O petismo solta fogos. Acha que os dois novos aliados do adversário não serão digeridos pelo eleitor de classe média, simpático a Serra. Estima, de resto, que, de mãos dadas com Orestes Quércia (PMDB), Jefferson e Roriz, Serra perde as condições de se enrolar na bandeira da ética. O zero a zero no placar das perversões empurraria a disputa, segundo a visão de integrantes da cúpula do PT, para o campo programático. Nesse quesito, o PT acredita que Dilma tende a prevalecer de goleada. Por quê? Ela seria a única contendora com legitimidade para dizer que manterá Lula, aprofundando-o. Para o PT, Dilma tem a era Lula para apresentar. E Serra teria dificuldades para contrapor sua gestão paulista aos "feitos" de Brasília, de amplitude nacional. Imagina-se também que será fácil colar a imagem do ex-ministro Serra à de FHC, um ex-presidente que frequenta as pesquisas com semblante de rejeitado. Embora Serra ainda não tenha retirado a candidatura do armário, o PT já o tem como adversário. Mais: descrê da hipótese de Aécio virar vice. Torce para que o companheiro de chapa de Serra venha das fileiras do DEM. Algo que, mercê dos panetone$ do DF, lhe furtaria de vez o discurso da ética. Na prancheta, a estratégia do PT é infalível. Submetido ao acaso, personagem invisível e caprichoso, o plano terá de vencer o imprevisível. De concreto, apenas uma previsão é, por ora, infalível: pode até acontecer que a Dilma ganhe, na hipótese de que não perca. FHC esboça o "programa" da oposição para o pós-Lula Espicaçado pelos adversários e escondido pelos aliados, Fernando Henrique Cardoso tornou-se um franco-atirador político. Há um mês, no primeiro domingo de fevereiro, FHC levara aos jornais um artigo em que, advogado de si mesmo, defendera sua gestão. Aceitara, de resto, o repto plebiscitário de Lula: "Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer". Neste primeiro domingo (7) de março, em novo artigo, FHC tenta prover à oposição um esboço de "programa". Agora, olha pra frente. Fala de "futuro". "A hora é agora", anota FHC no título do artigo. "Hora de avançar a partir do que conseguimos nestes 25 anos de democracia e de buscar um futuro [...]". Vai abaixo um resumo da plataforma esboçada no texto do ex-presidente tucano: 1. Pilares Economia: "Controle da inflação, pelo sistema de metas, câmbio flutuante, lei de responsabilidade fiscal, autonomia das agências regulatórias, são pilares que podem se ajustar às conjunturas, mas não devem ser renegados, e não podem estar sujeitos a intervenções político-partidárias e interesses de facção". 2. Gastos públicos e comércio exterior: "O novo governo terá de cuidar de controlar os gastos correntes e de conter a deterioração da balança de pagamentos (sem fechar a economia ou inventar mágicas para aumentar artificialmente a competitividade de nossos produtos)". 3. Tamanho do Estado: "Perdemos tempo com uma discussão bizantina sobre o tamanho do Estado ou sobre a superioridade das empresas estatais em relação às empresas privadas ou vice-versa...". "...Ninguém propõe um "Estado mínimo", nem muito menos o PSDB. Outra coisa é inchar o Estado, com nomeações a granel, e utilizar as empresas públicas para servir a interesses privados ou partidários". 4. Estatal X privado: "A verdadeira ameaça ao desenvolvimento sadio não é privatizar mais, tampouco o PSDB defende isto. Empresas estatais se justificam em áreas para as quais haja desinteresse do capital privado ou necessidade de contrapeso público. Não devem acobertar ganhos políticos escusos nem aumentar o controle partidário sobre a economia". 5. Salário mínimo e política Social: "A política continuada de aumento real do salário mínimo a partir de 1994, a extensão de programas sociais a camadas excluídas e a difusão de mecanismos de transferência direta de renda (as bolsas), melhoraram as condições de vida e ampliaram o mercado interno. Tudo isso precisa ser mantido. Caberá ao novo governo reduzir os desperdícios e oferecer serviços de melhor qualidade, melhor avaliados e com menor clientelismo". 6. Gastos sociais X carga tributária: "Não se pode elidir uma questão difícil: a expansão dos impostos sustentou os programas sociais. Atingiu-se um limite que, se ultrapassado, prejudicará o crescimento econômico. É ilusão pensar que um país possa crescer indefinidamente puxado pelo gasto público financiado por uma carga tributária cada vez maior e pelo consumo privado. Falta investimento, sobretudo em infraestrutura, e falta poupança doméstica, principalmente pública, para financiá-lo". 7. Reforma tributária: "Maior poupança pública não virá de maior tributação. Ao contrário, é preciso começar a reduzir a carga tributária, sobretudo os impostos que recaem sobre a folha de pagamentos, para gerar mais empregos. Para investir mais, tributar menos e dispor de melhor oferta de serviços sociais, não há alternativa senão conter o mau crescimento do gasto". 8. Juros: A redução de tributos e a melhoria do gasto público "permitirá a redução das taxas de juros e o aumento da poupança pública, como condição para aumentar a taxa de investimento na economia. Sem isso, cedo ou tarde, se recolocarão os impasses no balanço de pagamentos, com a deterioração já perceptível das contas em transações correntes, e na dívida pública, que em termos brutos já ultrapassa 70% do PIB". 9. Corrupção: "Os escândalos de corrupção continuam desde o mensalão do PT [Nesse ponto, FHC esquece convenientemente de mencionar o tucanoduto mineiro, precursor das valerianas petistas]. Há responsabilidades pessoais e políticas a serem cobradas e condenadas" [inclusive as do grão-tucano Eduardo Azeredo, diga-se]. 10. Reforma política: "O sistema eleitoral e partidário está visivelmente desmoralizado. Uma reforma nesta área se impõe. Ela se fará mais facilmente no início do próximo governo e se houver um mínimo de convergência entre as grandes correntes políticas. O PSDB deve liderar esse debate na busca de consenso". 11. Segurança: "Há avanços no plano federal e em vários Estados. A expansão da criminalidade advém do crime organizado e do uso das drogas. O dia a dia das pessoas é de medo. As famílias e as pessoas precisam de nossa coragem para propor modos mais eficientes de enfrentar o tema. A despeito da melhoria do sistema jurisdicional e prisional, estamos longe de oferecer segurança jurídica às empresas e, o que mais conta, às pessoas". 12. Energia: "Olhando o futuro, falta estratégia e sobram dúvidas: o que faremos no campo da energia? Onde foi parar o programa do biodiesel? Que faremos com os êxitos que nossos agricultores e técnicos conseguiram com o etanol? Que políticas adotar para torná-lo comercializável globalmente?" 13. Petróleo: "A discussão sobre as jazidas de petróleo se restringirá à partilha de lucros futuros ou cuidaremos do essencial: a base institucional para lidar com o pré-sal, a busca de tecnologias adequadas e de uma política equilibrada de exploração?" 14. Educação: "E a "revolução educacional", que, com as honrosas exceções em um ou outro Estado, é apenas objeto de reverência, mas não de ação concreta? 15. O Brasil no mundo: "Que papel desempenharemos no mundo, o de uma subpotência bélica ou a de um país portador de uma cultura de convivência entre as diferentes raças e culturas, com tolerância e paz, embora cioso de sua segurança?" Em meio às certezas e às dúvidas que levanta, FHC vai se firmando como única voz da oposição capaz de enunciar idéias. Num instante em que Lula sapateia sobre o passado e Dilma avança sem um rival que lhe faça o contraponto, FHC, o rejeitado, se esforça para qualificar o debate. - Serviço: O artigo de FHC foi às páginas de vários jornais. Pressionando aqui, você chega à íntegra, veiculada pelo gaúcho "Zero Hora". As manchetes deste domingo - Globo: Metade da bancada do Rio responde a ação na Justiça - Folha: Governo descobre conta de filho de Sarney no exterior - Estadão: Brasil já é o terceiro maior exportador agrícola do mundo - JB: Quilombro polêmico assusta a Lagoa - Correio: Ministro da Justiça não vê clima para a intervenção - Veja: Exclusivo: Caiu a casa do tesoureiro do PT - Época: Os segredos dos bons alunos - IstoÉ: Estudos chegaram a um novo arsenal de remédios e tratamentos - IstoÉ Dinheiro: Meninos do Rio - CartaCapital: O plebiscito em marcha - Exame: Os tentáculos do Estado Gato Borralheiro! Via blog do Nani. PF vê desvio de R$ 700 mi em 303 obras "varejadas" O repóter Flávio Ferreira pendurou na manchete da Folha uma dessas notícias azedas. Coisa com potencial para azedar o final de semana do cidadão que se prapara para declarar o Imposto de Renda. Diz a notícia: Levantamento feito pela Polícia Federal apontou superfaturamento de cerca de R$ 700 milhões em 303 obras públicas investigadas em 2009. Quem manuseia o texto fica sabendo que, de cada R$ 100 despejados pelo Estado em canteiros de obras, R$ 29 foram superfaturados, em média. O trabalho inclui obras sob a responsabilidade do governos federal, de Estados e de municípios. São estradas, sistemas de esgoto, portos e aeroportos. Todos os empreendimentos receberam verbas do Tesouro Nacional. Daí o interesse da PF. A políticia farejou o superfaturamento por meio de perícias. Foram feitas no ano passado. Envolveram onbras recém-iniciadas e antigas. O campeão do sobrepreço é o Rio de Janeiro. Ali, foram varejadas 14 obras. Os desvios alçaram a casa dos R$ 148 milhões. Vêm a seguir Goiás (superfaturamento de R$ 136 milhões em nove obras) e São Paulo (sobrepreço de R$ 134 milhões em quatro obras). No Distrito Federal, perscrutou-se apenas uma obra, na qual a Viúva foi lesadea em R$ 87 milhões. As apurações da PF correm em segredo. Por isso, não foram divulgados os nomes das empresas e das pessoas físicas envolvidas nos malfeitos. O repórter apurou, contudo, que uma das obras mais vistosas incluídas no levantamento da PF é a Ferrovia Norte-Sul. Começou sob a presidência de José Sarney. Hoje, é um dos empreendimentos prioritários do PAC. Laudo referente a um pedaço da ferrovia –105 quilômetros de trilhos assentados entre Santa Isabel e Uruaçú, em Goiás, aponta desvio de cerca de R$ 55 milhões. A Valec, empresa que toca a Norte-Sul disse que não recebeu nenhuma notificação da PF. Lorota. Por via das dúvidas, afastaram-se o diretor de engenharia e a chefe da auditoria interna da empresa. A Valec informa que auditoria do TCU apontara o sobrepreço. Em defesa protocolada no tribunal, a empresa contesta. Veja: Dinheiro da Bancoop irrigou campanha de Lula O Ministério Público de São Paulo investiga há três anos uma entidade criada e gerida por petistas. Chama-se Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). Em reportagem de capa, disponível na web para assinantes, a revista Veja informa que, na semana passada, o promotor José Carlos Blat, responsável pelo caso, recebeu os dados referentes à movimentação bancária da entidade. São 8 mil registros, espremidos em 30 volumes. Cobrem o período de 2001 a 2008. Por ora, Blat conseguiu perscrutar um terço das ordens de pagamento que lhe chegaram graças à quebra do sigilo bancário da Bancoop. Os achados parciais levaram José Carlos Blat a concluir: "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002". Nesta sexta (5), o promotor levou à Justiça uma petição na qual requer duas providências: o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário de uma pessoa física. Chama-se João Vaccari Neto (na foto). Filiado ao PT e amigo de Lula, ele foi diretor financeiro e presidente da Bancoop. Acaba de ser guindado pelo partido a um novo posto. Foi nomeado tesoureiro nacional do PT. Como gestor das arcas partidárias, vai cuidar das finanças da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Assinada pela repórter Laura Diniz, a notícia de Veja informa o seguinte: 1. A Bancoop converteu-se, em 2005, num tormento para seus milhares de associados. Prometera o sonho da casa própria a preços 40% menores que os de mercado. Produziu escombros. 2. Cerca de 400 famílias foram à Justiça contra a cooperativa. Alegam ter quitado suas dívidas. Além de não receber os imóveis, viram as prestações se multiplicar. 3. Os dados bancários manuseados pelo promotor Blat ajudam a explicar o porquê da ruína. Revelam, segundo Veja, que a Bancoop, "nas mãos de dirigentes petistas, se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido". 4. A análise parcial dos extratos já permitiu ao Ministério Público detectar uma movimentação suspeita de cerca de R$ 31 milhões. Saques em dinheiro, feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop em favor dela mesma ou do banco em que opera. 5. Esquadrinhou-se um lote de cheques emitidos entre 2003 e 2005. Forniram com R$ 10 milhões os bolsos de quatro dirigentes da cooperativa. 6. São eles: o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga. Os três primeiros morreram num acidente de carro, em 2004, na cidade de Petrolina (PE). 7. Eram donos de uma empreiteira chamada Germany. Tinha como único cliente a Bancoop. Um engenheiro chamado Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável pelas obras da cooperativa, contou em depoimento que as notas emitidas pela Germany contra a Bancoop carregavam um superfaturamento de 20%. 8. O Ministério Público esquadrinha as relações da Bancoop com outra empresa, a "consultoria contábil" Mizu. Pertencia aos mesmos donos da Germany. Detectaram-se, por ora, seis pagamentos. Coisa de 2002. Foram escriturados sob a rubrica "doação PT". Somam R$ 43,2 mil. Até setembro do ano passado, a lei desautorizava doações eleitorais de cooperativas. 