Conseqüências Econômicas do Dinheiro Digital
Sumário
- Introdução
- Revisão dos Sistemas de pagamento eletrônico
- Conseqüencias
- Transnacionalidade
- Um possivel cenário
- Conclusão
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1. Introdução
Quais as conseqüências econômicas do dinheiro digital ? Quais as suas
implicações no ponto de vista dos economistas? Nos últimos tempos têm aparecido
muitas propostas para Digital Cash no ciberespaco, sendo que algumas já estão
funcionando. Algumas pessoas acreditam que uma importante conseqüência econômica
do dinheiro eletrônico é a livre emissão de dinheiro privado por bancos ou
outras firmas (Mantonis, 1995). Porem, ao se analisar a historia do dinheiro é
possível perceber que não é nada fácil emitir dinheiro privado com credito aos
olhos do público.
A mais importante característica do dinheiro digital é o fato de ele não
respeitar fronteiras nacionais , isto é, ele não pode ser controlado por um
banco central de um determinado país. E os principais benefícios e problemas que
ele traz advêm exatamente deste fato. Fosse o dinheiro somente usado dentro das
fronteiras de um país e controlado pelas autoridades monetárias locais ele não
traria nenhuma grande conseqüência econômica, pois não passaria de uma forma mais
conveniente de transação monetária, tipo os cartões de credito comuns.
O principal benefício é um grande aumento na eficiência das transações
internacionais. Os problemas vêm do fato de que a internacionalização do dinheiro
digital tende a aumentar a instabilidade do sistema monetário.
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Revisão dos sistemas de pagamento eletrônico
Existem mais de uma dúzia de propostas de digital cash na
internet. Para encurtar a revisão dessas propostas, vamos começar
pelos problemas que encontramos quando pagamos uma conta pelo envio do
número do cartão de crédito pela internet. Podemos sintetizar em
quatro esses problemas com relação ao pagamento normal:
- Segurança : Números de cartão de crédito podem ser copiados
por outras pessoas porque a internet é um sistema aberto. No mundo
real, podemos evitar fraudes usando cartões em lojas de confiança ou
de família. Já no ciberespaço , não temos como evitar uma
possibilidade de fraude.
- Taxas : pagamentos com cartão de crédito usualmente cobram um
pequena taxa. Embora este custo seja pequeno, ele pode se tornar
pesado quando os pagamentos forem pequenos, como 50 centavos. Como
resultado, cartões não podem ser usados para vários pequenos
pagamentos, enquanto pagamentos em dinheiro podem ser usados até para
um centavo.
- Pagamento a vista : Cartões de crédito só podem ser usados por
lojas autorizadas. Pequenos negócios não autorizados ou indivíduos não
podem receber dinheiro via cartão de crédito. Em outras palavras,
cartão de crédito não pode ser usado para pagamento a vista.
- Rastreamento : Recebedores de pagamentos em cartão de crédito
emitem registros das guias de pagamentos para as companias de cartão
de crédito. Assim essas companias sabem o que os clientes compram ou
usaram, quando e onde. Em outras palavras, guias de pagamentos de
cartão de crédito podem ser rastreadas, enquanto pagamentos em
dinheiro não podem.
Sistemas de pagamentos eletrônicos tentam, mais ou menos,
resolver com esses problemas. De acordo com a extensão que esses
sistemas resolvem esses problemas, nós dividimos em três categorias de
sistemas : baseado em cartão de crédito, tipo cheque e tipo dinheiro.
- SISTEMAS BASEADOS EM CARTÃO DE CRÉDITO :
Para evitar o risco de fraude, First Virtual Holding inicia o
sistema de pagamento no qual os usuários enviam somente suas senhas ao
invés dos números do cartão de crédito quando a venda é feita. Nesse
sistema, os usuários estão registrados com uma senha e um número de
cartão de crédito. Em compra de mercadorias ou serviços em um loja na
Internet, o usuário envia somente a senha para a loja. Após a compra,
o usuário recebe um e-mail de confirmação perguntando se a compra é
válida. Quando o usuário responde positivamente o e-mail, a conta é
deduzida da conta do cartão de crédito. Em virtude desse sistema ser
simples e fácil de ser entendido, especialmente por pessoas não
especialistas, ele tem sido difundido já com alguma extensão. Ao lado
de First Virtual, Visa e MasterCard também já têm planos para um
similar sistema de pagamento baseado em cartão de crédito usando
tecnologia de criptografia para senhas.
