Metodologias e
Ferramentas
para
Desenvolvimento
de Conteúdos Multimídia para
Streaming na WEB
Profa. Regina Helena Bastos Cabral
Projeto de Pesquisa
2003-2005
Indice
2.2 Metas e Resultados Esperados
Anexo 1 - Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública
Este é um
projeto de pesquisa aplicada na área de Tecnologias da Informação na Web,
focalizado em ferramentas e métodos para produção de material multimídia para
educação a distância. Tem aspectos interdisciplinares, na medida em que o
conteúdo substantivo a ser utilizado como testbed
é o resultante das pesquisas do CRISP -
Centro de
Estudos de Criminalidade e Segurança Pública[1],
da UFMG.
Desde
março de 1999 temos trabalhado no uso de tecnologias da informação aplicadas a
educação a distância, quando também passamos a publicar, na Web, o conteúdo
didático desenvolvido para a disciplina Programação de Computadores (http://www.dcc.ufmg.br/~reginah).
Além disto, propusemos, coordenamos e participamos dos dois projetos descritos
no que segue.
Projeto 1:
EBW-C7 – Educação Baseada na Web: ferramentas, desenvolvimento e
avaliação de cursos, executado durante o biênio 1999-2001, financiado pelo CNPq
Este foi um
projeto interinstitucional e multidisciplinar, cuja proposta está publicada
integralmente em [RHBC2000].
Interinstitucional por termos formado um consórcio tripartite, do qual
participaram a UFMG, a UFPE-Cesar e a PUC-Rio, esta última sendo a coordenadora
geral do projeto.
Multidisciplinar,
pois uma das duas vertentes do projeto na UFMG foi o desenvolvimento de oito Projetos
Piloto de criação de conteúdos em diversas
áreas do conhecimento, sua utilização no ensino e aprendizado via Web com a
conseqüente avaliação da eficácia da tecnologia. Com isso pudemos não só
experimentar e validar o ambiente AulaNet mas,
também, contribuímos para quebrar a resistência dos docentes em relação ao uso
de tecnologias da informação em educação e estimular o desenvolvimento de
material didático em português, esses dois últimos ítens
sendo reconhecidos desafios para educação baseada na Internet.
A equipe proponente desta vertente do projeto foi composta
pelos seguintes profissionais e
respectivas áreas:
Em
particular, o prof. Cláudio Beato, durante o projeto, desenvolveu e ministrou,
para sete turmas, os cursos Compreendendo
o Policiamento Comunitário e Sociologia
da Violência e Criminalidade.
A segunda vertente deste projeto na UFMG foi a análise de desempenho do servidor AulaNet,
entre cujos resultados esperados estavam:
(1) uma metodologia de avaliação de desempenho do ambiente AulaNet, que especifica desde atividades de monitoração a
critérios que quantificam a satisfação dos usuários; (2) entendimento profundo
dos hábitos dos usuários e suas implicações; (3) identificação de
componentes ou serviços que demandam reavaliação e conseqüente melhoria das
suas implementações, com o objetivo de aprimorar os serviços providos pelo servidor AulaNet.
Nete projeto contamos com cinco
bolsistas, sendo três da graduação, um dos quais, o aluno Charles Wilis Cunha Garcia,
permanece trabalhando na área.
O relatório final deste projeto,
no que se refere à participação da UFMG, está publicado em [RHBC2001].
Projeto
2: PID-33:
Iniciação à Docência Utilizando Recursos da
Internet como Apoio, executado durante 2001, financiado
pela Pró-Reitoria de Graduação da UFMG [RHBC2002]
Deste
projeto participaram efetivamente doze professores do DCC, e vinte e dois
bolsistas da graduação, desenvolvendo e publicando na Web
os conteúdos de dez disciplinas [RHBC2003].
No
contexto pressuposto neste projeto, o material didático seria publicado na
página web da disciplina. Complementarmente, através
de e-mail, seria proporcionada ao aluno assistência extra-classe
e assíncrona, principalmente, pelos bolsistas do programa, que estariam
cumprindo o papel de tutores e animadores de listas e grupos de discussão.
Para
isto, o bolsista deveria interagir permanentemente com o professor da
disciplina de modo a que ambos estivessem sintonizados, garantindo correção e
coerência no processo de assistência ao aluno. Estabelecida esta sintonia, o
bolsista deveria ampliar o espaço para interatividade entre professor, tutor
(bolsista) e aluno, através de (i) proposição de questões relevantes e
motivadoras a serem debatidas; (ii) apresentação de
soluções, parciais ou integrais, de problemas; (iii)
disponibilidade, permanente e assíncrona, para responder a dúvidas dos alunos;
(iv) catalogação, editoração e publicação das FAQs na página web da disciplina.
