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Tecnologias chegam com atraso ao país
da Reportagem Local
Dentro de dois meses, um grupo de assinantes da Telemig (Telecomunicações
de Minas Gerais) estará recebendo, em suas casas, uma novidade já
incorporada à rotina na Alemanha e, em menor proporção,
nos Estados Unidos.
É uma linha digital que permite o tráfego de três canais:
o primeiro, por exemplo, para a telefonia, o segundo para a Internet, e
o terceiro para fazer a gestão (discagem, comandos) dos dois outros.
A novidade chama-se RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados, ou
ISDN, sigla em inglês), e custará R$ 100,00 por mês,
mais o tempo de utilização.
A Telesp disporá do mesmo equipamento só no ano que vem.
Mas dificilmente oferecerá tarifas tão atraentes quanto nos
Estados Unidos, onde empresas como a US West oferecem essas linhas por
US$ 84,00, com direito a 200 horas mensais gratuitas.
França
Na França, a France Telecom (empresa estatal) oferece por US$
30,00 e cobra, pelo uso, a tarifa urbana de telefonia.
A RDSI permite o tráfego de 128 Kbps. É 4,4 vezes mais que
a capacidade máxima das melhores linhas analógicas brasileiras.
O Brasil só dispõe de linhas analógicas. Possui centrais
eletrônicas digitais, o que é outra coisa. Mesmo assim, as
centrais cobrem menos de 40% dos assinantes de telefonia. Segundo a agência
da ONU (Organizações das Nações Unidas) para
as telecomunicações, a UIT, 43 países já digitalizaram
todas suas centrais.
A diferença entre tecnologia analógica e digital é
a mesma que entre um disco de vinil e um CD. A digital aumenta a confiabilidade
e permite mais informações em menos tempo de transmissão.
Anacronismo
Mas não basta dispor de um recurso tão sofisticado, em
casa, para em seguida cair numa rede de telecomunicações
lenta e anacrônica. É o risco do Brasil.
A Embratel, que cuida do ``backbone'' (grandes troncos interestaduais e
internacionais) da Internet afirma estar, tecnicamente, com tudo sob controle.
É o que disse à Folha um de seus porta-vozes. Se o
tráfego de informações aumenta, novos canais se tornam
disponíveis.
Mas a verdade parece ser outra. Uma das provas da inadequação
do backbone está na pane que afetou há dez dias, por 24 horas,
todos os provedores do Estado de Santa Catarina.
O ``webmaster'' (responsável) de um deles -que obviamente pediu
para não ser identificado- afirma haver uma sobrecarga crônica
dos circuitos e um risco permanente de colapso na rede.
Rotadores
Um outro indício de que a Embratel foi pega de surpresa com
a expansão extremamente rápida da Internet no Brasil: só
em julho último, ou seja, há menos de três meses, as
mensagens originárias ou com destino a São Paulo passam por
``rotadores'' (routers) locais.
Rotadores são computadores e programas de segmentação
e endereçamento das mensagens. Sem eles, a Internet não funciona.
Ora, todo o tráfego paulista era até julho processado no
Rio.
(JBN)
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