9. Da contabilidade da Bancoop emerge outro nome: Freud Godoy. Vem a ser aquele ex-segurança das campanhas de Lula citado no caso dos aloprados, o ainda inexplicado escândalo da compra de um dossiê antitucanos, na campanha de 2006. 10. Isentado no episódio dos aloprados, Godoy recebeu da Bancoop, entre 2005 e 2006, 11 cheques. Total: R$ 1,5 milhão. Dinheiro destinado à empresa que era dirigida por ele: Caso Sistemas de Segruança. 11. Segundo a revista, "depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002, que levou Lula à Presidência da República". 12. Chama-se Andy Roberto uma das testemunhas. Trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro, aquele ex-presidente da coopetartiva que morreu, junto com um par de ex-diretores, no acidente de carro de 2004. 13. Contou que Malheiro entregava envelopes de dinheiro diretamente a João Vaccari, nessa época presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e, no dizer de Veja, "responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula". 14. Reinquirido pela revista, Andy Roberto não repetiu as mesmas palavras que dissera ao Ministério Público. "Mas disse estar convicto de que isso ocorria". 15. Veja anota que a testemunha "relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari". 16. Eis o que disse Andy Roberto: "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Segundo ele, os maços de dinheiro eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. 17. A testemunha prosseguiu: "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar". Ao acomodar Vaccari na mesma tesouraria que, até 2005, havia sido ocupada por Delúbio "Valerianas" Soares, o petismo sabia dos riscos que corria. Começou a pagar o preço. Arruda usou polícia do DF para atrapalhar apurações Em depoimentos, policiais civis revelam ações subterrâneas Antônio Cruz/ABr Na sessão em que o STF decidiu manter José Roberto Arruda (ex-DEM) na cadeia, a vice-procuradora-geral da República Deborah Duprat fez uma revelação. Falou de "novas provas". Evidências do envolvimento do governador preso em ações urdidas para melar investigações de malfeitos. Citou um nome: Marcelo Toledo. Mas não desceu a detalhes. Apenas informou que as provas emergiram de depoimentos colhidos depois da prisão de Arruda. Deve-se aos repórteres Andrei Meireles e Marcelo Rocha a descoberta dos dados que Deborah Duprat esquivou-se de esmiuçar. A dupla obteve cópia dos novos testemunhos. O resultado do trabalho foi às páginas da última edição da revista Época. Descobriu-se que, além de tentar subornar uma testemunha, Arruda utilizara-se da Polícia Civil para melar apurações de corrupção. Chama-se Celso Ferro uma das pessoas ouvidas pelo Ministério Público. Delegado, ele chefiou o setor de a inteligência policial entre 2001 e 2009. Relatou que, depois de se aposentar, em março do ano passado, foi contratado por Arruda. Virou "consultor de inteligência". Candidato à reeleição, Arruda deu a Celso Ferro um par de missões: 1. Descobrir fatos que tivessem o potencial de "comprometer a imagem" de Arruda, conspurcando-lhe os planos reeleitorias. 2. Espionar os passos dos "prováveis opositores" de Arruda nas eleições de 2010. Na imagem abaixo, um trecho do depoimento de Celso Ferro, veiculado pela revista: Note que Celso Ferro faz menção a uma conversa que manteve com Domingos Lamoglia, "provavelmente em maio de 2009". Repare que, ao final do trecho reprozido acima, o espião reconhece ser o autor de um documento intitulado "Anotações Pertinentes". Pois bem, Domingos Lamoglia é conselheiro do Tribunal de Contas do DF. Foi afastado das funções depois da explosão do panetonegate. Antes, atuara, por 20 anos, como assessor de Arruda. Em batida na Casa de Lamoglia, a PF recolhera o texto "Anotações Pertinentes". Apócrifo, escrito no ano passado. Contém detalhes de investigações da Polícia Civil de Brasília. Leia aqui. Menciona investigação de suposta fraude numa licitação de publicidade na CEB (Cia Energética de Brasília). No centro da encrenca, Wellington Moraes, então secretário de Comunicação de Arruda. O sobrepreço, diz o texto, seria de 20%. Celso Ferro informou que "relatório de inteligência do COAF [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] aponta recursos e movimentações suspeitas, vindas do exterior para Welington Moraes". Anotou que estavam sob escuta telefônica "todos os subsecretários da Secretaria de Desenvolvimento Social". Disse que "autoridades superiores" soavam nos grampos. Entre elas o governador e o então vice, Paulo Octávio. "Merece cuidado", escreveu. Citou a apuração de "desvios de recursos da área de Tecnologia". Coisa do "atual governo". Mas "evidências" apontariam para o ex-governador Joaquim Roriz. A certa altura, o "consultor de inteligência" de Arruda faz uma "observação importante": "A Divisão de Crimes Contra a Administração Pública [...] (Cícero) [...] dispõe de informações de grande interesse político". O personagem citado é o delegado Cícero Monteiro. Sucedeu Celso Ferro na chefia da área de inteligência policial. Também prestou depoimento. Contou ao Ministério Público que, em junho de 2009, Arruda convocara a cúpula da Secretaria de Segurança do DF para uma reunião. Deu-se na residência oficial do governador, em Águas Claras. Disse que Arruda pediu apoio da polícia contra a oposição. Mais: cobrou informações sobre inquéritos policiais que corriam em segredo de Justiça. O governador cobrara: "Quero saber se o Toledo está sendo investigado", disse. Trata-se de Marcelo Toledo, o nome que a vice-procuradora-geral Deborah Duprat deixara boiando na atmosfera do plenário do STF, na noite de quinta (4), quando a manutenção de Arruda na cadeia prevaleceu por 9 votos a 1. Confira abaixo um trecho do depoimento do delegado Cícero Monteiro. Toledo, o personagem que tanto interessava a Arruda, é policial civil aposentado. É investigado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro numa operação apelidada de "Tucunaré". Nasceu na Polícia Civil de Brasília. Hoje, é tocada pela PF. O ex-vice-governador Paulo Octávio é mencionado no inquérito. No instante em que Arruda cobrava informações, os integrantes da cúpula da polícia, contou o delegado Cícero, avistaram através do vidro a figura de Marcelo Toledo. Estava no jardim, na companhia de Marcelo Moraes. Espremidos, os delegados alegaram desconhecimento. Ficaram de buscar informações. Num terceiro depoimento, o Ministério Público ouviu o delegado Marco Aurélio de Souza. Até junho de 2009, dirigiu a Divisão de Repressão a Crimes contra a Administração Pública, onde se concentram as investigações de casos de corrupção. Foi inquirido sobre o conteúdo do texto "Anotações Pertinentes". Disse que Celso Ferro "sempre teve uma grande rede de informantes". Declarou que não descartava a hipótese de o "consultor de inteligência" de Arruda ter obtido as informações na Polícia Civil. Falou da reunião com o governador: O delegado Marco Aurélio forneceu dados que corroboram a relevância das "anotações pertinentes" do espião de Arruda. Citou, por exemplo, o movimento atípico detectado pelo COAF em empresa ligada a Welington Moraes... Discorreu sobre a investigação que levara Celso Ferro a escrever: "Merece Cuidado": Como se vê, as evidências a que se referia a vice-procuradora-geral Deborah Duprat reforçam, de fato, o acerto da decisão do Supremo de manter Arruda na cadeia. As manchetes deste sábado - Globo: Nenhum candidato poderá participar de inaugurações - Folha: PF apura desvios de R$ 700 milhões em 303 obras públicas - Estadão: Privatização de aeroportos fica para o próximo governo - JB: No Iraque, quem decreta o recolher é a Al Qaeda - Correio: Arruda se rebela contrea impeachment Samba de uma nota só! Via O Dia. PT acusa oposição de "golpista" e convoca "militância" Partido diz que rivais estão imersos em "mar de corrupção" Em resolução oficial, equipara SP, de Serra, ao DF e ao RS. Reunido em Brasília, o diretório nacional do PT aprovou resolução em que acusa alimentar um "discurso golpista". Em reação, o partido faz um chamamento à tropa: "Este é momento de a militância petista sair às ruas e intensificar suas ações para reeleger nosso projeto de país". O texto foi construído a partir de esboço submetido na véspera à Executiva do PT pelo presidente da legenda, José Eduardo Dutra. Insinua que o crescimento de Dilma Rousseff nas pesquisas levou os opositores do governo a adotar um "discurso de radicalização política e social". Enxerga no mobimento uma ofensiva "contra as conquistas do governo Lula e a pré-candidatura Dilma". Cita três exemplos do que considera evidências da "radicalização" golpista: 1. Os ataques ao terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos. 2. A reação à Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), que aprovou diretriz favorável ao "controle social" da mídia. 3. A instalação, na Câmara da CPI do MST, uma tentativa "criminalização dos movimentos sociais". A essas três "evidências", o PT acrescenta, sob a expressão "entre outras", um etecétera de motivações. O esboço da véspera fazia menção explícita à tentativa de ressuscitar o escândalo do mensalão, de 2005. No texto aprovado, o tema sumiu. A resolução do PT faz menção aos escândalos que tisnam a imagem da oposição. Iguala São Paulo, sob José Serra, ao Distrito Federal e ao Rio Grande do Sul. Diz o texto, em seu item 7: "Apesar das divisões internas no campo adversário e a despeito do mar de corrupção e incompetência administrativa..." "...Como no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul e em São Paulo, as forças do atraso começam a se reorganizar a partir da definição do nome que irá representá-las..." "...Adotam, desde já, um discurso de radicalização política e social contra as conquistas do governo Lula e a pré-candidatura Dilma [...]". Ou seja, para o PT, o governador tucano José Serra, iguala-se em perversão ao colega "demo" José Roberto Arruda, preso desde 11 de fevereiro. O partido equipara o presidenciável do PSDB também à correligionária tucana Yeda Crusius, às voltas com desvios de mais de R$ 40 milhões no Detran-RS. Os ataques da oposição, o documento do PT, não "são novidades". Por quê? "Nos anos 80 e 90, nas eleições de 2002 e 2006..." "...E ao longo dos quase oito anos de governo Lula, as forças de direita e neoliberais agiram da mesma forma". Hoje, prossegue o texto, "frente à derrota que sofrerão nos próximos anos, já alimentam um discurso golpista". No esboço de Dutra, o PT era apresentado como vítima de uma "guerra de extermínio". Entre os inimigos, a "mídia" e "setores do empresariado". Na versão aprovada pelo diretório, a "guerra" deu lugar ao "golpismo". O "empresariado", de cujas caixas registradoras virão as verbas da campanha, sumiu. Quanto à "mídia", a suposta adesão às causas da oposição é insinuada no item nove da resolução do diretório. Diz o seguinte: "A reeleição do presidente Lula, em 2006, sacramentou a idéia de que existe um limite entre "opinião pública" e "opinião publicada"." Dito de outro modo: o êxito de Lula, refletido nos altos índices de popularidade, prevaleceu sobre os "inimigos" da imprensa. Mas, tomado pelo teor de sua resolução, o PT acredita que não é o momento de depor as armas. Vai manter a sua guerra particular. "Ainda há um longo caminho a ser percorrido. Não podemos nos acomodar com o cenário momentaneamente positivo". Segue-se a convocação à "militância" para "sair às ruas". O partido de Lula considera-se bem posto na briga sucessória. O documento divulgado nesta sexta (5), cuida de envernizar a tese do plebiscito –"Nós contra eles", no dizer de Lula. "O PT e seus aliados chegam a março de 2010 bem posicionados para a disputa eleitoral", escreveu o partido. Uma "disputa que definirá se o Brasil continua avançando ou se retrocede aos anos de desemprego, ausência do Estado, repressão social e submissão internacional que marcaram o desgoverno demo-tucano na década de 90". Lula pode deixar decisão sobre Battisti para sucessor Uma decisão da Justiça Federal do Rio pode transferir para o próximo governo a decisão sobre a extradição de Cesare Battisti. Preso em Brasília, o ex-guerrilheiro italiano acaba de pendurar em sua ficha uma condenação por uso de passaporte falso no Brasil, em 2007. Dois anos de de prisão em regime aberto. Deve-se a condenação ao juiz Rodolfo Kronemberg Hartmann, da 2ª Vara da Justiça Federal do Rio. Como Battisti não tem "antecedentes criminais" no Brasil, o magistrado impôs a ele a pena mínima. Mais: substituiu-a por prestação de serviços comunitários e pagamento de multa de dez salários mínimos. Coisa de R$ 5,1 mil. O problema é que, uma vez condenado no país, Battisti terá de cumprir a pena antes de uma eventual extradição. A Itália deseja que o Brasil lhe devolva Battisti, condenado a prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 70. O Ministério da Justiça, ainda na gestão do ex-ministro Tarso Genro, concedera a Battisti o status de refugiado político. Porém, ao julgar o pedido de extradição, o STF desconstituiu o ato de Genro. E autorizou a devolução do ex-guerrilheiro à Itália. A batata quente foi ao colo de Lula. Em privado, o presidente revela-se desejoso de manter Battisti no Brasil. Uma decisão que certamente devolveria o caso ao STF. O Brasil mantém com a Itália um tratado de extradição. Ratificado pelo Congresso, tem peso de lei. Para os italianos, o documento impõe a extradição. Atraído pelo tema, chega ao Brasil na semana que vem o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. Vai desembarcar nas pegadas da condenação