Relatório Institucional - Projeto AulaNet – UFMG – 10 de setembro de 2001 – Regina
2.1 Identificação: EBW-C7 – Educação Baseada na Web: ferramenta, desenvolvimento e avaliação de cursos
Número do processo: 680062/99-8
Instituição: Universidade Federal de Minas Gerais
Área Prioritária: Educação Baseada na Web
Coordenador: Regina Helena Bastos Cabral
Vigência: Início: 9/9/99 Fim: 8/9/01
2.2 Conteúdo - Resumo do projeto original
Conforme definido no projeto original, a participação da UFMG teria duas vertentes complementares. A primeira era o desenvolvimento de oito Projetos Piloto que viabilizassem a criação de conteúdos em diversas áreas do conhecimento, sua utilização no ensino e aprendizado via Web com a conseqüente avaliação da eficácia da tecnologia. Com isso pretendia-se não só experimentar e validar o ambiente AulaNet mas, também contribuir para quebrar a resistência dos docentes em relação ao uso de tecnologias da informação em educação e estimular o desenvolvimento de material didático em português, esses dois últimos ítens sendo reconhecidos desafios para educação baseada na Internet.
A segunda vertente seria a análise de desempenho do servidor AulaNet, entre cujos resultados esperados estavam: (1) uma metodologia de avaliação de desempenho do ambiente AulaNet, que especifica desde atividades de monitoração a critérios que quantificam a satisfação dos usuários; (2) entendimento profundo dos hábitos dos usuários e suas implicações; (3) identificação de componentes ou serviços que demandam reavaliação e conseqüente melhoria das suas implementações, com o objetivo de aprimorar os serviços providos pelo servidor AulaNet.
A equipe proponente do projeto foi composta por profissionais de diversas áreas, a saber:
Linhas de pesquisa: educação baseada na web, uso de ambientes de autoria, produção de conteúdos, avaliação de desempenho de servidores web
2.3 Principais Resultados
A natureza heterogênea deste projeto, em termos de temas e equipes, produziu um estudo de caso interessante e no qual foram vivenciadas, em diferentes momentos, várias das questões apontadas na literatura, em particular por Saul Carliner em http://www.lakewoodconferences.com/whitepaper1.htm.
Conforme detalhado a seguir, é razoável considerar que o projeto se desenvolveu segundo quatro etapas, não necessariamente disjuntas, quais sejam:
2.3.1 Etapa 1: Instalação, visão geral do projeto, definição de modus operandi e do ciclo de desenvolvimento
As atividades desenvolvidas nesta etapa ocorreram ao longo de 3 meses, isto é, de outubro a dezembro de1999 e são resumidas a seguir.
Os estagiários configuraram os equipamentos tão logo foram recebidos e, em outubro de 1999, ocorreu a primeira reunião presencial com todos os participantes do projeto. Nesta ocasião, além de cada um apresentar a sua proposta, decidiu-se maximizar a comunicação entre os membros da equipe através do uso de listas de discussão, sendo uma operacional e uma geral; fazer, quando necessário, reuniões presenciais, workshops e tutoriais. Além disto, ficou acordado que os estagiários permaneceriam no laboratório comum e seriam responsáveis pela criação e manutenção da página Web do projeto, pela administração do servidor AulaNet e pelo apoio técnico à equipe. Também nesta reunião, cada professor proponente, exceto Fernando Dolabela e João Dantas, recebeu um computador.
Em dezembro de 1999, todos os professores, suas equipes e os estagiários participaram, com muito entusiasmo, do I Workshop do Projeto EBW-C7 - palestra e oficina utilizando a Versão 1.2 do AulaNet, ministradas pela equipe da PUC-RJ.
Com o objetivo de sistematizar o trabalho e de produzir uma metodologia replicável, foi definido o ciclo de desenvolvimento ilustrado a seguir.

Pode-se dizer que, para a maioria da equipe, a duração desta etapa foi de cerca de 5 meses, indo de janeiro a maio de 2000, conforme descrito a seguir.
Após o I Workshop do Projeto EBW-C7, cada professor proponente iniciou os processos de planejamento de seu curso (ou de módulos). Nesta fase, constatou-se que, apesar das semelhanças, existem diferenças significativas entre os processos de análise, projeto, desenvolvimento, produção e administração de cursos para Web e para sala de aula. Por exemplo, em um curso com apoio da Web, destacam-se:
Estas diferenças e outras provocaram também diferentes resultados em relação à proposta inicial - apenas um professor pôde começar imediatamente a publicação de seus cursos usando o AulaNet. Os demais partiram para análise de viabilidade e de restrições, projeto de curso, seleção, adaptação ou criação de material.
Em março de 2000, foi instalada e passou a ser utilizada a Versão 1.3 do AulaNet. Entretanto, a análise de desempenho deixou clara a inviabilidade do uso desta nova versão no equipamento servidor disponível e houve a necessidade de reinstalar a Versão 1.2. Conforme combinado originalmente, visando contribuir para melhoria do ambiente, foi apresentado um relatório à equipe da PUC-RJ.