Conforme
visto no relatório final [RHBC2003], o desenvolvimento do projeto foi estimulante
e obtivemos alguns resultados interessantes, dentre os quais destacamos os
seguintes:
a)
pontos fortes:
·
A
liberdade de escolha na seleção e adoção de algum ambiente integrador de
conteúdos motivou os bolsistas a pesquisar sobre os vários ambientes
existentes, analisando suas características positivas e negativas, e levando à
identificação de softwares abertos que podem ser adaptados às necessidades
específicas das disciplinas.
·
A
adoção dos recursos de tecnologias da informação em algumas disciplinas motivou
o interesse de outros professores e alunos em também utilizá-los.
·
A
busca de informações nos sites específicos das
disciplinas se tornou um hábito dos alunos. Conseqüentemente, todas as equipes
investiram esforços em produzir conteúdos com qualidade crescente.
b) pontos críticos:
·
A resistência dos alunos em expor publicamente suas
dúvidas - Acreditamos que cabe aos tutores (bolsistas) e professores achar o caminho,
dependente do perfil de cada turma, para minimizar esta barreira. Uma forma
adotada, no último semestre do projeto, por algumas equipes é a atribuição de
pontos conforme a qualidade da participação dos alunos nos debates on-line.
·
A
catalogação e publicação de FAQs - Um conjunto
legítimo de perguntas mais freqüentes depende por um lado da participação dos
alunos nos debates e, por outro lado, da experiência dos tutores em
identificá-las e formatá-las adequadamente.
Em ambos
os projetos, priorizamos o desenvolvimento de conteúdos em páginas html,
transparências powerpoint e, como é usual acontecer, no uso de ambientes integradores como AulaNet e
LearnLoop.
Nossa
experiência deixou claro que:
A
literatura sobre uso de tecnologias para educação a distância é centrada na
produção e na utilização de ambientes de gestão de cursos, ou ambientes
integradores, como AulaNet – da PUC-RIO, LearningSpace – da IBM/Lotus,
LearnLoop - projeto
Open Source (GPL), dentre
outros. Estes ambientes pressupõem a existência prévia de material multimídia e
seu papel é o de gerenciar a distribuição de cursos e a integração dos vários
módulos instrucionais em disciplinas [CLHF2000], [MARI2003].
Em relação
à produção dos conteúdos multimídia, existe um conjunto crescente de
ferramentas calcadas em pesquisa sobre vídeo e áudio on demand, assim como ambientes mais tradicionais de edição digital
de áudio e vídeo [ACCO2003], [OPTX2003],
[REAL2003], [SOFT2003].
O diagrama
seguinte representa, de maneira linear e simplificada, a cadeia produtiva de
material multimídia para cursos a distância via Internet. Áudio e vídeo são
sincronizados com a exibição de conteúdos de urls, de transparências
powerpoint, de slides fotográficos, de animações flash, etc. Percorrendo o
diagrama da esquerda para a direita,
começa-se com a gravação das imagens e do som, que passam por conversão A/D
(analógico/digital) e por uma primeira edição em uma estação digital. O
resultado deste processo é um arquivo digital codificado em um dos vários
formatos utilizados no mercado. Naturalmente, estes arquivos podem também ser produzidos diretamente pelas câmeras e
microfones digitais. Em seguida, o arquivo digitalizado é codificado para um
formato apropriado para streaming
(.ra, .rm, ...), produzindo os clips das aulas em um formato que
servidores possam veicular em seções ao vivo ou sob demanda [REAL2002].

Quanto a metodologias
de desenvolvimento, é fraca a literatura na área.
O processo de produção de material multimídia é ainda dominado pela praxis artística e utiliza um
encadeamento de ações em cascata, gerenciado como workflow.
Temos
observado que o não domínio das técnicas, ferramentas, artefatos e métodos por
parte dos professores e autores tem inibido a produção de material instrucional
multimídia. Por exemplo, é comum a argumentação de que para fazer educação a
distância se depende de um grande elenco de profissionais do mundo
áudio-visual, cineastas dentre eles, para
a elaboração de storyboards
que, na metáfora da engenharia de software,
desempenham o papel de prototipação rápida.
O desafio
é a adaptação de um sub-conjunto das metodologias da engenharia de software ao contexto de produção de
aulas para ensino a distância, conferindo organicidade e um referencial
metodológico a um processo com fortes características ad-hoc. Para que educação a
distância possa ter a contribuição substantiva de todo e qualquer professor ou
autor, é fundamental que a cadeia produtiva de material áudio-visual seja o
mais independente possível da presença de caros profissionais do setor
áudio-visual.
Pretendemos
abordar nesta pesquisa as questões relativas a especificação de requisitos,
análise, projeto, testes e implementação, com a devida utilização de
ferramentas disponíveis no mercado para produção de material multimídia.