brasileira de Battisti. Uma novidade que leva a assessoria de Lula a reavaliar a encrenca. Numa primeira análise, concluiu-se que talvez convenha a Lula legar o nó ao próximo presidente. Algo que, se confirmado, dará a Battisti uma incômoda aparência de herança maldita. Candidato do PMDB no RS, Fogaça fecha com o PDT Disputado por Tarso Genro (PT) e José Fogaça (PMDB), o PDT gaúcho decidiu fechar com o segundo. O pemedebê Fogaça vai à disputa pelo governo do Rio Grande do Sul tendo como candidato a vice o deputado pedetê Pompeo de Mattos. Deve-se a informação à repórter Rosane Oliveira. Além de entregar a vice, Fogaça assumiu um segundo compromisso. Em caso de triunfo, o PDT terá no novo governo "espaço" equivalente ao do PMDB –a mesma quatidade de cargos, peso político análogo. Hoje, o PDT já ocupa, sob Fogaça, a vice-prefeitura de Porto Alegre. Vai herdar dois anos e nove meses de mandato no comando do município. O acerto com o PDT era mencionado por Fogaça como pré-condição para sua candidatura a governador. Agora, o principal adversário do ex-ministro petê da Justiça, Tarso Genro, vai atrás de outras legendas que, em Brasília, gravitam ao redor de Lula: PSB, PTB e PP. Com esses movimentos, Fogaça achega-se, devagarinho, à candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Para desassossego de José Serra. Em texto, PT se diz vítima de "guerra de extermínio" O PT reúne em Brasília, nesta sexta (5), o seu diretório nacional. Na pauta, o "debate da conjuntura e de procedimentos para as eleições de 2010". Entre as peças que irão a voto está um texto assinado pelo presidente da legenda, José Eduardo Dutra (foto). O documento confere ares oficiais a uma tese que se dissemina pelo petismo. Anota que o partido é vítima de uma "guerra de extermínio". Em termos genéricos, elege como inimigos a "mídia" e "setores do empresariado". Segmentos que, na visão do PT, aliaram-se à oposição. Como parte da "guerra" aberta com o propósito de "exterminar", diz-se que há na praça uma tentativa de ressuscitar o escândalo do mensalão. Dutra não é defensor solitário da tese da "guerra". Acompanham-no os demais integrantes da cúpula do PT. O documento escala o diretório com o aval da Executiva do partido, que realizou em Brasília, nesta quinta (4), uma reunião preparatória. No processo de discussão, o texto de Dutra pode sofrer emendas. Depois de aprovado, será divulgado na forma de manifestação oficial. Recém "renovado", o diretório petista é integrado por 83 pessoas. Entre elas, a propósito, expoentes do pedaço mensaleiro do partido. Foram reacomodados no órgão diretivo máximo do PT personagens como José Dirceu, José Genoino e João Paulo Cunha. Todos réus na ação penal que apura, no STF, os malfeitos praticados, em 2005, pelo grupo que o Ministério Público chamou de "quadrilha". Ou seja, tomando-se a sério o enredo da "guerra", o PT desce ao front no papel de provedor de munição. Na parte da reunião dedicada aos "procedimentos" eletorais, o diretório deve aprovar resolução destinada a disciplinar as suas próprias guerras. Pelo script esboçado na Executiva, o partido deseja inibir a realização de prévias nos Estados em que há disputas internas pelas candidaturas de senador e governador. Para evitar que o periférico –as disputas regionais— contamine o essencial –a candidatura presidencial— o PT tentará dissolver suas encrencas em acordos. Entendimentos que passem pela mesa de negociação com os demais partidos que integram a superaliança formada ao redor de Dilma Rousseff. STJ mantém suspensão de ação da "Castelo de Areia" O STJ decidiu manter no freezer ação penal que corre em São Paulo contra três diretores da empreiteira Camargo Corrêa. Aberta em janeiro, em pleno recesso do Judiciário, a ação havia sido suspensa pelo presidente do STJ, Cesar Asfor Rocha. Decisão liminar (provisória). De volta das férias, o tribunal recebeu recurso do Ministério Público. Um "agravo regimental", segundo a terminologia técnica. O recurso foi à mesa da ministra Maria Thereza de Assis Moura, que assumira a relatoria do caso depois do fim do recesso judiciário. Nesta quinta (4), a ministra levou o caso à 6ª turma do STJ. Votou pelo desconhecimento do recurso, sem análise do mérito do pedido. Segundo ela, o "agravo regimental" não é ferramenta própria para contestar a concessão de uma liminar. Os colegas de turma a acompanharam. Assim, a ação fica no congelador até que o STJ julgue, em termos definitivos, a petição dos executivos da construtora. Aquela que levara à concessão da liminar. A decisão beneficia, por ora, uma trinca de réus: Pietro Francesco Giavina Bianchi, Dárcio Brunato e Fernando Dias Gomes. Diretores da Camargo Corrêa, eles haviam sido levados à grelha em março do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Castelo de Areia. No inquérito, investigam-se malfeitorias variadas –do superfaturamento de obras públicas, à evasão de divisas, passando por doações "ilegais" a partidos políticos. Denunciados pelo Ministério Público, os executivos foram convertidos em réus em ação aberta pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de SP. Concedida em janeiro e mantida agora, a liminar que suspendeu a ação baseou-se em petição na qual os réus apontam um "vício" processual. Alegam que todo o inquérito se baseou numa "denúncia anônima". Algo que o Ministério Público contesta. Em data ainda não marcada, o STJ terá de se debruçar sobre o miolo do problema. Só então a platéia saberá se a ação será ou não reaberta. Até lá, o juiz De Sanctis fica de mãos atadas. O mesmo magistrado que, em decisão de outra turma do STJ, a 5ª, foi devolvido aos calcanhares de Daniel Dantas. Aliado de Dilma, Garotinho tem os bens "bloqueados" O casal Anthony e Rosinha Garotinho teve os sigilos bancários quebrados e os bens bloqueados pela Justiça. Deu-se menos de 24 horas depois de o partido de Garotinho, o PR, ter selado o apoio à candidatura presidencial de Dilma Rousseff. Como parte do acordo, prevê-se que Dilma frequentará o palanque de Garotinho, candidato ao governo do Rio. Mantido o acerto, a preferida de Lula posará ao lado de personagem suspeito de desviar algo como R$ 58 milhões das arcas fluminenses. A cifra consta dos autos que agora alvejam Garotinho. Além do ex-governador e da mulher dele, são acusados no processo outras 86 pessoas. Entre elas, uma celebridade: a atriz Deborah Secco, cujo pai, Ricardo Secco, é um dos protagonistas da investigação. O patriarca da família Secco é apontado pelo Ministério Público do Rio como gerenciador de um esquema que desviava verbas do Estado para ONGs. Ricardo Secco teria depositado um pedaço dos recursos em contas de familiares, inclusive da filha ilustre. Procurada, Deborah Secco mandou dizer que não vai se pronunciar enquanto não se inteirar dos detalhes. Afirmou que não se envolve com política. Garotinho, como sói acontecer, atribui a encrenca a uma "jogada eleitoreira" do Ministério Público. Coisa destinada a produzir "espetáculo pirotécnico". Ao empurrar o PR para dentro de sua megacoligação, Dilma atiçara um escândalo antigo. A legenda é sucessora de uma agremiação protomensaleira, o PL. Ao flertar com Garotinho, além de cutucar a paciência do governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição e rival de Garotinho, Dilma aproxima-se de escândalos novos. As manchetes desta sexta - Globo: STF mantém Arruda preso e impeachment é aberto - Folha: Justiça reabre processos contrea Daniel Dantas - Estadão: Grandes empresas ampliam lucros ao aderir ao Refis - JB: O drama de ser usuário do Santos Dumont - Correio: STF nega habeas corpus a Arruda - Valor: Grandes lojas superam tabu e lucram com cartão híbrido - Estado de Minas: O recado de Minas - Jornal do Commercio: Menos espera por consultas médicas Companhias: excesso e escassez! Via 'O Tempo' e 'JB'. STF nega habeas corpus e mantém Arruda na cadeia Câmara Legislativa aprova abertura do impeachment: 19X0. José Roberto Arruda vai continuar na cadeia. Por 9 votos a 1, o STF indeferiu habeas corpus formulado pela defesa do governador do DF. Para completar o infortúnio de Arruda, o plenário da Câmara Legislativa aprovou parecer favorável à abertura do processo de impeachment. Votação eloquente: 10 a zero. No Supremo, o ministro Marco Aurélio Mello, o relator que já havia negado o pedido de liberdade em decisão liminar e individual, ratificou sua posição em voto levado ao plenário. Só o ministro Dias Tofolli discordou. Alegou que Arruda deveria ganhar o meio-fio porque os procedimentos judiciais contra o governador dependeriam de autorização legislativa. Ex-advogado da União e ex-defensor do PT, Tofolli é o ministro mais novo do Supremo, o último a ser indicado sob Lula. Todos os outros ministros seguiram a posição de Marco Aurélio. Alguns deles se expressaram em timbre de rara convicção, tingindo o voto com cores fortes. Ouça-se, por exemplo, o ministro Carlos Ayres Britto: "Dói em cada um de nós, na alma e no coração, ver um governado sair do palácio para a cadeia..." "...Isso acabrunha o país e constrange cada um de nós enquanto seres humanos. Mas o fato é que há quem chegue às maiores alturas só para fazer as maiores baixezas..." "...Muitas prisões de altas autoridades se fazem necessárias pelo seu caráter profilático". Antes, Marco Aurélio já havia declarado: "É tempo de propalar-se aos quatro ventos: a lei, documento abstrato, é universal..." "...Assim o requer a República, assim reclama a democracia, assim o exige o povo brasileiro. Assim há de pronunciar-se o Judiciário..." "...Descabe distinguir onde a lei não distingue [...]. Fora disso, prevalece o despotismo, consagrando-se uma casta privilegiada". Além de Marco Aurélio e Ayres Britto, votaram pela manutenção de Arruda na prisão: Carmen Lucia, Ricardo Levandowski, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Celso de Mello e Gilmar Mendes. Da tribuna, o advogado Nélio Machado fez uma derradeira e frustrada tentativa de virar o placar, esboçado aqui no blog desde a véspera. Em sua sustentação oral, o defensor de Arruda tachou a prisão de ilegal. Alegou que seu cliente não foi ouvido. Invocou a necessidade de autorização prévia da Câmara Legislativa. Insinuou, de resto, que teria o STJ teria atropelado procedimentos regulares. Por exemplo: o pedido de prisão não passou pelo protocolo. Outro exemplo: em sua decisão, o relator Fernando Gonçalves, do STJ, teria simplesmente copiado os argumentos do Ministério Público. Na sequência do julgamento, as teses da defesa foram ruindo, uma após outra. Rebateu-as, primeiro, a vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat. Depois dela, em voto que percorreu cada detalhe do processo, o relator Marco Aurélio terminou de afastar as alegações da defesa. Disse, em essência, o seguinte: não caberia, por absurdo, ouvir o governador sobre o pedido de prisão. A detenção preventiva não depende de autorização do Legislativo... ...No mais, ao reproduzir as razões do Ministério Público, o autor do decreto de prisão, Fernando Gonçalves, não inovara. O procedimento é usual. Marco Aurélio elogiou a qualidade do trabalho da Polícia Federal e da Procuradoria da República. Leu trechos dos autos que demonstram que Arruda estava por trás da tentativa de corromper uma testemunha. O governador descera à prisão justamente por tentar desvirtuar as investigações, comprando um testemunho e injetando no processo um documento de teor falso. Último a votar, Gilmar Mendes, presidente do STF, disse que tinha em relação ao caso mais "dúvidas" do que "convicções". Disse, por exemplo, que "parece um pouco naif (ingênuo)" a tese de que Arruda compraria uma testemunha "para provar que fitas foram adulteradas". Para isso, disse ele, "não se precisa de testemunha, mas de perícia". A despeito das ressalvas, Gilmar rendeu-se à maioria. E indeferiu o habeas corpus, "tendo em vista os elementos dos autos". - Serviço: Pressionando aqui, você chega à íntegra do voto do relator Marco Aurélio. A peça vale o desperdício de tempo. "Aécio presidente", grita a mineirada, diante de Serra. A discursar na inauguração da Cidade Administrativa, nova sede do governo mineiro, Aécio Neves enrolou-se na bandeira do Estado: "Minas é minha causa, minha casa, meu chão. Minas é minha pátria", disse o governador tucano. Em resposta, a claque mineira presente ao evento pôs-se a gritar: "Aécio presidente, Aécio presidente, Aécio presidente..." Na platéia, ouvidos bem abertos, José Serra, o 'quase-futuro-talvez-quem sabe' candidato do PSDB à presidência da República. Aparentemente aferrado à decisão de disputar o Senado, Aécio cuidou de injetar no discurso um elogio ao correligionário: "Serra é um grande companheiro destas e também de outras lutas, um amigo". Depois, em entrevista, Aécio reafirmou a intenção de buscar nas urnas de 2010 a cadeira de senador, não de presidente. Disse que nem mesmo a eventual desistência de Serra o devolveria à quadra nacional: "Isso não se cogita. Esta questão não tem sido cogitada e eu sequer a cogito..." "...Quando deixo a disputa presidencial não faço isso para que isso volte lá na frente". E quanto à hipótese de ser candidato a vice na chapa de Serra? Aécio voltou a dizer "não". Porém... Porém, soou como se deixasse entreaberta a porta: "O homem público que não resiste às pressões não merece fazer política..." "...Sou um homem de convicções. Tenho as minhas e enquanto elas não se alterarem, eu sigo meu rumo..." "...Se alguém, em determinado momento, me convencer do contrário, eu tenho que avaliar". "Tenho que avaliar..." Mas já não tinha