| novembro/96 | ||
| NAS EMPRESAS/INTERNET | ||
Programas Que Cuidam de Sua Rede
Saiba Como Escolher um Servidor Web, Peça Fundamental para Construir e Gerenciar Sua Intranet |
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| Quando
iniciou os estudos para montar sua intranet, a Rhodia queria dar a ela
uma fisionomia institucional. Hoje, ainda em fase piloto, a rede corporativa
já está adquirindo essas feições ao oferecer
páginas estáticas com informações do departamento
de recursos humanos, a lista telefônica da empresa, informações
sobre programas de qualidade e um espelho do site na Internet da Rhône-Poulenc,
grupo químico francês do qual a Rhodia faz parte. A espinha
dorsal da rede, que possibilita à Rhodia trazer a Internet para
dentro da empresa, transformando-a em ferramenta de gestão, é
o servidor Web Netscape Communication Server. A Rhodia agora planeja adotar
um segundo servidor para suportar o crescimento previsto da rede. Segundo
Adriana Bevilacqua, analista de tecnologia aplicada da companhia, o novo
servidor deverá ser um Oracle, para transformar a intranet num ambiente
misto que englobe também uma grande base de dados.
Embora os holofotes sempre focalizem os navegadores, os servidores Web, como mostra o exemplo da Rhodia, são peças fundamentais no funcionamento das intranets. Ao supervisionar a operação da rede a partir de um computador central, esses programas atuam como o coração do sistema. Sendo assim, quanto mais intranets houver em operação no mundo, mais servidores Web estarão sendo adquiridos pelas empresas, num mercado formidável. É por isso que gigantes como Microsoft, Netscape, IBM, Oracle e Novell procuram não perder tempo, lançando servidores cada vez mais poderosos (leia tabela à pág. 72). Ao lado dos programas vendidos, existem os gratuitos, para quem queira experimentar a tecnologia. Basta entrar na Internet e copiar um dos softwares oferecidos para download, como os da Apache e da NCSA. O próprio Internet Information Server, da Microsoft, pode ser apanhado na rede a custo zero. As projeções de mercado justificam a azáfama dos fabricantes. Segundo o instituto de pesquisas americano IDC, no ano 2000 haverá 180 milhões de pessoas no mundo todo utilizando intranets. Assim como a Rhodia, a fabricante de pisos e azulejos Cecrisa, que já tem sua intranet em estágio bastante avançado (leia quadro), optou pela utilização do servidor Web da Netscape. Um nome que é quase sinônimo de Internet, a Netscape quer agora iniciar sua escalada nas redes corporativas. Para tanto, apresentou na praça duas novas opções de servidores: o Enterprise Server e o FasTrack Server, versões atualizadas do Communications (usado pela Rhodia) e do Commerce Server. Os novos servidores chegam com um sofisticado controle de acesso, suporte ao padrão de segurança SSL v3 (leia glossário à pág. 70) e grande desempenho. O Enterprise Server permite que várias pessoas ou vários departamentos compartilhem as responsabilidades de criação de páginas e o gerenciamento do servidor. Possui recursos como o gerenciamento de acesso e de conteúdo e o controle das versões das páginas, e traz embutido um programa de pesquisa. O servidor, disponível para Windows NT e Unix, ganha força também com o fato de rodar em plataformas Intel ou Risc. Suas pequenas falhas estão na interface, não muito clara para certos aspectos da configuração, e na falta de integração com os diretórios de usuários do Windows NT e dos sistemas Unix, o que cria uma duplicidade de trabalho para o gerenciador do sistema. ESTÁVEL E EFICIENTE - A Ticket Serviços, de São Paulo, que também quis ter em casa uma miniatura da rede mundial de computadores, escolheu como supervisor de sua rede o Internet Information Server. Primeiro servidor Web produzido pela Microsoft, o programa tem se mostrado bastante estável. Apresenta um excelente setup e uma não menos eficiente integração com o Windows NT. A essas qualidades acrescenta a da gratuidade, em termos. O programa pode ser retirado sem ônus na Internet, mas o fabricante exige, em troca, a compra de uma licença do Windows NT Server. Na verdade, como o Information Server roda somente no Windows NT Server, o download gratuito do programa é coisa para inglês