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Estrada Real

           Estrada Real era o nome alusivo a qualquer via terrestre que, à época do Brasil Colônia, era percorrida no processo de povoamento e exploração econômica de seus recursos, em articulação com o mercado internacional.

Historiografia

        Dentro de uma visão historiográfica tradicional em História do Brasil, o conceito de Estrada Real pressupõe:

           Nesta perspectiva, a designação "Estrada Real" reflete o fato de que era esse o caminho oficial, único autorizado para a circulação de pessoas e mercadorias. A abertura ou utilização de outras vias constituía crime de lesa-majestade, encontrando-se aí a origem da expressão descaminho com o significado de contrabando.

Por outro lado, uma moderna visão admite:

            Em defesa desta última, considere-se que as Ordenações do Reino, também observadas na Colônia, estabeleciam como direitos reais ou regalias, entre outros, as vias públicas, os rios e os vieiros, e as minas de ouro e prata ou qualquer outro metal.

 

Os caminhos das Minas Gerais

           Entre os séculos XVII e XIX um conjunto de vias terrestres – muitas delas simples reapropriações de antigas trilhas indígenas (peabirus) – aproximou diferentes regiões do território brasileiro.

           Na segunda metade do século XVII, diante da crise econômica da agromanufatura açucareira suscitada na Colônia a partir da expulsão dos Holandeses (1654), tornou-se imperioso identificar novas fontes de recursos. Desse modo, uma nova leva de expedições partiu da vila de São Paulo em direção ao interior. Essas expedições ficaram conhecidas como bandeiras e os seus empreendedores como bandeirantes. Os paulistas, mestiços de Portugueses com indígenas, tinham o conhecimento, não apenas dos milenares caminhos dos nativos (peabirus), como também das suas técnicas de sobrevivência nos sertões.

           Algumas dessas bandeiras, percorrendo a chamada trilha dos Guaianases, a partir do vale do rio Paraíba do Sul, através da passagem da Garganta do Embaú, na Serra da Mantiqueira, dirigiram-se para o sertão posteriormente denominado de Minas Gerais. Com a descoberta de ouro de aluvião, ao final desse século, intensificou-se o trânsito de pessoas, animais e gêneros entre o litoral e a região, definindo-se diversas vias, as principais das quais são referidas por Antonil (Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas. Lisboa, 1711):

            Posteriormente, com a descoberta de diamantes no Serro, entre 1725 e 1735, um novo troço foi aberto, o chamado Caminho dos Diamantes, aos quais se uniriam a picada de Goiás e a do Mato Grosso, quando da descoberta de minerais nestas últimas regiões.

Os caminhos do Rio de Janeiro

             Os caminhos do Rio de Janeiro integravam a popularmente conhecida Estrada Real. As suas principais variantes foram:

Controle e Fiscalização

         Devido ao crescente volume de riqueza explorado na região das Gerais, a Coroa portuguesa procurou garantir o seu controle e fiscalização de maneira severa, instalando postos de inspeção (Registros) para arrecadar os diversos tributos sobre minerais (notadamente ouro e diamantes), mercadorias, escravos e animais (cavalos, muares, bovinos) em trânsito, instituindo mais tarde as chamadas Casas de Fundição e mantendo na região dois destacamentos de cavalaria, os chamados Dragões das Minas, além de um terceiro, no Rio de Janeiro.

           A partir da abertura do Caminho Novo, tornado via oficial, foram aí concentrados os Registros, proibindo-se a utilização das demais vias, consideradas como "descaminhos" e rigorosamente punidos como tal.

           A partir da segunda metade do século XVIII registrou-se o declínio da produção mineral no distrito das Minas, o que, durante o consulado pombalino, levou a uma intensificação da política fiscal e a uma insatisfação que conduziu à Inconfidência Mineira. Com a proclamação da Independência do Brasil, no início do século XIX, esses caminhos tornam-se livres, vindo a constituir, com a riqueza proporcionada pela lavoura do café, os principais eixos de urbanização da região Sudeste.

O projeto turístico "Estrada Real"

           O Projeto Estrada Real foi formulado em 2001 pelo Instituto Estrada Real, sociedade civil, sem fins lucrativos, criada pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG) com a finalidade de valorizar o patrimônio histórico-cultural, estimular o turismo, a preservação e revitalização entorno das antigas Estradas Reais.

O projeto considera que eles se estendiam por mais de 1.400 quilômetros, distribuídos por três vias principais:

 

             Considera ainda que, no auge da utilização da estrada, erguiam-se às suas margens 177 povoações, assim distribuídas:

 


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