Mas esses sistemas baseados em cartão de crédito resolvem
somente o problema de segurança. Esses sistemas asseguram apenas a
comunicação entre o usuário e uma loja no cyberspace. As outras
transações com dinheiro tem que ser realizadas com o sistema
convencional de cartão de crédito. Então, uma taxa é necessária, e o
pagamento à vista é impossível. Não rastreamento não é garantindo.
- SISTEMAS TIPO CHEQUE :
O sistema de cheque convencional é mais parecido com dinheiro
que com o pagamento em cartão de crédito, porque as taxas são quase
zero exceto pelo custo de impressão, e transações com pagamento à
vista são possíveis. Como resultado várias propostas têm aparecido
para inventar cheques na Internet que seriam capazes de transferir
valores entre indivíduos ( Cybercash, NetCheck, etc. ). Nesse sistema,
o usuário abre uma conta em um banco na Internet e emite cheques
eletrônicos para pagamentos de contas. O recebedor desse cheque o
envia ao banco para confirmação e saque. Segurança é garantida pela
tecnologia de criptografia e pelo processo de confirmação do banco com
a confirmação do cheque.
O sistema possibilita pagamentos à vista e reduz as taxas. Mas a
questão do rastreamento ainda não é resolvida porque o banco pode
aprender o que o usuário compra e aonde.
- SISTEMAS TIPO DINHEIRO :
O último e provavelmente mais difícil problema é o não
rastreamento. Não rastreável é a mais proeminente característica do
dinheiro. Não rastreamento mantém a transação anônima. Para alcançar
não rastreamento na Internet, tecnologia de criptografia tem sido
muito empregada porque dinheiro não-rastreável pode ser facilmente
copiado e gasto duas vezes. David Chaum, Okamoto e Ohta propuseram um
sistema de pagamento eletrônico não-rastreável usando avançada
tecnologia de criptografia.
O mecanismo nesse sistema é similar ao cheque eletrônico, mas
ele não permite que bancos conheçam que está comprando. Primeiro, um
usuário abre um conta no banco na Internet. Então ele diz ao banco
para emitir certa quantidade de digital cash. O banco emite a
quantidade de digital cash e deduz a quantidade da conta do usuário.
O conteúdo do digital cash é uma combinação de dois inteiros
enormes que têm uma relação matemática especial. Nenhuma outra pessoa,
só o banco pode produzir dados com a mesma relação, porque o cálculo
para quem não sabe a chave secreta gasta quase um tempo infinito.
Emitir digital cash significa que o banco calcula esses dois inteiros
enormes e os envia para o usuário.
Para pagamento de contas com digital cash, o usuário envia os
dados para o recebedor. O recebedor envia os dados para o banco que os
confirma. Se o banco confirma os dados, o banco credita na conta do
recebedor o montante, ou emite digital cash para o recebedor na mesma
quantidade. Note que o banco pode confirmar somente que os dados (
digital cash ) foram realmente emitidos pelo banco e que esses dados
não foram usados duas vezes. O banco não pode saber quem usou o
digital cash, assim como o usuário não pode usá-lo duas vezes.
Esse sistema de pagamento recebe o nome de "cash on the
Internet" porque ele está quase igual a pagamento em dinheiro em
termos de segurança, taxas, pagamento à vista e não rastreamento.
Então nós iremos focalizar esse tipo de digital cash daqui para
frente.
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3. Conseqüências
3.1. Benefícios
Quais são as conseqüências do dinheiro digital ? O principal beneficio é que ele
possibilita transações mais eficientes, aumentando as oportunidades de negócios,
alem de efeitos benéficos para os usuários :
- O dinheiro digital vai tornar as transações mais baratas, porque o custo
de transferencia digital pela Internet é bem menor que os sistemas
convencionais dos bancos. Toda a infra-estruturas para necessária para
gerênciar as transações com o dinheiro normal e com cartões de credito
encarece estas operações. O dinheiro digital pode usar os recursos já
existentes na Internet, fazendo com que os custos sejam bem menores.
