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CUSTO BRASIL
Estatais de telefonia são obsoletas e diminuem velocidade
local da rede mundial de computadores
Internet aqui está lenta, quase parando
JOÃO BATISTA NATALI
da Reportagem Local
Qualquer um dos estimados 500 mil brasileiros que acessam a Internet
já passou pelo incômodo: o computador se torna frequentemente
lento, preguiçoso.
Carrega dados captados na rede internacional a uma velocidade próxima
a 30 bits (informações digitalizadas) por segundo.
É um fluxo 960 vezes menor que o permitido pelos melhores modens
(aparelhos de transmissão) encontrados em qualquer bom revendedor
de informática.
A lentidão tem como principal causa o congestionamento da rede telefônica,
como admitiu o próprio presidente da Telebrás, Fernando Xavier
Ferreira, em recente depoimento no Congresso.
Telebrás
A Telebrás é uma holding que controla a Embratel (responsável
pelos circuitos interestaduais e com o exterior) e as 27 empresas estaduais
de telefonia.
Em resumo, a Internet -tanto as empresas particulares que vendem o serviço,
os provedores, quanto os usuários- tornou-se o novo refém
de um serviço público pouco eficiente.
Vejamos o caso da região metropolitana de São Paulo, que
hoje reúne (não há informação oficial
a respeito) a metade dos usuários brasileiros da rede mundial.
Os provedores já encomendaram 40 mil linhas telefônicas à
Telesp. Com uma média de 20 senhas de acesso por linha, serão
em breve, e por baixo, 800 mil pessoas com direito a trafegar pela rede.
É um número expressivo. Corresponde a 40% dos assinantes
de telefonia fixa (o instalado na casa da gente) e a 145% dos atuais assinantes
paulistanos do celular.
Colapso
Outro detalhe: enquanto uma ligação telefônica
dura de um a três minutos, uma ligação Internet, que
trafega pela mesma linha, dura em média 40 minutos (estimativa dos
provedores à Telesp).
Numericamente, a Telesp poderia se considerar em contagem regressiva rumo
ao colapso. Ela deve procurar, no entanto, redirecionar o tráfego
que liga os usuários a seus provedores.
Está planejando instalar, no início de 1996, ``atalhos''
entre os provedores e as estações que fazem a mediação
do tráfego de telefonia.
Assim, encurtará o trajeto das informações acessadas
ou transmitidas pelos ``internautas'' e procurará impedir que suba,
ainda mais, a taxa de congestionamento. Por causa dela, não são
hoje completadas 7% das ligações interurbanas em São
Paulo.
No Rio de Janeiro, segundo maior reduto de internautas, a situação
está bem pior. A taxa de congestionamento está em quase 20%,
cai a ligação em 5,1% dos casos, e só 38% dos interurbanos
são completados.
Calcanhar de Aquiles
A Internet é qualificada pelo presidente da Telebrás
de ``nosso novo calcanhar de Aquiles''. O calcanhar anterior foi o aumento
das ligações após o Plano Real (entre 1994 e 1995),
com 27% a mais de interurbanos e 58% a mais de chamadas internacionais.
A Internet, por sua vez, tinha no país 70 mil usuários há
13 meses. Já eram 300 mil em maio. Em seis meses, podem chegar a
1 milhão.
A Telebrás é juridicamente uma estatal, embora a União
tenha apenas 22% do total de suas ações. Deve seguir, na
contratação de bens e serviços, os mesmos procedimentos
lentos de uma repartição pública. E ainda não
investir mais do que o governo permite (R$ 6,4 bilhões, este ano).
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