avaliado? Hummmmm! A pajelança mineira reuniu em torno de Aécio um público estimado em mais de 7 mil pessoas. Entre os anônimos, personalidades e políticos de diversos partidos. Contados pelas saudações feitas por Aécio, em discurso, os convidados ilustres foram 46 -do vice presidente José Alencar ao governador cearense Cid Gomes. O interminável etc. incluiu governadores, prefeitos, congressistas, ministros de Lula e até o presidente do STF, Gilmar Mendes. Uma audiência de cabeça de chapa, não de vice. Ficou boiando na atmosfera um raciocínio que o anfitrião costumava brandir na fase em que ainda media forças com Serra pela vaga de presidente: "Eu sou mais agregador". Para Serra, a cerimônia teve gosto de alçapão. Entrou mudo. Saiu sem dar entrevistas. Se não comparecesse, passaria a impressão de falta de unidade. Presente, teve de engolir o coro de "Aécio presidente". Compreensível o silêncio de Serra. Em jogo, o eleitorado de Minas, o segundo maior do país. Melhor calar do que correr o risco de contrariar. Líder do governo nega "licença" de Lula na campanha Líder de Lula na Câmara, o deputado Cândido Vacarezza (PT-SP) negou que o presidente vá tirar licença para fazer campanha por Dilma Rousseff. A novidade da licença emergira da manchete de "O Globo". Em sua edição desta quinta (4), o jornal anotara que Lula iria à campanha em agosto e setembro. Licenciando-se, Lula entregaria a cadeira ao presidente do Senado, José Sarney, o único da linha sucessória que não disputará votos. "Isso não tem nem pé nem cabeça", disse Vacarezza, após consultar o Planalto. "A licença nunca foi cogitada pelo presidente Lula". O líder lembrou que o presidente não recorrera à licença nem mesmo em benefício próprio, quando disputou a reeleição, em 2006. A ideia da licença de Lula já havia frequentado o noticiário no ano passado. Nascera de uma sugestão do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). Na ocasião, informara-se que Lula ficara de pensar. A notícia desta quinta parecia indicar que, após a reflexão, o presidente abraçara a tese. Se Vaccarezza puder ser tomado a sério, tudo volta à estaca zero. E o país se livra de dois meses de presidência de Sarney. Não é, convenhamos, pouca coisa. STJ rejeita recurso de DD e "ressuscita" a Satiagraha Como previsto, a 5ª Turma do STJ julgou recurso formulado por Daniel Dantas. Para gáudio da platéia, mandou-o ao arquivo. Por 4 votos a 1, o tribunal decidiu manter nos cancanhares de Dantas o juiz Fausto de Sanctis (foto), que a defesa acusara de "parcial". Com isso, preservaram-se todos os atos praticados pelo juiz. Inclusive a sentença que condenou Dantas a dez anos de cana por "corrupção ativa". De resto, De Sanctis está agora de mãos desatadas. Ficou liberado para proferir a sentença em ação penal que repousa sobre sua mesa. Nessa ação, Dantas e Cia. são acusados de crimes financeiros variados –lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas... ...Formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras. A decisão do STJ como que ressuscitou a Operação Satiagraha, cujos processos haviam sido suspensos, por meio de lminar, em dezembro do ano passado. Governo reúne tropa contra o tônico do Bolsa Família Há coisas que são tão sérias que é impossível não rir delas. Por exemplo: petistas e tucanos realizam ao redor do Bolsa Família um balé de elefantes. No início da semana, os tucanos arrancaram da Comissão de Educação do Senado a aprovação de um projeto de Tasso Jereissati (PSDB-CE). Prevê o pagamento de benefício extra às famílias cujos filhos sejam capazes de plantar boas notas ao boletim escolar. Em reação, Lula pediu à oposição que informe de onde virá o dineiro que vai bancar o novo mimo à clientela do Bolsa Família. O grão-tucano Tasso se diverte: " O presidente gasta bilhões com a Venezuela, com a Bolívia, Equador e não pode gastar com educação? Esse não é o Lula que conheci". Para poupar Lula do veto, a senador Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso, muniu-se de um recurso. Recolheu as assinaturas necessárias para levar o projeto de Tasso ao plenário do Senado, antes de seguir para a Câmara. Considera "imprescindível" aprofundar o debate. Professora, Ideli tenta revestir seu discurso com verniz pedagógico: "Como educadora, não acho que seja eficiente o método de responsabilizar a criança pelo aumento da renda da família". Espremendo-se o debate tucano-petista, percebe-se que ele é 100% feito de eleição. A criança passa a léguas de distância da preocupação dos dois lados. Você pode chorar, se quiser. Mas, diante de coisa tão séria, o riso é sempre mais divertido. STJ decide nesta 5ª se anula ou reabre a Satiagraha O futuro jurídico-criminal de Daniel Dantas, o dono do Opportunity, será decidido nesta quinta-feira (4), no STJ. O recurso em que o banqueiro pede que Fausto De Sanctis, o juiz da Satiagraha, seja declarado suspeito será finalmente julgado. Relator do caso, o ministro Arnaldo Esteves Lima, decidira, em 15 de dezembro, a suspender os processos que corriam contra Dantas. Na sequência, o Judiciário fora ao recesso. E só agora a decisão do ministro, de caráter liminar (provisório), será submetida a um julgamento colegiado. O caso será julgado pela 5ª turma do STJ. Integram-na cinco ministros. Em texto levado à web, o tribunal informa que a sessão começa às 13h. Além de argüir a suspeição do juiz De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Dantas pede que sejam anulados os atos praticados por ele. Se o recurso do banqueiro prevalecer, a célebre Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em julho de 2008, vai virar pó. São duas as ações penais que pesam sobre os ombros de Dantas, espécie de Investigado-geral da República. Na primeira, acusado de oferecer suborno a um delegado federal, Dantas já foi inclusive condenado a 10 anos de prisão. Na segunda, que repousa sobre a mesa do algoz De Sanctis à espera de sentença, o dono do Opportunity é acusado de crimes financeiros variados. Se der razão a Dantas, o STJ anulará tudo o que foi feito sob De Sanctis. Inclusive a sentença que converteu o banqueiro em condenado. Os processos seriam redistribuídos. Migrariam da 6ª para a 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo. E a coisa toda recomeçaria. Do zero. Na hipótese de indeferir o recurso de Dantas, o STJ devolverá os processos ao seu leito original. Fica valendo a primeira sentença condenatória. O magistrado De Sanctis estaria liberado para proferir sua segunda sentença. E Dantas flertaria com sua segunda condenação. Ao julgar o recurso de Daniel Dantas, a 5ª turma do STF vai produzir jurisprudência. O eventual triunfo do banqueiro abrirá uma avenida de "oportunidades". Servindo-se do precedente, outros acusados baterão às portas do Judiciário para arguir a suspeição de seus julgadores. Antes de chegar ao STJ, a petição de Dantas havia sido indeferida pelo Tribunal Regional da 3ª Região, sediado em São Paulo. Ali, não prosperara a alegação de que De Sanctis, tomado pelos atos que praticara e pelas opiniões que dera fora dos autos, seria um juiz parcial. Valendo-se do Código de Processo Penal, que faculta aos acusados uma infinidade de recursos, Dantas levou a encrenca ao STJ. Assim, a depender do que for decidido, além de anulações e jurisprudência, o tribunal vai produzir frustração, tonificando a incômoda sensação de impunidade. Serra deixa em Brasília um rastro de "irritação aliada" Lula José Serra, o presidenciável da oposição, deixou em Brasília um rastro pegajoso de decepção e irritação. Armara-se no Senado, ao redor da sessão em que foi celebrado o centenário do nascimento de Tancredo Neves, um palco de candidato. Serra tinha à sua disposição holofotes, repórteres e aliados sequiosos por ouvir dele, ainda que a portas fechadas, uma afirmação de candidato. Reagiu às luzes com uma timidez que contrastou com a desenvoltura de Aécio Neves, o neto do homenageado. Chegaram juntos ao plenário do Senado. Aécio, solícito, distribuiu abraços, sorrisos e apertos de mão. Serra economizou cumprimentos. Risos? Só os amarelos. Aos repórteres, o quase-candidato serviu a desconversa de sempre. Afinal, é candidato? "Eu vim hoje aqui participar de uma homenagem ao nosso grande Tancredo Neves. Questão de eleição, a gente trata em um outro momento". Aos aliados, Serra deu as costas. O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, convidara congressistas do PSDB, do DEM e do PPS para uma reunião. Encontrariam o governador paulista no gabinete da liderança tucana, antes da sessão comemorativa. Serra se atrasou. Adiou-se a reunião para depois da sessão. Serra foi embora antes. Tucanos, "demos" e pepêésses tiveram de se contentar com o sempre disponível Aécio. Entre quatro paredes, crivaram-no de perguntas sobre a hipótese de virar vice. Aécio negou. Renegou. Mais um pouco e teria batido na madeira três vezes. Quem ouviu saiu convencido de que o governador mineiro deve ser tomado a sério. Avaliou-se que não faz jogo de cena. Vai disputar o Senado. E ponto. Aos repórteres, Aécio repetiria a frase que disse ter ouvido do avô: "Não adianta empurrar, empurrado eu não vou". Na noite da véspera, em encontro reservado, num hotel de Brasília, Aécio ouvira de Serra, pela primeira vez, o convite para a vice. Dissera "não". Ajuda mais, alegara, concentrando-se em Minas. Entre decepcionados e irritados, os oposicionistas arregimentados por Sérgio Guerra lamentaram que Serra não os tivesse brindado com sua presença na reunião. Exceto por manifestação feita à cúpula do PSDB, pela resposta a uma pergunta humorística –"Vai pipocar?"— e pelo discurso em que injetou críticas ao petismo, Serra não foi, ainda, o candidato que seus aliados esperam. Um candidato explícito, peremptório, indubitável. Nesta quinta (4), terá nova chance, dessa vez em vitrine mineira. A convite de Aécio, Serra vai à inauguração da Cidade Administrativa, nova sede do governo de Minas. STF deve ratificar ato que decretou prisão de Arruda Vai a julgamento nesta quinta (4), no plenário do STF, o pedido de habeas corpus de José Roberto Arruda, governador preso do DF. Na noite passada, o blog ouviu de um dos ministros do Supremo a seguinte previsão: "Sinto que o tribunal irá confirmar a justeza e legalidade da decisão do STJ que decretou a prisão do governador". Nesta quarta (3), véspera da sessão, os advogados de Arruda encaminharam aos ministros do STF um memorial. O texto contém um compromisso de Arruda de se manter longe da cadeira de governador mesmo se vier a ser solto. Permaneceria de licença "pelo tempo necessário ao deslinde das investigações, e mesmo até o exaurimento de ações penais propostas em seu desfavor". Arruda foi à garra em 11 de fereveiro. No dia seguinte, em decisão liminar (provisória), Marco Aurélio Mello negou à defesa o pedido de liberdade. É essa decisão que Marco Aurélio submeterá aos demais ministros na sessão plenária desta quinta. Confirmando-se o despacho do ministro, Arruda conservará a condição que ostenta há 22 dias: hóspede do "PF"s Inn". Mantida a prisão, o caso volta à alçada do STJ, de onde partiu a decisão de enjarlar Arruda, acusado de tentar subornar testemunha do inquérito do panetonegate. Também nesta quinta, o plenário da Câmara Legislativa do DF deve apreciar o pedido de impeachment de Arruda. Vai a voto o relatório do deputado distrital Chico Leite (PT), favorável à abertura de processo de cassação do mandato do governador. Se o texto for aprovado, como parece provável, o processo segue o seu curso, abrindo-se prazo para que Arruda apresente defesa. As manchetes desta quinta - Globo: Lula deve se licenciar para ajudar Dilma; Sarney assume - Folha: Serra avisa ao PSDB que é candidato - Estadão: Hillary avalia que Irã engana o Brasil - JB: Para EUA, Irã usa Brasil - Correio: Distritais só vão julgar Arruda depois do STF - Valor: Gestores fogem de riscos e contêm aplicações na bolsa - Estado de Minas: Aécio cita Tancredo e descarta vice: 'Não adianta empurrar' - Jornal do Commercio: Chile volta a tremer Enquanto isso, na cozinha... Via Super Notícia. Lula para as damas: "Ninguém sabe o dia de amanhã" Ao acomodar Dilma Rousseff a quatro pontos de seu principal rival, o Datafolha conferiu à candidata de Lula uma aparência de ex-poste. O cabo-eleitoral da ministra, que carregou Dilma em sua fase mais pesada, agora mesmo é que não perde oportunidade de levá-la aos ombros. Nesta quarta (3), Lula aproveitou uma audiência com Hillary Clinton para prover a Dilma uma imagem de campanha. À mesa, a ministra de Lula sentara-se distante da secretária de Estado de Barack Obama. Súbito, Lula autorizou a entrada dos repórtres fotográficos. Em pé, Dilma continuava separada de Hillary por dois corpos, o de Lula e o do chanceler Celso Amorim. Lula cuidou de estreitar a distância. Instou Dilma a cumprimentar a visitante. Aos risos, disse: "Sabe como é, ninguém sabe o dia de amanhã". Era como se o chefe dissesse à subordinada: Veja bem, Dilma, você sou eu amanhã. Vê se vai pegando o jeito. Afora a foto, a audiência não produziu novidades. Naquilo que de fato interessa, as divergências entre Brasil e EUA em relação ao Irã, nada mudou. Antes do encontro, Lula cuidara de fincar o pé: "O Brasil mantém sua posição. O Brasil tem uma visão clara sobre o Oriente Médio e sobre o Irã..." "...O Brasil entende que é possível construir outro rumo. Eu já disse que para Obama, o [Nicolas] Sarkozy, não é prudente encostar o Irã na parede. O que é prudente é estabelecer negociações..." "...Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos..." "...Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar". Mais cedo, em reunião com Celso Amorim, no Itamaraty, Hillary dissera que descrê dos ímpetos negociadores do Irã. A hora, disse ela, é de sanções. Lula visistará o Irã em maio. Será vice? "Empurrado eu não vou", diz Aécio Neves Ag.Senado Às voltas com a pressão para que aceite compor com José Serra a chapa "puro-sangue" do tucanato, Aécio Neves saiu-se com uma frase lapidar: "Não adianta empurrar, empurrado eu não vou". Atribuiu a pérola ao avô, Tancredo Neves, o homenageado desta quarta (3), no Senado. Contou que, em 1985, Tancredo enfrentava uma pressão de João Amazonas, então mandachuva do PCdoB. Amazonas queria que Tancredo assumisse "posições mais radicais". Aécio recordou: "O doutor Tancredo respondeu com a frase..." "...Então, vou repetir Tancredo: não adiante empurrar, empurrado eu não vou". Aécio repisou, de resto, um raciocínio que, por repetitivo, já se tornou enfadonho: "Eu hoje estou buscando conduzir as coisas em Minas Gerais e, a partir de Minas, eu vou dar todo o meu empenho, todo o meu esforço, para ajudar na vitória ao nosso candidato..." "...Agora, a condução do processo, daqui por diante, como é, isso está a cargo da direção do partido, dos líderes e daquele que será candidato do partido". É certo que Magalhães Pinto, outra raposa de Minas, ensinou que política é como nuvem. Hoje está assim. Amanhã está assado. Mas, tomado a sério, Aécio já escolheu sua posição no céu eleitoral de 2010. A essa altura, qualquer movimento que se pareça com uma meia-volta o converteria num indigno instantâneo. Vai pipocar? "Não vou comer pipoca", diz José Serra Lula Na saída do Congresso, José Serra foi abordado por uma equipe do programa humorístico CQC, da Band. Saco de pipoca na mão, uma repórter perguntou a Serra se vai mesmo disputar a presidência ou vai "pipocar". E ele: "Não vou comer pipoca". Em seguida, serviu-se de pipoca, entrou no carro, e foi embora. Mais cedo, Serra refugara as perguntas sobre sucessão. "Eu vim hoje aqui participar de uma homenagem ao nosso grande Tancredo Neves. Questão de eleição, a gente trata em um outro momento". Discursou na cerimônia alusiva ao centenário do nascimento de Tancredo. Soou em timbre de candidato. À sua maneira, ironizou Lula e o PT. Enalteceu o papel de Tancredo na transição da ditadura para a democracia. Discorreu sobre a "Nova República" e tudo o que veio a seguir. Depois, numa crítica velada à frequência com que Lula "Nunca Antes" da Silva renega o passado, Serra declarou: "O PT acabou por ser, por paradoxal que pareça, um dos principais beneficiários da eleição do primeiro presidente civil e das conquistas sociais e culturais da Constituição [de 88]... "...E soube, posteriormente, colher bons frutos de mudanças institucionais e práticas, como o Plano Real, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal". Foi a maneira que encontrou para reafirmar que o grande mérito de Lula foi o de ter dado sequência aos avanços obtidos sob o governo tucano de FHC. Não deixou de lembrar que, na Alvorada da redemocratização brasileira, o PT atuara como "força desestabilizadora de comportamento radical e deliberadamente à margem da política nacional". Mais tarde, em 2002, numa eleição em que prevaleceu sobre ele próprio, Lula protagonizaria o que Serra chamou de uma das alternâncias de poder "mais contrastantes" da histórica comtemporânea. De resto, como que a fustigar a soberba de Lula, Serra disse que os futuros governantes devem "assumir com humildade e coragem" a herança dos 25 anos de democracia no país. "Não para negar o passado, mas para superá-lo, a fim de fazer mais e melhor", afirmou Serra, cada vez mais candidato. Resolução do TSE coíbe "doações ocultas" na eleição Em sessão realizada na noite passada, os ministros do TSE aprovaram um lote de sete resoluções contendo regras para as eleições de 2010. Somando-se às dez que já havia editado antes, o tribunal impôs a partidos e candidatos 17 resoluções. A principal delas contém uma novidade alvissareira: limita as chamadas "doações ocultas" de partidos para candidatos. Lei aprovada pelo Congresso no final do ano passado mantivera em pé um expediente nefasto. Consiste no seguinte: o partido recolhe doações de empresas e pessoas físicas, joga tudo num caixa único e, depois, reparte a grana entre os candidatos. Por esse mecanismo, sonegam-se à platéia as logomarcas e os nomes dos doadores. A origem da verba se perde nos desvãos que separam as arcas partidárias da caixa dos comitês eleitorais. A resolução editada pelo TSE faz uma leitura mais estrita da lei. Os partidos não estão impedidos de transferir dinheiro para seus candidatos. Porém... Porém, as legenedas terão de discriminar a origem e o destino de cada centavo. Jogou-se um facho de luz sobre os doadores. Antes, ao prestar contas à Justiça Eleitoral, o candidato podia anotar: quantia "x", recebida do diretório nacional do partido "y". Agora, os candidatos e também os partidos estão obrigados a levar às suas escriturações os nomes de cada doador. Mais: para facilitar o controle, o TSE obrigou os partidos a abrirem contas bancárias específicas para as doações eleitorais. Uma imposição que, antes, só tinha de ser observada pelos comitês de campanha dos candidatos. Com isso, golpeou-se a sombra do caixa partidário único. O flagelo da "doação oculta", que o TSE tenta agora coibir, é coisa defendida por todos os partidos –do PT ao PSDB, do PR ao PSB. Um acinte. Em outra resolução digna de nota, o TSE impôs aos candidatos a apresentação de certidões criminais no ato do registro das candidaturas. Os fichas-sujas não serão impedidos de ir às urnas. Mas o eleitor poderá consultar o histórico de cada um na internet. Dito de outro modo: com a ficha corrida ao alcance de um clique, só votará em picareta quem quiser. Na bica de receber Lula, Irã prende o cineasta Panahi Depois de tropeçar no cadáver do dissidente Orlando Zapata, em Cuba, Lula arrisca-se a comprar uma polêmica nova no Irã. Na iminência de receber a visita do presidente brasileiro, o regime totalitário de Mahmud Ahmadinejad recolheu ao cárcere um opositor. Chama-se Jafar Panahi. Aos 49 anos, é um dos cineastas iranianos mais premiados e festejados no exterior. Crítico do regime, convive com a censura desde 2005, ano em que Ahmadinejad chegou ao poder. Na noite da última segunda (1º), Panahi teve a casa invadida por agentes de segurança à paisana. Varejaram o imóvel. Recolheram computadores e objetos pessoais. Depois, detiveram o cineasta; a mulher e a filha dele; e cerca de 15 pessoas que os Panahi recebiam em casa. Nesta terça (2), dia em que a notícia correu o mundo, a agência iraniana ISNA levou ao ar uma declaração do promotor-geral de Teerã, Abas Jafari Dolatabadi: "Jafar Panahi não foi detido por ser um artista ou por motivos políticos. Cometeu um crime e foi preso por ordem do juiz, em companhia de outra pessoa. A investigação segue seu curso". Nenhum detalhe sobre o suposto crime que Panahi teria cometido além dos "delitos" de criticar o regime e de ter apoiado o opositor Hosein Musavi na eleição passada. Para azar de Ahmadinejad, Panahi não se enquadra no perfil dos incontáveis presos invisíveis que Teerã costuma enjaular. O cineasta é seguido por um rastro cintilante de premiações: um Leão de Ouro (Festival de Veneza, 2000)... ...Um Urso de Prata (Festival de Berlim, 2006), uma Câmera de Ouro e um prêmio do Juri (Cannes, 1995 e 2000, respectivamente). Só um filme de Panahi foi exibido no Irã: "O Balão Branco", que lhe rendeu a glória em Cannes, em 1995. Todos os demais foram proibidos de chegar às salas de projeção de seu país. Por quê? Abordam temas, digamos, inconvenientes. Um deles, "O Círculo", premiado em Veneza no ano de 2000, levou às telas os maus-tratos a que são submetidas as mulheres iranianas. Outro, "Offside", prata em Berlim há quatro anos, exibe a história de garotas que se vestem de homem para assistir a um jogo de futebol –coisa proibida para mulheres no Irã. Fernando Bizerra Jr./Efe Nesta quarta (3), a notícia sobre a prisão de Panahi já pendurada nas manchetes, Lula terá um encontro com Hillary Clinton. A secretária de Estado norte-americana desembarcou em Brasília no início da noite passada. Veio discutir temas espinhosos. Entre eles a compra dos 36 caças da FAB e, principalmente, o apoio do governo Lula ao programa nuclear iraniano, ao qual se opõem os EUA. O discurso que vai desfiar diante de Hillary, Lula já traz na ponta da língua. Dirá que o Brasil seria contraditório se negasse ao Irã algo que deseja para si: o uso da energia nuclear para fins pacíficos. Falta ensaiar o lero-lero a ser pronunciado na viagem a Teerã. Decerto será instado a dizer meia dúzia de palavras sobre a "bomba" nova, a prisão de Panahi. Em Cuba, Lula foi emboscado pelo acaso. Pousou em Havana horas depois da morte de um prisioneiro que fazia greve de fome havia 85 dias. Em Teerã, não será socorrido pelo beneficiado do improviso. Convém treinar a manifestação. Para manter a (in)coerência, talvez seja o caso de dizer algo assim: "Lamento que, no Irã, os críticos do meu anfitrião se deixem prender". Resistência de Aécio faz PSDB adiar escolha do vice Tucanato prioriza agora a "unidade" de São Paulo e Minas Pressionado, Serra "sinaliza", enfim, decisão de concorrer Iniciou formação de comitês para campanha e "programa". Sob atmosfera de campanha, congressistas do PSDB, DEM e PPS recepcionarão em Brasília, nesta quarta (3), as duas principais estrelas da oposição. Os governadores tucanos José Serra e Aécio Neves serão cortejados em cerimônia organizada no Senado a pretexto de festejar o centenário de Tancredo Neves. Neto do homenageado, Aécio aceitara o convite sem hesitação. Serra cogitara não dar as caras. Foi convencido a comparecer. O alto comando do tucanato considerou que não conviria a Serra o desperdício do palco. Instou-o a "desfilar". De preferência com um modelito de candidato. Além de espantar as dúvidas quanto à solidez da candidatura presidencial de Serra, o PSDB deseja tonificar a ideia de unidade entre São Paulo e Minas. Embora ainda acalente o sonho de empurrar Aécio para dentro da chapa de Serra, o tucanato decidiu levar ao freezer a escolha do vice. Deve-se o congelamento do debate em torno da almejada chapa puro-sangue à resistência de Aécio "Mestiço" Neves. Ao reafirmar sua decisão de concorrer ao Senado, Aécio provocara uma instantânea e prematura busca de alternativas. Foi às manchetes o nome de outro grão-tucano: Tasso Jereissati (CE). Abespinhada, a cúpula do DEM avisou que, sem Aécio, a vaga é sua. Ao esfriar o caldeirão, o PSDB passou fita isolante num fio que, por desencapado, ameaçava produzir curto-circuito em hora imprópria. Optou-se por adiar a encrenca para abril. Formou-se entre tucanos e "demos" um denso consenso: é hora de empinar a candidatura Serra. Puxado pelos aliados e acossado pelas pesquisas, Serra começou a retirar sua candidatura do armário. Concordou, finalmente, em emitir os primeiros sinais palpáveis de que a subida de Dilma Rousseff não arrefeceu suas ambições presidenciais. Liberou a divulgação de informações sobre o início da montagem de seu comitê de campanha. Surgiram os primeiros nomes. José Henrique Reis Lobo, eis o primeiro integrante do comando de campanha de Serra. Vem a ser o secretário de Relações Institucionais do governo paulista. Vai se desligar do cargo na semana que vem. Deve se afastar também do posto de presidente do diretório municipal do PSDB paulistano. Para não deixar dúvidas quanto às novas atribuições, o PSDB pretende providenciar para Reis Lobo uma sala em Brasília. Nesta quinta (4), também o presidente do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal, Felipe Sotelo, deixará o cargo para integrar-se à campanha. De resto, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), abriu a temporada de convites para compor o grupo que vai elaborar um plano de governo. A oposição foi arrancada da letargia pelo Datafolha. Assustou-se com a pesquisa que acomodou Dilma a quatro pontos percentuais de Serra. De Brasília, Serra voará para Belo Horizonte. À noite, dividirá a mesa de jantar com Aécio, que o hospedará no Palácio da Liberdade. Na quinta (4), hóspede e anfitrião exibirão sua "unidade" em outra solenidade pública: a inauguração da Cidade Administrativa. Trata-se da nova sede do governo mineiro. Erigida sob Aécio, foi batizada com o nome do avô Tancredo Neves. Como que desejoso de realçar o perfil "agregador" que seu partido desprezou, Aécio organizou uma pejalança pluripartidária. Convidada, Dilma declinou. Mas, para desassossego de Serra, o desafeto Ciro Gomes (PSB), que se refere a ele como "o Coiso", talvez compareça. Descontados os narizes torcidos, o PSDB espera que a passagem de Serra pelas duas passarelas –a brasiliense e a mineira— lhe dê as feições de candidato indubitável. Nas próximas semanas, além de completar o comitê eleitoral e o grupo programático, o tucanato vai acelerar a negociação dos palanques estaduais. Tenta-se vencer o atraso. As manchetes desta quarta - Globo: PSDB amplia Bolsa Família e líder do governo é contra - Folha: País cumpre só 1/3 das metas para educação - Estadão: Chile amplia restrições e força militar - JB: Rio terá 700 km de piso novo este ano - Correio: Brunelli renuncia, mas suplente está na Papuda - Valor: Estados disputam ICMS do comércio eletrônico - Jornal do Commercio: Gasolina adulterada com água do mar PSDBiiiiiiiiiiiiiiiiiiiip! Via 'O Dia'. TSE decide manter distribuição de "vagas" na Câmara Em decisão unânime, o TSE manteve inalterada a distribuição entre os Estados das 513 cadeiras da Câmara federal. Até a semana passada, o tribunal cogitava redistrir os assentos, com base em estimativa populacional de julho de 2009. Coisa que não ocorria havia 16 anos. A maré começou a virar depois que o TSE submeteu o tema a um debate, em audiência pública realizada na semana passada. O próprio relator, ministro Arnaldo Versiani, mudou o teor da minuta que redigira. Acabou levando ao plenário, na noite desta terça (2), posição favorável à manutenção do quadro atual. Foi seguido pelos demais ministros. Dois deputados, Raul Jungmann (PPS-PE) e Flávio Dino (PCdoB-MA), haviam protocolado no TSE petições que contribuíram para a virada. Nos textos, os deputados esgrimem argumentos semelhantes. Teses que já haviam sido expostas na audiência pública da semana passada. Alegaram, em essência três coisas: 1. Não se pode alterar a distribuição dos assentos da Câmara a poucos meses da eleição. 