Isto possibilita pagamentos bem pequenos, que seriam impraticáveis no
sistema bancário e de cartões de créditos ( da ordem de centavos , ou
menos, por exemplo).
- Devido ao fato do dinheiro digital não respeitar fronteiras, o custo
para transferencias entre países será praticamente o mesmo que para
transferencias dentro de um país, ou seja, o custo para transferencias
internacionais ira cair drasticamente.
- O dinheiro digital poderá ser usado por todo mundo. Diferente dos
cartões de credito, nos quais somente lojas autorizadas podem receber.
Isto possibilitara a transações entre indivíduos e também com pequenos
comerciantes.
A conseqüência destes três efeitos é um aumento de novas oportunidades de
negócios e uma expansão nas atividades econômicas na Net. O incremento na
eficiência e o aumento das oportunidades de negócios vai gerar serviços mais
baratos e mais sofisticado na Rede.
3.2. Problemas
Os problemas causados pelo dinheiro digital são quatro :
- Cobranças de impostos e evasão de divisas;
- Instabilidade na taxa de cambio;
- Distúrbios no suprimento de dinheiro e
- Possibilidade de crise financeira no ciberespaco
1. Impostos
Devido ao fato do dinheiro digital permitir negócios entre diversos países, a
cobrança de impostos e a evasão de divisas são um problema em potencial. Imagine
que um brasileiro coloque em um servidor americano um software para venda e um
italiano o compre. Quem deve pagar o imposto ? E que país irá cobra-lo ? Este
tipo de conflito já existe, mas será muito intensificado. A solução para isto
será, obviamente, um ajuste nas regras de taxação de impostos internacionais.
Mas, mesmo assim, uma dificuldade persiste : a transferencia de dinheiro digital
não é registrada de modo a facilitar uma fiscalização (exatamente como uma
transação em "dinheiro vivo"). O dinheiro digital pode ser usado de forma
anônima, por isso o seu uso não pode ser rastreado. Isto dificultará, em muito,
a cobrança de impostos, mesmo com um ajuste nas regras. Além de possibilitar o
uso do dinheiro de forma criminal. Mandar dinheiro ilegalmente para o exterior
será muito fácil, e seguro, pois será praticamente impossível ser descoberto.
Para se investigar ( e descobrir) uma operação deste tipo seria necessário
checar e quebra a criptografia de todos os pacotes pelo mundo todo. Também o uso
do dinheiro para a comercialização de mercadorias ilegais seria muito facilitada.
2. Taxas de cambio
Estamos considerando o dinheiro digital somente como uma procuração para uma
moeda corrente. Não estamos considerando a existência de dinheiro emitido por
empresas particulares. Ou seja, as pessoas podem comprar e vender o dinheiro
digital usando dólares, yens, reais ou outra moeda qualquer, sendo que o que
terão serão dólares, yens ou reais digitais. Não um a outra moeda. Pois bem, com
isso, as várias moedas digitais também poderão ser trocadas entre si, ou seja,
libras esterlinas digitais podem ser trocadas por dólares digitais. Além disso,
a taxa de cambio entre as moedas digitais é igual a entre as correspondentes
moedas normais (se não fossem o mercado rapidamente iria eqilibra-las). Os dois
mundos (digital e real) estão, portanto, ligados pela taxa de cambio.
Mas existem pelo menos duas diferenças entre o cambio no ciberespaco e no mundo
real. Primeiro : é muito mais barato trocar dinheiro digital do que o seu
correspondente no mundo real. A troca digital envolve apenas escrita de dados
num computador, enquanto que, no mundo real, existe muito mais coisas envolvidas
que encarecem a operação. Isto faz com que qualquer pessoa possa trocar dinheiro,
com muito mais facilidade. Segundo, as pessoas não precisão centrar suas compras
em um determinado país. Pois alem de ser fácil "visitar" lojas em todo o mundo
também é fácil trocar a moeda utilizada.