Salientamos que não serão abordadas, em princípio, as questões relativas a
padrões técnicos e gerenciais (controle de custos, etc) que fogem ao escopo do
trabalho nesta fase.
Descrevemos
a seguir, conforme a terminologia definida em [WPPF2001], o escopo e as
questões focais da pesquisa em um horizonte de três anos.
Requisitos: Na
engenharia de software, requisitos de
alta qualidade são claros, completos, sem ambiguidade, implementáveis,
consistentes e testáveis. Não existe o
equivalente a requisitos com estas características na produção de material áudio-visual.
Os documentos típicos desta fase em ambientes ainda dominados por profissionais
do meio artístico são textos de livros, ou argumentos (screenplays), eventualmente materializados em outros textos
modularizados através de cenas, diálogos e em instruções para as tomadas.
Nesta
fase do projeto, estaremos tratando de questões como:
§
aplicabilidade dos métodos e
ferramentas da especificação de requisitos para a produção de especificações
com storyboards digitais;
§
amarração com dados do cliente;
§
adequação das várias formas
multimídia;
§
limitações de ambiente;
§
capacidades de servidores;
§
considerações de banda;
§
...
Análise: Nesta
fase estaremos focalizando a aplicabilidade dos métodos e ferramentas da
análise de sistemas de software para
verificar a qualidade e a adequação da especificação de requisitos, e para
detalhar os processos com a precisão necessária para serem tratados pelos
desenvolvedores do produto final – o curso, que inclui um conjunto integrado e
harmônico de clips multimídia
veiculáveis na web como streaming media.
Projeto: Projeto
para reutilização parece ser um enfoque promissor para a produção de material
para ensino a distância. Da mesma forma que o software, disciplinas evoluem com o tempo e o conteúdo de cursos
sofre revisões, adaptações e correções à medida que é exposto à população de
usuários.
Nesta
fase, pretende-se enfocar, na pesquisa sobre a aplicabilidade dos métodos de
projeto de software à produção de
material multimídia, questões como:
·
atendimento a requisitos de desempenho;
·
detalhamento do screenplay ou roteiro em nivel de
detalhe suficiente para sua implementação;
·
decomposição do produto em
componentes cuja construção seja relativamente independente, de forma que
eventualmente possa ser realizada por pessoas diferentes, trabalhando em
paralelo;
·
definição adequada e rigorosa das
interfaces entre os componentes do produto, minimizando os efeitos que
problemas em cada um dos componentes possam trazer aos demais;
·
documentação das decisões de
projeto, de forma que estas possam ser comunicadas e entendidas por quem vier
implementar e manter o produto.
Testes: Nesta
estapa, pretende-se pesquisar e definir os equivalentes aos:
·
testes de unidade - que têm por
objetivo verificar um elemento que possa ser logicamente tratado
como uma unidade de implementação, como por exemplo, um clip multimídia que faz parte de um conjunto maior (aula);
·
testes de integração - que têm por
objetivo testar o relacionamento e o funcionamento combinado entre as partes de
uma arquitetura de produto;
·
testes de aceitação - que têm por
objetivo validar o produto, isto é, verificar se ele atende aos requisitos
especificados.
Implementação: Neste
último aspecto do escopo da pesquisa, serão tratadas a implementação dos templates e outros elementos do modelo
de projeto, geralmente constituídos de arquivos multimídia.
No
caso de sistemas distribuídos, alocação das unidades aos nodos do sistema.
Interessantes analogias poderão aparecer na medida em que, em arquiteturas
cliente-servidor e com veiculação de streaming
media na Internet, é importante decidir sobre localização de servidores,
disponibilização de proxies,
mecanismos de caching, tunelamento,
etc.
Também
serão tratados aspectos como integração das unidades entre si e integração das
unidades com componentes reutilizados, adquiridos de terceiros ou
reaproveitados de projetos anteriores.
Os
primeiros doze meses do projeto estarão concentrados nas seguintes frentes:
Esperamos
que os seguintes produtos resultem destas frentes:
A partir
do segundo ano, espera-se produzir, interativa e iterativamente, artigos
focalizando a área de conhecimento Suporte
Tecnológico para Ensino a Distância: métodos, ferramentas e artefatos.
Este
cronograma será revisto periodicamente, à medida que resultados intermediários
apontem com maior nitidez o caminho a ser seguido.
Equipe de
conteúdos do CRISP:
Prof.
Cláudio Chaves Beato Filho, Doutor
Profa.
Ana Cristina Murta Collares, Mestre
Profa.
Maria Helena Prates, Mestre
Profa.
Elaine Vilela, Mestre
Profa.