2. Mudanças assim só podem ser feitas um ano antes da eleição. 3. Não se pode modificar a composição da Câmara com base em mera estimativa populacional. É preciso que haja um censo demográfico. Algo que, a propósito, o IBGE está fazendo neste ano de 2010. Sopesadas todas as considrações, prevaleceu a tese de que seria melhor deixar tudo como está. A composição atual vigora desde 1994, ano em que foi feita a última redistribuição. Naquele ano, São Paulo ganhara, por exemplo, dez cadeiras. Fora de 60 para 70. O arquivamento da proposta de mudança foi bom para Pernambuco e Maranhão, os Estados de Jungmann e Dino. Perderiam uma vaga na Câmara cada um. Ruim para o Amazonas, que provocara a discussão no TSE e ganharia na Câmara três novos assentos. Ruim também para Minas, que beliscaria duas cadeiras. Ótimo para o Rio, que perderia duas. No geral, se a tese da redistribuição tivesse prevalecido, oito Estados perderaim assentos. Sete ganhariam. Os demais ficariam como estavam. A mudança afetaria também a composição das Assembléias Legislativas, cujo número de cadeiras é proporcional à quantidade de assentos de cada Estado na Câmara. O debate fica agora transferido para depois da eleição. A Justiça Eleitoral e os deputados fariam melhor se mudassem o rumo da prosa. Em vez de redistribuição, a Câmara reclama uma redução de cadeiras. Orador da propina, deputado Júnior Brunelli renuncia Deus, como se sabe, está em toda parte. Mas as panetônicas perversões de Brasília produziram a impressão de que Ele não dá expediente integral. Informado de que um de seus filhos, o deputado Júnior Brunelli (PSC), envolvera o seu Santo nome no panetonegate, o Todo-Poderoso decidir fazer hora extra. Como que decidido a provar que existe, Deus providenciou para que fosse aberto contra Brunelli, o orador da propina, um processo de cassação. Levado à grelha, o deputado decidiu renunciar. Sucumbiu à imagem de dois vídeos. Num, Brunelli aparece recebendo propina de Durval Barbosa, o ex-secretário do GDF que provia os panetone$ distribuídos pelo governador preso José Roberto Arruda. Noutro, Brunelli faz a oração de agradecimento, abraçado a Durval, hoje delator de Arruda, e ao colega Leonardo Prudente (ex-DEM), que renunciou antes dele. Na carta de renúncia, Brunelli anotou: "A chamada oração da propina, largamente divulgada, não passou de uma manipulação grosseira..." "...Aquela prece aconteceu em setembro de 2009 e não em 2006, após o suposto recebimento de ajuda para a campanha política daquele ano..." "...O que fiz, na companhia de um colega parlamentar, foi uma oração que desse ao personagem [Durval] o reconforto espiritual..." "...[...] É importante lembrar que até mesmo Jesus Cristo, o Deus feito homem, não abandonou aqueles que cometeram crimes". Deus, o Pai, parece discordar de Brinelli. A depender da vontade Suprema, o deputado arderá no mármore do inferno político. Dilma e Serra travam duelo cordial, assistido por Lula Observados por Lula, os dois principais contendores de 2010 travaram um amistoso duelo nesta terça (2). Dilma Rousseff e José Serra se encontraram em Sorocaba, na inauguração de uma fábrica de equipamentos agrícolas. Ambos discursaram. Discorreram sobre um tema comum: o desempenho da economia brasileira na crise que infelicitou o mundo. Cada um puxou a sardinha para o seu lado. Ouça-se, primeiro, Dilma: "Sem sombra de dúvida, 2008 e 2009 teve por parte do governo do presidente Lula a firme determinação no sentido de não deixar que a crise nos abatesse." Disse que a "determinação beneficiou o Brasil como um todo". Mas cuidou de realçar que o Estado de Serra proveitou mais. Afirmou que a ação federal "beneficiou de forma especial São Paulo, porque São Paulo é um dos maiores centros produtores de máquinas e equipamentos do Brasil". Serra não se aventurou a diminuir os méritos de Lula. Ao contrário, elogiou as providências emanadas de Brasília. "O governo federal atuou corretamente nas reduções de impostos e nas ações do BNDES para impulsionar a nossa economia", Serra reconheceu. Em seguida, puxou o pescado para si: "Aqui de São Paulo nós cooperamos com isso quando tínhamos a Nossa Caixa com margens de crédito elevadas..." Ajudamos "...não só para compra de automóveis como também [...] todas as empresas representadas no sindicato de máquinas [Sindimaq, Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas]". Mimetizando Lula "Nunca Antes na História desse País" da Silva, Serra disse ter conseguido manter em São Paulo, em 2009, "um nível de investimentos que foi o mais elevado da nossa história". Como discursaram numa fábrica de máquinas agrícolas, Dilma e Serra trataram dee falar também sobre o desempenho de cada esfera dee governo no financiamento à agricultura familiar. Encerrado o embate, foi ao placar a impressão de um zero a zero. Bom para Dilma, que o tucanato costuma apresentar como uma contendora frágil. - Serviço: As assessorias de Dilma e Serra levaram à web resumos sobre os discursos de cada um. O texto da Casa Civil está disponível aqui. O relato do Palácio dos Bandeirantes pode ser lido aqui. - PS.: Siga o blog no twitter. PSDB aprova verba extra ao Bolsa Família; PT critica Impregnada de maldade, a política desafia o mito da bondade brasileira. A cada quatro anos, porém, a eleição arranca a delicadeza de seu sono hibernal. Às vésperas de um novo encontro com as urnas, todo político é um bom. Na sucessão de Lula, PT e PSDB travam uma gincana de delicadeza. O símbolo da disputa é o Bolsa Família. O petismo diz que o programa é dele. O tucanato retruca: fomos nós que criamos. Incomodado com a insinuação de que, devolvido ao Planalto, extinguiria a alegria da bugrada, o PSDB teve, no Senado, um surto de bondade. Aprovou na Comissão de Educação um benefício extra para o Bolsa Família. Projeto do grão-tucano Tasso Jereissati (CE). Consiste no seguinte: crianças que obtiverem boas notas na escola beliscam para suas famílias um benefício mensal extra. O nível das notas e o valor do adicional não constam do projeto. Pela proposta, caberia ao governo definir as coisas. Atropelado pela afabilidade do rival, o petismo subiu no caixote: Isso "é uma disputa político-partidária", disse Ideli Salvatti (PT-SC), líder de Lula no Congresso. Para Ideli, fazer política "em cima de crianças é inadmissível". Acha que "os tucanos perderam o rumo". Alega que um dos objetivos do Bolsa Família é o de reduzir o trabalho infantil, retirando dos ombros das crianças a responsabilidade de levar dinheiro para casa. Afirma que, com a fórmula Tasso, reacomoda sobre a criança o peso da obrigação de de ajudar a encher a geladeira. "A criança que não tiver bom rendimento não vai sofrer pressão da família?", questiona Idelli, "Volta a responsabilidade da criança de trazer dinheiro para casa". Tasso rebateu: "Eles [os petistas] é que têm todo o viés político nas suas ações. Não tem nada que façam que não tenha coisa eleitoral por trás". Velho defensor da causa educacional, Cristovam Buarque (DF), do governista PDT, associou-se ao tucanato: "Discriminação é achar que filho de pobre não tem que ter bom desempenho escolar", disse Cristovam. Reza o regimento do Senado que as comissões têm poderes terminativos. Significa dizer que, a menos que haja um recurso, o projeto vai direto à Câmara. Sem medo de parecer malvada, Ideli anunciou: "Isso não vai passar sem debate no plenário [do Senado]..." "...Vamos apresentar recurso para votá-lo no Senado. Só precisamos de nove assinaturas de senadores para levar o texto ao plenário". Seja como for, a pantomima já produziu os seus efeitos. Vai ser divertido ver o petismo agarrado em lanças para impedir o reforço do Bolsa Família. Tasso não desperdiçou a cena. Extraiu dela proveito máximo. Deixou no ar a pergunta: "Como o PSDB queria acabar se foi ele quem criou [o Bolsa Família]?" Como se vê, são cruéis os caminhos da bondade. Na sua maldade excepcional, o político bom é capaz de invadir a escola para disputar votos agarrado ao pescoço das criancinhas. Ao lado de Dilma e Serra, Lula condena o "terrorismo" "Não acreditem e não aceitem aquela ideia imbecil que se falava nesse Brasil: 'se ganhar fulano vai estragar tudo, se ganhar beltrano vai estragar tudo'". A frase foi pronunciada por Lula. Discursava para uma platéia que incluía a fulana, Dilma Rousseff, e o beltrano, José Serra. "Não existe a possibilidade de quem quer que seja estragar o que está construído nesse país. A tendência natural é fazer mais e fazer melhor". O presidente falou durante homenagem que lhe prestou a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotivos). Disse já ter sido vítima de terrorismo eleitoral: "Fizeram um monte de terrorismo contra mim todas as vezes que eu disputei a eleição. Mentiram tanto que um dia o povo não acreditou mais". O lero-lero de Lula é antídoto contra o veneno que a oposição tenta inocular no sistema circulatório da candidatura Dilma. Desde que foi aclamada pelo PT, em 20 de fevereiro, Dilma passou a ser perseguida por um par de pechas: esquerdista e estatizante. Mas o palnafrório de Lula também serve à oposição. Serra deveria guardar a gravação. Pode ser útil para responder à conversa mole segundo a qual ele vai, se eleito, deixar a bugrada sem o Bolsa Família. Maquiagem de balanços camuflou os atrasos do PAC O governo maquiou os balanços oficiais do PAC com o propósito de esconder atrasos na execução das obras Deve-se a revelação aos repórteres Eduardo Scolese e Ranier Bragon. Em notícia levada às páginas da Folha, a dupla informa: "Três de cada quatro ações destacadas no primeiro balanço do PAC não foram cumpridas no prazo original". Para encobrir o problema, recorreu-se à maquiagem. Vão abaixo os detalhes que evidenciam a manobra: 1. Gestora do PAC, a ministra-candidata Dilma Rousseff reuniu os jornalistas, no início de fevereiro, para divulgar o balanço de três anos do programa. 2. Sob holofotes, a "mãe do PAC" anunciara que 40% das ações previstas no programa já haviam sido cumpridas. 3. Nas principais obras, a taxa de conclusão era, segundo a chefe da Casa Civil, de 36%. 4. Para corroborar as palavras da ministra, o Planalto distribuíra aos repórteres um documento em que a lista de obras é adornada por ilustrações. 5. Ao lado de cada empreendimento, três vocábulos traduziam o estágio em que se encontravam os canteiros de obras. 6. Para a maioria das obras mais relevantes do PAC, utilizou-se um carimbo verde: "Adequado". 7. Os carimbos em amarelo –"Atenção"—e em vermelho –"Preocupante"— figuram no levantamento oficial como escassas exceções. 8. Os repórteres compararam esse levantamento de fevereiro ao balanço inaugural do PAC, que Dilma fizera em maio de 2007. 9. Confrontaram os dados também com os indicadores apresentados nos oito balanços que se seguiram ao primeiro. 10. Descobriram: muitas das obras que aparecem no balanço mais recente com o carimbo verde passaram por uma revisão de metas. 11. Os prazos de conclusão foram dilatados. Parte das obras, cuja conclusão fora prevista ainda para a era Lula, simplesmente foram jogadas para a próxima gestão. 12. O governo lançou mão do pa©osmético sem mencionar, de um balanço a outro, que ajeitava com ruge e batom a face do programa. 13. Não é só: além de pintar, o governo passou o bisturi em algumas obras, fatiando-as. Com isso, manteve o prazo de entrega de pedaços de empreendimentos que, tomados por inteiro, atrasariam além do desejável. 14. Há mais: numa das obras que teve preservado o prazo de entrega trocou-se o objeto: em vez da conclusão da obra, a meta passou a ser a "entrega do projeto". 15. Há pior: algumas das ações que, por atrasadas, enfeiavam o balanço foram passadas na borracha. Sumiram em levantamentos seguintes. 16. O primeiro balanço do PAC, aquele de maio de 2007, cobria o primeiro quadrimestre do progama –de janeiro a abril daquele ano. 17. O texto classificava como grandes 76 obras. Comparando-se esse levantamento com os posteriores, sobretudo o último, verifica-se: 18. Nada menos que 75% das grandes obras (57) padecem de atraso no cronograma. Onze foram empurradas para dentro da próxima gestão, a ser inaugurado em 2011. 19. Desses 57 empreendimentos atrasados, 38 ainda estão em andamento. Ganharam novos cronogramas. 20. O atraso médio é de um ano e meio em relação ao que fora prometido em 2007. 21. Significa dizer que que essas 38 obras deveriam figurar no último balanço trazido à luz por Dilma com carimbos amarelos ou vermelhos. Porém... 