Com isto, praticamente todas as pessoas iram participar do mecanismo de cambio
internacional. E isto pode levar a uma desestabilização do mesmo. Por exemplo,
se a cotação do dólar cair, as pessoas vão querer troca-lo por outra moeda (e
certamente irão faze-lo). E isto irar acelera ainda mais a queda do dólar. Bem,
isto já acontece no mundo real, mas o efeito será muito intensificado no
ciberspaco por causa da massiva participação do público em geral. Como as taxa
de cambio do mundo real e do ciberespaco estão ligadas, o cambio real será
também atingido.
3. Suprimento de dinheiro
O dinheiro digital pode afetar o suprimento de dinheiro no mundo real. Como foi
dito antes, pelo menos em principio, as pessoas que desejarem usar a moeda
digital devem depositar dinheiro normal em bancos para que os mesmos emitem o
dinheiro digital para elas. Se os bancos se limitarem a emitir uma quantidade de
moeda digital igual à quantia que possuem em deposito, a quantidade de dinheiro
total continuara normal. Mas, se a economia na rede se expande, os bancos poderão
começar a emitir mais dinheiro do que tem em reserva. Considerando o ciberespaco
como uma economia similar à uma economia nacional, isto é um processo financeiro
natural. Mas isto significa que o dinheiro no ciberespaco flutua refletindo as
atividades econômicas, o que eventualmente ira afetar o suprimento de dinheiro no
mundo real. Imagine que a quantidade de dinheiro digital diminua (relativamente a
expansão da economia) por alguma razão qualquer. Isto ira fazer com que as
pessoas depositem mais dinheiro nos bancos, em troca de mais dinheiro digital,
ocasionando uma diminuição da quantidade de moeda corrente real. Isto também é um
processo que já ocorre no mundo atual, entre países. Mas no caso do dinheiro
digital existem alguns fatores a mais. Primeiro, no ciberespaco as coisas
acontecem com muito mais rapidez e de forma mais direta. Segundo, como no
ciberespaco não existem fronteiras nacionais nem uma autoridade monetária
central, um dólar digital, por exemplo, pode ser emitido por qualquer banco, em
qualquer parte do mundo. Portanto, se o governo decide controlar a quantidade de
dólares digitais ele não poderá faze-lo. Este dois fatores tornam o controle dos
bancos centrais muito mais difícil do que agora.
4. Crise financeira
Se os bancos começam a criar moeda na forma de dinheiro digital, existe a
possibilidade de quebra em cadeia dos bancos, o que pode facilmente causar uma
crise financeira no ciberespaco.
Se o banco apenas emite uma quantidade de moeda igual a que ele possui em
deposito ele pode sempre converter o dinheiro digital que emitiu em dinheiro
real. Mas se os banco emitirem mais dinheiro do que tem de reserva a quebra de
um banco pode levar à quebra seguida de todos os outros. De maneira bem geral,
o que ocorre é o seguinte : se um banco quebra as pessoas podem ficar temerosas
de ficar com dinheiro digital e tentam resgatar o dinheiro real que depositaram
em seus bancos. Resultado : os bancos que não tem reserva suficiente irão
quebrar, piorando ainda mais o problema.
No mundo real a autoridade monetária central resolve isto através de mecanismos
que oferecem proteção aos bancos. no ciberespaco isto não pode ser feito, já que
não existe uma autoridade central para gerênciar as medidas preventivas.
Portanto, a quebra de um banco no ciberespaco pode levar a uma quebradeira geral
do sistema todo, resultando numa crise financeira.
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4. Transnacionalidade
A mais importante característica do digital cash é a
transnacionalidade, a qual é a parte mais importante em cada benefício
e problemas associados com o digital cash.
Digital cash é transnacional no que ele não é confinado por
fronteiras nacionais. Primeiro, pessoas usando digital cash são
transnacionais porque elas podem comprar serviços e mercadorias de
qualquer lugar na Internet. Segundo, bancos que emitem digital cash
são transnacionais porque não só os bancos americanos, mas também
todos os outros bancos podem emitir digital cash em termos de dólar. E
assim como o digital cash não tem fronteiras, o lado da demanda e o
lado do fornecedor também não as têm.
