Em diversas linguagens de programação existe o conceito
de variável. Uma variável corresponde a uma posição
de memória. Uma declaração de variável
define seu tipo e o identificador (nome) e também
outros atributos. Uma das coisas que podemos fazer com uma variável
é usa-la como alvo de uma operação de atribuição
(assignment).
A sintaxe simplificada de um comando de atribuição
é:
<identificador da variável> = <expressão>;
Neste comando o valor correspondente à expressão é
copiado para a posição de memória correspondente à
variável. Note que o antigo valor é perdido. A sintaxe e
semântica de uma <expressão> serão
definidas mais tarde; nos programas abaixo apresentamos expressões
simples e bem intuitivas.
O tipo restringe os valores que podem ser atribuidos a uma variável.
A restrição de tipo para uma variável acarreta maior
disciplina por parte do programador e permite programas mais eficientes
e com menor probabilidade de erros. A associação de um tipo
a uma variável é similar à amarração
de uma variável a um domínio como ocorre na Matemática.
No entanto deve ser ressaltado que o conceito de variável em Computação
e o conceito de variável em Matemática são bastante
distintos. Uma das distinções mais notáveis é
que uma variável na Matemática, usualmente, não tem
um valor específico. Considere a expressão da Matemática
y=x+3
A variável x não tem um valor, esta expressão,
usualmente, designa o lugar geométrico dos pontos de um plano que
formam uma reta. A variável x pode tomar qualquer valor real. As
vezes os autores cuidadosos explicitam que x pertence ao domínio
dos números Reais, outros autores assumem que o leitor irá
deduzir isso. Na Computação, uma variável, no
escopo onde ela é válida, sempre tem um determinado valor
associado a ela, este valor possivelmente muda ao longo do tempo, mas a
cada momento o valor de uma variável é único. Na Matemática,
uma expressão envolvendo uma variável, deve sempre considerar
que aquela variável, em todo ponto que ela aparece, tem sempre um
mesmo valor. Na Computação, em particular na linguagem Java,
isto não é verdade, considere o trecho de programa abaixo:
int x;
x=(x=((x=1)+1)+1);
Na expressão acima a variável x aparece três vezes.
Em cada uma das vezes x tem um valor distinto associado a ela. (A
expressão acima não tem muito sentido (melhor escrever x=3;)
mas, mais a frente na disciplina, veremos o conceito de função
e teremos oportunidade de construir expressões onde este aspecto
faça mais sentido)
A linguagem Java tem oito tipos primitivos:
O trecho de programa Java correspondente a System.out.println(<argumento>)
ou System.out.print(<argumento>) corresponde a invocar a impressão
do argumento no video do sistema. O argumento deve ser do tipo String (o
tipo String será visto mais a frente no curso). A linguagem Java
permite que o programador use como argumento uma variável ou expressão
de um tipo que não seja String, e neste caso é feita uma
conversão do argumento para o tipo String.
Literais
Um literal é a forma de representar no texto de um programa um
valor de um certo tipo. A linguagem Java apresenta 6 tipos de literais:
IntegerLiteral
FloatingPointLiteral
BooleanLiteral
CharacterLiteral
StringLiteral
NullLiteral
Os literais String (cadeias de caracteres) consistem de sequências de caracteres delimitadas por aspas (p.ex. "A", "AB", "ABC", "ABCD"). Existem também expressões do tipo String. O operador + (adição) além de representar a soma de inteiros ou soma de ponto flutuante pode representar a concatenação de cadeias de caracteres. A cadeia "ABCD" é equivalente à expressão "AB" + "CD" ou à expressão "A" + "BCD".
Os literais inteiros podem ser expressos por sequencias de caracteres em decimal (p.ex. 1, 23, 456), sequencias de caracteres em hexadecimal precedidas port 0x ou 0X (0x1, 0xA, 0xFF02) ou sequencias de caracteres em octal precedidas por 0 (sim! um zero à esquerda! p.ex. 01, 023, 0456). Os literais inteiros podem apresentar como sufixo a letra L maiúscula ou minúscula, neste caso o literal inteiro passa a ser do tipo long (p. ex. 23L, OXAL, 026L). Os literais inteiros podem designar valores para variáveis do tipo int, long, short, byte e char.