2.3.3 Etapa 3: Análise, projeto, desenvolvimento, produção, publicação e avaliação do aprendizado e da metodologia
Não surpreendentemente, diferentes processos e abordagens foram adotados nesta etapa, todos eles coerentes com o que preconiza a literatura e explicáveis devido à heterogeneidade dos proponentes e de suas equipes. Pela mesma razão, as atividades desta etapa vêm ocorrendo desde o início do projeto até hoje, com ênfases variadas dependo de cada um dos oito proponentes e respectivas equipes.
Por um lado, os estagiários, além de pesquisas na Internet sobre educação baseada na web e do desenvolvimento e permanente atualização do site do projeto http://www.aulanet.dcc.ufmg.br/ , mantiveram o servidor AulaNet - Versão 1.2 - em estado operacional, deram suporte técnico para configuração dos equipamentos, instalação de softwares e em questões específicas do uso do ambiente, cuidaram dos aspectos administrativos e de secretaria de cursos em andamento, fizeram análise comparativa entre o AulaNet e os ambientes LearningSpace, WebCT e Universite.
Em relação a esta última atividade, é interessante ressaltar que, os estagiários e a coordenação concluiram que mesmo em sua Versão 1.2, o ambiente AulaNet era o menos intrusivo no processo de publicação de conteúdos e o de mais fácil uso por parte de não especialistas.
Por outro lado, em relação ao desenvolvimento dos cursos propostos, muito trabalho vem sendo feito mas, por razões diversas, nem tudo está publicado através do ambiente AulaNet, conforme detalhado no que segue:
:
Os recursos mais usados em seus cursos são textos, transparências, listas e grupos de discussão, chat e exercícios. É interessante observar que quatro destas sete turmas foram compostas por oficiais e policiais da Polícia Militar em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, sendo que na mais recente houve cerca de 400 participantes. As outras três destas sete turmas foram de alunos da graduação em sociologia.
A Profa. Márcia Maria Duarte, do departamento de Geografia, vem desenvolvendo continuamente o seu projeto, junto com outros professores de sua área e com alunos de doutorado, mestrado e graduação. Conforme http://www.ufmg.br/ati/workshop/IGCmarcia/MarciaIGC.htm, os seguintes resultados já foram alcançados:
A previsão é que ainda neste segundo semestre de 2001, seja publicado, através do ambiente AulaNet, o primeiro curso que engloba a metodologia e o material desenvolvidos pela equipe, tendo como público alvo alunos dos últimos períodos no curso de Geografia.
O trabalho desenvolvido por sua equipe tem a relevância técnico-político-social adicional de quebrar a resistência dos futuros professores de primeiro e segundo graus em relação ao uso de tecnologias da informação na educação, na data mais cedo, isto é, ainda no período de sua formação.
Embora adotando diferentes abordagens e linguagens de programação, os cursos têm sido sempre de programação de computadores para alunos do ciclo básico das engenharias e bacharelados.
Tem sido constatado que ainda hoje, grande parte dos alunos, ao entrar para a universidade, não tem familiaridade com o uso de computador e tem receio de se expor através de debates presenciais ou via e-mail. Também tem sido observado que para ajudar o aluno a adquirir o hábito de usar e-mail, a lista de discussão ativa tem sido mais eficaz que o padrão news. Por outro lado, é importante registrar a real necessidade de um animador para lista de discussão, isto é, de alguém que tenha tempo e energia para provocar debates sobre os tópicos em estudo, minimizando o aspecto impessoal da simples publicação de listas de exercícios.
Vale registrar que, por não utilizar recursos como avaliações formativas, provas on-line e chat, entre outros, tem sido mais fácil utilizar simplesmente a publicação do conteúdo na página Web do curso (http://www.dcc.ufmg.br/~reginah/cursos) do que no ambiente AulaNet, onde existem restrições de acesso e de formatação.
2.3.4 Etapa 4: Instalação e avaliação da nova versão do AulaNet
Esta etapa teve início em junho de 2001 quando foi instalada, na UFMG, a Versão 2.0 do AulaNet.
Tem-se constatado uma melhoria significativa em termos de usabilidade e de desempenho desta nova versão em relação à anterior. Não obstante, esta constatação ainda depende de confirmação embasada nos testes de avaliação do desempenho deste novo servidor, em andamento sob a coordenação do professor Wagner Meira.
2.4 Equipe Técnica
Com os recursos adquiridos no projeto, foram contratados os seguintes cinco bolsistas:
Pelos trabalhos que desenvolveram, é correto afirmar que todos eles melhoraram o seu nível de qualificação e contribuiram para a implantação do projeto. Embora fosse desejável, por razões contingenciais, nenhum dos bolsistas DTI foi absorvido pela UFMG.
2.5. Conclusões
Ao avaliar o desenvolvimento do projeto, pode-se afirmar que no seu início, não havia uma visão clara da complexidade envolvida na produção de cursos com apoio da Web. Por serem professores, era unânime a esperança de que, dispondo do apoio de uma ferramenta de autoria como o AulaNet, rapidamente cada proponente publicaria seus cursos na Web. De fato, o ambiente AulaNet, ou outro similar, pode ser de grande valia por agrupar diversas funcionalidades em um único contexto. Entretanto, muito cedo se percebeu que educação baseada na Web requer atores como autores, roteiristas, produtores, tutores, animadores, tecnólogos, aprendizes, avaliadores e reguladores, entre outros.