Essa transnacionalidade é uma importante característica do
digital cash que seus efeitos nos benefícios e problemas discutidos
abaixo. O benefício de aumento de eficiência é mais impressionante no
caso de transações internacionais. Por exemplo, no Japão, a comissão
bancária para transferência internacional de dinheiro é por volta de
20 a 30 dólares, enquanto transações domésticas custa de 2 a 3
dólares. Então o efeito da redução do custo é mais drástico para
pagamentos internacionais.
Os problemas também estão mais profundamente enraizados na
transnacionalidade. A taxação e os problemas de lavagem de dinheiro
são causados diretamente pela transnacionalidade. Instabilidade na
taxa de troca é também resultado da transnacionalidade de pessoas
vivendo no cyberspace; instabilidade pode ser causada por participação
em massa nas transações especulativas, e como queiram, transações
especulativas podem ser resultados do fato de pessoas poderem comprar
mercadorias e serviços diretamente de qualquer lugar do mundo com o
uso do digital cash a qualquer momento. Distúrbios no fornecimento de
dinheiro poderia tornar-se um problema sério como conseqüência da
transnacionalidade do digital cash, porque o digital cash pode ser
emitido não somente por bancos de um país, mas também por todos os
bancos fora daquele país, os quais estão fora do controle do banco
central do país. As crises financeiras podem se intensificar com a
transnacionalidade do digital cash, porque a transnacionalidade traz
dificuldades para os bancos centrais convencionais negociarem
falências no cyberspace.
Para entender a importância da transnacionalidade, vamos assumir
que o digital cash é completamente doméstico, não transnacional. Note
que, somente bancos nacionais poderão emitir digital cash para ser
usado em compras nacionais, e somente pessoas residentes no país podem
somente usar sites localizados no mesmo país. Então, os benefícios do
digital cash serão reduzidos ao nível de um cartão de crédito comum
por exemplo. Multinacionais de pequenos negócios serão impossíveis.
Clientes potenciais no cyberspace, os quais estão na worldwide,
poderão ser reduzidos aos do próprio país. Mas, indiferentes a essas
perdas, os problemas causados pelo dinheiro eletrónico poderão tornar-
se menos sérios. Taxas domésticas poderão ser aplicadas a transações
na Internet. Lavagem de dinheiro é ainda possível, mas se tornar mais
fácil de se detectar por investigações em virtude do dinheiro
eletrônico estar no próprio país. A instabilidade da taxa de troca não
será um problema para emissão, a pessoas de um país poderão continuar
a usar o digital cash do país, então poderá ser ter menos incentivo
para participar na especulação da taxa de troca. Distúrbios de
fornecimento de dinheiro poderão minimizados porque o banco central
pode controlar não só o dinheiro real, mas também o digital cash pelos
meios convencionais, tais como controle do dinheiro pelo controle da
taxa bancária ou pelas operações de open market. Falências poderão ser
controladas por técnicas convencionais dos bancos centrais. Assim
sendo, ambos os benefícios e os problemas desaparecem ou reduzem muito
se o digital cash for completamente doméstico. Esse pensamentos
expostos indicam que a transnacionalidade é criticamente importante
para o digital cash.
Em outras palavras, se o digital cash não for transnacional, ele
poderia ser considerado como nada mais que o sistema de cartão de
crédito, e não teria nenhuma implicação econômica significativa.
Sistemas de cartão de crédito aumentam a eficiência do pagamento,
probabilidade de troca de dinheiro e do multiplicador de dinheiro. Mas
tudo isso já foi visto. Mas não há somente as conseqüências discutidas
acima. Existem também a não taxação, a diminuição do problema da
lavagem de dinheiro e não afetam a estabilidade da taxa de troca
internacional ou fornecimento de dinheiro. Se o dinheiro digital não
puder ser transnacional, as conseqüências poderiam seriam muito
limitadas como aquelas dos sistemas de cartões de crédito, e não
existiriam conseqüências econômicas para analisar.
Com argumento faz-se necessário a distinção entre digital cash
discutido acima e o chamado dinheiro eletrônico porque, em geral, esse
último não tem transnacionalidade. Por exemplo, um sistema de cartão
chamado Mondex é algumas vezes tratado do mesmo modo que o digital
cash. Mas desde que o sistema usualmente requer aparelhos de leitura e
escrita especiais, ele não é facilmente expandido para todo o mundo.