A linguagem Java tem regras sobre quais literais com quais valores podem
ser atribuidos a variáveis inteiras. O compilador faz as conversões
necessárias e internamente todos valores são representados
através de zeros e uns. O trecho de programa abaixo mostra uma atribuição
e a impressão deste valor em diferentes bases:
Os literais de ponto flutuante tem as seguintes partes: parte inteira, ponto decimal, parte fracionária, expoente e sufixo. O expoente, se presente, é indicado pela letra e ou E seguido de um inteiro. Os literais de ponto flutuante podem designar valores para variáveis do tipo float e double. O maior literal do tipo float é 3.40282347E+38F, o menor positivo finito diferente de zero é 1.40239846E-45F. O maior literal double positivo é 1.79769313486231570E+308, o menor positivo diferente de zero é 4.94065645841246544E-324
Os tipos float e double, segundo a recomendação do padrão
IEEE 754 podem representar infinito. Não existem literais para infinito
devem ser usadas expressões do tipo 1f/0f ou -1d/0d
Os literais float e double somente podem ser expressos na base dez.
Os literais de caracteres são sequências de caracteres entre apóstrofos. O literal correspondente à letra a minúscula é 'a', este é um exemplo de literal de um só caractere mas existe também a Seqüência de Escape. A representação da barra invertida: '\\', a representação de aspas '\"' e a representação do apostrofo: '\''. Alguns literais de caracteres representam caracteres que podem ser tratados de forma especial por alguns dispositivos de entrada e saída: '\n' (newline), '\t' (tabulation), '\b' (backspace), '\r' (return), '\f' (form feed).
Complete a tabela de compatibilidade de atribuição
de literais e variáveis (faça os programas e verifique!)
As colunas são os tipos de literais e as linhas representam os tipos
de variáveis.
| literal
tipo var |
Integer | Floating | Boolean | Character | String | Null |
| byte | ok | x | x | |||
| short | ok | x | x | |||
| int | ok | x | x | |||
| long | ok | x | x | |||
| char | ok | x | x | |||
| float | ok | x | x | |||
| double | ok | x | x | |||
| boolean | ok | x | x | |||
| referência | x | x | x | x | (*) | ok |
(*) um literal String para poder ser atribuído a uma variável exige que a classe desta variável seja do tipo String ou descendente desta classe.
A linguagem Java permite algumas atribuições entre variáveis
de tipos diferentes. Considere o trecho de programa abaixo:
int i=3;
long j=2;
j=i; /* permitido: valor de um tipo mais
restrito para um menos restrito */
Mas neste outro trecho há um problema:
int i=3;
long j=2;
i=j; /* erro!! */
A linguagem Java exige que, na atribuição de um valor
de tipo menos restrito para uma variável de tipo mais restrito,
seja usado, de forma explícita, um mecanismo denominado "elencamento"
(cast). O "elenco" de valores em uma variável do tipo long
é maior que o "elenco" de valores do tipo int. A linguagem Java
exige que o programador explicite o elencamento do valor long para um valor
int. Grosseiramente é como se a linguagem obrigasse o programador
a declarar que ele sabe que aquela atribuição pode resultar
em problemas.
int i=3;
long j=2;
i= (int) j; /* ok */
j=9999999999L;
i= (int) j; /* permitido mas o valor em
j não e' preservado */
A conversão em um elencamento envolve,
em geral, abandonar alguns bits de mais alta ordem. No trecho abaixo a
variável b é iniciada com um valor que no contexto do tipo
short é negativo, mas que ao ser elencado perde alguns bits e passa
a ser, no contexto do tipo byte, um valor positivo! No trecho abaixo o
conteúdo de s é -134 e o conteúdo de b é 122.
short s= -134;
byte b = (byte) s;
System.out.println(s);
System.out.println(b);
Uma outra tabela trata da questão da atribuição
entre variáveis de tipos primitivos diferentes. Considere a atribuição
A=B; O tipo de A corresponde às linhas e o tipo de B corresponde
às colunas. Complete a tabela abaixo, onde inválido
significa que a linguagem não permite a atribuiçao nem mesmo
com o uso de elencamento (cast), auto significa que a conversão
é feito de forma implícita e elencar significa que
a atribuição só é possível através
do uso de elencamento.
| A B-> | long | int | short | char | byte | double | float | boolean |
| long |
|
auto | auto | auto | auto | elencar | elencar | invalido |
| int | elencar |
|
invalido | |||||
| short | elencar | elencar |
|
invalido | ||||
| char | elencar | elencar |
|
invalido | ||||
| byte | elencar | elencar |
|
invalido | ||||
| double | auto | auto |
|
invalido | ||||
| float | auto | auto |
|
invalido | ||||
| boolean | inválido | inválido | inválido | inválido | inválido | inválido | inválido |
|
Observe que a linguagem Java não permite a mistura do tipo boolean com nenhum outro tipo. Em algumas linguagens, como por exemplo C e C++ é permitido tratar valores booleanos como sendo inteiro e vice-versa. Nestas linguagens o valor false corresponde ao valor zero (zero inteiro) e o valor true a valores diferentes de zero.