22. Porém, apenas 16% delas figuram na peça acompanhadas das inscrições "Atenção" e "Preocupante". As demais foram brindadas com sombra verde: "adequado". No último dia 20 de fevereiro, ao discursar no Congresso petista que aclamou Dilma como presidenciável oficial, Lula dissera: "Posso dizer que nunca antes na história do país houve programa de investimento em infraestrutura tão organizado, tão discutido e tão planejado como nós fizemos o PAC". Considerando-se a checagem de Scolese e Bragon, Lula talvez estivesse falando de outro PAC, até aqui insuspeitado: o Programa de Aceleração do Cosmético. - Atualização feita às 17h10 desta terça (2): A Casa Civil da Presidência soltou uma nota sobre a reportagem da Folha. Diz que a notícia contém "infundadas e ainaceitáveis" acusações. Leia aqui. - Serviço: Os balanços oficiais do PAC podem ser consultados aqui. 'Lula sabe que Cuba jamais torturou', diz amigo Fidel Num instante em que Lula tenta virar a página escrita na semana passada, em Cuba, o ditador aposentado Fidel Castro cuidou de redigir mais um capítulo. Fidel manifestou-se em nota. No texto, remexeu o caldo que mistura a visita de Lula e a morte do dissidente cubano Orlando Zapata. Acusado de "cúmplice" pelos opositores do regime de Havana, o presidente brasileiro foi defendido por Fidel. Divulgada na TV estatal cubana, a nota companheira realça, a certa altura: "Lula sabe, há muitos anos, que em nosso país jamais se torturou alguém, jamais se ordenou o assassinato de um adversário, jamais se mentiu para o povo". Zapata sucumbiu após 85 dias de greve de fome. Feneceu na terça-feira da semana passada, horas antes da chegada de Lula a Havana. Instado a comentar o episódio, Lula lamentou que "uma pessoa se deixe morrer" por greve de fome, expediente que já adotou e desrecomenda. Não pingou dos lábios de Lula nenhuma palavra que soasse a desaprovação à falta de democracia em Cuba. O silêncio custou a Lula declarações acerbas dos dissidentes que permanecem em Cuba e um protesto barulhento de exilados, no consulado brasileiro de Miami. Inveja pura, segundo Fidel: "Alguns invejosos de seu prestígio e de sua glória, ou pior ainda, os que estão a serviço do Império, o criticaram por visitar Cuba. Utilizaram para isso as calúnias que há meio século usam contra Cuba". No estágio seguinte de sua fatídica viagem, Lula voou para El Salvador. Ali, levou aos microfones uma declaração que agora ecoa como aprovação prévia à nota de Fidel: "Não podemos julgar um país ou a atividade de um governante em função da atitude de um cidadão que decide fazer uma greve de fome". O que dizer? Com um defensor do porte de Fidel, Lula já não precisa de agressores. Depois de converter o romantismo de de Sierra Maestra num pesadelo de cinco décadas, o protoditador, metido em agasalho Adidas, decidiu matar o tempo como ficcionista. Seus opositores, em trilha inversa, como que convertem Manuel Bandeira em realidade, adaptando-lhe a poesia: Vou-me embora de Pasárgada Sou inimigo do rei Não tenho nada que quero E sei que jamais terei Vou-me embora de Pasárgada Aqui não sou feliz A cana é muito dura E os ditadores são senis... Com recusa de Aécio, DEM exigirá indicação do "vice" Aliado do PSDB não se dispõe a ceder a vaga para Tasso. Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões. Inviabilizado o 'Plano Aécio', DEM ameaça 'chutar o balde' se PSDB lhe negar a vice Às voltas com o inferno astral das pesquisas, o PSDB está prestes a empurrar para dentro da não declarada candidatura de José Serra uma encrenca nova. Arma-se uma confusão em torno da escolha do candidato à vice-presidência na chapa oposicionista. No centro da polêmica, está o tucano Tasso Jereissati (CE). Na fase em que a "cabeça" da chapa ainda era disputada entre Aécio Neves e José Serra, ficara entendido que caberia ao DEM indicar o vice. Sentindo-se preterido, Aécio abdicou da disputa em dezembro. Voltou suas baterias para Minas Gerais, de cujas urnas planeja extrair uma cadeira no Senado. A partir daí, tucanos e "demos" firmaram um pacto não escrito: moveriam as montanhas de Minas para fazer de Aécio o vice de Serra. Aécio deu de ombros para a pressão. Nem o último Datafolha, que acomodou Dilma Rousseff nos calcanhares de Serra, o fez mudar de idéia. "Sou mestiço", disse Aécio nesta segunda (1º), ao reafirmar sua resistência à idealizada chapa "puro-sangue". Súbito, o tucanato passou a perscrutar alternativas a Aécio. Para desassossego do DEM, foi ao noticiário o nome do grã-tucano Tasso Jereissati. Uma tentativa de evitar que o "sangue" da chapa tucana seja contaminado pelo panetone-vírus, um micróbio que levou à cova a seccional do DEM em Brasília. Ao farejar o cheiro de queimado, a tribo "demo" levou as mãos ao tacape. Avisa, por ora a portas fechadas, que não aceitará a manobra. Frustrando-se o plano Aécio, o DEM vai exigir o retorno ao acerto original: considera que a posição de vice é sua. E não admite que ninguém tasque. O blog ouviu, na noite passada, dois políticos da direção nacional do DEM. Ambos disseram que, sem Aécio, ou mistura-se o sangue ou haverá problemas. Um dos líderes ouvidos pelo repórter pronunciou duas frases singelas: 1. "O tempo de TV do DEM é idêntico ao do PSDB". 2. "Quem manda na convenção do DEM somos nós, não o PSDB". Dito de outro modo: Serra dispõe, hoje, de menos tempo de televisão que Dilma Rousseff, rodeada por uma megacoligação... ...Se for adiante a idéia de trocar Aécio por Tasso, o DEM ameaça tomar outro rumo na convenção do partido, marcada para junho. Assim, ou PSDB engole as passas do panetone brasiliense ou se arrisca a comparecer à campanha aliado apenas ao PPS e a outras legendas cujo apoio ainda negocia. Entre elas o mensaleiro PTB de Roberto Jefferson e o PSC de Joaquim Roriz, uma espécie de precursor dos malfeitos que desaguaram em José Roberto Arruda, engolfando-o. "Problemas todos os partidos têm", disse um dos líderes do DEM ao repórter. "Nós soubemos lidar com os nossos..." "...E não vamos admitir ser tratados como aliados de segunda classe. Não somos". De resto, a direção do DEM considera um "grave erro" a abertura da caça ao "alazão" alternativo antes de explicar, tintim por tintim, os porquês da recusa de Aécio. O diabo é que o próprio Aécio, na manifestação feita nesta segunda-feira, levou água para o moinho de Tasso Jereissati –"um bom nome", ele disse. De resto, o governador tucano de Minas já elaborou os argumentos que levará à mesa de um jantar que terá com José Serra, nesta quarta (4). Dirá que serve mais e melhor à causa da oposição se conservar o foco em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do país. Alega que o eleitorado do Estado apreciaria ter um mineiro em quem votar para presidente. A vice, ao contrário, pode soar como prêmio de consolação. Algo que, no dizer de Aécio, frustraria seus eleitores. E, no limite, tiraria votos da chapa tucana em vez de agregar-lhe força. Daí sua decisão de concentrar-se na campanha de seu candidato ao governo mineiro, Antonio Anastasia, e na sua própria campanha –ao Senado, não a vice. Ou seja, a menos que o PSDB consiga produzir o milagre do convencimento, Serra terá de comparecer aos palanques de 2010 ao lado de um vice "demo". - Em tempo: Ilustração via "Pequeno Dicionário Ilustrado de Expressões Idiomáticas". As manchetes desta terça - Globo: Incêndio, saques e prisões aumentam tensão no Chile - Folha: Governo maquia dados e esconde atraso do PAC - Estadão: Sobra vaga em universidade federal - JB: Chile, enfim, pede socorro - Correio: Câmara vai aceitar cassação de Arruda - Valor: Investimentos no ano eleitoral já sobem 82% - Estado de Minas: Prefeitura lança edital para ônibus rápido em BH - Jornal do Commercio: Toque de recolher não impede saques Cheguei! Via 'O Sul'. Aécio: "Sou mestiço, como iria à chapa puro-sangue?" Para desassossego do tucanato, Aécio Neves reiterou que não será candidato a vice-presidente na chapa de José Serra. Alheio à azáfama que se abateu sobre a oposição depois que o Datafolha informou que Dilma Rousseff está a quatro pontos de Serra, Aécio brincou: "Eu sou mestiço, como vou participar de uma chapa puro-sangue?" O repórter Rayder Bragon conta que Aécio não receia ser responsabilizado por um eventual insucesso da oposição na sucessão de Lula: "Serei responsabilizado pelo governo que nós estamos fazendo em Minas e tomara que seja uma bela responsabilidade. Cada um de nós é responsável pelo que constrói, pelo que faz". No final do ano passado, Aécio se autoexcluíra da disputa presidencial ao setir que o PSDB o preteria, privilegiando Serra. Agora prega serenidade: "Vejo uma certa aflição natural porque a partir de agora nós estamos caminhando para as definições de chapas e das alianças..." "...Mas nós, homens públicos que temos alguma experiência, temos de ter serenidade, pois se hoje o quadro parece favorável a determinado candidato pode ser que no futuro não seja assim". Disse que seu partido dispõe de "cons nomes para a vaga" de vice. Citou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Algo que depende, disse, de entendimento. Afagou Serra, um presidenciável que, segundo disse, dispõe de "todas as condições [de ser eleito] independentemente de quem seja o companheiro de chapa". No mais, Aécio "Mestiço" Neves cuidou de contemporizar os efeitos do tremor que o acomoda, de novo, no epicentro da refrega nacional: "Desde que anunciei a minha saída desta disputa, não estou no centro dessas articulações..." "...Eu hoje me dedico a concluir o mandato em Minas Gerais, da melhor forma possível..." "...E serei um soldado dedicado ao meu partido e a ajudar na construção da nossa vitória". Aécio janta com Serra na noite desta quarta (4). Com suas declarações, é como se avisasse ao correligionário: Nem vem que não tem. Há pelo menos três meses Serra vem dizendo, em privado, que, na hora própria, Aécio aceitaria ser o vice dele. Hoje, além de não dispor da companhia de Aécio, Serra convive com a dúvida quanto à sua própria candidatura. Câmara do DF pede no STF rejeição da "intervenção" Instada a se manifestar pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, a Câmara Legislativa do DF protocolou no tribunal manifestação contrária à intervenção federal. O documento foi elaborado pela Procuradoria da Câmara. Pede que o supremo rejeite o pedido de intervenção feito pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel. O pedido de Gurgel alcança o governo e também o lesgislativo do DF. Daí a manifestação da Câmara local. Em sua defesa, o legislativo do DF afirma que, a intervenção seria um "atentatado" contra a autonomia federativa da Capital da República. Alega que o pedido do procurador-geral baseou-se apenas no "clamor popular" e em notícias da mídia. Sustenta que a suposta falta de isenção da Câmara do DF pra julgar o impeachment de José Roberto Arruda é desmentida pelos fatos. Primeiro porque os deputados sob suspeição, citados no inquérito do panetonegate, foram afastados do julgamento do governador por decisão judicial. Segundo, diz o texto, porque a Câmara Legialtiva teria tomado, desde dezembro, todas as medidas que o quadro lhe impunha. Providências destinadas a dar curso ao processo de impeachment do governmador e também aos pedidos de cassação de deputados por falta de decoro. "Onde está, então, a violação à forma republicana e ao regime democrático?", questiona a peça da Câmara. O texto conclui: o pedido de intervenção, escorado em notícias de jornal, teria perdido o sentido já que "os fatos concretos provam exatamente o contrário do alegado". Pede ao Supremo que negue o pedido de intervenção, para "que seja mantido o regime democrático e a forma republicana, privilegiando-se o Estado de Direito". Apadrinhado de Tasso é condenado por improbidade A Justiça federal condenou, por improbidade administrativa, Byron Costa Queiroz, ex-presidente do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) na gestão FHC. Apadrinhado do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), Byron foi condenado, junto com outras cinco pessoas, a ressarcir prejuizos estimados em mais de R$ 7 bilhões. Levada à página do Ministério Público na web, a notícia chega em má hora para Tasso Jereissati. Justamente no instante em que o nome do senador frequenta o noticiário como alternativa de vice para o presidenciável tucano José Serra. Chama-se Alessander Sales o procurador da República autor da ação que resultou na condenação do apadrinhado de Tasso. Ele acusara Byron e outros cinco ex-gestores do BNB (três diretores e dois superintendentes) de improbidade administrativa. Os malfeitos referem-se ao período de 1997 a 2000. Coisas assim, segundo a sentença judicial: 1. Rolagem de dívidas sem qualquer tipo de análise técnica. Vencidos e não pagos, os débitos não eram provisionados como créditos podres. 2. Manutenção de mais de mais de 20 mil operações vencidas em prazo superior ao permito pelo Banco Central (360 dias). 3. Rolagem em bloco de diversas operações de crédito, sem a necessária formalização. 