ver. No final deste ano, a Microsoft deverá lançar a versão 2.0. Entre outros aperfeiçoamentos, a nova versão incluirá a possibilidade de ser gerenciada por meio do navegador do fabricante, o Internet Explorer, e por um software, o FrontPage, destinado ao gerenciamento do site e à criação de páginas em HTML. Também disponível para download na Internet, o servidor Apache apresenta uma credencial extra: domina mais de 30% do mercado. O curioso é que o Apache é um programa de domínio público, desenvolvido e mantido por um grupo de voluntários espalhados por todo o mundo. Para usá-lo, é preciso conhecimento de Unix. O suporte técnico está disponível somente por correio eletrônico e é pago. O Apache suporta praticamente todas as plataformas Unix e também OS/2. Algumas software houses agregam suportes especiais ao programa, como SSL v2, e os vendem separadamente. A instalação é simples, mas requer algum conhecimento do sistema operacional usado. Esqueça a interface gráfica. Para instalar e configurar o Apache, você tem de lidar com os arquivos de configuração via editores de texto. Outro servidor Web que pode ser instalado de graça é o NCSA, utilizado pela Cecrisa em sua vistosa intranet. O NCSA HTTPd, até o surgimento do Apache, era o servidor preferido da maioria dos sites em Unix. Para instalar o software, é preciso fazer um download do programa, descompactar o arquivo, ler a documentação e tentar descobrir como instalar e configurar o servidor, o que pode levar pelo menos 3 horas. Embora não tenha uma ferramenta de configuração gráfica, a NCSA recentemente lançou um instalador para tornar o processo mais simples. O NCSA oferece suporte total a CGI e também incorpora facilidades como SSI, servidores virtuais e controle de acesso. A IBM também entrou firme na disputa do mercado de softwares para intranets. Entre outros clientes, a empresa já conquistou a cervejaria Antarctica, que está montando sua intranet para interligar todas as redes LAN e fazer circular, num primeiro estágio, informações como normas, padrões e instruções internas da companhia. O IBM Internet Connections Secure Server, nome do produto usado pela Antarctica, é um dos poucos programas disponíveis para a plataforma OS/2 e inclui conexões com outros produtos da IBM baseados em mainframe, como o DB2. O Secure Server tem as facilidades de um servidor Proxy, mas não possui ferramentas para gerenciamento do site ou mesmo utilitários para busca de documentos HTML. Quando já existe o OS/2 no equipamento, o tempo para instalar o servidor é bastante curto. O programa não suporta múltiplos nomes de hosts num único servidor, mas a IBM promete incluir essa facilidade na próxima versão do produto. Diz ainda que haverá uma melhora geral no desempenho do programa. NOVAS FERRAMENTAS ó Na Construtora Norberto Odebrecht, com sede no Rio de Janeiro e escritórios espalhados por várias partes do mundo, predomina uma rede Unix padrão TCP/IP com banco de dados relacional Oracle. Para facilitar a implantação de sua intranet, a empresa optou pelo WebServer. O programa, construído pela Oracle com a pretensão de dominar o segmento de grandes corporações, inclui o aplicativo Web Request Broker (WRB). Trata-se de um recurso para permitir o acesso direto ao banco de dados e o gerenciamento das informações e páginas no servidor. Por meio do WRB, o WebServer envia páginas HTML dinamicamente, traduzindo e disparando as requisições dos clientes diretamente para o banco de dados, o que resulta em rapidez de operação. Disponível para plataformas Unix, Windows NT Server e Windows 95, o servidor tem como ponto negativo o fato de precisar do banco de dados Oracle para o tratamento de páginas HTML. |
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| Outro servidor Web de destaque é
o NetwareWeb Server, da Novell. O produto representa uma opção
para usuários de Netware em redes e que queiram ter um servidor
de intranet bastante sólido. Ele é o mais rápido do
mercado, mas possui limites para o controle de acesso e não suporta
autenticação por SSL. Não incorpora suporte para servidores
virtuais e ferramentas para o gerenciamento do site, embora a Novell tenha
prometido esses recursos para a próxima versão do produto.