Então a transnacionalidade do sistema de cartão é limitado em
comparação ao digital cash. Como exemplo, nenhum dinheiro eletrônico
tem transnacionalidade.
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5. Um possível cenário
Mas essas conseqüências realmente irão ocorrer ? Isso depende
de quanto custará o digital cash que atualmente está sendo usado na
Internet. Não é um pequeno grupo de pessoas que estão preocupadas com
a segurança do digital cash. Se os negócios e os problemas pesarem
mais que os benefícios, digital cash não irá explodir, e as
conseqüências discutidas acima não serão realizadas. Entretanto, é
difícil predizer qual caminho iremos trilhar no futuro. Somente uma
coisa podemos fazer agora é considerar várias possíveis cenários,
desde o mais conservador até o mais radical.
Para ilustrar, consideraremos o mais radical dos cenários, um
cenário em que o digital cash torna-se usual na Internet, dirigindo o
cyberspace para economia de larga escala. A linha diretiva desse caso
radical é melhor vista para o digital cash. Para entender as
implicações do digital cash e fazer as preparações para o futuro, é
melhor pegar um caso extremo que um experimento pensado.
Vamos assumir que os benefícios do digital cash são plenamente
suficientes para cobrir os aspectos de segurança, e pessoas aumentaram
o uso do digital cash. Sobre essas premissas, o que irá acontecer?
Assumiremos três estágios de desenvolvimento :
- Expansão : Digital cash explode na Internet. Aumento da
eficiência traz benefícios não imaginados para produtores e
consumidores. Multinacionais de pequenos negócios viram a moda, e
organizações de novos negócios aparecem tais como companias virtuais.
Consumidores gostam de comprar mercadorias e serviços de qualquer
parte do mundo. Alguns bancos estende o sistema de transações
tradicionais o que podem fazer com que percam esse competitivo
caminho. O tamanho da economia no cyberspace, medida pelo total de
vendas na Internet ou alguma coisa como o produto nacional bruto,
cresce mais rápido que qualquer economia do mundo real.
Como o tamanho da economia do cyberspace é bem menor que a do
mundo real, o efeito da taxa de troca internacional ou do fornecimento
de dinheiro é bem limitado. Então o problema principal nesse estágio é
a taxação e a lavagem de dinheiro. Esse dois problemas demandam regras
internacionais, tais como regras de taxação padrão internacionalmente
para transações através da Internet, ou um acordo internacional sobre
investigações de crimes na Internet. O processo de elaboração de tais
regras podem ser tornar pesadas rodadas de negociação entre as nações.
Mas em nenhum caso, essas novas regras serão nada mas que uma
regulamentação cheia de retalhos, as quais não trocam o caráter do
digital cash. Então a expansão do digital cash continuará com
regulamentações fracas.
- Confusão : A expansão do digital cash elevará o tamanho da
economia do cyberspace suficientemente para influenciar a economia do
mundo real. Por exemplo, imagina o tamanho das transações no
cyberspace distante 5 por cento das transações mundiais. Então o
efeitos de desestabilização da taxa de troca internacional e os
efeitos do fornecimento de dinheiro tornar-se-ão realidade. Muitas
pessoas começaram a conceber sobre possibilidades de crises
financeiras. Cyberspace será como câncer para a economia mundial.
Experts e escolas proporão vários planos de reforma para resolver
esses problemas.
Mas há dificuldade para decretar reformas antes que as crises
financeiras realmente aconteçam, porque o significado de reformas,
mais ou menos, introduz regulamentação mundial no cyberspace, e
pessoas vivendo no cyberspace tendem a não gostar de qualquer tipo de
regulamentação. Pessoas vivendo o amor da liberdade do cyberspace
tendem a orgulhar-se da estarem numa anarquia. Desde que a
regulamentação incluiria todos os bancos do cyberspace, ele poderia
requerer um processo de negociação do tempo de consumo. Se a
resistência das pessoas é suficiente forte e negociações gastariam
muito tempo, crises financeiras poderiam ocorrer antes de qualquer
reforma decretada. Com a ocorrência de uma crise financeira, qualquer
um tentaria retirar seu dinheiro do cyberspace e movê-lo para o mundo
real, e o digital cash rapidamente retrairia e a atividade econômica
no cyberspace iria paralisar.