Em termos quantitativos, conforme detalhado anteriormente, dentre os oito Projetos Piloto, é correto dizer que quatro cumpriram todo o ciclo de desenvolvimento, dois estão na fase final e outros dois, após análise de viabilidade, estão em desenvolvimento em outro contexto. Os trabalhos relativos à análise de desempenho da versão nova do servidor AulaNet continuam em andamento e deverão ser publicados em breve. De qualquer forma, avalia-se que os resultados esperados foram alcançados a contento.
Em termos qualitativos, para auxiliar na reflexão sobre alguns dos aspectos envolvidos em educação baseada na Web, sugere-se como moldura conceitual a matriz 3x3x3 exibida a seguir. Nas linhas desta matriz, são identificados os aspectos infra-estrutura, serviços e aplicações.
A camada infra-estrutura focaliza as questões relativas à arquitetura e topologia das redes, envolvendo antenas, conexões, roteadores, servidores, computadores, equipamentos para produção e transmissão de vídeo, sistemas operacionais, aspectos de interoperabilidade entre os vários equipamentos, entre outros.
A camada serviços inclui a Internet, os ambientes de autoria como o AulaNet, os serviços de estúdio e suporte à produção de conteúdo, a definição e a implementação dos critérios de avaliação e das normas que regulam o uso destes serviços.
A camada aplicações engloba a parte mais rica e complexa. É nela que há mais espaço para criatividade, podendo demandar o agrupamento coeso de vários serviços e a colaboração de profissionais com diferentes habilidades visando, por exemplo, a produção de um único curso ou módulo. Ainda nesta camada podem ser incluídos os aspectos abordagens cognitivas, objetivos de aprendizado, revisões curriculares, critérios de avaliação docente e discente.
Na dimensão das colunas, a matriz se estratifica em pesquisa e desenvolvimento, uso de tecnologias no estado da arte e aspectos normativos. A terceira dimensão visa contemplar os vários atores envolvidos, desenvolvedores, sponsors e clientes.

Esta moldura facilita a identificação, de maneira cartesiana, do escopo de questões, atores e recursos envolvidos em cada célula. O desafio é, em casos específicos, verificar se todas as células foram devidamente levadas em consideração.
A título de ilustração, no contexto deste projeto, alguns exemplos estão inseridos nas células. Ao analisar a camada serviços sob a ótica das duas primeiras colunas, fica clara a distinção de papéis entre as equipes da PUC-RJ e da UFMG – o papel da equipe da UFMG foi o de usar a tecnologia para desenvolver cursos e dar feedback à equipe da PUC-RJ para avaliação e aperfeiçoamento do ambiente por eles em desenvolvimento. Considerando as células aplicações e uso de tecnologias no estado-da-arte, sob a ótica de desenvolvedores identificamos a equipe da UFMG, sob a ótica de sponsors se enquadram o CNPq e a própria UFMG, e sob a ótica de clientes estão os alunos dos cursos desenvolvidos. Ainda na linha de serviços, porém sob a ótica da coluna aspectos normativos, é fácil identificar o papel dos órgaos que definem as normas acadêmicas e os critérios de avaliação discente e docente. Na célula serviços e uso de tecnologias no estado-da-arte, pode ser incluído o departamento de registro e controle acadêmico (DRCA), que utiliza um sistema específico para dar suporte às questões de matrícula e avaliação dos alunos. Ao considerar a célula formada pelos aspectos aplicações e uso de tecnologias no estado-da-arte, vislumbra-se a necessidade do desenvolvimento de módulos temáticos e tópicos que poderiam ser publicados utilizando o serviço AulaNet. Por outro lado, esta mesma análise leva à percepção da necessidade de revisões de curriculos e de critérios de avaliação, ambos focalizados na célula aplicações e aspectos normativos. As questões relativas ao acompanhamento e avaliação da metodologia e dos objetivos de ensino e aprendizado podem ser inseridas na célula aplicações e pesquisa e desenvolvimento. Em cada caso, é importante identificar os componentes da terceira dimensão.
Acredita-se que a matriz aqui apresentada fornece uma moldura conceitual que pode auxiliar na definição de estratégias institucionais, por facilitar, de maneira compacta, a avaliação da completude de objetivos, recursos e atores/atividades essenciais à viabilização e implantação de cursos baseados na Web.
Em particular, este projeto possibilitou um estudo de caso interessante em que ficaram evidenciados, entre outros, os seguintes aspectos qualitativos:
Para a UFMG, o EBW-C7 foi significativo por agrupar vários departamentos e áreas específicas em um único projeto, dando, no mínimo, subsídios para discussões mais amplas no âmbito da universidade, conforme pode ser visto pelo programa do I Workshop em EAD na UFMG (http://www.ufmg.br/ati).