4. Má gestão do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste). Recursos externos do fundo eram repassados sem formalização e dívidas atrasadas deixavam de ser reclassificadas. Com isso, tornava-se impossível aferir a situação dos devedores inadimplentes com o banco. Além de dividir com os outros cinco condenados os prejuízos causados ao BNB, Byron foi condenado à perda dos direitos políticos por oito anos e multa de R$ 200 mil. Os demais acusados são: Ernani Varela, Osmundo Rebouças e Raimundo Carneiro, que integravam a diretoria do Banco do Nordeste... ...E dois ex-superintendentes da instituição: Antônio Arnaldo de Menezes (área Operacional) e Marcelo Pelágio (setor Financeiro). Aos diretores, a Justiça impôs o ressarcimento solidário dos prejuízos de R$ 7 bilhões, suspensão dos direitos políticos por cinco anos e multa de R$ 100 mil cada um. Aos superintendentes, além do ressarcimento e perda dos direitos políticos por cinco anos, multa de R$ 70 mil cada um. Vai à web protesto de cubanos contra Lula, em Miami A cena exibida no vídeo acima foi pendurada no Youtube por um grupo chamado Assembléia da Resistência Cubana. Opera desde Miami, nos EUA. Congrega algo como cinco dezenas de organizações que se opõem à ditadura dos irmãos Raúl e Fidel Castro. Gravadas na última sexta (26), as imagens mostram o protesto realizado na sede do consulado brasileiro em Miami. Uma reação ao "silêncio" de Lula diante da morte do preso político Orlando Zapata Tamayo, ocorrida durante a visita do presidente brasileiro a Havana. Um manifestante portava bandeira de Cuba. Outros, fotos de Zapata e imagens de Lula ao lado de Fidel. Sob a face de Fidel, o vocábulo "assassino". Abaixo do rosto de Lula, a inscrição "cúmplice". Gritavam, entre outras palavras de ordem: "Lula, cúmplice!"; "Vergonha para Lula!"; "Viva Orlando Zapata Tamayo!"; "Direitos humanos para os cubanos!" Barulhento, o grupo atraiu a presença de um funcionário do consulado. Perguntou se os manifestantes desejavam entregar algum documento. Em resposta, ouviu um dicurso inflamado da ativista Sylvia Iriondo. Disse que o protesto, de natureza pacífica, destinava-se a expressar repúdio a Lula. E quanto ao documento? Entregaram a foto em que o presidente brasileiro, ao lado de Fidel, é tachado de "cúmplice". De passagem por Cuba, Lula já havia sido informado da reação dos dissidentes locais ao silêncio dele. Dera de ombros: "Se eles são dissidentes de Cuba e agora querem ser dissidentes do Lula, não tem problema nenhum". Conseguiu. A neodissidência lulista dos protodissidentes cubanos já não se restringe a Havana. Soa também em Miami. E ecoa na internet. Aliados cobram de Serra ao menos uma "sinalização" Governador será instado a dizer em público que é candidato Pressão se estende a Aécio Neves, para que aceite ser vice A notícia de que Dilma Rousseff está a quatro pontos percentuais dos calcanhares de José Serra instaurou na oposição uma atmosfera de inquietude. Nos próximos dias, lideranças do PSDB e do DEM cobrarão de Serra pelo menos uma declaração pública assumindo-se como candidato ao Planalto. Considera-se que o ideal seria que a frase do candidato soasse na próxima quinta-feira (4). Por quê? Nesse dia, Serra estará em Belo Horizonte. A convite de Aécio Neves, participará da cerimônia comemorativa ao centenário de Tancredo Neves. Pode ter de dividir a cena, a propósito, com o desafeto Ciro Gomes (PSB) e com a rival Dilma Rousseff. Ambos também foram convidados por Aécio. Na noite da véspera, Serra dividirá a mesa do jantar com Aécio. Mais uma oportunidade para que o "café" tente atrair o "leite" para sua chapa. O grão-tucanato reagiu à última pesquisa Datafolha de duas maneiras. Em público, considerou "natural" a ascensão de Dilma, atribuída à superexposição. Em privado, concluiu que a subida da candidata de Lula pede "reação". Na noite passada, um dirigente tucano disse ao blog: "Precisamos de fatos novos". Citou dois: além de "uma rápida manifestação de Serra assumindo-se claramente como candidato", o "convencimento de Aécio para compor a chapa como vice". Nem uma coisa nem outra estão, porém, asseguradas. Serra continua aferrado ao seu calendário particular. Aécio ainda diz que vai disputar o Senado. Na outra ponta, o PT saboreia o seu momento. O presidente da legenda, José Eduardo Dutra, até já sapateia sobre a hesitação de Serra: "Ao contrário do que alguns diziam meses atrás sobre a gente, agora é a oposição que começa a pensar em um plano B". Dutra como que roça a realidade. Em texto levado às páginas da Folha nesta segunda (1º), a repórter Cátia Seabra conta: "A um mês do prazo fatal para o anúncio de sua candidatura, Serra expõe a aliados angústia acerca de sua decisão". A despeito de agir como candidato, Serra aconselha-se com pessoas próximas sobre a conveniência de disputar a reeleição em São Paulo em vez da presidência. Seabra informa, de resto, que o tucanato já analisa uma alternativa para a vice que Aécio recusa-se a aceitar. Quem? O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Na última sexta (26), em Fortaleza, o repórter Eliomar de Lima perguntara a Tasso se descartava a hipótese de trocar a reeleição ao Senado pela vice de Serra. E Tasso: "Eu aprendi uma coisa em política: a gente não descarta nem carta, porque, de repente, a coisa muda e a gente fica com a palavra lá embaixo". Líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse ao blog, que, na sua opinião, o principal problema da oposição não está na composição da chapa. "O Serra deve ser o candidato", ele aposta. "Avançou demais para recuar agora. O problema da oposição e do próprio Serra é o azar..." "...O azar deles é que o eleitor deseja votar na continuidade. E o Serra é o candidato da mudança. A continuidade se chama Dilma". Daí, segundo a opinião de Vaccarezza, a gradativa ascensão da presidenciável petista. "A oposição não tem projeto e ficou sem discurso", ele espicaça. Secretário de Arruda decide disputar governo do DF Mal se livrou do governador preso José Roberto Arruda e do ex-vice-problema Paulo Octávio, o DEM ganhou uma encrenca nova para administrar. Alberto Fraga, secretário de Transportes da gestão Arruda, fez chegar à direção do partido o desejo de disputar o governo do DF. A novidade chega num instante em que o diretório regional do DEM-DF, sob intervenção desde a semana passada, lida com outras prioridades. Nomeado interventor, o senador Marco Maciel (DEM-PE) tenta reestruturar o comando da legenda na Capital, livrando-a da influência de Arruda. Na avaliação da direção do DEM, o próprio Fraga deveria se preocupar com coisa mais urgente. Exige-se dele que peça demissão do cargo de secretário do GDF ainda nesta semana. Sob pena de arrostar um pedido de sua expulsão da legenda. Nesse cenário, a movimentação de Fraga foi recebida com um misto de desalento e desaprovação. Um "carro adiante dos bois", disse um grão-demo ao repórter. Para complicar, Fraga, deputado federal licenciado, deseja comparecer à campanha como defensor do legado de obras de Arruda, a quem tem visitado amiúde na prisão. Fraga já não faz segredo de seus planos. Segundo conta a repórter Andreza Matais, na Folha, ele explicou assim sua candidatura: "Tem muita coisa boa que precisa dar continuidade". As manchetes desta segunda - Globo: Tsunami devasta costa do Chile, que já tem 708 mortos - Estadão: Mortos passam de 700 no Chile - JB: Tremor no Chile: Recomeço com sustos - Correio: Luta dramática para salvar vidas no Chile - Valor: Pacote deve criar crédito automático a exportador - Jornal do Commercio: Tragédia no Chile Tremelique sísmico! Via blog do Lute. Casa de Marcos Valério é "assaltada" em Minas Gerais Em três dias, a urucubaca apareceu para Marcos Valério duas vezes. A primeira aparição, já noticiada, ocorreu na quinta (25) passada. Uma juíza convertera-o em réu no caso do tucanoduto mineiro. No sábado (27), a casa do multioperador de arcas foi assaltada. Apenas uma funcionária de Valério encontrava-se no imóvel. Disfarçado de funcionário da prefeitura, um dos assaltantes entrou. Recolheu objetos pessoais, jóias, eletrônicos e dinheiro. Do lado de fora, aguardava-o um comparsa motorizado. Saíram sem ser importunados. Um observador incauto poderia perguntar: assalto ou expropriação? da reação dos dissidentes locais ao silêncio dele. Dera de ombros: "Se eles são dissidentes de Cuba e agora querem ser dissidentes do Lula, não tem problema nenhum". Conseguiu. A neodissidência lulista dos protodissidentes cubanos já não se restringe a Havana. Soa também em Miami. E ecoa na internet. Aliados cobram de Serra ao menos uma "sinalização" Governador será instado a dizer em público que é candidato Pressão se estende a Aécio Neves, para que aceite ser vice A notícia de que Dilma Rousseff está a quatro pontos percentuais dos calcanhares de José Serra instaurou na oposição uma atmosfera de inquietude. Nos próximos dias, lideranças do PSDB e do DEM cobrarão de Serra pelo menos uma declaração pública assumindo-se como candidato ao Planalto. Considera-se que o ideal seria que a frase do candidato soasse na próxima quinta-feira (4). Por quê? Nesse dia, Serra estará em Belo Horizonte. A convite de Aécio Neves, participará da cerimônia comemorativa ao centenário de Tancredo Neves. Pode ter de dividir a cena, a propósito, com o desafeto Ciro Gomes (PSB) e com a rival Dilma Rousseff. Ambos também foram convidados por Aécio. Na noite da véspera, Serra dividirá a mesa do jantar com Aécio. Mais uma oportunidade para que o "café" tente atrair o "leite" para sua chapa. O grão-tucanato reagiu à última pesquisa Datafolha de duas maneiras. Em público, considerou "natural" a ascensão de Dilma, atribuída à superexposição. Em privado, concluiu que a subida da candidata de Lula pede "reação". Na noite passada, um dirigente tucano disse ao blog: "Precisamos de fatos novos". Citou dois: além de "uma rápida manifestação de Serra assumindo-se claramente como candidato", o "convencimento de Aécio para compor a chapa como vice". Nem uma coisa nem outra estão, porém, asseguradas. Serra continua aferrado ao seu calendário particular. Aécio ainda diz que vai disputar o Senado. Na outra ponta, o PT saboreia o seu momento. O presidente da legenda, José Eduardo Dutra, até já sapateia sobre a hesitação de Serra: "Ao contrário do que alguns diziam meses atrás sobre a gente, agora é a oposição que começa a pensar em um plano B". Dutra como que roça a realidade. Em texto levado às páginas da Folha nesta segunda (1º), a repórter Cátia Seabra conta: "A um mês do prazo fatal para o anúncio de sua candidatura, Serra expõe a aliados angústia acerca de sua decisão". A despeito de agir como candidato, Serra aconselha-se com pessoas próximas sobre a conveniência de disputar a reeleição em São Paulo em vez da presidência. Seabra informa, de resto, que o tucanato já analisa uma alternativa para a vice que Aécio recusa-se a aceitar. Quem? O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Na última sexta (26), em Fortaleza, o repórter Eliomar de Lima perguntara a Tasso se descartava a hipótese de trocar a reeleição ao Senado pela vice de Serra. E Tasso: "Eu aprendi uma coisa em política: a gente não descarta nem carta, porque, de repente, a coisa muda e a gente fica com a palavra lá embaixo". Líder de Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse ao blog, que, na sua opinião, o principal problema da oposição não está na composição da chapa. "O Serra deve ser o candidato", ele aposta. "Avançou demais para recuar agora. O problema da oposição e do próprio Serra é o azar..." "...O azar deles é que o eleitor deseja votar na continuidade. E o Serra é o candidato da mudança. A continuidade se chama Dilma". Daí, segundo a opinião de Vaccarezza, a gradativa ascensão da presidenciável petista. "A oposição não tem projeto e ficou sem discurso", ele espicaça. Secretário de Arruda decide disputar governo do DF Mal se livrou do governador preso José Roberto Arruda e do ex-vice-problema Paulo Octávio, o DEM ganhou uma encrenca nova para administrar. Alberto Fraga, secretário de Transportes da gestão Arruda, fez chegar à direção do partido o desejo de disputar o governo do DF. A novidade chega num instante em que o diretório regional do DEM-DF, sob intervenção desde a semana passada, lida com outras prioridades. Nomeado interventor, o senador Marco Maciel (DEM-PE) tenta reestruturar o comando da legenda na Capital, livrando-a da influência de Arruda. Na avaliação da direção do DEM, o próprio Fraga deveria se preocupar com coisa mais urgente. Exige-se dele que peça demissão do cargo de secretário do GDF ainda nesta semana. Sob pena de arrostar um pedido de sua expulsão da legenda. Nesse cenário, a movimentação de Fraga foi recebida com um misto de desalento e desaprovação. Um "carro adiante dos bois", disse um grão-demo ao repórter. Para complicar, Fraga, deputado federal licenciado, deseja comparecer à campanha como defensor do legado de obras de Arruda, a quem tem visitado amiúde na prisão. Fraga já não faz segredo de seus planos. Segundo conta a repórter Andreza Matais, na Folha, ele explicou assim sua candidatura: "Tem muita coisa boa que precisa dar continuidade". As manchetes desta segunda - Globo: Tsunami devasta costa do Chile, que já tem 708 mortos - Estadão: Mortos passam de 700 no Chile - JB: Tremor no Chile: Recomeço com sustos - Correio: Luta dramática para salvar vidas no Chile - Valor: Pacote deve criar crédito automático a exportador - Jornal do Commercio: Tragédia no Chile Tremelique sísmico! Via blog do Lute. Casa de Marcos Valério é "assaltada" em Minas Gerais Em três dias, a urucubaca apareceu para Marcos Valério duas vezes. A primeira aparição, já noticiada, ocorreu na quinta (25) passada. Uma juíza convertera-o em réu no caso do tucanoduto mineiro. No sábado (27), a casa do multioperador de arcas foi assaltada. Apenas uma funcionária de Valério encontrava-se no imóvel. Disfarçado de funcionário da prefeitura, um dos assaltantes entrou. Recolheu objetos pessoais, jóias, eletrônicos e dinheiro. Do lado de fora, aguardava-o um comparsa motorizado. Saíram sem ser importunados. Um observador incauto poderia perguntar: assalto ou expropriação?