- Organização : Se a crise financeira ocorresse, a necessidade de
reformas tornaria evidente para qualquer um. Que tipo de reforma
poderia acontecer ? Dois planos típicos de reforma poderiam ser
imaginados : segmentação territorial por nações e estabelecimento de
uma autoridade monetária no cyberspace.
Na segmentação territorial por nações, as nações gerenciariam
os seus bancos. Em outras palavras, cada banco na Internet teria uma
nação e seria controlado pelo banco central da nação. O banco central
poderia ser responsável pelos problemas discutidos aqui e poderia
controlar a emissão e circulação do digital cash. Então, digital cash
perderia a transnacionalidade. Como mostrado antes, digital cash sem
transnacionalidade seria somente um novo meio de pagamento como cartão
de crédito e seria controlado pelo governo central. Em contrapartida,
os problemas poderiam ser minimizados pelo perda dos gastos com os
benefícios da transnacionalidade. Essa reforma simbolizaria a redenção
do cyberspace as nações.
O plano de reforma acima não seria uma solução satisfatória
para as pessoas que vivem no cyberspace. Elas tentariam buscar outra
solução. Outra possível reforma seria o estabelecimento de uma
autoridade monetária no cyberspace tal como um banco central no mundo
real. A organização dessa autoridade monetária poderia ser a união dos
bancos da Internet, um comitê de experts e banqueiros, ou uma
organização de representantes eleitos de pessoas do cyberspace. Por
essa razão, essa autoridade monetária seria responsável pelos
problemas financeiros que poderiam acontecer tais como falências ou
instabilidade no fornecimento de dinheiro ou na taxa de troca. Para
efetuar essa proposta, todos os bancos emitentes de digital cash
teriam que aceitar a regulamentação do autoridade monetária.
Entretanto, se o digital cash continuar como um seguimento do
dinheiro real, a autoridade monetária do cyberspace não seria capaz de
efetuar essa troca, porque ela não é responsável pela emissão do
dinheiro real. No mundo real, autoridade monetária pode emitir
dinheiro real em qualquer extensão.
Um das soluções para essa incompetência seria a autoridade no
cyberspace criar uma moeda completamente nova para o digital cash.
Somente a autoridade monetária poderia emitir esse digital cash, e os
outros bancos na Internet usariam o seu cash como base monetária para
emitir seus próprios digital cash. Consequentemente, cyberspace
poderia obter independência econômica com essa moeda.
Para alguns leitores, esse cenário pode parecer ficção
científica. Nós gostaríamos de dizer que isso não é predição, mas é um
dos possíveis cenários, mesmo que radical, baseado nas características
básicas do digital cash.
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6. Conclusão
Digital cash nos trará benefícios assim como problemas. Um dos
maiores benefícios do digital cash é o aumento da eficiência, o qual
trará novos oportunidades de negócios, especialmente para pequenos
negócios. Por outro lado, ele trará quatro problemas : taxação e
lavagem de dinheiro, instabilidade da taxa de câmbio internacional,
distúrbios no fornecimento de dinheiro e possibilidade de crises
financeiras.
Existem um importante atributo do digital cash que ofusca os
benefícios e problemas. A transnacionalidade do digital cash, é a
capacidade de ultrapassar fronteiras nacionais. Cada banco pode emitir
e qualquer pessoa do mundo pode usá-lo. Essa transnacionalidade pode
ter repercussões significativas internacionalmente. Do ponto de vista
econômico, a mais importante característica do digital cash é a
transnacionalidade. Se o digital cash circular com limites de
fronteiras nacionais e for controlado por uma autoridade monetária
internacional, não existiriam implicações econômicas que necessitariam
ser analisadas. Nesse caso, digital cash seria nada mais que um método
conveniente de transação tal como o cartão de crédito. Entretanto,
digital cash é mais que isso. A transnacionalidade tem potencial para
causar conflitos entre o cyberspace e os paises. Se o digital cash
explodir com sucesso no século vinte e um, essa história escrita
poderá ser um registro do batalha do digital cash com os países.
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