Correndo por fora, o servidor WebSite Professional, da OíReilly & Associates, possui um sofisticado conjunto de ferramentas para o gerenciamento de aplicações. A interface é simples e eficiente. Ele roda em Windows NT Server e Windows 95. A falha do servidor está na dificuldade de gerenciamento remoto, que requer um setup bastante complexo. Já para as empresas que utilizam Macintosh, uma boa opção de servidor para intranet é o WebStar for Macintosh, produzido pela Quarterdeck.
CONHEÇA OS PRINCIPAIS TERMOSA proliferação das redes intranet trouxe para dentro das empresas uma série de siglas e conceitos que devem estar na ponta da língua dos técnicos. Veja, abaixo, o significado dos principais termos relacionados com Internet e intranets. CGI (Common Gateway Interface) ó Conjunto de regras que descreve como um servidor Web se comunica com um programa existente na mesma máquina (chamado programa CGI). Normalmente, o programa CGI recolhe os dados enviados pelo servidor e coloca o conteúdo numa mensagem ou num banco de dados. DN (Domain Name) ó Um nome único que identifica os sites na Internet. Para tradução do nome de um endereço, é necessário um programa especial chamado Domain Name Server. Firewalls ó Combinação de hardware e software que separa uma rede Lan em duas ou mais partes. O objetivo é evitar que intrusos tenham acesso a dados confidenciais. FTP (File Transfer Protocol) ó Método muito comum de mover arquivos entre dois sites na Internet. Usado para grandes arquivos. HTTP (HyperText Transport Protocol) ó Protocolo utilizado para mover arquivos de hipertexto na Internet. Necessita de um HTTP cliente (o navegador), de um lado, e de um HTTP server (o servidor Web), de outro. ISAPI (Internet System Application Program Interface) ó Conjunto de chamadas desenvolvido pela Microsoft para acesso ao seu servidor Web. NSAPI (Netscape System Application Program Interface) ó Conjunto de chamadas desenvolvido pela Netscape para acesso ao seu servidor Web. POP (Post Office Protocol) ó Maneira como um software de correio eletrônico, como o Eudora, localiza as mensagens num servidor. Portas e Múltiplas Portas ó Na Internet, cada serviço ou processo lê as requisições que chegam da rede por uma porta ou um número. Você pode especificar a porta pela URL. Exemplo: os servidores Web têm como padrão a porta 80. Quando o servidor consegue ler várias delas, é chamado de servidor de múltiplas portas. Proxy Server ó Programas utilizados para guardar os documentos acessados mais freqüentemente no servidor Servidores Virtuais ó São os que suportam múltiplos domain names, ou seja, podem lidar com diferentes home pages na mesma máquina. SSI (Server Side Includes) ó Maneira utilizada pelo servidor Web de inserir dinamicamente pequenas quantidades de dados num documento HTML. Usado para pequenas informações como contadores. SSL (Secure Sockets Layer) ó Modo padronizado de encriptar senhas e dados para garantir transações seguras entre um cliente e um servidor. A versão mais usada atualmente é a v2, mas a v3 é mais segura e começa a ganhar adeptos. Para tê-la é preciso conseguir antes um certificado (ou senha) criado por empresa especializada. TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) ó Conjunto de protocolos que define a Internet. Originalmente desenvolvido para os sistemas UNIX, agora está disponível em todas as plataformas.
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