Karina Rabelo Leite, mestranda
Equipe de tecnologias da informação:
Prof. Ivan Moura Campos, PhD
Profa. Regina Helena Bastos Cabral, DSc
Carlos Antônio de Souza Perini,
graduando em Ciência da Computação
Charles Wilis
Cunha Garcia, graduando em Ciência da Computação
O CRISP
é um projeto de pesquisa financiado pelo CNPq, FAPEMIG e Fundação FORD, e executado pela
FAFICH, através do Departamento de Sociologia e Antropologia, sob a coordenação
do Prof. Cláudio Chaves Beato Filho. A equipe participante deste sub-projeto do
CRISP receberá bolsa de pesquisa conforme os padrões definidos pela Resolução número
10/95 do Conselho Universitário da UFMG.
[ACCO2003] http://www.accordent.com/ -
Produto: PresenterOne
[CLHF2000] Lucena, Carlos; Fuks,
Hugo; A Educação na Era da Internet, Edição e Organização Nilton Santos, Rio de
Janeiro, Clube do Futuro, 2000.
[MARI2003] http://www.mcli.dist.maricopa.edu/ocotillo/courseware/compare.html
(comparação de vários ambientes e
artigos variados sobre o tema)
[OPTX2003] http://www.optx.com/ -
Produto: ScreenWatch
[REAL2002] RealNetworks,
Introduction to Streaming Media with RealOne Player,
2002
[REAL2003]
http://www.realnetworks.com -
Produtos: Helix Producer Plus Helix Universal Server, RealSlideShow,
RealOnePlayer
[RHBC2000]
http://www.dcc.ufmg.br/~reginah/ebwc7.html
- Projeto submetido ao CNPq
[RHBC2001] http://www.dcc.ufmg.br/~reginah/ebwc7final.html - Relatório final.
[RHBC2002]
http://www.dcc.ufmg.br/~reginah/pid.html
- Projeto submetido à Pró-Reitoria
de Graduação da UFMG
[RHBC2003]
http://www.dcc.ufmg.br/~reginah/relatoriofinalpidhtml.htm
- Relatório final
[SOFT2003]
http://www.softv.net/Public/index.htm
- Produtos: SofTV-ShowAndTell e SofTVPresenter
[WPPF2001]
Paula Filho, Wilson de Pádua; Engenharia de Software: fundamentos, métodos e
padrões, LTC – Livros Técnicos e Científicos S.A., 2001
O CRISP – Centro de Estudos em
Criminalidade e Segurança Pública é um projeto de pesquisa, financiado pelo
CNPq, FAPEMIG e Fundação FORD, e executado pela FAFICH – UFMG, através do
Departamento de Sociologia e Antropologia, sob a coordenação do Prof. Cláudio
Chaves Beato Filho (http://www.crisp.ufmg.br).
Objetivos Gerais:
·
Produção
de conhecimento e sistematização de dados de criminalidade e segurança pública;
·
Formação
de pesquisadores e policy makers
qualificados para tomar decisões de forma racional científica, e de acordo com
princípios fundamentais de convivência ética e de respeito aos direitos
humanos.
Objetivos Específicos:
·
desenvolvimento
de tecnologias, metodologias e técnicas que possam servir de suporte à gestão
da segurança pública;
·
definição
e implementação de pesquisas capazes de produzir conhecimento necessário ao
planejamento e implementação de políticas públicas;
·
desenvolvimento
e oferta de cursos que objetivam a qualificação de profissionais da área de
segurança pública;
·
desenvolvimento
de padrões de qualidade na aplicação de tecnologias da informação à educação
continuada em segurança pública, para profissionais da área e comunidade em
geral;
·
divulgação
das informações obtidas a todo público interessado pelo tema.
Tecnologias da Informação
Aplicadas a Ensino a Distância
Mais especificamente, os cursos que vêm sendo
desenvolvidos pelo CRISP visam capacitar os alunos para a criação, gerência,
manuseio e utilização de bases de informação, auxiliando-os no planejamento das
atividades policiais, na detecção de problemas, na busca científica de soluções
e na avaliação da eficácia das medidas adotadas.
Para atender ao público-alvo que,
além de numeroso, tem características como dispersão geográfica, diversidade de
aptidões, de necessidades e de disponibilidades de tempo e de acesso a
tecnologias, é essencial que sejam adotadas formas
diferenciadas de implementação dos cursos. Dentre outros aspectos, estas
implementações precisam ser eficazes para aumentar a qualidade dos
profissionais da área e possibilitar a redução de custos para os sistemas de
segurança pública e de justiça criminal.
Assim, é fundamental que o CRISP
desenvolva uma metodologia de implementação e distribuição de cursos que
utilizem intensivamente as tecnologias da informação, inclusive com componentes
multimídia, justificando que o projeto em foco neste documento seja um de seus
vários sub-projetos.
[1] Um
resumo dos objetivos gerais e específicos bem como a justificativa da
necessidade de o CRISP dominar metodologias de ensino a distância é apresentado
no Anexo 1.